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sábado, 21 de janeiro de 2012

Deuses e Alces.





Por Maurício A Costa*

"A consciência do próprio potencial gera a energia que libera a força interior em cada um de nós. E nisso consiste o conceito de liberdade que permite escrever a própria história". (O Mentor Virtual - Pág. 8 - Editora Komedi - Campinas-SP - 2008)
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Por conta das muitas palestras e workshop que apresentei nos últimos anos, tive a oportunidade de conversar com muitos jovens em fase de conclusão de curso universitário ou já iniciando carreira em algumas empresas; uns como estagiários, outros, como colaboradores diretos. Mas, o que sempre me chamou a atenção, é que só alguns deles, tinham propósitos bem definidos, revelando uma postura empreendedora, às vezes já pensando em abrir o próprio negócio, mesmo sem contar com recursos financeiros. Dispostos a apostar no próprio taco com ousadia. 

Em todos esses eventos, percebo que há sempre um pequeno grupo muito atento, destacando-se da grande maioria. Enquanto muitos se encontram ali apenas de corpo presente, eu vejo que uns poucos estão de corpo, mente, e alma. Estão ali por inteiro. Sedentos por escutar direcionamentos que possam balizar suas decolagens para voos rumo ao desconhecido. Afinal, aproxima-se o momento da ‘desmama’, o início do rompimento do cordão umbilical com pai, mãe, ou ambos. Vários deles por sinal, já caminham por conta própria há algum tempo, devido à separação ou perda de pais, demonstrando que transformam a turbulência em fonte energia para a alma, e não em um motivo para revolta ou desculpas a si mesmo. 

A triste constatação, no entanto, tem sido ver com frequência nesses ambientes uma grande massa cinzenta de mortos vivos. Jovens apáticos. Alguns, por conta do excesso de liberdade ou de opções; noutro extremo, seres revoltados com sua situação econômica ou social, exibindo uma postura de indiferença ou agressividade. Um embrião do comportamento de bipolaridade, em consequência da confusão mental que se estabelece devido ao fato de sentirem-se perdidos diante do paradoxo resultante da exibição subliminar ou direta de padrões de vida moldados pela fantasia do cinema ou pela mídia que permeia todos os níveis sociais com imagens paradisíacas de um mundo restrito a poucos, mas que tanto provoca indignação quanto desejo, com a mesma intensidade, gerando sentimentos perversos. 

Muitos desses jovens, acuados pela vergonha, pela insegurança, pela preguiça ou pelo medo, irão permanecer numa zona de comodismo que certamente os levará ao estado apatia, por sentirem-se impotentes para encarar o desafio de mudar a situação em que vivem. É provável até que alguns, manipulados por falsas amizades se autoflagelarão, submergindo covardemente num escuro mundo de poucas saídas, marcado pela dependência de algo que os escraviza de forma impiedosa, como a bebida, o cigarro, ou qualquer outro tipo de droga de maior agressividade. Ou na maioria das vezes, tudo isso junto. Outros, porém, irão transformar todo o incômodo, frustração ou angústia em energia criadora; revelada por meio de atitudes empreendedoras. Mostrar-se-ão abertos ao desafio, especialmente a si mesmos. Na ânsia por conhecimento e informação se comportam como atentos ouvintes e sagazes leitores do universo à sua volta buscando compreender o mundo à sua volta, e criar caminhos alternativos que lhes propiciem a superação e o êxito. Uma postura definida por uma simples palavra: O ‘querer’. O estopim que desencadeia a vontade da mudança, e fomenta todo realizar.

Sempre que me coloco como observador da magnífica odisseia humana, eu me pergunto: O que está por trás de comportamentos tão díspares?... O que faz alguém acomodar-se diante de um desafio ou, ao invés disso, tomá-lo como elemento motivador?... Em que momento isso acontece?... Por que acontece? – A resposta que sempre brota de maneira espontânea em minha mente é uma só: A tomada de consciência! Sim. Parece óbvio demais? Simples demais para ser verdade? E quem disse que a verdade deve ser algo complicado, científico ou místico? A verdade é algo que emana com naturalidade de tudo que observamos. Ela salta aos olhos. Nós é que costumamos fechá-los ao que é simples, para buscar a complexidade das respostas no sobrenatural, ou no obscurantismo das formulações manipuladoras. Por acreditar demais no que outros dizem, pregam, ou impõem, nos deixamos conduzir à revelia de nosso próprio ser em potencial, ou de nossas vontades; nos submetendo ao cabresto dos paradigmas, das lavagens cerebrais midiáticas, ou dos reflexos condicionados que nos grudam nas cavernas de nossa ignorância. Por conta disso, nos afastamos de grandes oportunidades e das chances de êxito. 

Foi a tomada de consciência nos primórdios da humanidade que nos fez sair da condição de meros ‘alces’, para alcançarmos a primazia de reinar acima de todos os animais, e de tudo que está sobre a terra. Tomamos consciência de nós mesmos. Consciência do outro. Consciência da vida. Consciência da morte. E é a consciência de todo potencial entre esses dois momentos mágicos que nos faz ser o que somos. O grau de ‘conscientização’ é que nos difere em relação ao universo que nos cerca. Se me comporto como um ‘alce’, não serei capaz de enxergar a essência das coisas, como um cínico, verei através delas o infinito, mas não terei discernimento para compreender a inter-relação de seus elementos. Não refletirei sobre o mundo de possibilidades que se desdobra a partir de uma única imagem à minha frente. Serei guiado apenas por instintos de sobrevivência, mas, jamais por uma elaboração que transcenda tais instintos primitivos. Só ao tomar consciência de si mesmo, o ser humano pressentiu a personalidade da própria alma. Descobriu a magnitude de agir como um ser único.

Qual a diferença, então, entre aquele momento primordial e decisivo, e o tempo atual, se continuamos a coabitar com seres que ainda não se descobriram? Se compartilhamos com uma grande maioria que vive ao sabor das estações, seguindo a manada. Deuses que ainda não acordaram para o novo estágio. Ora lamentando como bezerros desmamados pelas mínimas coisas, ora agressivos como feras, movidos por humores decorrentes de hormônios que fluem sem controle em suas glândulas originalmente animal. E por se comportarem como manadas, tornam-se presas fáceis, conduzidas facilmente por pseudo-líderes, falsos amigos, ou impostores disfarçados de apascentadores, que delas retiram toda e qualquer seiva de vida, agindo como verdadeiros vampiros humanos, para alimentar suas ambições.

Várias vezes fui questionado sobre minha postura humanista em um mundo marcado pela força desmesurada do interesse financeiro. Perguntam-me com frequência como consigo atuar como estrategista ou consultor de empresas pensando de uma forma tão diferente de muitos empresários que focam isoladamente o imediatismo do lucro. Antes, porém, quero dizer que não há nada de errado com o lucro. Ele é o retorno do universo ao esforço e à inteligência; uma recompensa ao sábio uso de recursos e do potencial que se prospecta de maneira corajosa e guerreira. Na parábola dos talentos, citada no livro sagrado dos cristãos, há uma menção clara a esse respeito, e por concordar com essa forma de pensar, sou defensor do lucro e da prosperidade; mas isso não me torna um apologista da ganância, por saber que todo exagero tem seu preço e ao invés de gerar felicidade, poderá produzir estresses indesejáveis. 

Sou o fã número um de qualquer empreendedor, não importa o tamanho, que ousa desafiar o mundo para dar vida a uma ideia. Torno-me seu mentor, com a visão de fora, para apoiá-lo na busca desse ideal. E meu compromisso, ou único propósito quando inicio qualquer projeto de consultoria é com a inovação; isto é, a renovação ou oxigenação da empresa; o pensar diferente, capaz de estimular e gerar significativa alavancagem de receitas e rentabilidade. E por pensar diferente, por conta da visão de fora, percebo oportunidades onde alguns veem apenas dificuldades ou turbulências. Ajudo a identificar e criar possíveis conexões que potencializem seu projeto original. Nesse processo, vejo no ser humano o elemento chave para o sucesso de qualquer empreendimento, embora, não faça disso um simples chavão. Não me utilizo da retórica para justificar interesses disfarçados. Pelo contrário, trato de identificar potencialidades e despertar valores. Foco na construção de sinergia, consciente de que essa é a base para a construção de uma marca forte, e por saber que, por trás de um profissional, colaborador ou parceiro com quem nos relacionamos haverá sempre um ser humano, com seus pontos fortes e fraquezas; com alegrias e traumas de um passado desconhecido; um ser com determinação e coragem, mas carregado de angústias e dúvidas como qualquer outro. Afinal, dentro de qualquer super-herói existirá sempre uma alma frágil e sonhadora, ansiosa por realização, precisando de apoio à sua marca pessoal, para identificar conexões adequadas, e assim ampliar as chances de melhores resultados ao seu esforço.

Por saber da importância do ser humano na construção de uma marca forte empresarial é que direciono boa parte da minha atenção para o fator gente, e dedico uma parcela do tempo a estimular ou provocar ‘tomadas de consciência’ em seres que se comportam, às vezes sem perceber, como se fossem ‘alces’. Inconscientes do próprio potencial, alheios, de maneira incompreensível, ao que se passa ao seu redor. E embora esse despertar, possa ocorrer a qualquer tempo, será tanto mais eficaz quanto mais precocemente ele seja desencadeado; uma vez que, tornou-se imperativo e urgente 'acordar' para esse mundo que caminha a velocidades cada vez maiores, e onde não há mais espaço para a mediocridade e o comodismo. 


Alguns profetas  do apocalipse de plantão dizem que o mundo irá acabar em 2012. Eu lhes digo, porém, que ele já começou a acabar há algum tempo e muitos ainda não se deram conta. Não acabará fisicamente como muitos querem sugerir, mas na percepção que temos dele. Mudará totalmente a forma como sobreviveremos. No modo como nos inter-relacionaremos, para estabelecer importantes acoplagens. E a palavra mágica desse mundo novo que está nascendo sob nossos olhos chama-se 'sinergia': A consciência do todo, a noção de complementaridade que cria extensão e crescimento; essencial a qualquer empreendimento. A compreensão do elo invisível que libera o fluxo de energia propulsora que gera vida. Isso é o que irá separar alces de deuses. Quem souber entender essa mensagem sobreviverá; quem a ignorar estará fadado a desaparecer, ou no mínimo, entrará em processo de extinção, pelo simples fato de que os desafios se tornarão cada vez mais severos e mais complexos, exigindo ações conjuntas que potencializem toda sabedoria disponível.

Do ponto de vista empresarial, não serão prédios ou máquinas que formarão a parte mais importante do patrimônio de qualquer empreendimento do futuro; mas sim, o senso de urgência e competências para estabelecer conexões cada vez mais complexas. A força do empreendimento virá acima de tudo da capacidade de seus empreendedores perceberem o potencial humano como seu bem maior. Será imprescindível ter consciência de que a marca guarda-chuva, ou seja, a grande marca corporativa não sobreviverá exclusivamente por conta do volume de recursos financeiros disponíveis, mas do valor agregado gerado por cada marca pessoal que a compõe, comprometida com o desafio de construir algo pleno de 'significado'. Da mesma forma, que a característica pessoal mais marcante a ser levada em conta por qualquer empresa contemporânea, nos momentos de contratações de suas equipes será a do 'empreendedorismo', refletida em atitudes como criatividade, iniciativa, coragem, interatividade, ousadia, discernimento, automotivação, e determinação. Em outras palavras, a plena consciência do próprio potencial. 

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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Executivo, Estrategista ou Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, empreendimento comprometido com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.

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