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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Gente. A Prioridade de Qualquer Empreendimento



Por Mauricio A Costa*

Clemente Nóbrega
"O que alimenta o crescimento é a existência de multiplicidade e variedade. Isto é, a possibilidade de múltiplas escolhas... Havendo isso, o sistema se sente desafiado a 'procurar', experimentando a mutação certa para garantir sua sobrevivência e perpetuação. Quem opta pelo simples e pelo não ambíguo em detrimento do complexo, opta por se isolar das possibilidades... Qualquer evolução, seja a das estrelas, das formas biológicas, ou da própria consciência, alimenta-se da diversidade...É desse padrão universal de inteligência que precisamos em nossas empresas" (Clemente Nóbrega, "Em Busca da Empresa Quântica" - Pág. 275 -Ediouro - Rio de Janeiro-RJ - 1996).
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Ao longo de minha vida profissional, convivi com empresas de todo tipo. A maior parte delas, para minha sorte, organizações sérias, com um foco muito bem definido em seu patrimônio mais delicado: as pessoas que dela fazem parte. Lamentavelmente, no entanto, nem todos empreendimentos percebem a importância de suas equipes. Como estrategista, assessorando diretamente o principal executivo, minha recomendação inicial é no sentido de que a Empresa tenha como prioridade número um, sua gente. Em segundo lugar, gente; em terceiro lugar, gente. Todos os demais assuntos devem passar a ser vistos como complementares, ou meramente consequentes; porque tudo o que se produz ou que se realiza em qualquer empreendimento é fruto das idéias e ações de inúmeros seres humanos envolvidos em seu processo. Alguns em posição de destaque, outros em total anonimato. Poucos sob holofotes da visibilidade, muitos como incansáveis abelhas atuando nos bastidores. Todos, sem exceção, imprescindíveis para que o resultado aconteça.

É dessa diversidade que nos fala Clemente Nóbrega, no texto que abre este artigo. Somente por meio da complementaridade é possível obter-se algo maior. Se isso não se tornar um mantra dentro da organização, ela estará fadada à turbulência, ao isolamento, e quem sabe, ao fracasso. Manter-se apegado a velhos paradigmas pode significar a morte por asfixia, pois só a idéia nova, ousada e brilhante, oxigena o processo; porque a empresa vive da inovação; da melhoria constante; da atualização permanente, e isso só será possível se ela dispuser, de uma rede humana inteligente e flexível, que possibilite o maior nível possível de interconexões a arejar as veias que irrigam a vida do sistema. Como diz o ilustre professor e consultor, 'nada na natureza evolui valorizando a estabilidade'; ou seja, é o movimento contínuo que produz o estímulo vital, essencial à sobrevivência e ao crescimento; e mais que isso, é fundamental que se esteja atento a toda informação exterior, captada por sua equipe: 'A empresa tem de reagir como um sistema que se auto organiza... que sabe processar a informação que chega de fora e usá-la para se auto renovar'.

O que tenho observado, todavia, em algumas empresas é uma incompreensível inércia neste sentido. Certos empresários, na ilusão de sentirem-se donos da verdade absoluta, ignoram essa 'informação que vem de fora', subestimando significativas contribuições que sinalizam importantes adequações da empresa à velocidade das mudanças. Por conta disso, limitam a possibilidade de novas visões no processo, atrofiando seu potencial de crescimento; ou pior, ampliando sua vulnerabilidade em relação aos concorrentes. Ao portar-se como dono absoluto da verdade, o empreendedor bloqueia o pensar alternativo, a criatividade, e a inovação, e torna-se refém de suas próprias armadilhas. Uma empresa que não reage com agilidade às mudanças em seu ambiente é uma empresa morta.

Não implica o tamanho do empreendimento; seja ele uma multinacional ou uma micro empresa, o desafio é o mesmo: manter-se viva; ou melhor, crescendo! Porque aquilo que pára de crescer inevitavelmente morre. Convém lembrar ainda que, além do fluxo permanente de informação e do conhecimento, é preciso que haja também um comprometimento recíproco dentro do empreendimento que lhe permita avançar de forma objetiva e unidirecional; sem isso ocorre o desperdício de esforço decorrente da falta de sinergia. Ichak Adizes, em seu livro 'Os Ciclos de Vida das Organizações', nos diz: "Para as pessoas manterem seu compromisso a longo prazo com a organização, terão que sentir que a organização também tem um compromisso a longo prazo com elas.... Um horizonte a longo prazo não abrange apenas prognósticos do que acontecerá a longo prazo; significa uma meta em comum a longo prazo, além de interesses comuns a longo prazo compartilhados por meio de uma visão comum". (Adizes, Ichak: 'Os Ciclos de Vida das Organizações' - Pág. 178 - Editora Pioneira - São Paulo-SP - 1993).

A unidade só é possível quando se estabelece essa visão comum. Como dizia Claudio Gonzalez, 'Chairman' da Kimberly Clark latino americana, à época em que atuei como executivo naquele grupo, é imperativo haver 'comunidade de propósitos'; o poderoso elo entre partes envolvidas em uma meta que gera a sinergia indispensável ao sucesso de qualquer empreitada. A ausência da sinergia entre componentes de um sistema produz o atrofiamento e envelhecimento precoce, e essa é minha maior preocupação com as Empresas às quais assessoro. E neste sentido, escuto o que nos ensina mais uma vez Adizes, "Um consultor que não pode se dar ao luxo de perder um cliente é um remédio errado para os males das organizações em envelhecimento. O máximo que ele poderá fazer é aliviar os sintomas. O que uma organização em processo de envelhecimento precisa é de alguém que possa mudar a estrutura de poder. Eu chamo essas pessoas de 'insultores' - consultores que não temem causar dor e sofrimento, nem perder o cliente" (Idem, pág. 111).

Quando vejo a truculência verbal resultante da prepotência ou  intolerância de um empresário qualquer, começo a imaginar quanto tempo de vida aquela empresa ainda poderá ter pela frente, e sinto profunda compaixão por aquele líder que ignora a grandiosidade do seu papel, especialmente se sua postura for decorrente de apego ao poder ou à ganância pessoal. O principal papel de um líder não é unicamente garantir o lucro do empreendimento mas a plena satisfação de todos os seus 'stakeholders', ou seja, daqueles que atuam para o sucesso do empreendimento, como fornecedores, clientes, bancos, investidores, etc. mas, em especial seus colaboradores diretos ou indiretos. São as pessoas que produzem idéias ou as executam, as responsáveis pelo resultado da Empresa. Subestimar o que emana desse grupo pode ser fatal no médio ou longo prazo.

Uma grande marca empresarial é resultado da somatória das pequenas marcas individuais que a compõe. Da força dessas individualidades resultará a força da marca corporativa. Por isso, sábio será o empreendedor ou empresário, sem  importar o tamanho do empreendimento, que sem perder seu espírito guerreiro, compreende seu papel de liderança em tratar com dignidade e respeito sua equipe, mas acima de tudo, saber motivá-la por meio da participação efetiva nas decisões que envolve seu destino. Afinal, liderar não é impor, é conduzir; é tornar cada membro da equipe um apaixonado pela meta, ao compartilhar o sonho do empreendedor. Só dessa maneira não haverá um 'nós' e 'ele', mas uma 'causa' a ser defendida por todos, como uma religião, onde impera a crença no propósito.

As empresas do futuro serão aquelas que considerarem suas equipes como a verdadeira prioridade, e que sejam capazes de transformar o discurso vazio recheado de hipocrisia ou enganosas promessas em ações concretas que visem integrar sua gente em seus planos, realçando sua importância por agregar valor à marca. O ser humano não pode ser tratado como um ente primitivo e muito menos como uma manada de elefantes. O respeito pelo semelhante é antes de tudo uma postura que revela inteligência. Gerar prosperidade em harmonia é sabedoria.  


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Maurício A Costa é um obcecado por resultados, gerado pelo pensamento estratégico, focado em gente, inovação, e criação de valor agregado. Executivo com experiência internacional em empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica); está disponível para participar da construção de marcas fortes, em organizações sérias, interessadas na identificação de novas oportunidades, na superação de desafios, e na melhoraria de resultados e rentabilidade. No plano pessoal, é o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país, e poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Conselheiro' para Empresas, Empreendedores ou Executivos.

Contatos: mauriciocosta@uol.com.br

sábado, 18 de junho de 2011

'Ser' Humano




Por Mauricio A Costa*

"Ó, tu, céu claro acima de mim! Profundo! Tu abismo de luz! Ao contemplar-te estremeço de divinos desejos! Ergue-me à tua altitude; eis para mim a profundidade! Encobrir-me em tua pureza: eis a minha inocência! O deus oculta-se na sua beleza; assim tu revelas as tuas estrelas. Tu não falas; assim me anuncias tua sabedoria. Mudo sobre o fervilhante mar, surgiste-me hoje: teu amor e o teu pudor revelam-se à minha alma fervilhante. Belo, vieste a mim, mas velado por tua beleza; falaste-me com palavras silenciosas, revelando tua sabedoria. Ó, como pude eu não adivinhar todos os pudores secretos da tua alma! Antes do nascer do sol vieste até mim, solitário entre os solitários...  E em minhas peregrinações solitárias, de que minha alma tinha fome ao longo das noites e dos caminhos viciosos? E quando eu escalava montes, a quem procurava nos píncaros senão a ti? E todas essas peregrinações, e todas essas ascensões de montanha eram apenas um erro e uma maneira de enganar a minha impotência: o que eu desejava era voar, voar em ti"  - (Nietzsche, Friedrich, 1844-1900 - em 'Assim Falava Zaratustra' : Um livro para todos e para ninguém - Pág. 219/220 - Editora Vozes - Petrópolis-RJ - 2007).
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O texto com o qual começo este artigo, não foi escrito por mim, tampouco por algum sacerdote de uma religião qualquer. Ele foi escrito por um dos maiores poetas da humanidade, embora não seja visto como tal, pois o rotularam como filósofo. Os ignorantes construtores de dogmas, o taxaram como 'herege'. Na verdade, o pior deles, por haver declarado que o homem, em sua miopia e consequente deturpação de linguagem, havia construído a visão de um Deus morto, ou suscetível à morte, pois o colocaram em um patamar de igualdade ao próprio homem; portanto, mortal e finito. Sua maior heresia, para a massa de auto suficientes moralistas da religião, foi o de expor com todas as letras, que eles haviam 'endeusado' o homem Jesus Cristo, e consequentemente 'humanizado' Deus; e gerado um lamentável 'non sense' coletivo, fruto da inescrupulosa e interesseira manipulação de palavras ao longo de séculos, a produzir todo tipo de contradição, que resultou nas maiores e destrutivas guerras de todos os tempos em que se envolveu a humanidade. O sacerdote, que nas religiões ganha o 'status' de representar Deus, é alçado à condição de seu 'intérprete', e consequentemente, juiz absoluto do que é certo ou errado; como se o certo e o errado não fossem meras conceituações criadas pela mente humana em sua ânsia por justificar seus próprios mitos, transformando o imaginário em realidade absoluta, confinando a mente de milhões. 

Trago comigo, uma inesquecível experiência pessoal, que me liga ao autor desse magnífico texto inicial: Aos quinze anos de idade, fui 'convidado a retirar-me' da comunidade cristã à qual pertencia, por lê o que escrevia mentes iluminadas como Friedrich Nietzsche, o homem que ousou pensar de forma livre; sem os cabrestos do dogma, da manipulação do clero e de sua vertente protestante. Minha 'heresia', consistia em desejar ampliar os horizontes da visão para tentar compreender os fundamentos daquilo que chamavam 'fé'. Minha apostasia teve origem nas recomendações de um dos maiores propagadores do cristianismo, o apóstolo Paulo, que incitava: 'Examinai de tudo, e retenhas o que é bom'. Com o passar do tempo, e após muito 'examinar', aprendi que o maior de todos os desafios da humanidade, consistia exatamente em 'ser' humano. Isto é, assumir seu papel de superioridade sobre os demais seres da terra, e portanto, deixar de ver-se como passivo espectador, para tornar-se parte ativa no processo de criação. Todavia, o medo, a preguiça mental, e o comodismo, manteve essa assustada criatura refém de seus próprios fantasmas; prisioneiro dos mitos construídos em sua mente, por conta da infinita sensação de pequenez que carrega. Por conta disso, vê-se uma manada humana, fraca diante do que desconhece, tornar-se suscetível aos mais abomináveis tipos de  liderança.

'Ser', implica antes de tudo, numa tomada de consciência do potencial que se traz inerente. Sem essa consciência, não se extrapola o imobilismo da passividade, típica dos seres inanimados, e vive-se à mercê de toda manipulação, sem qualquer iniciativa ou controle sobre a própria vida. Como citei algum tempo atrás em outra matéria no blog  Marcas Fortes, 'há muitos que desejam ardentemente seu crescimento pessoal e se lastimam de maneira incessante da miséria cultural ou econômica em que vivem. Todavia, não fazem absolutamente nada para que isso mude. Vivem como algas no fundo do mar; ora presas aos arrecifes de onde brotaram, outras, boiando ao sabor das marés, que as levam sem destino em qualquer direção". - Penso que, só perceberemos a grandiosidade do que está à nossa volta quando abrirmos a mente a novas idéias, mesmo que à primeira vista elas possam parecer absurdas. É na saudável reflexão desprovida do preconceito que implodimos velhos paradigmas. Só assim vamos nos tornando mais livres dos bloqueios que nos são impostos pela falsa moral de pseudo verdades que nos aprisionam diante da magnitude da vida. Como ensina o meu 'mentor virtual': "...é preciso transgredir; transgredir o convencional e as falsas aparências de seriedade...Viver é algo simples quando se ousa ir além do que outros foram".

Sou aquilo que decido ser. Portanto, não é justo que eu viva a realidade construída por outras mentes. Sabemos todos, que Deus é 'síntese da sabedoria universal' que permeia todas as coisas, em especial a nós. Sua essência, ou na linguagem das religiões, seu espírito, não pode ser alvo de interpretações de quem quer que seja. Para sentir essa 'presença' divina basta desconectar a mente doentia que nos apavora com fantasmas de toda ordem. Afinal, o medo permanente do 'pecar', ou seja, o agir fora de padrões de uma moral ilusória, além de nos bloquear para o novo, gera enorme angústia e ansiedade pelo temor de punições que extrapolam a própria vida, pois a intolerável ameaça religiosa de um céu ou inferno após a morte se torna algo assustador para quem se deixa manipular por falsas ideologias. Esquecem, ou ignoram que as expressões paraíso e inferno não se referem a um lugar físico que encontraremos após a morte, e sim alegorias ou metáforas que representam estágios da vida, ou mais precisamente da alma, em relação ao 'estar bem', quando ela está completa em si mesma, ou ao vivenciar enormes turbulências, quando angustiada ou aflita, a queimar-se por dentro. Ao transformar 'alegorias', que são meras formas figuradas de expressão, em algo real, o homem deturpa uma brilhante idéia, e, como 'quem conta um conto aumenta um ponto', essa deturpação crescerá infinitamente, como parte de uma propagação incontrolável, especialmente quando o temor reverencial impõe uma postura de aceitação passiva diante do desconhecido, e que seja apresentado como sagrado.

Sabotamos aquilo que temos de melhor em nós mesmos, quando tomamos interpretações alheias como verdades absolutas e passamos a reger nossas vidas a partir desses padrões. O que chamo de realidade, pode ser apenas mera ilusão criada por minha mente, ou percebida a partir da propagação do 'inconsciente coletivo', e as verdades que presumo, podem ser meras representações mentais, que se modificam com o passar do tempo; afinal, "viajamos em busca de certezas sem perceber que é no vazio absoluto que voamos" ('O Mentor Virtual II' – O Elo Invisível – Em Gestação). A expressão 'paraíso', como já vimos, não define algo distante, mas simplesmente um estado de espírito; representa a essência da vida acontecendo com intensidade dentro de nós. Compreender isso, é ir além da mediocridade e do convencional para perceber a beleza contida no todo que nos cerca, como o fez Nietzsche no fragmento que encabeça este texto. No artigo 'Divididos entre a razão e o coração' publicado algum tempo atrás no blog Marcas Fortes, fiz a citação de um insight, que com certeza ilustra esta idéia: “A felicidade humana parece depender de um terrível paradoxo; o de estarmos condenados a viver divididos entre a possibilidade de realizar os mais belos vôos de nossas almas e o cativeiro das imposições que definimos como padrões; uma decisão que pode implicar em estarmos abrindo mão daquilo que temos de mais precioso, a liberdade de ser".

Não podemos seguir buscando direcionamento para nossas vidas em imagens construídas por mentes primitivas. Não me parece sensato seguir obedecendo a uma fé cega, imposta pelo fanatismo obscuro, uma vez que fomos 'agraciados' com o poder do discernimento e do livre arbítrio. Não é justo que continuemos pelo resto de nossa existência acreditando de maneira inquestionável no absolutismo das idéias, e na insanidade das múltiplas interpretações de terceiros, por meio de facções, partidos, religiões ou seitas sobre algo que nossa alma reconhece de pronto como imaginário, hipócrita ou desconexo, pois atenta contra o fluxo natural da energia que percebemos como a essência do que somos, e afronta nossa individualidade. A fé não é magia, ou algo sobrenatural, ela consiste na persistência obstinada por aquilo que nossa alma busca em termos de realização, quando agimos com firmeza e determinação, superando desafios de toda ordem. A fé é a energia do querer, que opera em nós esse 'realizar'; fundamento de todos os milagres.

Quando tomamos consciência de nós mesmos; desse poder latente, aguardando simplesmente seu 'despertar', entendemos que 'ser' humano é uma faculdade acessível a qualquer um, embora opcional, pois é fruto de uma decisão pessoal; de uma escolha, que pode modificar significativamente nossa visão, e nos transformar de maneira definitiva em 'deuses'; com potencial para realizar todo tipo de milagre. O desafio consiste em encarar com firmeza os inimigos íntimos que carregamos, sob a forma de paradigmas; gerado nas trevas do inconsciente, que afloram em nosso dia-a-dia sob a forma de medo ou insegurança a bloquear infinitas possibilidades. Citando mais uma vez meu invisível mentor: “O ser humano é livre por natureza. Por ter consciência de si mesmo, goza de plena liberdade, e por suas escolhas é responsável. O destino é apenas um imaginário ponto de referência, porque nada no universo tem caráter definitivo. Há um chegar e partir em cada estação; mas a beleza no decorrer da viagem somos nós que definimos. Aquilo que eu decidir ver como belo, ainda que à revelia do mundo, assim o será.” ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Campinas-SP - 2011 - Sem Editora).

Quando busco me integrar ao todo, e nele me completo, eu exerço o meu 'ser' em sua plenitude. Humano, para entender minha limitações, mas suficientemente ousado, para buscar naquilo que me completa a força que me torna parte do que chamamos Deus. Como diz Nietzsche, no texto inicial: "Antes do nascer do sol vieste até mim, solitário entre os solitários... E em minhas peregrinações solitárias, de que minha alma tinha fome ao longo das noites e dos caminhos viciosos? E quando eu escalava montes, a quem procurava nos píncaros senão a ti? E todas essas peregrinações, e todas essas ascensões de montanha eram apenas um erro e uma maneira de enganar a minha impotência: o que eu desejava era voar, voar em ti".
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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte. 

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país. 


sábado, 11 de junho de 2011

Simplicidade. O Segredo de Marcas Fortes





Por Maurício A Costa*


"A cada dia escrevemos um pouco da nossa história... Cada dia uma nova página. E assim, a magia da vida vai surgindo pela janela que se abre ao desconhecido a produzir inesquecíveis emoções de uma incrível viagem repleta de encantamento". (Mauricio A Costa, em 'O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Campinas-SP - Em Gestação).
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Estávamos em uma viagem de férias pelo Caribe quando nos conhecemos. Ela, uma celebridade, acostumada ao sucesso e ao aplauso, tinha tudo para ser a criatura mais feliz do planeta, mas estava infeliz; com a vida, consigo mesma e com o resto do mundo. Parecia distante, muito distante daquelas mesmas pessoas que faziam dela uma pop-star. Um tanto alienada, afogava sua infelicidade na bebida e nas drogas, e em alguns momentos vagava como um zumbi, perdido entre dois universos distintos: o da realização pessoal, e outro, onde procurava desesperadamente um sentido mais amplo para sua vida, ignorando suas próprias conquistas pessoais.

Vê-la entregue ao abandono de si mesma, sem dar-se conta da esplendorosa beleza que a cercava, produzia em mim um misto de compaixão e estupefação, além de uma enorme sensação de impotência diante de um ser humano que se entrega ao imobilismo doentio da insatisfação permanente, ainda que consciente de que tem tudo ao seu dispor. Observar sua apatia e prostração me causava um estranho desejo de poder mergulhar naquela mente para entender seus tortuosos caminhos, mas aquele escuro labirinto à minha frente era inacessível e acima de tudo, excessivamente perigoso. Restava apenas acompanhar à distância e refletir sobre a extensão das complexas demandas por realização ou prazer que carregamos na alma, sufocada por instintos de toda natureza.

Segundo os racionalistas, 'a verdade habita a consciência', e a representação é a sua morada. Por conta disso, 'viajamos' por universos desconhecidos em busca de respostas que possam dar legitimidade àquilo que construímos como nossas verdades, e nossos mergulhos para dentro de nós mesmos não passam de um obcecado fascínio pelo que ainda não conhecemos na imensidão do nosso inconsciente. Tentando nos entender além da subjetividade aparente, ultrapassamos nossos próprios limites e repentinamente somos impelidos por irresistível força gravitacional em direção ao vazio absoluto, sem noção de consequências. Nessa viagem às nossas profundezas, perdemos algumas vezes a relação entre o imaginário e o simbólico de nossas percepções e passamos a criar realidades paralelas, sensivelmente estranhas para aqueles que nos cercam. A linguagem seria a única forma de alinhamento entre esses distintos mundos, entretanto, nesses momentos cruciais de questionamento existencial, nos trancamos em nossos próprios casulos e o isolamento bloqueia a fala e todas as possibilidades de nos comunicarmos com o mundo à nossa volta.

Há sem dúvida, nessas circunstâncias, um forte componente de narcisismo a permear nossas atos, decorrente de um sentimento de auto suficiência, ou em outros casos, pena de nós mesmos; e o resultado é um egoísmo exacerbado, muitas vezes inconsciente, cuja consequência maior é nos deixar à deriva, sem qualquer controle sobre nossas atitudes, pensamentos ou palavras. Apenas um vagar inócuo e sem sentido. Nada, além de visões psicodélicas, fruto do efeito alucinógeno de nossas incompreensíveis angústias e desmedida insatisfação. Segundo Freud, (Sigismund Freud, 1856-1939), o pai da psicanálise, 'o que caracteriza o desejo, é o impulso para produzir alucinatoriamente uma satisfação original, isto é, um retorno a algo que já não é mais, a um objeto perdido cuja presença é marcada pela falta'. (Garcia-Rosa, Luiz Alfredo - Freud e o Inconsciente - Pág. 145 - Editora Zahar - Rio de Janeiro - 2009). Assim, a insatisfação crônica, pode ser vista também, como frustração do desejo reprimido, em decorrência da ausência de algo ou da 'nostalgia do objeto perdido'.


Ao refletir sobre aqueles momentos vividos em tão paradisíacas paisagens do Caribe, eu me dou conta da multidão de seres humanos que vagueiam como sonâmbulos em busca de complexas respostas para seus questionamentos, sem dar-se conta de que a felicidade está na simplicidade de todas as coisas, e que o estar bem resulta de um sentimento de integração permanente com o todo à sua volta. Quase sempre, o comportamento insaciável traduz uma mente insegura, desconectada de sua própria realidade, e como tal, será fonte permanente de infelicidade. A saída, ao meu ver, pode estar em sentir-se parte de algo maior, desprovido de grandes preocupações, ou na linguagem do poeta, com a certeza de que 'o acaso irá proteger'. Uma postura que revela autoconfiança. 

Em cada elemento do universo que nos rodeia, há uma mensagem de amor, traduzida pela energia natural que ele emana, percebida por todos os nossos sentidos, a nos transmitir que a realidade é um reciclar eterno sem antes nem depois, sem culpas ou ansiedades, e acima de tudo, sem ausências ou perdas, porque tudo é apenas um agora irreversível; uma paz perene a nos envolver no fluxo constante de tudo que representa a própria vida. Por isso, penso que, 'viajar' embalado por alucinógenos não passa de lamentável desperdício de um tempo precioso que não voltará jamais. Não há respostas além daquilo que sentimos; tudo mais é apenas uma tremenda ilusão criada pela mente aflita por justificar verdades parciais que não consegue juntar por conta de sua intrínseca limitação. A verdade absoluta é inexpugnável, e apenas pode ser percebida pela alma, que a detecta, e com ela se identifica, por saber que é disso que se alimenta e disso que é formada. "Não há nada de sobrenatural, fantasmagórico ou mágico no mundo à sua volta; tudo é apenas o prodígio da própria vida, se revelando a cada minuto, numa seqüência espetacular, em todas as direções para onde você voltar seus olhos". (O Mentor Virtual - Pág. 77 - Ed. Komedi - Campinas-SP 2008).

A beleza e a força de uma Marca, seja ela Empresarial ou Pessoal, está em sua simplicidade. Sua diferenciação reflete características particulares, pois cada coisa, por mais insignificante que possa parecer, carrega seu próprio significado, e a beleza consiste exatamente nisso. É na sua singularidade que reside o poder de atração, e nada mais forte para uma marca que ser vista como algo único. Inesquecível. 

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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte. 

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país. 

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Solitários Peregrinos



Por Maurício A Costa*


"Cada um de nós tem seu próprio labirinto. A trilha é pessoal, e a cada um cabe percorrê-la de forma corajosa e solitária, sem a mínima noção de onde chegar" - (Mauricio A Costa, em 'O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Campinas-SP-Brasil)


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Era manhã de um dia frio, no início da primavera, e a neve já começava a derreter sobre as montanhas de Lugo no norte da Espanha. Absorto em pensamentos, eu viajava em silêncio, deslumbrado com aquela bucólica paisagem marcada por sua enorme  extensão, salpicada por pequenos vilarejos a revelar presença de vida, ainda que não se avistasse viva alma a caminhar em meio às casas ou arbustos que davam cores àquela tela natural, que se desdobrava à minha frente após cada curva da estrada. Centenas de pinturas prontas, aguardando apenas a alma do artista que com sensibilidade fosse capaz de captar seus estupendos detalhes; invisíveis aos olhos de uma grande maioria que por ali diariamente passa, preocupada essencialmente com a sobrevivência; ou de tantos que viajando no irreversível túnel do tempo, estão ocupados unicamente em construir seus castelos de areia, alicerçados na futilidade da matéria. Uns, em busca do ouro que cria ilusório poder, outros, a vagar como insanos turistas à procura de pequenos troféus para sua galeria de futilidades.

Enquanto o automóvel deslizava entre campos e montanhas desse distante paraíso, eu me dava conta da grandiosidade que nos cerca, e torna nossa pequenez quase imperceptível, mesmo aos olhares mais atentos. Por alguns segundos, me veio à mente a lembrança de certos momentos em que pilotando sozinho algum pequeno avião sobre regiões parecidas, eu me dava conta do quanto era difícil enxergar as pessoas lá embaixo, mesmo que voando a pequenas altitudes. Essa reflexão me trazia a exata noção de que, à medida que nos distanciamos de algo, essa imagem vai aos poucos se transformando em algo pequenino e insignificante ponto até desaparecer totalmente. A ação inversa, nos mostra que, quando saímos do ambiente macro e aproximamos nossa visão, observando o detalhe, aquilo que parecia apenas algo inerte, vai mostrando os extraordinários efeitos da vida se revelando em sua plenitude.

De longe, não passamos de um ínfimo pontinho, ou na linguagem eletrônica, apenas um insignificante 'pixel', considerado o menor componente de uma imagem digital, capaz, todavia, de exibir mais de dezesseis milhões de cores distintas quando exibidos em monitores (telas) modernos. De maneira análoga, olhados no detalhe, somos milhões de possibilidades. Um potencial gigantesco de alternativas. Apesar de não passamos de pequeninos caminhantes sobre um ínfimo planeta diante da imensidão do cosmo, temos ao mesmo tempo, um poder imensurável de produzir decisivas transformações no meio em que atuamos. Tudo depende do nível de consciência  que alcancemos. Tal qual uma anônima planta perdida em meio à floresta, escondemos a incrível magnitude da vida no pulsar contínuo que produz energia. A forma como usaremos essa força, entretanto, é uma incógnita. Tudo dependerá das nossas reações frente aos obstáculos e adversidades que encontremos. Não há muita previsibilidade. “O intrincado e muitas vezes desconhecido emaranhado de possibilidades que envolve uma escolha pode modificar caminhos e destinos em fração de segundos. Somos, na verdade, extremamente vulneráveis por conta da imprevisibilidade das nossas próprias atitudes, quase sempre recheadas de conteúdo emocional”. (Mauricio A Costa, no artigo ‘Divididos Entre a Razão e o Coração’, publicado no Blog Marcas Fortes em 26/06/2010).

Eduardo Giannetti
A cada dia me dou conta da minha pequenez, por conta dessa vulnerabilidade diante de fatores externos. Me sinto flutuar, na maior parte do tempo, ao sabor de circunstâncias imprevisíveis, capazes de gerar significativas alterações, e derrubar momentaneamente aquilo que havia definido momentos antes como um ideal. Nos flagramos impotentes diante de nossas mesquinhas atitudes, que a princípio não deveriam merecer muita atenção, mas, nos fazem mudar trajetórias e alterar roteiros que podem modificar substancialmente nossas vidas, e quem sabe a de terceiros, para sempre. Como nos diz Eduardo Giannetti em 'A Ilusão da Alma' (Companhia das Letras-SP-2010): "É possível, enfim, que nossa consciência de nós mesmos não passe de um engodo e de um contínuo fantasiar do que não somos, como uma farsa em que personagens se crêem autores dos papéis que representam? E que aquilo que a que me habituei chamar de 'eu' não exista realmente, mas seja apenas sopro do que emerge da combinação de sopas e faíscas de um cérebro em vigília; e que eu e tudo o que me imagino ser seja uma peça de ficção que vive em mim em vez de ser escrita; e que ninguém exista realmente como se finge existir, mas seja o personagem de sua própria farsa, como peças assombradas do xadrez sem enxadrista que se desenrola em cada cérebro particular?"  - Uma incômoda pergunta em busca de respostas, dentro de cada um de nós, quando nos detemos diante de ridículas situações provocadas por uma inesperada combinação de fatores de menor importância quando colocadas frente ao macro.

Enquanto reflito sobre o tema, relembro palavras do meu inseparável mentor: “Somos dúvidas, incertezas, indecisões, imprecisões e obscuridades. Somos multiplicidade de sentidos, equívocos e hesitação. Vivemos a diversidade de infinitos significados. Somos, enfim, o paradoxo da ambigüidade. Nada do que afirmamos pode ser considerado definitivo, porque vivemos um permanente processo de evolução, onde a verdade se revela gradualmente através da mudança”. - ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Campinas-SP-2011).

Hoje, tantos anos após aquela inesquecível viagem pelos caminhos de Compostela, eu volto a me sentir pequeno diante de uma imensidão que por vezes me apavora e até intimida; embora saiba, que o arrogante executivo vai aos poucos morrendo, para dar lugar ao monge que necessita nascer de suas cinzas. E nesse ambiente de pura alquimia, não há espaço nem tempo para a insanidade resultante das múltiplas interpretações. Há apenas um imperativo seguir em frente, imposto pelo fluxo que define a direção. E mais uma vez, escuto a sabedoria me dizer: "Nossa história é formada por decisões inspiradas em cada pequeno detalhe do caminho. Não há erros nem acertos, apenas escolhas possíveis, porque viver é uma ópera ao vivo e sem ensaios, diante de múltiplas possibilidades. Em meio ao caos vamos alinhavando o nosso destino"... “O caminho é feito de opções. Escolhas aleatórias, em um universo marcado pela imponderabilidade, onde a vida de desdobra de maneira surpreendente. Uma imagem, uma palavra, ou um simples gesto tem poder para gerar transformações extraordinárias. É esse imponderável que nos coloca diante do inusitado e nos leva a conhecer o sentido da palavra encantamento”. (‘O Mentor Virtual II’ – O Elo Invisível). 

E neste momento, do fundo da alma, brota um enorme sentimento de compaixão, ao perceber que o outro que me complementa na relação com o todo do qual faço parte, não passa de um solitário peregrino que como eu, segue perdido em meio a bilhões de galáxias, viajando em busca de respostas, que só encontrará dentro de si mesmo...



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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte. 

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.