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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Transformações. Um Princípio Universal





Por Maurício A Costa*

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia. E, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos" (Fernando Pessoa).

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Inicio quase sempre minhas palestras falando sobre a velocidade da mudanças. Esse é o tema mais perturbador de todos os tempos. Não a mudança em si, pois essa sempre existiu. O que enlouquece os seres humanos na verdade, é a velocidade como essas mudanças estão se processando. Esse é o grande desafio atual. Essa a causa de toda aflição e angústia da humanidade.

O filósofo Heráclito já dizia há mais de dois mil e quinhentos anos: 'a única coisa permanente é a mudança'. Sobre esse tema, aliás, ele ia bem mais fundo, ao afirmar algo quase insano para sua época: 'O mundo é um fluxo perpétuo onde nada permanece idêntico a si mesmo, mas tudo se transforma no seu contrário. A luta é a harmonia dos contrários, responsável pela ordem racional do universo. A nossa experiência sensorial percebe o mundo como se tudo fosse estável e permanente, mas o pensamento sabe que nada permanece'. Ou seja, a mudança não é um fato isolado, simples, previsível. Ela é radical, aleatória, e na maioria da vezes, no sentido oposto. Um aparente incoerência, a revelar imperativas leis universais como ação e reação, e princípios da atração e complementaridade.

Como não quero divagar sobre temas filosóficos neste momento, em respeito aos leitores que preferem um linguajar simples, prefiro viajar nas palavras de Fernando Pessoa, que abrem este texto; embora saibamos que no fundo, ambos falam exatamente da mesma coisa, com tonalidades diferentes. E para começar, quero chamar a atenção para a palavra 'ousadia'. Uma expressão que implica atitude, e exige uma postura desafiadora diante de uma situação qualquer. Ousadia é ir além daquilo que outros foram. É coragem para encarar o novo sem medo e sem preconceitos. Pode exigir sacrifícios comprometedores da segurança e do conforto daquilo que é conhecido. Mais que isso, pode ser irreversível e irremediável. Mas é o que realiza o ser humano em toda sua plenitude. 

O seguir em frente é algo inexorável. Impõe escolhas, condutas e decisões. Não admite a preguiça, a indolência, ou o comodismo. Impõe como disse, atitude. E é a ausência de atitude que imobiliza seres humanos para sempre diante de seus desafios, deixando-os fragilizados. Essa postura de imobilismo diante da necessidade de mudança pode desencadear todos os sintomas de insegurança ou medo, e costuma estimular muitas das enfermidades mentais, corporais ou espirituais. Está mais do que provado que muito dos cânceres, que durante anos permaneceram escondidos ou latentes em um organismo, podem se manifestar de uma hora para outra, por conta do estresse causado pela ansiedade ou insegurança. Esconder-se diante do desafio é acovardar-se diante de si mesmo, ignorando o próprio potencial.

Tanto na vida pessoal, como profissional, ou até mesmo na vida empresarial, a inércia, ou falta de ação diante do desafio da mudança pode ser fatal. Tenho como um mantra, uma frase do professor e consultor Clemente Nóbrega, citada em seu livro 'Em Busca da Empresa Quântica', que diz: "A condição para crescer e evoluir é manter-se aberto aos sinais de fora... É querer a mudança". Entretanto, poucos querem realmente a mudança. Pelo contrário, muitos fogem dela. E é aí que reside o perigo. Por uma simples questão de lógica: Se a mudança é um princípio universal e constante; se o mundo à nossa volta está mudando a uma velocidade espantosa, e nós não estamos mudando, algo estará errado, e inevitavelmente estaremos fadados a permanecer à margem de todas as possibilidades. Diante de um previsível furacão, a sabedoria está em mexer-se rapidamente. E o agora é o momento de todas as transformações. O tempo impõe mudanças imediatas.

Muitas das mudanças que precisamos operar em nossas vidas dependem em muito de coragem, mas também de preparação. E aqui reside mais um desafio. Porque nem sempre nos preparamos para situações adversas. Agimos na maioria do tempo como se tudo à nossa volta fosse imutável. E a falta de preparação irá produzir a ansiedade que gera o estresse, e paralisa. Alguns alegarão falta de tempo, outros de recursos para se preparar, e muitos com certeza alegarão a própria idade. Todavia, a causa maior reside sempre na falta do querer quer impulsiona a vontade. A preguiça e o comodismo são, via de regra, os grandes inimigos íntimos do êxito e da superação. Para atingir estágios superiores é imperativo 'querer a mudança'; sem isso não ocorrerá qualquer transformação. Como dizia o grande poeta e filósofo alemão Goethe, 'seja qual for o seu sonho, comece. Ousadia tem genialidade, poder e magia'.

Há um imperativo renascer a cada minuto. Não um renascer da carne como alguns poderiam pensar, mas um renascer do espírito, removendo toda crosta que durante milhões anos envolve nossa alma. Porque como diz o Mentor Virtual, o mestre invisível que me acompanha: 'Renascer é deixar para trás tudo aquilo que já não faz parte de nossa vida. Não somos nós que morremos nesses momentos, são os paradigmas'.

Quando encaramos a mudança como algo essencial e necessário, retiramos todos os véus que encobrem nossas potencialidades e nos apresentamos ao mundo renovados, confiantes e decididos. E é isso que nos torna admirados, respeitados e porque não dizer desejados, característica maior de uma marca forte. Só você pode escrever sua própria lenda. Não delegue isso jamais.
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'Defina o roteiro da sua história. Comece a escrevê-la a partir deste momento, O mundo inteiro está aguardando para escutá-la. Não se esqueça de que é você o personagem central e todos à sua volta, maravilhosos e imprescindíveis coadjuvantes' (O Mentor Virtual - Ed. Komedi - Campinas-SP - 2008).
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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Consultor, Parceiro, ou Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte. 

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país. 




domingo, 18 de dezembro de 2011

Conectividade. O Caminho da Sinergia






Por Maurício A Costa*

"Tudo está intimamente ligado. Cada mínimo elemento carrega em si um relevante e decisivo papel para que o extraordinário aconteça. num espetáculo de infinitas possibilidades" (O Mentor Virtual - Pág. 82 - Editora Komedi - Campinas-SP - 2008).

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Conectividade pode parecer uma palavra complicada a princípio. Por isso, vamos começar nosso texto desmistificando ela. Conectividade é capacidade que um sistema qualquer tem para operar em ambiente de rede. Ocorre, por exemplo, quando um computador ou programa pode 'conversar' com outros, trocando informações importantes para criar um efeito superior. Entre seres humanos, a conectividade é a sintonia  que permite a duas ou mais pessoas estabelecerem uma cooperação para construir algo maior. Essa associação entre dois ou mais elementos distintos gera um esforço simultâneo capaz de produzir um desempenho melhor que aquele que ocorreria de forma individual e isolada. A esse aumento de poder, ou 'potencialização', chamamos de sinergia; uma palavra mágica, por multiplicar a força disponível de maneira ilimitada e promover um resultado muito acima do convencional.

Assim, quando dizemos que a conectividade é o caminho para sinergia, estamos traduzindo para o mundo empresarial ou corporativo a simples e estupenda idéia popular contida na expressão 'a união faz a força'. Algo óbvio, de conhecimento geral, quase sempre esquecido ou empregado de forma distorcida. A coesão dos membros de um time, associação, ou equipe atuando em prol de um objetivo comum resulta sempre em algo acima da mediocridade. Essa é a idéia.

Alguns meses atrás, apresentei para uma associação de empresários, que juntos produzem uma quantidade expressiva de bijuterias, uma idéia inovadora visando construir sinergia entre eles. Apesar de existir um espírito associativo, e estarem movidos da maior boa vontade, esse esforço não tem sido suficiente para conter o avanço dos produtos chineses, que chegam ao país de forma cada vez mais avassaladora, produzindo uma concorrência predatória, por conta de uma quantidade significativa de empresas que vem sendo abertas diariamente sob a forma de franquia e se espalham pelo país inteiro, trazendo produtos importados a preços extremamente competitivos e assim, vai massacrando pouco a pouco essas pequenas empresas, tal qual já vem acontecendo com a indústria têxtil em muitas regiões. Tudo por conta da ausência de sinergia! Consequência da falta de vontade política dos líderes, falta de um projeto ousado, falta de um plano que permita a esses empreendedores serem inseridos em um contexto internacional, para competir em condições de igualdade mundial. Ao invés disso, o que assistimos é um completo descaso para com a comunidade empresarial local, deixando-a à mercê da violência dos mercados protegidos por líderes de maior visão. Enquanto aguardo uma posição sobre o projeto apresentado para aquela associação, acompanho reportagens no noticiário nacional apontando irregularidades no campo político, com desdobramentos importantes como a cassação de mandatos incluindo prisões, com o objetivo de restabelecer a ordem. Por conta disso, todo um segmento flutua ao sabor das marés. Sem unidade e liderança, ignoram a dimensão da tempestade que poderá surgir a qualquer momento.

Em todos os segmentos, de todas as regiões do país, é possível ver o extraordinário esforço individual de ousados empreendedores que começaram do nada alguns anos atrás e que aos poucos vão conseguindo sobreviver e até crescer, em meio a adversidade, produzida por financiamentos bancários com juros exorbitantes, além de quase sempre estarem endividados com impostos impagáveis por conta de uma carga tributária alienada e sufocante. São guerreiros anônimos de um país que confunde sinergia com política e não percebe que o 'toma-lá-dá-cá' individual não passa de uma armadilha de efeito retardado, montada para um futuro que chegará de forma cruel a destruir seu espírito empreendedor, quiçá, de maneira irreversível, porque isoladamente não se cria força suficiente para enfrentar adversidades e muito menos uma concorrência como a chinesa, que é fruto da poderosa idéia de unidade, propiciando que seus membros atuem em bloco, coesos, direcionados para um mesmo objetivo. A síntese do que chamo de sinergia.

Conectividade e Sinergia formam a base de qualquer religião. E religião não é mais que um conjunto de crenças nas quais se acredita cegamente, sem questionamentos. Nesses casos, os objetivos são comuns, a coesão é forte, e o esforço é simultâneo e decisivo. Não há espaço para hesitação, desvio de conduta, ou tempo para filosofar. Tudo é bem específico, direcionado, hierarquizado, delegado, sistematizado e pontual. O propósito maior torna-se lei. A meta é amplificar a força, construir bases sólidas. Crescer. E, se alguém eventualmente sair dessas premissas estará fora. Sem discussão. A visão é única. As regras são claras. Isso pode ser visto também, em todo projeto que envolve um sério trabalho de Equipe, tal qual o Cique de Soleil, que por trás de toda sua beleza e plasticidade carrega um magnífico espírito de unidade. 

Onde houver uma família desunida, um grupo com interesse difuso, uma empresa sem propósito unificado, ou uma associação sem conectividade e sinergia, aí se perceberá perda de energia, desperdício de esforço e vulnerabilidade a crises e turbulências. Quando se coloca os interesses individuais acima de qualquer coisa não se pode esperar muito de um 'cluster', aquele aglomerado de pessoas ou máquinas que deve atuar em bloco para maximizar resultados. Através da conectividade se alcança a sinergia e por meio dela é possível atuar em conjunto com um objetivo comum, para alcançar uma meta. Ou em palavras mais simples, quando se trabalha em grupo, focados no mesmo ideal é possível obter um resultado muitas vezes maior que aquele que conseguiríamos sozinhos. Esse é o espírito que deve reger qualquer ação comunitária, qualquer ambiente associativo, qualquer unidade familiar ou qualquer projeto que vise aumentar receitas e rentabilidade em um ambiente empresarial repleto de adversidades; sem que haja necessidade de mágicas ou falcatruas; apenas o efeito da ação conjunta, do estar 'conectado'; consciente de que tudo no universo se complementa, e que nada se exclui. Luz e sombra, quente e frio, vida e morte, paz e guerra, amor e ódio, eu e você. Juntos formamos algo imensamente maior que a soma de nossas individualidades. Aposte nisso.

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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Executivo, Estrategista ou Membro do Conselho de Empresas sérias e comprometidas com a verdade.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.



segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Direção. O Caminho Definido Por Um Propósito




Por Maurício A Costa*



“Muitos são obstinados em relação ao caminho tomado, poucos em relação à meta” (Friedrich Nietzsche, em 'Humano, Demasiadamente Humano' – Pág. 267 – Cia. das Letras - 2000)


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Ainda nos primeiros anos de escola, estudamos um pouco de Geometria, e ali aprendemos uma regrinha básica de álgebra: "a menor distância entre dois pontos é uma reta". Esse princípio universal, pode nos ser útil como referência para uma interessante reflexão: a de que muitas vezes não chegamos a lugar algum, pelo simples fato de não havermos definido dois importantes pontos: aquele onde estamos, e aquele aonde queremos chegar... Essa simples regra, é a base de qualquer navegação; tanto para uma pequena embarcação, como para o maior de todos os transatlânticos. Boa parte do nosso estresse diário, é sem dúvida alguma causado pela ausência dessa definição, que nos faz sentir perdidos ou desorientados em relação às nossas vidas, ou aos nossos empreendimentos. Para a construção de uma marca forte; seja ela pessoal ou empresarial, é fundamental definir-se o ponto de partida e o ponto onde se pretende chegar. Quando unimos esses dois pontos, traçamos uma reta. Essa reta, nada mais é que a direção a seguir; e é esse direcionamento que define o caminho.

Quando em um empreendimento, essa regra não é levada à sério por qualquer razão, a provável consequência é ficar girando em torno do eixo, ou de si mesmo, sem que se avance em qualquer direção. Algumas organizações, quer familiares ou empresariais, podem reclamar do pulso firme de seu líder, focado com certa intransigência numa direção, mas é a ausência desse pulso, que invariavelmente, permite a deturpação do duvidoso conceito de administração participativa, provocando uma situação anárquica que usualmente vem a comprometer os objetivos do empreendimento, e podem até levá-lo ao fracasso.

Certa vez, escrevi uma matéria da qual republico aqui alguns trechos interessantes que vale a pena relembrar para ilustrar este artigo. Há um breve diálogo na história de ‘Alice no País das Maravilhas’ que a meu ver tem gerado uma interpretação errônea para muita gente, por tomar a personagem como uma 'alienada' que não sabe o que quer ou para onde ir. Eu mesmo, por falta de uma análise mais criteriosa cometi esse erro, ao utilizar em meu primeiro livro da série ‘O Mentor Virtual’ a imagem de uma Alice desorientada, quando inseri a expressão “quando você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve” (O Mentor Virtual –Pág. 203); um lamentável equívoco que pretendo corrigir agora. Para iniciar, vamos recordar a parte onde no diálogo com o Gato, Alice pergunta: ‘o senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?’, ao que o Gato lhe responde: ‘isso depende muito de para onde você quer ir’. Nesse momento, ela retruca: ‘não me importo muito para onde’... Ao que o Gato lhe diz: ‘então não importa o caminho que você escolha’. Entretanto, apesar de muito confusa, Alice completa: ‘contanto que dê em algum lugar’. Ao ouvir isso, o Gato diz: ‘oh, você pode ter certeza de que vai chegar... Se você caminhar bastante’. 

Se analisarmos com mais cuidado o diálogo acima, veremos que Alice sabia exatamente o que queria: Sair daquele lugar! Sim, isso mesmo. Não importava o caminho para ela, desde que desse em alguma saída. Sua meta estava bem clara. Tanto, que ao prestar mais atenção ao comentário de Alice, o Gato de maneira sábia, imediatamente corrigiu sua postura arrogante e vaticinou de forma taxativa que ela com certeza chegaria ao seu objetivo, tudo que precisaria era apenas caminhar bastante. Em outras palavras, o 'se' é a condição que impõe colocar toda energia em direção à meta.

Neste ponto, você deve estar achando que é uma insanidade de minha parte misturar Nietzsche com Alice no País das Maravilhas, mas na verdade, “tudo está intimamente ligado”; quero criar a ‘ponte’ para os dois temas, simplesmente para reafirmar essa máxima do Nietzsche no início deste texto, quanto ao apego obstinado ao 'caminho', quando deveríamos refletir mais sobre nossa meta, ou seja, nosso propósito. Porque sem um objetivo claro na vida, um lugar bem definido de onde chegar, caminhamos sem rumo como animais; seguindo por seguir, agindo como zumbis. ou mortos-vivos. É desse objetivo que nos fala Nietzsche. É fundamental entender com clareza o propósito que sintetiza aquilo que faz sentido para nossa alma, essência daquilo que somos. “Sem a consciência da sua alma, o ser humano não utiliza o potencial a seu dispor e torna-se um alienado; alheio a milhões de possibilidades. Limitado como um alce, diante das múltiplas escolhas que poderia operar”, ensina ‘O Mentor Virtual’ (Pág. 39). 

A cada minuto operamos escolhas e essas escolhas devem, necessariamente, estar sincronizadas com o nosso propósito. Como diria a Alice, não importa o caminho que escolhamos, o importante é que ele nos leve ao ponto onde queremos chegar. O que acontece é que, na maioria das vezes nos divorciamos daquele propósito que definimos e nos perdemos por caminhos que não levam a lugar algum. E neste ponto sim, cabe o alerta incisivo daquele Gato, mencionado no Mentor Virtual : “Quando você não sabe para onde está indo, na verdade, não está indo a lugar algum”. Por essa razão, não precisamos nos preocupar tanto com o caminho escolhido, mas, desfrutá-lo; desde é claro, que estejamos na direção correta para alcançar a meta; pois “caminhar na direção certa, ainda que devagar, é mais eficaz que andar depressa na direção errada”

Para construir uma marca forte, é imprescindível definir onde se quer chegar; uma vez que, “definir onde chegar é assumir consigo mesmo um compromisso em relação às suas escolhas”; - porque trabalhar a própria marca é antes de tudo, identificar o sonho por trás da meta; e ao perceber aquilo que lhe toca de mais profundo, canalizar toda energia nessa direção. No que diz respeito às empresas, entretanto, apesar de suas equipes serem informadas com clareza de "para onde é preciso ir", cada um quer definir seu próprio ritmo, sua própria velocidade e direção pessoal; o que produz um esforço sobrenatural, um desgaste intenso, e uma enorme sensação de desconexão, a gerar perda de tempo, de energia e acima de tudo de resultados. Estão individualmente girando em círculos, e não numa direção específica definida por uma reta; 'se matando' sobre uma esteira ergométrica a produzir muito suor, sem ir a lugar algum.



Uma das mais importantes lições que aprendi como piloto, foi que não se deve tirar o avião do chão sem antes definir o lugar para onde se vai. O aeródromo de chegada. Se em alguns momentos nos angustiarmos por nos sentirmos perdidos, é bom lembrar que isso nem sempre é por falta de opções; na maioria das vezes pode ser por excesso de alternativas. E nesses casos, a direção só poderá ser definida se por trás houver um propósito claro e bem definido. Como o êxito na vida pessoal, ou de um empreendimento de qualquer porte depende essencialmente do pensamento estratégico, cuja essência é o questionamento, quero deixar cinco perguntas básicas para uma reflexão sobre o tema: 1) Você tem uma noção clara do seu propósito? 2) Tem uma reta traçada entre o ponto onde você está e aquele onde gostaria de chegar? 3) Todos à sua volta estão ao par dessa direção que você definiu? 4) Em seu empreendimento sua equipe está agindo de forma comprometida com esse objetivo? 5) Suas escolhas e decisões estão coerentes com a sua meta? 

Quando sentir que necessita de apoio para desenvolver o pensamento estratégico em sua vida ou organização, não hesite em buscar apoio externo. Dispa-se da vaidade e complemente sua análise com a visão de fora. Ela poderá ser decisiva para ajudá-lo a enxergar mais longe, tal qual uma torre de controle, que com informações atualizadas sobre as condições do tempo e do tráfego aéreo, permitem um vôo tranquilo para o destino que se planejou. 

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*Maurício A Costa é Estrategista. Diretor da SUPPORT BRANDS, empresa de Estudos e Projetos para Alavancagem de Receitas e Rentabilidade, com foco no Pensamento Estratégico, Análise de Valor Agregado, Gestão e Licenciamento de Marcas. A 'visão de fora' para o Empresário que deseja crescer com segurança. 

É o autor do livro O MENTOR VIRTUAL. Está disponível sob consulta para palestras, seminários e workshop em Empresas, Universidades e Associações. 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Disciplina. A Estratégia de Uma Marca Forte




Por Mauricio A Costa*



Nos últimos tempos tornou-se compulsório a leitura de artigos, em tudo que é veículo de comunicação, cujo conteúdo destaca a pandemia da corrupção que se alastra no país, e vai aos poucos tomando conta da sociedade como uma doença incurável, crônica pela própria natureza. Uma enfermidade que não se apresenta como um mal a princípio, pelo contrário, no começo ela só traz alegria, poder, e realização. Seus males só irão se revelar mais tarde, quando o desejo por satisfação se torna insaciável, tal qual aquele que depende de uma droga para manter seu nível de euforia, e só posteriormente a situação começa a sair do controle de forma perigosa e descarada. Assim, a obtenção da vantagem pessoal, um comportamento válido, típico da luta pela sobrevivência em todas as espécies, que se transforma em algo extremamente maléfico na espécie humana, por conta da degeneração do próprio conceito de sobrevivência.

Ao que parece, os níveis de hormônios necessários para atender os estímulos sensoriais no ser humano, vão se tornando cada vez mais complexos. A serotonina, por exemplo, um neurotransmissor envolvido no processo de comunicação dos neurônios no metabolismo dos seres vivos, deixou de ser o responsável apenas pelo controle de algumas funções básicas como o sono e o apetite, ou para minimizar os efeitos da depressão ou esquizofrenia, para se tornar uma molécula manipulável, estimulada por ações de drogas farmacológicas como a 'fluoxetina' ou o 'ecstasy', produzidas com o claro propósito de promover a alegria artificial, ou estados momentâneos de euforia. Um exemplo claro de como o 'hedonismo', doutrina ou teoria que define o prazer como o bem supremo da humanidade, vai ganhando adeptos, independente dos meios que se venha a usar para obtê-la, confundindo prazer com felicidade, ou realização. Como ensina 'O Mentor Virtual': 'Todo prazer tem caráter momentâneo e, uma vez alcançado, gera um enorme vazio na alma. A sensação de um impulso satisfeito cria temporariamente a ausência de querer, porque a posse costuma sepultar o desejo. Ao contrário do prazer, a realização pessoal tem natureza perene, pois está vinculada a metas cujos valores transcendem o aspecto meramente material, por atender aos anseios de uma alma que é única, viajando através do tempo, em busca de evolução e liberdade'

A ausência de controle, leva o ser humano a demandar por sensações de prazer cada vez mais sem limites, a gerar comportamentos alienados em relação ao seu próprio ambiente. O consumismo desvairado que assola seres humanos em todas as partes do mundo é outro exemplo de como a busca insaciável por satisfação vai criando pseudo necessidades, a produzir como consequência angústias de todo tipo quando não atendidas.  Como diz meu inseparável mentor: “Os homens que vinculam prazer à liberdade se tornam na verdade, escravos daquilo que julgam lhes dar prazer. Iludem-se ao acreditar que podem ter controle sobre suas vidas” (O Mentor Virtual – Pág. 37 – Ed. Komedi – Campinas-SP – 2008). - A mesma Sabedoria que ensina: "A alegria do coração é a vida do homem, e um inesgotável tesouro, que torna mais longa a sua vida", diz também: "Melhor ir para a casa onde há luto que para a casa onde há banquete. Porque aí se vê aparecer o fim de todo homem, e os vivos nele refletem. Tristeza vale mais que o riso, porque a tristeza do semblante é boa para o coração". E embora esses dois textos, atribuidos ao rei Salomão (971-931 a.C) possam demonstrar aparente incoerência entre si, alertam-nos para o perigo da alienação provocada pelo descontrole decorrente dos momentos de euforia. 'Há mais sabedoria no siso que no riso', diz a sabedoria popular.

É a busca descontrolada do prazer, ou satisfação irrefreável dos instintos que estimula e dá origem à corrupção; refletida no desejo de acumulação sem limites, que garanta o ócio, permita a degeneração do sexo, ou dê asas a gula. No descontrole está o germe da epidemia que se alastra. A Revista Exame, em sua mais recente publicação, traz como assunto de capa, o artigo 'O Homem e a Máquina', cujo enfoque é gestão pública brasileira, citando Brasília como 'uma ilha da fantasia; um lugar onde uma minoria parece conspirar diariamente para sugar o dinheiro de quem trabalha'. Todavia, a expressão 'ilha da fantasia' deveria se aplicar a alienação reinante em todo país, e não apenas ao ambiente de Brasília; pois a corrupção, como se sabe, é uma via de mão dupla. Segundo a revista, o Brasil é um dos países mais corruptos da atualidade, e isso faz com que a ineficiência tenha se tornado algo crônico, produzindo um absurdo descalabro na administração pública, que apesar de contar com um orçamento trilionário, é incapaz de financiar uma infraestrutura compatível com o tamanho da nossa economia. Nos últimos tempos, temos visto vários ministérios sendo desmontados por conta das denúncias de superfaturamento e recebimento de propina, reflexo entre outras coisas, da mobilização que começa a tomar forma no país contra os bandos ou gangs que dominam vários feudos da gestão pública e a tornam tão ineficiente.

Para enfrentar essa desordem generalizada que resulta numa enorme perda de recursos e oportunidade de crescimento, um homem foi escolhido para promover um 'choque de gestão' no sistema. Fosse qualquer outro nome, eu colocaria minhas dúvidas quanto ao resultado dessa hercúlea tarefa, mas o senhor Jorge Gerdau Johannpeter não é qualquer um. Tive a oportunidade e porque não dizer, a honra de conhecer e trabalhar com esse empresário pessoalmente, e com ele aprender uma das mais importantes palavras do meu dicionário particular: disciplina. Minha identificação com esse líder vem da juventude, porque parte da minha trilha pessoal, respeitando as devidas proporções, sempre teve muito a ver com a sua história de vida; especialmente no tocante ao amor pelo trabalho. Com pesar, revelo aqui, que uma das coisas das quais me arrependo, é de haver solicitado, por razões familiares, para me retirar precocemente do grupo que ele liderava. Estou certo de que haveria aprendido muito mais, se houvesse seguido seus passos por mais tempo. E com essa mesma certeza, sei que o país terá muito a aprender se tiver humildade para escutá-lo.

Em minha opinião, o sucesso de qualquer empreendimento passa necessariamente pela dicotomia entre duas palavras: trabalho e disciplina, e são essas as principais características que destaco nesse empresário. Indibitavelmente, seu estilo irá falar mais alto que qualquer discurso. Seu empreendimento, o Grupo Gerdau, é um exemplo disso. Uma empresa que superou todo tipo de adversidade imposta por tantos governos incompetentes ou corrompidos (ou ambos), ao longo de anos, para se transformar em um dos maiores empreendimentos privados no Brasil e no exterior. Sua história de sucesso, no entanto, não nasceu à toa. Não foi construída sobre a ineficiência ou comodismo. Eu conheci esse grupo de perto e sei da obsessão dos Johannpeter pelo desafio sempre enfrentado com disciplina. E é essa única forma de vencer e superar que acredito.

Para encarar essa endemia que se alastra na sociedade em busca da satisfação sem limites não há remédio melhor que a disciplina. Ela é a melhor estratégia para a construção de uma marca forte. É disciplina o que está faltando nos lares da maioria das famílias. É a ausência de disciplina que tem causado o maior índice de insucesso nas empresas brasileiras. É a indisciplina que tem produzido toda ineficiência, corrupção e atraso na condução de qualquer política social e econômica nacional. Filhos indisciplinados irão se tornar potenciais cidadãos vulneráveis à corrupção, ao comodismo e ao prazer descontrolado, porque não há rédeas ou limites. Tudo é permitido, e a punição não é mais que uma utopia. Empresas sem disciplina se tornarão ambiente propício para produzir corruptores, disfarçados de homens de negócios ou lobistas.

Mas, afinal, como definir 'disciplina? - perguntaria o leitor. Disciplina é antônimo de confusão, e sinônimo de ordem. Uma palavra que às vezes parece inócua e sem sentido, a emoldurar a bandeira nacional. Disciplina implica obediência de forma sistêmica daquilo que é definido, como uma regra que contém sabedoria, especialmente quando relacionada a um propósito comum que se pretende atingir com firmeza e determinação. Em resumo, disciplina impõe organização no que se faz, e acima de tudo uma forte dose de comprometimento com o resultado final. Assim sendo, não há como construir crescimento sustentável de um país, se os seus cidadãos não se unirem em torno de um mesmo objetivo, de maneira disciplinada, colocando a coletividade ou o bem comum como parâmetro para os limites da 'vantagem pessoal'. Não se pretende aqui, modificar uma lei universal, a do comportamento guerreiro pela sobrevivência, que impele o ser humano a lutar por suas conquistas pessoais; mas de estabelecer limites para tanto. É o excesso de liberdade que se transforma em libertinagem. É a falta de controle que dá vez à permissividade. É por fim, a indisciplina ou desorganização que produz o fracasso de qualquer administração, onde só um verdadeiro 'choque de gestão' poderá recolocar ordem na bagunça que se generaliza.

Estou certo de que o senhor Jorge Gerdau Johannpeter  tem um enorme desafio pela frente ao encarar o Leviatã brasileiro, besta de mil cabeças representado por um Estado, conduzido por todo tipo de interesse, de maneira impessoal, desregrada e manipulativa. Ao mesmo tempo, acredito em sua competência para essa missão, especialmente pelo fato de haver tomado isso como uma causa pessoal. Sinto-me honrado em trazer sua marca em meu currículo profissional, bem como suas lições em minha vida pessoal; e diante desse enorme desafio, coloco minha confiança nesse líder a quem dedico com respeito este artigo, desejando-lhe sucesso nas várias frentes em que atua, quer como Coordenador da Câmara de Gestão e Planejamento do Governo Federal, como Coordenador Geral da Ação Empresarial Brasileira, ou como Presidente do Conselho Superior do Movimento Brasil Competitivo. Faço votos também de que a Presidente Dilma Rousseff como primeira mulher a dirigir este país, consiga livrar-se da hedionda máfia que a cerca e mostre mais do que nunca, a marca guerreira de quem sempre lutou por valores autênticos. A caneta que dispõe à mão neste momento, é infinitamente mais poderosa que qualquer arma que tenha empunhado no passado em sua batalha pessoal por um país melhor.

Se por outro lado, cada um de nós, em nossa vida pessoal ou empresarial, levar a sério o trabalho e a disciplina, iremos com certeza minimizar as adversidades inerentes à complexa tarefa de transformar idéias em resultados; porque essas são palavras que dão sustentação a estratégia de construção de qualquer marca forte. Mais ainda, quando essa marca tem o nome de um país como o Brasil. Cabe-nos unicamente acreditar nisso, e agir de acordo com essa convicção.

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*Mauricio A Costa, É estrategista para projetos de ‘alavancagem’ de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, para atuar como Executivo, Assessor, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas sérias, comprometidas com a verdade.
É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, para grupos, associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.
Contatos: mauriciocosta@uol.com.br