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domingo, 31 de julho de 2011

Energia. O Segredo de Todos os Milagres.






Por Mauricio A Costa*


"Aquele que com determinação acredita no caminho, na verdade e na vida fará obras grandiosas. Para que a sabedoria seja glorificada pela palavra que a revela, qualquer coisa que ordenarmos com base nesses três princípios se tornará realidade". (Maurício A Costa, inspirado no texto atribuído a Jesus Cristo, em João 14:3 a 14).

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Embora eu não pertença a qualquer seita, sociedade secreta, ou religião, sou fã de carteirinha desse homem a quem chamaram Jesus Cristo. Ainda que não haja provas concretas de sua existência, é o nome mais conhecido do mundo. Mesmo sem ter deixado uma linha sequer escrita em qualquer livro, revista ou jornal, tem suas palavras mais repetidas, divulgadas e seguidas que qualquer outro filósofo, escritor ou governante. Uma façanha que por si já seria suficiente para que façamos ao menos uma reflexão sobre o que ele tenha dito. Tê-lo como mestre é mais do que colar um adesivo no carro, ou pendurar um crucifixo na parede para lembrar sua morte. Segui-lo é escutar sem dogmatismo a essência de suas palavras e aplicar na própria vida seus ensinamentos. É ele quem tomo como inspiração para este artigo.

É uma pena que a maioria das religiões, católica, judaica, islâmica, protestante ou evangélica, não importa o credo, tenham deturpado com interpretações de todo gênero, o verdadeiro sentido de sua mensagem. Por conta disso, criaram a maior celeuma; uma verdadeira torre de babel a confundir ainda mais aqueles que por serem 'pobres de espírito', não são capazes de alcançar a extraordinária revelação por trás de cada simples palavra desse surpreendente e original homem do deserto, iluminado de forma grandiosa por aquilo que ele chamava de pai: a sabedoria. Um mestre de dimensões muito acima do seu tempo, e porque não dizer, de todos os tempos. Assassinado pelos sacerdotes de sua época, por ter ousado ir contra a hipocrisia da religião, o conluio do político, e a ganância dos poderosos. Alguém que por acreditar firmemente naquilo que anunciava, não poupou a própria vida. Não escondeu-se ou fugiu para livrar-se de seus algozes; pelo contrário, percebeu que sua morte daria ainda mais força para sua mensagem, para que fosse escutada até os confins da terra através dos tempos. 

Apesar de toda minha emocionada admiração, creio que transformar e até adorar esse homem como Deus é um exagero inconcebível; ignorar ou negá-lo, porém, seria uma estupidez maior ainda. As escrituras sagradas condenam veementemente a criação de ídolos (Levítico 26:1). Repreende de maneira decisiva a construção de imagens que possam servir de elemento de adoração, (Êxodo 20:4) por considerar que Deus é o único poder, e que habita dentro de cada um de nós (I Coríntios 3:16); pois aquilo que chamamos de Deus, jamais foi visto por qualquer ser humano, porque sintetiza a energia contida no amor, a luz que emana da sabedoria, e a verdade que resulta da justiça e da revelação. A melhor de todas as definições que já li sobre essa energia poderosa é a de que: "O Senhor vosso Deus é um fogo devorador" (Deuteronômio 4:24). Transformar, portanto, qualquer ser humano em Deus e adorá-lo é no mínimo uma incoerência de proporções gigantescas à luz das próprias escrituras. 

Isso, no entanto, não retira a magnitude e beleza do grande mestre. Em minha percepção ele foi e continuará sendo o mais iluminado de todos os mentores que conheci ao longo de minha existência, e por conta disso, percebo que aos poucos vou me tornando um discípulo diferente. Irreverente, revolucionário, inquieto e apaixonado como ele, por aquilo que acredito. Um sacerdócio às avessas. Uma missão despojada de incompreensíveis regras, sem templos, e sem rituais, bem ao estilo daquele peregrino das planícies e montanhas da Judéia. 



Vejo-me a cada dia, como um cavaleiro solitário a combater o anti-cristo presente em cada falso sacerdote das mais esdrúxulas e hipócritas religiões da atualidade a cercear o bem maior do ser humano, a sua liberdade de pensamento e de escolha. Sei que com minhas atitudes e palavras, vou me tornando odiado pelos que professam a propagação de insanas doutrinas e maquiavélicos rituais com o único objetivo de usurpar pela ameaça e pelo medo os recursos de quem já não dispõe de quase nada para sobreviver. Enquanto isso, desfilam em luxuosos palácios, como o vaticano, ou suntuosos templos evangélicos, equipados até com heliporto. Sacerdotes, sob títulos de apóstolos, bispos, ou outro qualquer, que se vestem como astros da televisão, vivendo nababescamente às custas de ofertas e dízimos, isentos de tributação, que poderiam ser canalizados para creches, sanatórios, escolas, ou abrigos de velhos. Sob irreconhecíveis disfarces, cometem a maior de todas as heresias, por não atender a recomendação do mestre que falsamente propalam como escudo para suas ações: 'Amar a Deus (justiça, verdade, sabedoria) sobre todas as coisas, e ao próximo(extensões de nós) como a si mesmo'. 

Isso torna esses falsos profetas 'semelhantes a sepulcros caiados; por fora parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos, de cadáveres e de toda espécie de podridão. Por fora parecem justos aos olhos dos homens, mas por dentro cheios de hipocrisia e de iniquidade'. (Mateus 23:27-28). Ou como ensinava Paulo de Tarso, em suas epístolas: "Esses tais são falsos apóstolos, operários desonestos, que se disfarçam em apóstolos de Cristo, o que não é de espantar. Pois, se o próprio Satanás de transfigura em anjo de luz, parece bem normal que seus ministros se disfarcem em ministros de justiça, cujo fim, no entanto, será segundo as suas obras" (II Coríntios 11:13-15). Exigir ofertas e dízimos é antes de mais nada exigir sacrifícios, tal como faziam os antigos em suas oferendas em profanos altares repletos de estúpidos rituais. Todos eles sabem, no entanto, que está claro nas próprias escrituras sagradas: "Deus quer misericórdia e não sacrifícios" (Mateus 9:13 e Oséias 6:6).

Na verdade, tudo o que esse efêmero ser humano necessita descobrir é que aquilo que ele chama de Deus está dentro dele próprio. A energia que pulsa em cada célula a produzir vida, e representa a melhor definição do sagrado. Essa é a força que está por trás do querer que opera todos os milagres (Filipenses 2;13); a energia do amor (I João 4:16). Seria absurdo pensar nesse Deus como um velhinho de barba branca em um planeta qualquer do universo, que como um David Coperfield, produz mágicas de acordo com seu humor momentâneo.

O grande mestre que homenageio hoje, se auto definia como a palavra (filho) que nasce da sabedoria (pai), e a revela. Uma metáfora fácil de compreender quando nos despojamos das alegorias criadas para ampliar o entendimento, mas que infelizmente é deturpada por muitos em seu sentido literal. Se entendermos o poder da palavra como o comando da sabedoria que emitimos para nossos corpos, corações e mentes, descobriremos que poderemos canalizar toda essa força para a renovação da vida. Não há mágica nisso, apenas a energia que chamamos de Deus operando o milagre da própria vida. Como lembra meu personagem mentor: "Deus não é algo frio, distante, e castigador. Não dê a Ele uma forma humana; Ele é a vida a pulsar em você. Não o tema. Ame-o. O medo só existe onde não está presente o amor. Não tente entendê-lo. Sinta-o. Ao mudar esse paradigma descobrirá a força extraordinária que carrega dentro de você". (O Mentor Virtual).

O que me levou a escrever este artigo, foi observar quer muitos, lamentavelmente, levam uma vida de angústia, mergulhados em profunda depressão por não se darem conta do poder que carregam. Esperam que o milagre venha de fora, de um santo, de um profeta, ou de um espertalhão qualquer travestido de sacerdote. Outros, sofrem as agruras de enfermidades carregadas na alma e projetadas no corpo, e tornam-se reféns de alguns médicos inescrupulosos ou vivem como dependentes das mais variadas químicas, enganando a si próprio em busca de atalhos. Ingênuos, sufocam a vida em nome de artifícios que só mascaram a verdade. Desconhecendo a magnífica recomendação do mestre que hoje coloco em evidência, que dizia: "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32). Não percebem que eles mesmos são capazes de operar qualquer milagre em suas vidas, se exercerem com coragem e determinação o poder que lhes é inerente, potencialmente latente dentro de cada um de nós. Não precisamos de quem quer que seja para isso. Basta unicamente a tomada de consciência desse poder, e a vontade transformadora que opera o querer e o realizar. "Deus é a síntese da sabedoria. Sua essência, ou espírito, independe de conhecimento ou compreensão de quem quer que seja. Para vivenciá-lo, basta senti-lo através da energia que flui em você neste momento. Siga as setas do seu coração para encontrá-lo. Onde estiver seu coração aí estará ele também". ('O Mentor Virtual' - Pág. 257 - Ed. Komedi - Campinas-SP - 2008).

Como já foi dito tantas vezes, somos aquilo que optamos ser. Se decidimos por nos erguer e redirecionar nossas vidas, assim o faremos. Desde que coloquemos toda nossa energia nessa direção. Se alguma parte do corpo necessita de cuidados basta repreender o mal com determinação, com voz de comando, e dirigir para essa área todo nosso amor e pensamento de cura. Não precisamos que alguém berre ao nossos ouvidos para exercer esse milagre; pois como está escrito: 'Sois Deuses'. Ou em outras palavras: 'Tudo podes, naquele que te fortalece', aquele que está dentro de você mesmo. A energia que muitos chamam de 'espírito santo' flui dentro de cada um de nós; e é ela que opera todas as transformações. É ela o 'elo invisível'. A força e o segredo de todos os milagres. O brilho e o poder de uma marca forte. 

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*Mauricio A Costa, é Estrategista, para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Executivo, Estrategista, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, empreendimento comprometido com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.

sábado, 23 de julho de 2011

A Difícil Trilha do Corporativismo





Por Maurício A Costa*


 “Às vezes existe apenas uma pequena diferença entre as pessoas. Esta pequena diferença faz uma grande diferença. A pequena diferença está na sua atitude. A grande diferença está no fato de ser ela positiva ou negativa." (Clement Stone, citado em 'O Mentor Virtual - Pág. 106 - Editora Komedi - Campinas-SP - 2008).


Recebi dias atrás, curiosa mensagem de alguém no Facebook me pedindo para que escrevesse um artigo sobre a minha visão a respeito do 'corporativismo'; uma palavra bonita, bastante assimilada em nossa terminologia empresarial a partir da linguagem internacional. Uma expressão aparentemente inofensiva mas que carrega antes de tudo o estigma de uma doutrina, cujo traço marcante é a centralização do controle, por uma entidade invisível, com características de um Estado autoritário. Um sistema político econômico baseado no agrupamento de pessoas, cujos interesses podem estar acima dos de uma sociedade. O 'espírito de corpo' que caracteriza essencialmente o que chamamos de corporativismo é como uma máquina; sem alma, sem face e sem dono. Uma teia de proporções muitas vezes inimagináveis, agindo com foco em um propósito, uma ideologia, ou uma crença. 

Exemplos dessas 'hidras do apocalipse' podem ser vistos na maioria das multinacionais, nos grupamentos militares ou para-militares, nos partidos políticos, e nas organizações religiosas de todo tipo. Falar sobre corporativismo é como vagar a ermo pela noite do desconhecido, em meio a ninhos de serpentes, maribondos e morcegos. Uma especulação inócua, mas que costuma provocar irritação e desdém naqueles que, como mutantes parasitas, vivem em função desses monstros, cujas cabeças quando cortadas fazem nascer duas outras, tal qual na lenda.

Por se tratar de terra de ninguém e de todos ao mesmo tempo, é comum o comportamento geral ser do tipo vista grossa, ou cegueira coletiva. Vê-se aquilo com o que não se concorda, mas por amor (ou medo) ao dinheiro, ao cargo, ou ao poder fecha-se os olhos e faz-se de conta que não se está vendo nada. A partir de uma crença baseada em paradigmas amordaçantes, sufoca-se qualquer tentativa de reação motivada por valores. Na verdade, para essas organizações, 'valores' é algo utópico. Quase sempre uma bela mensagem pendurada em uma parede qualquer, ou a página de abertura de elaborados manuais de procedimentos, recheados de subliminares ordens de comando para manter a tropa, os colaboradores, ou os fiéis seguidores sob a mais forte disciplina possível. Comportamentos e atitudes dirigidos por controle remoto, manejando gente como se maneja gado, por entre cercas e currais. 

Desde que decidi abandonar a idéia de fazer parte da dissimulação coletiva desses estressantes manicômios, tenho observado como o sistema gera represálias de toda ordem. É comum ver-se empresas multinacionais bloquearem o acesso de palestrantes ou consultores que não comunguem de seus maquiavélicos credos, que disfarçam friamente atos de má fé, a embutir a perfídia, o ardil e a astúcia. É rotineiro o cancelamento de entrevistas por canais de televisão comandados por igrejas, quando se identifica no entrevistado uma postura de independência política ou religiosa. Se ele for um apóstata então nem pensar. O que se quer, é o discurso que venha a endossar com bajulação a hipocrisia e a manipulação. Afinal, o objetivo é manter iludido o seguidor para torná-lo um fanático; movido por uma interpretação ou ideologia que não é sua, e a qual muitas vezes sequer entende. Ele pertence a um grupo para não sentir-se só. Acompanha como dócil carneiro a manada por necessidade de sentir-se acolhido, em decorrência do medo e da solidão que o atormenta.

Nesses ambientes, portanto, ai de quem ousa contestar. Pobre daquele que aventurar-se com questionamentos pessoais a ideologia ou crença embutida na organização. Se a lavagem cerebral e as artimanhas do convencimento emocional não forem suficientes, a demissão, o exílio, ou a expulsão do grupo será inevitável. Permanecer significa concordar. A conivência, pela aceitação pacífica, ou a negociata é condição imprescindível para pertencer. É o custo da ilusória proteção do sistema. Discordar é tornar-se um herege, desertor, ou traidor. Em meio a um turbilhão de mentiras, falsidade e enganação, que caracteriza o sistema, aquele que sai é o 'desonesto', e como tal será estigmatizado para sempre por aqueles que comungam da farsa generalizada.

Essa é a razão pela qual, tantos têm preferido o desértico caminho que preserva a identidade e a coerência consigo mesmo; ainda que isso possa significar dias difíceis de amarga solidão ou inglórias batalhas quixoteanas. 'Ser', implica enfrentar a psicológica necessidade do 'pertencer'; implica vencer paradigmas, e aceitar a si mesmo em detrimento da aceitação coletiva. Só o tempo se encarrega de resgatar a dignidade do homem. A história nos conta sobre seres humanos que ousaram ir contra sistemas. Guerreiros solitários como Sócrates, Jesus Cristo, Mahatma Gandhi, ou Tiradentes. Homens que pagaram com a própria vida o preço de afrontar organizações hipócritas e manipulativas; formadas por feudos políticos, religiosos ou econômicos representando interesses pessoais disfarçados como serpentes em meio a suas ingênuas presas.

Alteram-se completamente os padrões para aquele que descobre que Deus não é apenas um fantoche de suas maquinações pessoais, como o faz a maioria dos sacerdotes da atualidade, ou um mero ícone a ser usado como referência para muitos magnatas, disfarçados de fingidos beneméritos. A sabedoria ensina que, para o encontro consigo próprio é imperativo colocar o ser antes do ter, e isso não pode ser feito de maneira parcial, ou figurativa. Ainda que se engane a muitos, é impossível enganar a si mesmo. Não há espaço intermediário entre o que definimos como matéria e o que convencionamos chamar de valores. Um revela o lado frágil de nossas origens, o outro, nosso potencial abstrato e poderoso, que sintetiza o conceito de paz interior; o estar bem consigo mesmo, acima de todos os demais conceitos que possamos identificar.

Não sou apologista do radicalismo que nos aponta conceitos extremos do isso ou aquilo, do bem e do mal, do certo ou errado, por acreditar que a verdade se encontra na harmonia dos opostos. Todavia, a  frase de abertura deste artigo, citada por Clement Stone, nos impõe uma importante reflexão sobre nossas atitudes. Elas podem ser positivas ou negativas sim, para nós mesmos. Destrutiva será a energia resultante da conivência com sistemas que se perpetuam graças ao seu poder de camuflagem, da enganação que se sustenta por conta de sua habilidade manipulativa sugando a vida de tudo que encontrar pela frente. Portanto, abrir mão de nossa identidade para atuar em prol de um corporativismo insano criado artificialmente por outros pode representar passar pela vida sem um significado. Por essa razão, tantos empreendedores preferem o desgastante sufoco na luta pelo sonho, a vegetar impotentes, flutuando ao sabor das marés. "Nos completamos no outro. Essa é uma imposição biológica de efeito avassalador sobre nosso comportamento. No entanto, quando perdemos o controle de nossas emoções, nos tornamos reféns. Não do outro, mas das fantasias que nós mesmos criamos, por conta de insanas expectativas".

Quando vendemos nossa alma para assegurar prazeres, extravagâncias ou devaneios, poderemos estar sufocando nossa própria identidade, e destruindo nossa marca pessoal em detrimento de algo que sequer entendemos. A vida nos ensina que a paz interior resulta de saber discernir entre o ilusório universo dos insaciáveis desejos, e o transcendente imperativo de liberdade da alma. Como lembra meu inseparável personagem: “Os homens que vinculam prazer à liberdade se tornam na verdade, escravos daquilo que julgam lhes dar prazer. Iludem-se ao acreditar que podem ter controle sobre suas vidas” (O Mentor Virtual – Pág. 37 – Ed. Komedi – Campinas-SP – 2008).

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 *Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas sérias, comprometidas com a verdade. 

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país. 


sexta-feira, 15 de julho de 2011

Resiliência. O Teste de Uma Marca Pessoal





Por Maurício A Costa*

"O grande sucesso não provém do sucesso. Ele provém da adversidade, do fracasso e da frustração, às vezes da catástrofe, e do modo como lidamos com ele e damos a volta por cima". (Sumner Redstone, magnata, presidente do grupo CBS/Viacom/MTV, citado por Paul Gordon Stoltz em: Desafios e Oportunidades - Editora Campus - Rio de Janeiro - 2001).

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Até pouco tempo, países como os Estados Unidos, Itália, França e Alemanha detinham a fama de maiores fabricantes dos melhores produtos do mundo. Tais produtos carregavam reputação internacional e a maior parte das grandes marcas nasceram nesses países. Com o agressivo desenvolvimento econômico da China, esses países começaram a enfrentar sérios problemas competitivos por razões de custo de mão de obra e de subsídios que tornavam os preços de seus produtos cada dia menos atrativos. Embora tivessem consigo um poderoso 'handicap' (vantagem sobre outros competidores): a força de suas marcas, não souberam lidar com a astúcia chinesa, que lentamente foi atraindo para seu país toda tecnologia mundial disponível, e instalando gradualmente enormes fábricas operadas à base de incentivos do governo que tornava aquilo que ali fosse fabricado, dez vezes mais barato que o produzido em outros países.

A inação dos governos desses países desenvolvidos frente à esperteza de seus grandes conglomerados econômicos, ávidos por reduzir custos, visando ampliar lucros, ignorava a crescente transferência das instalações produtivas de seus países para outros de mão de obra mais barata. Aos poucos, porém, foram minando o poder aquisitivo de seus potenciais consumidores, em decorrência do aumento do desemprego para a grande massa de assalariados que ainda é maioria em qualquer parte do mundo, seja ela oriental ou ocidental. Por conta disso, nos últimos cinco anos, há uma desaceleração econômica mundial, visível especialmente na Europa e Estados Unidos, causada pela significativa perda de renda da classe média. Há produtos importados em demasia; muitos, oferecidos com apelo de marcas fortes, mas que lamentavelmente não são consumidos por sua gente; são comprados em sua maioria por turistas empolgados que carregam em suas malas todo tipo de bugiganga, como verdadeiros troféus para serem exibidos em seus países de origem, sob a alegação de portarem marcas famosas; mesmo que nada tenham de original em relação ao país onde realizam a compra. Os óculos 'italianos' nada tem mais de italiano, senão a marca; o sobretudo 'inglês' é produzido no Vietnam, a grife francesa é fabricada por chineses, e o equipamento eletrônico de última geração é feito em Taiwan. Por conta do conceito de valor agregado, a decisão de compra vai se distanciando de valores como durabilidade, intrínseca ao padrão de qualidade do passado, para se concentrar cada vez mais em valores intangíveis como status, visibilidade ou praticidade. Em paralelo, a velocidade das mudanças vai gerando uma loucura consumista sem precedentes.

Em meio a esse ambiente de decadência industrial, atuei recentemente como coach do ex-presidente de uma grande empresa européia, famosa até alguns anos atrás. A gradual perda de controle da situação fez desse executivo um homem deprimido, irritadiço e cabisbaixo. Era visível seu desânimo e falta de auto estima. Afinal, a empresa, fundada por seus ancestrais, havia sido por longos anos, um respeitável empreendimento em seu país, e agora,  naufragava junto com centenas de colaboradores, em decorrência da perda de mercados tradicionais, por absoluta falta de competitividade. Uma lenta morte empresarial, que embora  previsível, vinha afetando acima de tudo sua estrutura emocional.

Meu esforço com esse executivo concentrou-se em restabelecer a confiança em si mesmo, muito mais do que na análise de alternativas estratégicas para redirecionar seu empreendedorismo e capital a novos negócios. E é neste ponto, que eu quero chamar a atenção do leitor para uma expressão em voga nos dias atuais, mas subestimada por muitos: Resiliência. Essa palavra caracteriza a propriedade que tem alguns corpos de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação temporária; ou resumindo: a capacidade de adaptação a mudanças drásticas. Jogo de cintura. Elasticidade.

Vivemos uma era de mudanças gigantescas. Não pela mudança em si, mas por conta da velocidade com que ela se processa, deixando a muitos com uma sensação de incompetência. Pior, uma falsa idéia de impotência diante da alteração ininterrupta de fatos externos, que se modificam numa escala quase caótica, a exigir multiplicidade de conhecimentos, extremo equilíbrio emocional, capacidade para administrar conflitos interpessoais, e de atuação no limite da ética (ou às vezes fora dela), para sobreviver em meio à turbulência. Enquanto no passado o planejamento previa cinco anos à frente, nos dias atuais há dúvidas quanto aos próximos cinco meses. Um ambiente estressante que pode alterar significativamente cenários em um simples final de semana. Não importa aqui se trata-se do executivo de uma grande multinacional, ou de um simples empreendedor. Todos estarão inevitavelmente submetidos ao mesmo desgaste. Ao estresse que exige resiliência; capacidade de adaptar-se rapidamente aos movimentos bruscos antecedidos por momentos cruciais de ansiedade.

O resultado de tudo isso é que estamos diante de um tempo que exige do administrador uma enorme competência emocional para atuar sob pressão. Não há muito tempo para pensar. Muitas decisões se tornam obsoletas em frações de minutos, e a angústia gerada por essas situações pode ter consequências lastimáveis do ponto de vista profissional e pessoal. Um grande empreendedor pode se tornar de uma hora para outra, um astronauta perdido entre galáxias, a navegar sem bússola na noite das indecisões e do medo. Quando não se tem respostas imediatas para todos os questionamentos, perde-se o senso de direção e essa é a pior de todas as sensações para aquele que dirige.

Exercitar a resiliência tornou-se o maior de todos os desafios do ser humano no século atual; significa aprender a conviver com as diferenças e a diversidade; compreender os próprios limites para não ir além de suas competências físicas, mentais e emocionais, e para o líder, executivo ou empreendedor, cercar-se de uma equipe confiável para delegar, substituindo a enrolação e o despreparo pela habilidade multidisciplinar, imprescindível em vôos de altíssima velocidade.

As empresas que sobreviverão no futuro serão aquelas que investirem no capital humano, conscientes de que não basta a capacitação técnica. É imperativo que suas equipes estejam preparadas para atuar sob estresse constante, e para tanto, necessitam de enorme poder refratário, imensa elasticidade emocional, e uma perfeita noção de complementaridade com o mundo exterior que lhes permitam sentir-se o tempo inteiro em sintonia ou sincronismo com o ambiente que lhe cerca, para voar tal qual gaivotas, serenas, entre a imensidão de um céu sem limites e os perigos de um imenso oceano desconhecido, e quase sempre turbulento. 

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*Maurício A Costa é Estrategista. Diretor da SUPPORT BRANDS, empresa de Estudos e Projetos para Alavancagem de Receitas e Rentabilidade, com foco no Pensamento Estratégico, Análise de Valor Agregado, Gestão e Licenciamento de Marcas.

É o autor do livro O MENTOR VIRTUAL, e está disponível sob consulta para palestras, seminários e workshop em Empresas, Universidades e Associações para falar sobre temas ligados à construção da marca pessoal.

sábado, 9 de julho de 2011

Dinheiro: O Deus dos Insanos



Por Maurício A Costa*


"Quando eu aprender que nada sei... e entender o quão pequeno sou, estarei pronto para voar sobre mares turbulentos ou desertas planícies. Só então irei descobrir que todos as minhas inquietudes não passam de quimeras, efêmeras como o vento que me conduz". (Mauricio A Costa, em 'O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Campinas-SP-2011).

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Houve um tempo em minha vida em que o dinheiro regia a maior parte dos meus atos e muitas vezes esteve acima até mesmo dos meus princípios. A ambição, movida pelo firme propósito de me tornar alguém imune às vulnerabilidades causadas pela dependência econômica, faziam de mim um escravo dos desejos, e algoz de mim mesmo. Não havia limites para alcançar o sucesso pessoal. Nenhuma montanha era íngreme o suficiente para deter a férrea vontade de superação, nenhum obstáculo invencível para a concretização do sonho.

Essa determinação fez de mim um ser maquiavélico e arrogante. Em alguns momentos, sem escrúpulos; estado em que a dúvida e a inquietação dominam o espírito. A obsessão por alcançar a meta havia se tornado maior que a consciência de um caráter íntegro, definido por valores éticos ou morais. Neste sentido, a dinâmica da atividade mecanicamente irracional conduzia meus atos. Como nos ensina o polêmico Nietzsche: "A infelicidade dos homens ativos é que sua atividade é quase sempre um pouco irracional. Não se pode perguntar ao banqueiro acumulador de dinheiro, por exemplo, pelo objetivo de sua atividade incessante: ela é irracional. Os homens ativos rolam tal como pedra, conforme a estupidez da mecânica. - Todos os homens se dividem, em todos os tempos e também hoje, em escravos e livres; pois aquele que não tem dois terços do dia para si é escravo, não importa o que seja: estadista, comerciante, funcionário ou erudito". Por muito tempo fui, portanto, um escravo de minhas próprias vaidades.

Ao viajar através do tempo, no entanto, nos auto flagelamos com profundos questionamentos existenciais, carentes de respostas que nos satisfaçam a contento, pois viajamos como nômades, sem noção do próprio tempo. Pressentimos a necessidade de mudanças, mas não sabemos como proceder, embora, por instantes, aqui e acolá vislumbremos poderosos insights que como flashes, iluminam parcialmente a estrada, como o que escutei certa vez do meu 'mentor virtual' em um forte momento de reflexão em Copenhagen: "Nem sempre temos respostas para nossos questionamentos. Às vezes, sequer temos noção de para onde estamos indo. Nos perdemos por caminhos desconhecidos ou espaços vazios que não sabemos como preencher. Não é a liberdade que perdemos nessas horas, apenas o senso de direção; mas é em momentos assim que o improvável acontece e a alma se realiza" (O Mentor Virtual - O Elo Invisível - Campinas-SP - 2011), onde a expressão chave do insight para análise era 'direção'. Uma palavra mágica ignorada por muitos de nós, na maioria das vezes, por conta da incoerência que pauta nossas vidas, especialmente quando 'viajamos' movidos pelo desejo, por instintos ou pela emoção; ignorando que a cada minuto estamos construindo nossa marca pessoal.

'Direção' não deve ser encarada aqui exclusivamente como uma orientação meramente racional. Pelo contrário, eu a vejo como uma espécie de 'feeling' extra sensorial, um sussurro da alma a nos indicar caminhos. É quando nos sentimos perdidos ou com a sensação de abandono, e a angústia parece consumir nossa força, que despertamos toda energia latente para nos sinalizar caminhos alternativos. Nesses momentos, substituímos a angústia produzida pela presunção de impotência frente ao desafio, por ações concretas resultantes de uma postura de tomada de consciência dos valores básicos que carregamos. Não se trata aqui de mera pieguice, o sentimentalismo exacerbado, fruto de arrependimentos atemporais, ou de momentânea hipocrisia; mas de uma atitude que reflete uma nova visão de nós mesmos, e consequentemente, do mundo à nossa volta.

Quando passamos a entender o conceito de felicidade como algo que transcende o 'ter', descobrimos que 'imprescindível' mesmo é a noção da transitoriedade; a consciência da nossa brevidade que nos alerta para o imperativo do 'ser'.  Essa consciência de 'ser' nos abre os olhos para outros valores, e mais que isso, nos permite enxergar que o tempo não é apenas efêmero, mas principalmente irreversível, exigindo portanto, que preenchamos cada minuto com ações que nos conduzam à realização íntima, e não apenas à satisfação de demandas impostas por comportamentos sociais alienados, marcados pela ânsia de poder, de dominação ou de um consumismo sem limites que quase sempre fazem descambar para a futilidade e o vazio.

Ao me defrontar nos dias atuais com seres humanos dominados pelo dinheiro, eu me entristeço por eles, embora os compreenda, por já haver, em algum momento do passado, vivenciado tal comportamento. Os vejo como criaturas acorrentadas aos seus próprios pesadelos, agindo de maneira quase irracional diante de seus amigos ou colaboradores, com atitudes mesquinhas que só refletem egoísmo, cujo preço é o isolamento e a solidão. Transformar o dinheiro em senhor absoluto de nossas vidas nos impõe posturas que refletem explícita ganância, mentira e enganação, e, portanto, nos afastam da sabedoria, que é resultado da integração do nosso 'eu' com o todo do qual somos parte. O equilíbrio da inteligência com a sensibilidade. A perfeita sintonia da alma com a mente.

Não sou apologista do comodismo ou da pobreza como estilo de vida para se alcançar a plenitude do ser. Pelo contrário, busco estimular frequentemente com minhas palavras a ousadia, a coragem e a determinação para aqueles que me escutam, na batalha pela realização pessoal e profissional. Todavia, há uma enorme diferença entre ganância e realização. Entre riqueza e prosperidade. Prosperidade é fruto do trabalho com dedicação, empenho e sabedoria; riqueza é consequência da acumulação desmedida, do saque, da mesquinharia, da enganação; do fazer do outro um trouxa, ou do tratar o colaborador como um idiota, que assim se comporta muitas vezes por falta de opção ou por não dar-se conta de seus reais valores.

Assistimos diariamente, homens públicos ou empresários pagarem preços elevadíssimos por escolhas equivocadas. Como dizia o grande mestre: "Não se pode servir a dois senhores: A Deus e a Mamon". Traduzindo: É impossível atuar com sabedoria quando se age com ganância. O preço da incoerência é o fracasso. O pagamento da enganação é o inferno dentro de si mesmo. Como já foi dito, a maior de todas as batalhas do ser humano, é travada dentro dele mesmo, portanto, é recomendável que tenhamos coragem para lutar contra os inimigos íntimos que carregamos. 'Para alcançar o extraordinário é imperativo ir além de todas as fronteiras do convencional'... "Vivemos numa sociedade que nos leva a sentir culpa quando tentamos assumir as rédeas do nosso destino, mas isso não deve nos intimidar. É decisivo que tenhamos exata noção do poder que dispomos sobre aquilo que nos cerca, em especial sobre nossa capacidade de proceder escolhas", sussurra nosso 'mentor virtual'.

Mudar implica tomada de consciência e determinação para proceder as alterações significativas de rota, sem que percamos nossa identidade e nosso senso de direção, por saber que a cada momento podemos modificar nossas decisões pessoais como  consequência da constante mudança de percepção. Não há nada de extraordinário nisso. "Nossa história é formada por decisões inspiradas em cada pequeno detalhe do caminho. Não há erros nem acertos, apenas escolhas possíveis, porque viver é uma ópera ao vivo e sem ensaios, diante de múltiplas possibilidades. Em meio ao caos vamos alinhavando o nosso destino" ('O Mentor Virtual II - O Elo Invisível' - Em gestação - Campinas-SP - 2011).

Não há que se falar em caráter, e muito menos, em falso moralismo. Afinal, 'verdades e mentiras são meras ilusões do caminho. A mesma paisagem vista de janelas diferentes' diria meu inseparável mentor. A questão é unicamente o preço que estaremos dispostos a pagar por nossas escolhas, pois o universo responde às nossas atitudes de acordo com aquilo que semeamos. Nisso consiste o conceito de ação e reação; de céu e inferno. É assim que se revela a sabedoria.

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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Diretor da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.

É o idealizador do 'Projeto Mentor Virtual', empreendimento comprometido com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país. 




sexta-feira, 1 de julho de 2011

Viver. A Grande Viagem






Por Maurício A Costa*


"Ilusões... Cenários de uma ópera que vai sendo construída, com fantasias de um mundo imaginário. Verdades e mentiras que se fundem numa história sem roteiros definidos ou finais previsíveis, onde a vida emerge exuberante, sem pudores, a revelar toda sua magia e encanto". - ('O Mentor Virtual II - O Elo Invisível - Campinas-SP - Em gestação).
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Eu estava em um voo entre Amsterdam e Copenhague, em meados de 2010, quando rabisquei a frase acima, que hoje é um fragmento do livro 'O Mentor Virtual II', ainda em fase de gestação. Naqueles dias, minha mente era um torvelinho. Milhões de ideias fluindo simultaneamente, em paralelo a um vórtice de emoções inusitadas. Havia recém criado minha página no Facebook, e ainda me sentia atônito com as múltiplas reações que brotavam de maneira espontânea daquele ambiente carregado de energia latente. De repente, era como se houvessem aberto represas de toda ordem, e todos começassem a expor um 'ser' mantido escondido por anos, agora disposto a revelar-se sem véus ou qualquer tipo de subterfúgio. A verdade de todos os desejos reprimidos parecia explodir em palavras e sons que ecoavam em cada rosto, expressão ou mensagem; e foi nesse magnífico ambiente virtual da internet que nasceu a ideia de escrever esse livro.

Por trás de cada olhar, uma história. Por trás de cada história uma vida. Todos, invariavelmente em busca de ampliar horizontes, ou relacionamentos; sedentos por completar-se no outro, ou pelo complemento que o outro pudesse representar para seus planos, pensamentos ou sentimentos. Uma mistura de negócio, aventura e poesia permeando cada gesto ou reação. Uma espécie de feira de ilusões, aberta e sem censuras; acontecendo de maneira natural, e ao mesmo tempo assustadora. Sem dúvida, uma tomada de consciência coletiva, onde a internet propiciava múltiplas oportunidades de descobrir e ser descoberto, até então reprimidas.

Como ensina Freud, "Estar consciente é, em primeiro lugar, um termo puramente descritivo, que repousa na percepção do caráter mais imediato e certo. A experiência demonstra que um elemento psíquico (uma ideia por exemplo) não é, via de regra, 'consciente' por um período de tempo prolongado. Pelo contrário, um estado de consciência é, caracteristicamente, muito transitório; uma ideia que é consciente agora não o é mais um momento depois, embora assim possa tornar-se novamente, em certas condições que são facilmente ocasionadas. No intervalo, a ideia foi... Não sabemos o que. Podemos dizer que esteve latente, e, por isso, queremos dizer que era capaz de tornar-se consciente a qualquer momento" (Freud, Sigmund, 1856-1939 - Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud - Volume XIX - Pág. 28 - Imago Editora - Rio de Janeiro-RJ - 2006).

A consciência é por assim dizer, um momento. Um estado temporário de espírito a refletir desejos, ou ideias latentes do subconsciente, sobre o qual não temos autonomia. Como ensina o insuperável Rubem Alves em 'Variações Sobre o Prazer': "O inconsciente é lugar onde mora a sabedoria... Nas profundezas das águas, tudo é silêncio".

A psicologia tem se encarregado de pesquisar as escuras cavernas do inconsciente para tentar compreender todo universo reprimido que cada um de nós carrega em seu mundo pessoal, mas esbarra quase sempre na visível ambiguidade, própria do ser humano, em decorrência dos diferentes caminhos que percorre a alma até revelar-se numa personalidade qualquer. Somos únicos, nesse emaranhado de possibilidades genéticas e isso faz com que apresentemos características tão diferenciadas um dos outros; por essa razão, nos desesperamos por encontrar algo, ou alguém que corresponda aos nossos anseios

James D Watson, biólogo norte-americano; Prêmio Nobel de Medicina e precursor do programa de sequenciamento do genoma humano, apesar de todo conhecimento que esbanja, no final de sua obra, 'DNA - O Segredo da Vida', desabafa: "há um longo caminho a percorrer em nossa jornada até o pleno entendimento de como o DNA atua. No estudo da consciência humana, por exemplo, nosso conhecimento é rudimentar a ponto de alguns elementos do vitalismo ainda persistirem". Uma significativa constatação de que, mesmo com todo avanço da ciência, nossas características individuais ainda são uma incógnita. Podemos mapear a vida humana, mas jamais mapearemos sua alma. A alma é indevassável, eterna, sagrada.

Retomando o tema deste artigo, quero sugerir uma rápida reflexão sobre a complexidade dos nossos comportamentos, nem sempre compreensíveis ao outro, e às vezes, nem para nós mesmos. Nos surpreendemos em alguns momentos com nossas atitudes, e em outras ocasiões pela falta delas. Tentamos nos entender, e não chegamos a conclusão alguma. Sobra apenas uma angústia existencial profunda, onde explodem inúmeras questões sem respostas a nos deixar perplexos, sem que compreendamos exatamente o que somos, o que queremos ou para onde estamos indo. Nesse contexto, flutuamos ao sabor das marés, permitindo que determinadas situações, provocadas por comportamentos alheios definam nosso destino. Aparentando uma suposta liberdade de expressão ou pensamento, nos flagramos na verdade, vulneráveis à vontade, ao desejo, ou direcionamento de terceiros. Com o argumento de agirmos sob a influência de nossas emoções, atuamos sem perceber, sob o disfarçado comando de eventuais posturas camufladas de  intenções que desconhecemos, e que podem nos tornar vítimas ou algozes de outros, à mercê de inusitadas situações.

Neste sentido, o excesso de liberdade assusta. A internet pode se tornar para muitos uma armadilha perigosa, a por em risco a própria integridade emocional. Ao  nos deixarmos conduzir de forma emocional por uma imagem, uma canção, ou uma mensagem aparentemente inofensiva, podemos estar abrindo flancos de nossa individualidade de maneira irreversível, e possivelmente desgastante. Para contornar isso, é recomendável que, a tomada de consciência do nosso 'ser' reprimido em busca de complemento, aventura ou liberdade deva vir acompanhada de outro tipo de 'conscientização', a de que lidamos com criaturas completamente desconhecidas, por isso, precisamos atuar com cautela, e ao mesmo tempo, com respeito pelo outro, pois não sabemos como seremos interpretados. Pior ainda, não temos noção do que poderá ser deflagrado por conta de distorcidos comentários, em um meio onde a comunicação prolifera sem qualquer controle ou responsabilidade. As decepções podem ser cruéis, a transformar doces expectativas, em frustrações imperdoáveis.

Em nossa ânsia por viver, podemos estar colocando em risco o que temos de mais sagrado: a nossa alma. Ao expô-la sem critérios, e abri-la de forma apaixonada, poderemos nos tornar reféns de nossa própria ingenuidade, e nos ferirmos de maneira indesejada. Viver é uma grande viagem, sem mapas,  sem previsões, e quase sempre sem destino certo. Por isso, é recomendável que em certos momentos, ao menos tomemos consciência de nossa rota. Como alerta nosso 'mentor virtual': “Os conflitos íntimos que nos assolam, são provocados pela imensa disparidade entre o incompreensível mundo real à nossa volta e a ingênua percepção abstrata que a alma carrega, por tudo que ela vivenciou ao longo de milhões de anos, através de nossos ancestrais. O estimulante desafio de viver consiste em encontrar pontos de contato entre esses dois mundos”. (‘O Mentor Virtual II – O Elo Invisível' – Campinas-SP).

Em minhas atividades paralelas, como escritor, palestrante ou mentoring nas mídias sociais, empenho-me na tarefa de procurar transformar turbulências emocionais em oportunidades de reflexão, apoiando cada ser humano que cruzar o meu caminho, no intuito de despertar valores latentes, ajudá-lo a retomar o controle sobre si mesmo, e a escrever sua própria história. Em alguns momentos, entretanto, confesso que aprendo mais do que transmito com essas magníficas criaturas virtuais. Recebo muito mais do que dou. Com o passar do tempo, percebo cada um dos personagens que passam por mim ganhando vida, e se transformando em algo real; enquanto o autor, perdido em um voo qualquer entre milhões de estrelas, vai lentamente se tornando algo virtual. 
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Maurício A Costa é um obcecado por resultados, gerado pelo pensamento estratégico, focado em gente, inovação, e criação de valor agregado. Executivo com experiência internacional em empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica); está disponível para participar da construção de marcas fortes, em organizações sérias, interessadas na identificação de novas oportunidades, na superação de desafios, e na melhoraria de resultados e rentabilidade. No plano pessoal, é o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país, e poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Conselheiro' para Empresas, Empreendedores ou Executivos.
Contatos: mauriciocosta@uol.com.br