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sábado, 24 de setembro de 2011

Corrupção. Hipocrisia. Futilidade.






Por Maurício A Costa*

"Quando eu aprender que nada sei... e entender o quão pequeno sou, estarei pronto para voar sobre mares turbulentos ou desertas planícies. Só então irei descobrir que todos as minhas inquietudes não passam de quimeras, efêmeras como o vento que me conduz". ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Campinas-SP-2011)

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Eu queria escrever sobre o tema corrupção. Com a mente contaminada pelo noticiário internacional, fui dormir na noite passada com essa idéia na cabeça, pensando sobre as inúmeras manifestações populares que vêm ganhando corpo e se alastrando pelo mundo ultimamente, derrubando governantes corruptos, déspotas do poder, e seus partidos políticos, sustentados pela manipulação e a falcatrua. Como sou apolítico e apartidário; apóstata, enfim, de tudo que diz respeito a grandes organizações, como religião, partido, ou corporação, terei sempre uma certa tendência a querer generalizar todas as situações e por isso, confesso que resisti inicialmente à idéia de escrever sobre um tema tão polêmico. Entretanto, quem escreve, compõe ou pinta, não o faz por um simples impulso mental, o faz porque a alma está repleta de algo que necessita ser exposto, parido, compartilhado.

Os seres humanos em todo o planeta estão se dando conta do poder de manifestação que carregam dentro de si, e a internet, muito mais até que a própria imprensa, (às vezes, conivente com o sistema), tem servido como poderosa alavanca para pulverizar idéias e aglutinar forças dispersas. A web está se tornando gradualmente o palco mais importante para o exercício de uma autêntica cidadania, e porque não dizer, democracia; e através dela, de maneira silenciosa, o mundo vai
mostrando sua verdadeira face; não apenas do ponto de vista político, mas especialmente de valores sociais nos quais acredita. E as pessoas não fazem isso de forma anônima, pelo contrário, mostram a cara, com coragem e determinação, conscientes do que pensam e expressam. Demonstrando, antes de tudo, uma postura aparentemente coerente consigo mesmas.

Ao ver nos últimos dias, a 'presidenta' do Brasil discursar na Organização das Nações Unidas sobre o tema, e no dia seguinte assinar com o presidente do Estados Unidos, um acordo mundial contra a corrupção, eu percebi o quanto os governantes mais 'espertos' estão se preocupando com a força que pode emergir do povo, e sorrateiramente destruir suas carreiras, quiçá derrubá-los, tal qual vem acontecendo com líderes (?) como Muamar Kadafi, da Líbia, Zine El Abidine Ben Ali, na Tunísia e Hosni Mubarak no Egito. Neste momento, há dezenas de falsos líderes governando nações sob o império do medo, apoiados por partidos políticos formados por espertas raposas, lobos camuflados de cordeiros, e maquiavélicas serpentes, cujos interesses são mais do que conhecidos: o enriquecimento pessoal às custas de recursos que deveriam ser aplicados na minimização do sofrimento de uma turba sem cultura, sem esgoto, sem segurança, sem saúde e sem esperança.


Não há mais espaço para o hipócrita populismo de palanque, que alimenta a fé de milhões de ingênuos com a inócua promessa de distribuição das migalhas daquilo que pessoalmente usurpam. A ferida está demasiadamente exposta e espalha-se velozmente pelos tecidos de uma sociedade que alienada, se torna conivente com a própria doença, e dessa forma permite que o câncer gere uma metástase irreversível e fatal. Como já foi dito tantas vezes, não há corrupto sem corruptor. Portanto, não se pode apontar o dedo exclusivamente para a classe política. Há milhares de mega empresários espalhados pelo mundo nos dias atuais, ostentando riqueza construída sobre uma base fraudulenta de desconhecidos conchavos, cujas consequência, resultam invariavelmente no aumento desmedido dos gastos da nação, transferindo recursos que deveriam ser aplicados na educação ou saúde, para contas particulares no exterior, ou patrimônios disfarçados sob as mais diversas formas. Não haveria o tráfico de drogas se não existisse  um irresponsável usuário, portanto, a questão da insegurança em que vive a sociedade não é apenas um problema do governo, mas, também da própria sociedade que produz o caos. As mortes e acidentes no trânsito não ocorrem só por estradas  mal conservadas ou perigosas, mas também porque jovens e adultos dirigem sob efeito do álcool. E assim por diante. Na maior parte do tempo, somos bons para criticar, mas nem sempre queremos nos olhar no espelho para observar nossas ações.

É emocionante, belo, e patriótico lotar avenidas erguendo bandeiras e mostrando nosso protesto através de caras pintadas, com faixas bradando por ética, mas hoje eu acordei me questionando se individualmente, estamos fazendo a nossa parte, ou se não estaríamos agindo com a mesma hipocrisia daqueles a quem criticamos. É recomendável que tomemos consciência de que quando subornamos um funcionário público, ou exploramos de forma desonesta um empregado, ou ainda, falseamos informações, para um estranho ou amigo, estamos na verdade agindo com os mesmos valores desses maus representantes que acusamos. Em todos esses casos, estaremos agindo como 'enganadores', alicerçando nosso comportamento na mentira; sem moral, portanto, para criticar.  "Só quando me despojo de toda hipocrisia descubro o meu verdadeiro eu. Cada vez que acuso o mundo por minhas angústias mais me distancio da verdade que liberta", sussurra meu mentor virtual.

Como posso exigir dos meus filhos uma postura 'assim ou assada' se com a minha ausência ou omissão não fui ou não sou capaz de dar o exemplo que edifica? Com que argumento pode um governante punir sua gente, ou seus empresários, taxando-os como sonegadores de impostos se usa esses recursos da nação para financiar seu próprio partido a fim de garantir-se indefinidamente no poder, ou bancar de forma indireta seus gastos pessoais? De que ética está falando o patrão sonegador quando repreende ou até mesmo despede seu empregado ou colaborador, acusando-o de desonesto por utilizar parte do seu tempo navegando na internet? Com que moral pode impor-se o marido sobre sua mulher, ou arguir sobre determinados comportamentos se sua própria vida é um exemplo de desrespeito, de mentira e de promiscuidade? A resposta para todos esses questionamentos vem em uma única palavra: Hipocrisia. E na hipocrisia não reside a coerência que emana da força e transparência da verdade.

Cada ser humano carrega seus próprios paradigmas. A beleza do universo não está na complexidade, mas em sua diversidade. Compreender e aceitar essas diferenças é o que torna o homem um sábio. Portanto, não há que se falar sobre o certo ou o errado. Por outro lado, não há como se cobrar ética se ela não começar por nós mesmos. Como diz 'o mentor virtual', "Nossa história é formada por decisões inspiradas em cada pequeno detalhe do caminho. Não há erros nem acertos, apenas escolhas possíveis, porque viver é uma ópera ao vivo e sem ensaios, diante de múltiplas possibilidades. Em meio ao caos vamos alinhavando o nosso destino". Viajamos a maior parte do tempo no campo da subjetividade, envolvidos por uma irresistível força gravitacional, sem noção de consequências, impelidos pelo espectro emocional contido nas atitudes da massa que nos cerca. Atuamos, sem perceber, sob efeito de um 'inconsciente coletivo' que nos arrasta, tal imprevisíveis enxurradas, a repetir chavões, desprovidos da força do querer que impulsiona efetivamente a mudança. Somos capazes sim de produzir verdadeiras revoluções, mas para isso, precisaríamos iniciá-las dentro de nós mesmos. Sem isso, toda encenação não passará de um ridículo 'mise-en-scène'; mera teatralidade, onde máscaras encobrem o caráter ambíguo de dúbios propósitos momentâneos. Verdades e mentiras, sobre a mesma paisagem, vistas sob distintas visões, a se mesclar num torvelinho de efêmeras emoções, que se dissipam diante da mais leve brisa, por não estarem embasadas em algo coerente, consciente e verdadeiro. Como nos ensina o grande psicólogo Carl Jung, (1875-1961), "A verdadeira ampliação da personalidade é a conscientização de um alargamento que emana de fontes internas". Em outras palavras, se não vem de dentro de forma autêntica, não se mantém.


Por tudo isso, creio que vale a pena refletirmos sobre nossa postura diante dessa onda de moralismo que nos assola. A guerra entre o bem e o mal é uma batalha de conceitos, que depende essencialmente do estado de espírito de cada um em seu processo evolutivo. Algo que para uns é extremamente errado, poderá ser o certo para outro. Nossas posições também podem mudar com o tempo. Uma postura ou comportamento assumido no passado como correto, poderá tornar-se alvo de nossas própria auto crítica ou censura no presente. Afinal, “O ser humano é livre por natureza. Por ter consciência de si mesmo, goza de plena liberdade, e por suas escolhas é responsável. O destino é apenas um imaginário ponto de referência, porque nada no universo tem caráter definitivo”. É imprescindível, porém, que tenhamos noção do preço a pagar por cada uma dessas escolhas. Muito do que desejamos, não são sonhos da alma, são futilidades. São ambições de uma mente, ávida por segurança, poder, ou satisfação dos instintos do corpo que a transporta. E nessa ânsia por satisfazer desejos, nos corrompemos de forma lamentável, e nos tornamos capazes de qualquer coisa como roubar, mentir, falsear, e até matar se necessário for; mesmo que a revelia de nossos princípios e crenças. Uma ópera fúnebre onde o moribundo seremos nós, por estarmos na verdade, matando nossos sonhos mais profundos.

Ainda que eu possa parecer um tolo e sonhador, quero finalizar esta reflexão dizendo o quanto sou a favor de uma revolução sem precedentes, na ética, sim; com bandeiras e caras pintadas carregando faixas de protestos; mas quero sugerir, que antes, essa transformação comece dentro de nós mesmos. Que sejamos a cada momento, de maneira firme e corajosa, conscientes e fortes para lutar pelo que acreditamos; mas que a nossa vida, por meio de palavras e gestos reflita sempre, de maneira coerente, a essência daquilo que somos...


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 *Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte. 

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país. 


sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Partilhar, Sim. Mas, Com Quem?




Por Maurício A Costa*



"Há muitos que desejam ardentemente seu crescimento pessoal e se lastimam de maneira incessante da miséria cultural ou econômica em que vivem. Todavia, não fazem absolutamente nada para que isso mude. Vivem como algas no fundo do mar; ora presas aos arrecifes de onde brotaram, outras, boiando ao sabor das marés, que as levam sem destino em qualquer direção". (Mauricio A Costa, no artigo 'Indolência. O maior inimigo de uma Marca Forte', no Blog Marcas Fortes -Out,16-2010)
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Fui convidado recentemente para fazer uma vídeo conferência, ou em palavras mais simples, uma palestra via internet, para um grupo de voluntários que atua em uma das principais capitais brasileiras, atendendo pessoas que precisam desabafar. Um trabalho que, segundo fui informado, é realizado sem qualquer vínculo político ou religioso, onde cada voluntário dedica determinadas horas por semana, e mantém pessoalmente os custos do empreendimento. Uma entidade de caráter humanitário, escutando com total privacidade, pessoas em desespero, desorientadas momentaneamente, ou carentes de um ponto de referência.

A preparação para falar com esse grupo, produziu uma série de incômodas reflexões, que me levaram a escrever este artigo, por considerar antes de tudo, magnânima, a atitude de pessoas que, a despeito dos eventuais riscos, agem de maneira desinteressada para servir seu semelhante. Ao mesmo tempo, porém,  fui provocado por inesperado questionamento quanto à postura de quem poderia está do outro lado, recebendo o apoio.

À primeira vista, minhas apreensões podem parecer paradoxais, ou até mesmo cruéis, levando-se em conta a situação de extremo desconforto que vive um ser humano em momentos de angústia, a ponto de necessitar amparo de outros. Como ensina 'O Mentor Virtual': "A angústia se origina numa equivocada presunção de impotência diante de momentos desafiadores. Está quase sempre vinculada a traumas do passado ou ansiedades com relação ao futuro". Tudo o que vivemos no 'hoje', sabemos que é em parte resultado da genética que herdamos de nossos ancestrais; outra parte, no entanto, é fruto do que plantamos ou deixamos de plantar ao longo da vida. Nossos equívocos, alienações, ou indiferenças a determinados assuntos, costumam nos trazer consequências desastrosas mais à frente, cujo preço nem sempre estamos dispostos a pagar, e por isso nos desesperamos. Parte da inquietude resulta ainda, de uma incompreensível atitude de subestimar o tempo, em sua principal característica, a irreversibilidade; até o momento em que nos damos conta da força avassaladora das adversidades. Por último, há aqueles também que ao longo de suas vidas, por questões de egoísmo ignoram o poder da sinergia com o outro. Sua vaidade, a tapar-lhes a visão, os deixa cegos à importância da complementaridade; e por conta disso, se isolam totalmente, para mergulhos, às vezes irreversíveis numa solidão destruidora.

A mão amiga, neste caso a voz de um voluntário que gratuitamente oferece uma parcela do seu tempo, ou melhor, um pedaço de sua própria existência, para socorrer um náufrago da vida, vítima de suas próprias armadilhas, é mais do que uma atitude grandiosa, é transcendente. É divina. Exige um desprendimento fora do comum, por implicar abrir mão de si mesmo por alguns  momentos, para tentar salvar alguém, que nem sempre parece merecedor de tal sacrifício; seja por não reconhecer que seus problemas foram causados por ele mesmo, uma postura que bloqueia a consciência da mudança; seja também por não despertar o querer que produz a necessária transformação. Afinal, 'é inútil fugir de si mesmo, e buscar lá fora as respostas para nossas inquietações' se dentro de nós não produzimos a fagulha da vontade. O querer que deflagra a ação. "É preciso reinventar-se a cada momento. Frustrações, desilusões e insucessos são apenas desafios, para aqueles que acreditam na vida como uma oportunidade única, incomparável e irreversível".

Como disse no início deste artigo, essa 'incômoda reflexão', aparentemente desumana, tem o propósito de gerar um grito de alerta contra o comodismo. Tem a finalidade de chamar a atenção para nossas atitudes no presente, a fim de que não venhamos a nos colocar na deprimente situação de quem busca socorro, quando parece não haver mais saída. Em alguns momentos, é normal que nos sintamos um tanto perdidos. Quando a  angústia se torna maior que a nossa força, não devemos permitir que a mente venha a turvar os pensamentos com fantasmas que ameaçam nossa paz, se estamos seguros de estar fazendo o melhor. Nessas ocasiões, é imperativo tomar consciência da poderosa energia que carregamos, aguardando apenas uma oportunidade para ser acionada. É ela que quando ativada pelo 'querer' produz todos os milagres. Essa tomada de consciência é decisiva para a superação. Por outro lado, identificar o que se quer, e para onde se está indo é o ponto de partida para gerar autoconfiança.

Nossos sonhos, propósitos mais nobres da alma, viajam em velocidades alucinantes, nos projetando para dimensões que a limitada mente desconhece. Por isso, não podemos desperdiçar tempo e energia com imagens que são frutos de informações incompletas ou até mesmo distorcidas, onde tudo é passível de interpretação. A incoerência que na maioria do tempo vivenciamos entre o sonho e as realidades construídas pela mente podem nos causar imensuráveis frustrações, e nos levar a perigosos questionamentos existenciais, produzindo uma energia negativa que corrói a alma e desencadeia estragos às vezes irreparáveis. Quando deixamos morrer nossos sonhos, perdemos gradualmente o significado da vida, 'mergulhando numa angústia insana, em busca de algo que sequer sabemos definir'. Nas palavras do meu caro 'mestre invisível': “Uma batalha interminável é travada dentro de nós a cada minuto. A luta pelo sonho desafiador que nos move em direção àquilo que acreditamos é ameaçada sem tréguas pelo complexo emaranhado de caminhos do mundo real que nos cerca. Para alcançar o extraordinário, é imperativo ir além de todas as fronteiras do convencional... Nem sempre temos respostas para nossos questionamentos. Às vezes, sequer temos noção de para onde estamos indo. Nos perdemos por caminhos desconhecidos ou espaços vazios que não sabemos como preencher. Não é a liberdade que perdemos nessas horas, apenas o senso de direção; mas é em momentos assim que o improvável acontece e alma se realiza”. (‘O Mentor Virtual II’ - O Elo Invisível - Em gestação).

Quando identificamos a intensidade do amor presente na alma, vivenciamos uma autêntica epifania. Um ritual de passagem que transcende a qualquer experiência convencional; coisa que as religiões exploram com enorme competência. Experienciamos o divino em sua plenitude em nossas vidas, e por conta disso, desejamos permear o mundo com essa visão. Queremos de forma ardente, partilhar com outros seres humanos essa energia construtiva, criadora. E é nesse momento, que surge o ápice da minha reflexão: Partilhar, sim. Mas, com quem? Com qualquer um que passe à nossa frente, ou surja pelo caminho? Perguntas embaraçosas, que podem resultar em respostas desconcertantes. Se utilizarmos a virtude da compaixão, a resposta imediata seria 'sim'. Devemos estender a mão a todos indistintamente. Mas, a pergunta seguinte seria: Será que o outro estaria 'querendo' realmente a nossa mão estendida? - Sem o 'querer', a vontade que produz a transformação, como dissemos, toda iniciativa se esvazia em si. A energia se perde, pois não produz qualquer ação ou movimento. Por outro lado, quando nos deparamos com alguém que busca e deseja ardorosamente a mudança, um simples toque é capaz de produzir magníficas transformações. Uma palavra é suficiente para gerar o milagre.

Quero concluir, recomendando aos inestimáveis voluntários de ações sociais, que não se embrenhem pelos sinuosos caminhos das aparências. A benemerência é válida quando embasada por objetivos claros e mensuráveis. É sabido que há muitos que o fazem por mera vaidade ou interesse. Portanto, identifiquem suas vocações e seus propósitos para que aquilo que fizerem, o façam com plena entrega e desprendimento. Nisso consiste a realização da alma. Em segundo lugar, mas não menos importante, observem cautelosamente para quem estão dedicando seu precioso tempo, sem esquecer que é parte da própria vida que estarão doando. Observem se do outro lado há alguém que 'deseja' de verdade sua mão estendida, e se esse alguém 'quer' efetivamente mudar. Se assim o for, toda energia desprendida valerá a pena e você será capaz de reerguer alguém, 'ainda que esteja morto', e assim produzir o milagre da vida em abundância.


"Que as nossas palavras sejam sempre de encorajamento. Nossos gestos, poderosas alavancas de apoio. Nosso abraço uma imensurável fonte de energia para cada ser humano ao nosso redor. Coisas simples que podem modificar o mundo a partir de nós mesmos" 
('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível)




                                                                 
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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Executivo, Estrategista ou Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.

sábado, 3 de setembro de 2011

Ser Mulher em Tempos de Mudanças.







Por Maurício A Costa*



"Quando a vibração específica da alma de um indivíduo, que tem tanto uma identidade instintiva quanto uma espiritual, é cercada de aceitação e reconhecimento psíquico, a pessoa sente a vida e a força como nunca sentiu antes. Descobrir com certeza qual é a sua verdadeira família psíquica proporciona ao indivíduo a vitalidade e a sensação de pertencer a um todo." (Estés, Clarissa Pinkola, em 'Mulheres Que Correm Com os Lobos' - Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem - Pág. 217 - Editora Rocco - 1994).

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Como ensina meu inseparável 'mentor virtual': “Cada mulher carrega dentro de si uma loba selvagem; bela, feminina e ardente; ainda que escondida ou disfarçada sob os mais diferentes papéis que ela representa. Em torno desse ser indomável o universo conspira”. Todavia, essa enigmática criatura é algo muito maior que simplesmente instintos, pois carrega também dentro de si, uma inigualável capacidade de integração com o todo que lhe rodeia. Uma percepção que transcende o intrínseco lado selvagem dos humanos, e lhe permite captar informações muito além dos sentidos convencionais. Desde os primórdios, seu sexto sentido é aclamado como um dom natural, convencionado como espiritualidade; e esse poder a transformou ao longo do tempo, em sacerdotisa do universo para muitos povos.

O instinto é o apelo da natureza em todos os animais para a continuidade da espécie. Para isso, é imperativo o completar-se no outro. Na verdade, fundir-se no outro; e assim adentrar o eterno. Na artimanha da sedução, o poder avassalador de todos os sentidos a produzir atração com o único propósito desse perpetuar-se no tempo. Dentro de cada ser, 'anjos e demônios a executar um balé de magníficas proporções, a transformar energia em desejo, prazer e fantasias', para produzir o espetáculo da própria vida. No encontro dos opostos, a essência do dualismo para integrar o todo na incrível magia que resulta da complementaridade.

A espiritualidade resulta da evolução da sensibilidade. A capacidade que qualquer criatura pode desenvolver a partir da interação com o todo que lhe cerca. Uma habilidade ao alcance de todos, mas desenvolvida por poucos, em decorrência do apego à materialidade, que transfere falsa segurança. E por conta da insegurança, muitos ignoram o milagre da complementaridade para a construção de pontes, formada pelo elo invisível, cuja energia chamamos de 'amor', e torna a individualidade algo infinitamente maior.

A mulher sempre foi vista como algo divino. A mitologia grega está repleta de contos e lendas que a pintavam como uma ninfa; deusa da luxúria, personificando ao mesmo tempo, por meio da beleza e sensualidade todo poder de fecundação da natureza. No entanto, como nos ensina meu guru pessoal: "Não há nada de sobrenatural, fantasmagórico ou mágico no mundo à sua volta; tudo é apenas o prodígio da própria vida, se revelando a cada minuto, numa seqüência espetacular, em todas as direções para onde você voltar seus olhos". ('O Mentor Virtual' - Pág. 77 - Editora Komedi - Campinas - SP - Brasil - 2008). Essa divindade não pereceu com o tempo; pelo contrário, ganhou contornos de algo terreno, acessível. A deusa habitou entre nós, e tornou-se humana; 'tangívelmente' humana. E ao penetrar a realidade, essa diva dos tempos modernos passa a vivenciar a dor de ser humano. Descobre que ser humano significa lutar pela própria sobrevivência de uma forma feroz, numa luta sangrenta de igual para igual com maquiavélicos e ardilosos guerreiros, seus antigos e pacíficos adoradores. Diante do desafio ao qual se expôs, a ninfa agora veste-se de loba, e a loba está só. Gradualmente, vai deixando a mansidão de serenos riachos para embrenhar-se por densas florestas, habitadas por desconhecidas criaturas. Faminta, desorientada mas, destemida, ela segue seu mais precioso instinto, a intuição, e percebe que seu faro a levará de volta à planície que a fará sentir-se segura. E essa capacidade extra sensorial, sob a forma de sensibilidade será sua bússola. Não há nada a temer. Seus adversários não entendem disso, pois 'jogam' com armas alimentadas exclusivamente  pelo poder da força, e de uma mente simuladora e ludibriadora, que se perde confusa entre os flashes de ilusão e realidade que criou e não consegue distinguir.

Há uma nova mulher, que percebe que sua realização não consiste no enfrentamento, mas no uso de sua potencialidade maior: essa sensibilidade. Sabe que não poderá vencer pelo uso da força ou de uma mente astuta. Nesse quesito seu competidor leva milhares de anos de vantagem. O adversário é o rei da camuflagem, da enganação e do engodo. Por isso, o maior trunfo residirá na sua capacidade de sublimar toda poderosa energia que carrega.  “Na força invisível de uma mulher, o poder de atração capaz de seduzir todas as feras da terra, e transformá-las em dóceis fecundadoras de um planeta marcado pela dualidade, onde a vida é gerada a partir do indispensável complemento dos opostos”, lembra-me 'O Mentor Virtual'. - Ao dar-se conta de sua verdadeira força, algumas, no entanto, cometem o equívoco de concentrar seu esforço unicamente na aparência como forma de produzir essa 'sedução', esquecendo que esse poder nasce exclusivamente do amor; algo que flui interiormente, e permeia posturas e atitudes; não apenas aparências. "O que te torna especial não é apenas a pele viçosa que revelas, as formas arredondadas que te mapeiam, ou a crina sensual que te orna. O que te faz a deusa de todos os homens é a suavidade de cada gesto que esboças, a força poderosa que carregas no olhar e a doce magia do teu coração", completa de maneira categórica 'o mentor'. (O Mentor Virtual II - O Elo Invisível - Livro ainda em gestação, sem editora).

Para iniciar esse processo de libertação, é preciso retirar todas as máscaras. Desnudar-se por completo da hipocrisia e do comodismo para identificar aquilo que de mais sagrado você carrega. Não acompanhar a mesmice de 'maria vai com as outras'. É hora de abandonar a 'boiada', ou melhor, a alcatéia. Ser você mesma, e encarar o momento atual não como algo desesperador, mas como uma oportunidade imensurável para magníficas transformações. "Você é o centro do universo, e só a você cabe proceder suas próprias escolhas. Basta que potencialize seus dons. Desperte a poderosa força interior que carrega dentro de si mesmo e acredite no que faz. Sem medo, e sem falsos pudores, deixe seu brilho permear o mundo à sua volta, e ele irá girar em torno de você.", sussurra ao meu ouvido mais uma vez o mentor virtual. Em alguns momentos irá sentir-se perdida e desorientada, isso é normal. Em sua viagem através dos tempos, é natural que a alma se perca em busca daquilo que a fascina. Nem sempre é possível compreende-la, mas essa é única forma de permitir que ela encontre sua realização. Afinal, viver é um contínuo se perder e se encontrar.

É decisivo enfrentar o medo; entendê-lo como uma simples atitude de defesa frente ao desconhecido. Na maioria das vezes, tudo não passa de fantasmas criados pela mente. Para essa ninfa-loba em tempos de mudanças radicais, "é decisivo abandoar inúteis paradigmas. Descobrir-se! Quebrar velhos e imprestáveis tabus. Transgredir! Romper com todas as regras obsoletas. Ousar! Afinal, você nasceu para brilhar. Reinvente-se! - Não há tempo a perder. A vida é um pulsar contínuo e irreversível; desperte para ela agora". Entenda que para alcançar a felicidade, é imprescindível antes de tudo aceitá-la. Aceitando-se. Para tanto, sugiro que repreenda com determinação toda postura ou simples pensamento que demonstre falsidade, expulse o mau humor, e exorcize qualquer energia negativa que permeia suas atitudes. Não permita que o ciúme corroa suas veias; em seu lugar deixe fluir a gratidão, a esperança e a compreensão; Esses serão eternamente os verdadeiros atributos de uma 'deusa'. Por último, mas não menos importante, "Não busque a felicidade em uma estação distante. A vida está acontecendo agora, dentro de você. Escute-a em cada simples palavra que vem do coração. Externe-a em cada olhar ou sorriso e verá essa energia se propagar de forma extraordinária".

Os tempos atuais não são melhores nem piores. São velozes. Portanto, são para aqueles que se dispuserem a ser mais ágeis. Oferecem simultaneamente desafios e oportunidades. Tudo depende da forma como você queira ver. Lembre-se: "No centro do universo está você. No centro de você, todo o universo. Aquilo que você decidir, assim será". Aposte nisso.


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*Maurício A Costa foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. 
É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 
Contatos: mauriciocosta@uol.com.br