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sábado, 28 de maio de 2011

Emocional, Racional e Espiritual



Por Maurício A Costa*



"Três aspectos diferenciam a vida a partir da alma, da vida a partir do ego apenas. Eles são a capacidade de pressentir novos caminhos e de aprendê-los, a tenacidade necessária para atravessar uma fase difícil e a paciência para aprender o amor profundo com o tempo." (Clarissa Pinkola Estés, em 'Mulheres Que Correm com os Lobos' - Pág. 189 - Editora Rocco - Rio de Janeiro - 1994)
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Entre inúmeras mensagens que recebo diariamente, uma me chamou atenção nos últimos dias, especialmente pelo fato de estar naquele momento em fase de preparação de uma palestra sobre o tema 'A importância do controle emocional', que faria naquela semana para um grupo de mulheres executivas, em um Fórum da AMCHAM de Campinas (Câmara Americana de Comércio). Nessa singela mensagem, algumas palavras chaves revelam o estado de espírito de muitas mulheres dos dias atuais, diante do desafio de ser 'mulher' em um século marcado por profundas transformações. Visando preservar sua privacidade, citarei apenas um fragmento do texto: "Sabe Mauricio, sempre tive que ser muito forte em minha vida, e passar por momentos de muita coragem, mas tem dias que me sinto muito frágil... e tenho medo de pequenos atos... suas palavras acalmam meu coração, energia para minha mente e fôlego para minha ansiedade..."

Curiosamente, tanto no blog Marcas Fortes, como em minha página do Facebook, o público feminino predomina. Percebo, invariavelmente, um enorme interesse pela informação e pelo conhecimento, e tais posturas, salvo raras exceções, demonstram uma surpreendente simplicidade e ausência de vaidade pessoal. São, na verdade, maravilhosos seres humanos em busca de respostas para coisas que nem sempre sabem perguntar. Mulheres de todas as classes sociais, procurando entender a mudanças do ambiente que as cerca. Algumas, percebe-se, por sentirem-se carentes, procuram um porto seguro para minimizar a solidão que as aflige. Muitas, no entanto, desejam mais que tudo, ampliar sua visão e compreender a nova ordem mundial, para adaptarem-se rapidamente a esse contexto, pois não há muitas alternativas, uma vez que tais mudanças estão ocorrendo numa velocidade que muitos não conseguem acompanhar.

Há um silêncio profundo que brota da alma a gerar ansiedade; uma inquietação angustiante, a produzir insegurança e medo que fragiliza a ponto de temer-se por pequenos atos. Durante séculos, a mulher não precisou lidar com desafios profissionais, tampouco, com o nível de liberdade que a assusta agora. Frente a esse novo cenário, algumas decolam em vôo livre como se houvessem aguardado a vida inteira por esse momento; outras, no entanto, sentem-se como pássaros engaiolados, diante de portas que se abrem repentinamente a um universo assustador, e para o qual, sentem não estar prontas, pois isso implica enfrentar os perigos e riscos inerentes a essa liberdade, e ainda, por pressentir que haverá sempre um caro preço a pagar diante da tomada de consciência que implica em escolhas. Ela sente que é chegada a hora de pensar e agir como alguém livre, que precisará reaprender a lidar com o homem de uma forma diferente, e que terá de redefinir seu papel diante dos novos desafios. Terá acima de tudo, que compreender seu papel como mulher, mãe, esposa, profissional, e ser humano. Precisará entender a sutil diferença entre sexo e amor que os homens por esperteza jamais a ensinaram. No entanto, está apreensiva. Excitada com o novo, mas visivelmente assustada.

A resposta para tudo isso, me parece estar na competência em saber lidar com o emocional no mesmo nível do racional. Estar apta para identificar com clareza o momento de uma ou de outra postura, e acima de tudo, saber discernir com sabedoria e sensibilidade simultaneamente. Durante milhares de anos, o homem foi mente e corpo, enquanto a mulher, corpo e alma. O século XXI, entretanto, exige de ambos, mais do que nunca, uma grande sinergia entre mente, corpo e alma. Isso, pode não parecer, mas é um gigantesco desafio. Para o homem, isso significa aprender a lidar com a sensibilidade própria da alma, e para a mulher, exercitar muito mais a mente, o racional que minimiza os efeitos do agir ou reagir de forma essencialmente emocional. Algo aparentemente simples, mas que implica importantes mudanças comportamentais. Qualquer desequilíbrio neste sentido, poderá resultar em indesejáveis desgastes na vida pessoal, familiar ou profissional. Quem sabe, em todas elas, simultaneamente.

Como 'gerenciar' emoções em ambientes fora da rotina, e em momentos de plena liberdade? Como administrar situações decorrentes do desejo, da libido natural dos instintos? Como atuar sem os resquícios do medo característicos dos sentimentos de inferioridade? Como lidar com a multiplicidade das expectativas dos amigos e parentes em face às mudanças de comportamentos? Como adequar o tempo disponível nesse novo ambiente que mistura competição e diversidade de interesses? Qual o conceito de amor neste novo cenário? Perguntas aparentemente simples, mas de complexas respostas. Quiçá, angustiosamente incômodas. Afinal, não é tão simples assim, assumir as rédeas do próprio destino. Sair da condição de mera coadjuvante, para assumir um papel de destaque lado-a-lado com o homem implica para essa nova mulher, numa corajosa mudança de atitude, consciente de cada pensamento, palavra ou gesto. Exige uma nova postura que leve em conta a plenitude do ser. Ser racional; Ser emocional; Ser espiritual. Impõe agir com inteligência, sem abrir mão da sensibilidade. De ser guerreira sem perder o que de mais belo traz em sua alma.

Como diz, Clarissa Pinkola Estés, no livro citado no início deste artigo: "Quando a vibração específica da alma de um indivíduo, que tem tanto uma identidade instintiva quanto uma espiritual, é cercada de aceitação e reconhecimento psíquico, a pessoa sente a vida e a força como nunca sentiu antes. Descobrir com certeza qual é a sua verdadeira família psíquica proporciona ao indivíduo a vitalidade e a sensação de pertencer a um todo." (Pág. 217)

Por tudo isso, é imperativo enfrentar o medo do desconhecido. E como ensina a ilustre escritora que hoje me inspira, 'é preciso um coração disposto a morrer, renascer, morrer e renascer repetidamente'. Urge superar toda fragilidade com coragem e determinação, sem sentir-se inferior ou superior a quem quer que seja, e encarar o novo como uma magnífica oportunidade de crescimento pessoal, consciente de que se é parte de um todo extraordinário, onde não há nada a temer. 

Para finalizar, me parece extremamente oportuno também, recomendar às Empresas, Organizações, ou Empreendimentos de qualquer porte que estimulem suas Equipes a rever ultrapassados conceitos, especialmente no que concerne a possíveis falta de respeito ou apoio a essa nova mulher que corajosamente vai ocupando seu merecido espaço, numa sociedade tradicionalmente marcada pela discriminação resultante de superados paradigmas.  

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*Maurício A Costa é Um obcecado por resultados, focado em pessoas, no pensamento estratégico e no valor agregado. Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Foi o idealizador/investidor inicial do Projeto Futura Biotech (Cosmecêuticos).
Está disponível para participar de Empresas sérias, que estejam interessadas em analisar novas oportunidades, melhorar resultados e aumentar rentabilidade.
Como autor e palestrante, está disponível para, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Coaching' de Empresários ou Executivos.
Contatos: mauriciocosta@uol.com.br 

sábado, 21 de maio de 2011

Interação. A Ponte Para Construção de Uma Marca




Por Maurício A Costa*



"Os caracteres individuais que trazemos geneticamente, complementados pelas experiências pessoais, nos levam a construir um verdadeiro arsenal de regras de comportamentos, que definem nossa personalidade, visíveis pelas atitudes e posturas que esboçamos diante de cada nova situação com a qual nos defrontamos" (O Mentor Virtual, Pág. 90 - Editora Komedi - Campinas-SP -2008).




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Algumas semanas atrás, ao finalizar uma palestra sobre o tema 'A Construção da Marca Pessoal', fui abordado por uma jovem que de maneira muito confiante, fez o seguinte comentário: "Quando eu coloco algo na cabeça, costumo não dar ouvidos ao que os outros dizem, e defendo o que acredito com unhas e dentes. Quando faço isso estou sendo arrogante ou apenas sendo eu mesma? Estaria neste caso construindo minha marca pessoal?" - Uma pergunta objetiva, que procurei responder da forma mais clara possível: "Quando você defende seu ponto de vista com muito afinco, está na verdade, lutando por algo que acredita e isso é mais que válido, pois reflete a essência do que você é, a sua alma. No entanto, quando escutamos o mundo à nossa volta, temos chances de enriquecer nosso processo decisório em relação a determinado assunto, pois podemos ver os vários lados de uma mesma questão. Isso não significa que estamos abrindo mão daquilo que acreditamos, mas, apenas procurando adequar nossa visão à realidade que nos cerca. Ao fazermos isso, com certeza estamos construindo nossa marca pessoal, pois, demonstramos que temos idéias próprias, que definem nossa identidade, ao mesmo tempo em que nos apresentamos sem os radicalismos que caracterizam a arrogância de quem se sente dono da verdade".

Ao concluir esse breve diálogo, com aquela adolescente, recebi um sorriso franco, seguido de um carinhoso abraço de agradecimento por aquele momentâneo facho de luz em sua ainda iniciante caminhada, no escuro e complicado mundo competitivo dos adultos. Mas, na verdade, era eu quem saía crescido daquele rápido encontro, diante de uma imensa oportunidade de olhar para dentro de mim mesmo e me perguntar se pessoalmente eu estaria agindo da maneira como acabara de me expressar para aquela graciosa 'menina-mulher', em busca de respostas para suas inquietações.

Aprendi com meu guru invisível, que: "Nossas atitudes, posturas e comportamentos definem o que realmente tem valor para nós. São elas que determinam o caminho que iremos tomar, constroem oportunidades e permitem realizar o sonho que carregamos latente" (O Mentor Virtual, Pág. 7 - Editora Komedi - Campinas-SP - 2011), e agora, depois de um simples  questionamento daquela jovem, eu me perguntava: 'Será que para realizar nosso sonho pessoal, temos realmente que ir contra tudo e contra todos, ignorando o universo que nos envolve?' - Mal levantei a dúvida que me assolava, e a resposta chegava imediatamente numa frase postada há algum tempo: "A singularidade de uma marca pessoal é resultado do equilíbrio entre os princípios que definem aquilo que lhe é intrínseco, a sua essência, e a relação que ela tem com o mundo exterior; porque o abstrato só será percebido no mundo real se com ele entrar em sintonia. Assim, todo meu potencial só será valorizado quando puder ser identificado pelo mundo à minha volta e percebido como algo que o complemente" (Mauricio A Costa, no artigo 'Unidade, a Força e Beleza de Uma Marca Forte' no Blog Marcas Fortes, Junho,17-2010).  - Isso mesmo... pensei comigo. Nossa marca pessoal depende de uma relação com os demais. Sem isso, não existirá marca, pois marca é resultado da ação sobre o meio e não algo isolado e individual.

Outro aspecto importante, a ser lembrado é que a realidade é algo resultante de múltiplas interpretações. 'Na visão quântica, quem cria a realidade é o observador', nos ensina Clemente Nóbrega, inspirado por Heinz Pagels: "O mundo não está lá independente do nosso ato de observação; o que está 'lá' depende em parte do que a gente decida ver. A realidade é parcialmente criada por quem está olhando". ('Em Busca da Empresa Quântica' - Pág. 127 - Editora Ediouro - Rio de Janeiro - 1996). Levando-se em conta também, que todo sistema é dinâmico e sua complexidade implica na interação de seus múltiplos elementos, é imprescindível que, para que surja o novo, ocorra a interconexão entre seus elementos isolados. É dessa interdependência que resulta algo maior. "As individualidades colaboram para produzir uma totalidade mais significativa que a simples soma das individualidades", nos ensina mais uma vez a mente brilhante do autor citado. Em palavras mais simples, nossas idéias não servirão para nada, se não forem úteis no contexto em que estiverem inseridas, ou se porventura, seu 'momentum' não for o mais adequado. Como dizia Victor Hugo: "Nada é tão forte quanto uma idéia cujo momento chegou".

Ao nos darmos conta da importância da diversidade que nos cerca, percebemos o valor e a dimensão da complementaridade. A inteligência, resulta dessa capacidade de interação. A beleza e grandiosidade de um 'todo' depende da força e sinergia das partes que o compõe. Sem isso, é o caos; a dispersão resultante da desordem que afasta elementos com potencial para estabelecer juntos, algo maior. Por tudo isso, escutar o mundo à nossa volta, é que nos permite construir relacionamentos poderosos, capazes de criar a sinergia necessária para transformar simples idéias em coisas extraordinárias. O inverso é o egocentrismo que a nada leva, senão à perda desse potencial criativo. A internet dos dias atuais é o melhor exemplo disso. Particularmente, não consigo imaginar o mundo de hoje sem a ajuda de toda essa fantástica gente por trás de organizações como Google,  Wikipedia, ou YouTube. Ampliamos vertiginosamente nossa força, por meio de ambientes como Facebook, Twitter e tantos outros congêneres. Estamos na era do marketing de relacionamento, vivenciando mais que nunca a importância da interação. Quem for capaz de compreender essa verdade, e a ela adaptar-se rapidamente, sobreviverá. Aos demais, caberá apenas o isolamento, ou um anônimo lugar na platéia para assistir passivo a incrível ópera que loucamente se desenrola em um século marcado pela velocidade das mudanças.

Meu conselho àqueles que estão empenhados na construção de sua marca, sejam eles empresários, empreendedores, grandes executivos, ou uma simples garota como a que me abordou naquela palestra, vem nas palavras do incrível mentor que me acompanha: "Defina o roteiro da sua história. Comece a escrevê-la a partir deste momento. O mundo inteiro está aguardando para escutá-la. Não se esqueça de que é você o personagem central e todos à sua volta,  maravilhosos e imprescindíveis coadjuvantes" (O Mentor Virtual, Pág. 272 - Editora Komedi - Campinas-SP - 2008). Sem esses 'imprescindíveis coadjuvantes' o que sobrará é um inócuo monólogo.


Nossas palavras fluem como poderosa energia, gerando imprevisíveis transformações, e é por elas que nossa marca vai construindo o conceito que ficará impregnado para sempre em mentes e corações. Saibamos, porém, que a interação com o mundo à nossa volta é a ponte que nos permite definir o tamanho e a força dessa marca. 




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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte. 

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país. 



sexta-feira, 13 de maio de 2011

Pontes Sobre Abismos





Por Maurício A Costa*


"A ponte se erige sobre o que queremos evitar, onde não queremos cair, o que não podemos atravessar. Não podemos perder a noção dos abismos. O abismo é o impensável, o que podemos ver, mas cuja visão de pouco nos adianta, a não ser saber que ele existe e aproveitar sua negatividade como um ensinamento sobre o sentido das coisas". (Márcia Tiburi, em 'Filosofia em Comum', Pág. 180 - Editora Record - Rio de Janeiro-RJ - 2008).

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Algum tempo atrás, um amigo me questionou de maneira incisiva e até irônica, para quem eu escrevia meus textos, artigos e livros. Uma pergunta simples, mas de grande profundidade, em especial para aquele que escreve. Minha reação naquele momento foi impensada, repentina, e aparentemente sem nexo: 'Escrevo para mim mesmo', respondi. Ao ouvir isso, meu interessado inquiridor me devolveu: 'Se é para você mesmo que escreve, então porque publicar?' - A princípio fiquei um pouco atordoado com sua nova pergunta, mas, mesmo assim, de imediato respondi: 'Porque faço parte de um todo, formado por seres que como eu, devem pensar e sentir as mesmas angústias e turbulências, e portanto, poderão aprender com minhas experiências pessoais'. Após um rápido silêncio, escutei-o rebater: 'E por acaso você acha que o mundo está interessado em suas histórias, experiências ou conselhos?


Christian D Larson
Confesso que não estava preparado para tão inusitado diálogo. Nesse momento, por uma dessas sincronicidades do universo, lembrei-me de algumas regras do 'Credo Otimista', escrito em 1912 por Christian D Larson, em seu livro, 'Suas Forças e Como Usá-las': "Prometa a si mesmo: Ser tão forte que nada possa perturbar sua paz de espírito; Fazer com que todos os seus amigos sintam que existe algo dentro deles que vale a pena; Ser tão entusiasmado com o sucesso dos outros como você é com o seu próprio; Esquecer os erros do passado  e concentrar-se nos grandes sucessos do  futuro; Dar tanto tempo melhorando a si mesmo que não terá tempo de criticar os outros; Ser tão grande para se preocupar, tão nobre para sentir raiva, tão forte para sentir medo, tão feliz para permitir a presença de problemas; Pensar tão bem de si mesmo e proclamar este fato ao mundo, não pelo grito, mas pelos grandes feitos; Viver acreditando que o mundo todo está a seu lado, desde que seja fiel à sua essência". Após esse ligeiro insight, senti-me encorajado a prosseguir, sem permitir que qualquer pensamento egoísta tomasse conta do nosso interessante diálogo.

Recentemente, compartilhei em minha página no Facebook um fragmento do meu próximo livro, ainda em fase de gestação, que reflete de alguma forma meu pensamento com relação a este assunto: "Quando eu aprender que nada sei, e entender o quão pequeno sou, estarei pronto para voar sobre mares turbulentos ou desertas planícies. Só então irei descobrir que todos as minhas inquietudes não passam de quimeras, efêmeras como o vento que me conduz". Uma forma pessoal de parafrasear Sócrates, em sua máxima: 'só sei que nada sei', reagindo ao pronunciamento do oráculo Delfos, que o apontara como um dos mais sábios dos homens.

Filósofo Platão
A vida tem me ensinado que ainda há muito por aprender, mas o que apreendi até agora, faz de mim um exemplo típico da humanidade com a qual compartilho, experiências de dor, sofrimento, angústia, traumas e tribulações, com a mesma intensidade que partilhamos alegria, estar bem, e felicidade. Não sou, portanto, diferente de quem quer que seja, nem a mais, nem a menos. Sou 'humano, demasiadamente humano', diria o carrancudo filósofo Nietzsche; e como tal, suscetível a todas as intempéries do caminho, e a todas as tempestades geradas pela insensatez, variações de humor e descontrole emocional como qualquer um, em tantas decisões. Por isso, quando escrevo, não estou querendo passar a imagem de alguém que está acima do bem ou do mal, imune a vendavais. Muito pelo contrário, estou transferindo, até mesmo por catarse, o vivenciar de experiências extraordinárias que possam ser úteis ao outro. Ao purgar aquilo que é estranho à nossa própria  natureza, eliminamos o que corrompe e destrói silenciosamente a vida. Ao trazermos à consciência toda informação acumulada por milhões de anos em nosso subconsciente, nos liberamos, como ensina Platão, dos bloqueios que nos aprisionam em suas escuras cavernas, e experienciamos o verdadeiro sentido da liberdade em relação a nós mesmos, já que somos, em síntese, nossos maiores algozes, a subverter nossos próprios sonhos. “Aquele que faz do poder a sua força não passa de um fraco, porque forte é aquele que transforma todas as suas fragilidades em poder”. (‘O Mentor Virtual II’ – O Elo Invisível – Campinas-SP).

Assim, escrever, ou 'publicar', como diz o meu amigo no início deste artigo, torna-se uma forma de purificação; a libertação da alma em relação àquilo que a atormenta, especialmente no que concerne às paixões, desejos e prazeres que compõem os instintos impregnados no corpo desde suas mais remotas origens. Escrever é um ato de amor consigo próprio; publicar isso, um ato de coragem diante dos demais, pois implica expor-se sem máscaras e sem reservas. Ainda que, uma grande maioria não dê o mínimo valor ao que está se revelando, a informação permanecerá no universo para sempre, compondo o que chamamos de saber universal, acessível àqueles que a buscam. Como ensina a sabedoria oriental, o mestre só se revela quando o discípulo está pronto.

Ao retomar o diálogo com aquele 'inquisidor', que me inspira nesta matéria, senti-me um pouco mais confortável para compreender, depois dessa rápida reflexão, que não teremos absolutamente nada a aprender um com o outro, se nossa arrogância encobrir a luz que nos mostra horizontes infinitos de possibilidades. Só a consciência de que nada sabemos é que nos permite apreender a multifacetada visão de todas as coisas que nos cerca. Como ensinava o velho filósofo grego, já citado, o verdadeiro sábio é aquele que tem ciência de sua própria ignorância, e por conta disso, abre sua mente e coração para captar a sabedoria que o envolve, embora nem sempre o permeie. O outro, é a ponte que nos torna conscientes de que somos parte de algo maior, acima de todos os abismos, e nos leva ao pensar e questionar contínuo, que promove a evolução e o crescimento pessoal. 

Quando ainda adolescente, perdido entre centenas de livros de todo gênero, trazia intuitivamente essa noção da minha ignorância, e isso provocou uma insaciável sede por saber, por conhecer, por viajar no tempo, alheio a qualquer espécie de constrangimento. Ainda que ridicularizado por alguns, um inesgotável questionamento me levava a buscar respostas para coisas que nem sempre sabia como perguntar. Hoje, sinto uma profunda frustração quando vejo as estatísticas apontarem para o baixo nível de leitura de países como o Brasil, refletindo preguiça mental, ou indiferença apática, diante da avalanche de informação que rapidamente vai fazendo do conhecimento o maior patrimônio que um ser humano pode carregar consigo. Sinto, mais do que nunca, a necessidade de que estejamos preparados para todo tipo de questionamento, ainda que disfarçado sob as mais inusitadas perguntas, pois só assim alcançamos a verdade; e como nos ensina, a bela e competente filósofa dos tempos modernos, citada no topo deste texto: "A verdade é sobretudo, algo que se busca e a pergunta - quase sempre nasce da dúvida, embora a dúvida nem sempre providencie perguntas - é o dispositivo de avanço do pensamento... Façamos uma lista de nossas certezas. Descobriremos o tamanho de nossa incerteza". (Márcia Tiburi, Idem, Pág. 51/52).

Construir nossa marca pessoal exige um profundo conhecer a si mesmo, e o ambiente onde atuamos para com ele interagir de maneira sábia e eficaz. Não se preocupe se o mundo está ou não interessado em suas histórias, experiências ou conselhos neste momento... Revele-se. Abra o seu coração... É de lá que virão todas as respostas. Um dia, quem sabe, talvez você nem esteja mais por aqui, alguns compreenderão o que você quis dizer...
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*Mauricio A Costa, é Pensador/Estrategista. Expertise em projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte. 

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país. 

sábado, 7 de maio de 2011

Inimigos Íntimos.




Por Maurício A Costa*

"Há muitos que não alcançam o êxito em suas empreitadas porque o egoísmo não permite que compreendam o valor da sinergia. A vaidade de alguns, estimula uma lamentável e destrutiva 'auto-suficiência' que lhes tapa de tal forma a visão a ponto de deixá-los incapazes de enxergar a importância de uma palavra mágica chamada complementaridade". 
(Mauricio A Costa, em 'O Mentor Virtual' - Pág. 208 - Ed. Komedi - Campinas-SP)
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Alguns dias atrás, recebi uma mensagem no Facebook, de uma pessoa que me pedia para falar um pouco sobre aquilo que chamo de nossos inimigos íntimos, citados com frequência em muitas de minhas publicações, e em especial no livro O Mentor Virtual. Por considerar o assunto de grande relevância para a construção da marca pessoal, decidi transformar o tema em um artigo, ao invés de responder de forma isolada.
Peço a permissão do leitor, para iniciar nossa abordagem de maneira ousada, provocando um ligeiro pensar sobre alguns textos de Friedrich Nietzsche, um dos mais respeitados pensadores da história moderna. Um filósofo polêmico e quase sempre mal compreendido, em virtude da nossa limitação para acompanhá-lo em suas profundas análises sobre o comportamento humano. Um homem que esteve à frente do seu tempo, e que ousou desafiar o modo convencional do pensar. Em sua obra, Humano, Demasiado Humano - Um Livro Para Espíritos Livres, Nietzsche nos chama a atenção para a necessidade do homem 'tornar-se senhor de si mesmo, senhor também de suas próprias virtudes'; e nesse sentido, insiste: 'Você deve ter domínio sobre o seu pró e o seu contra, e aprender a mostrá-los e novamente guardá-los de acordo com seus fins. Você deve aprender a perceber o que há de perspectivista em cada valoração... Também o quê de estupidez que há nas oposições de valores e a perda intelectual com que se paga todo pró e todo contra'; - uma singela reflexão sobre a importância de estarmos conscientes de cada postura que assumimos em relação às coisas que valorizamos e definimos, às vezes precocemente como verdades absolutas.
Quero deixar claro que, quando escrevo, não tenho a pretensão de discutir a ética ou a moral, mas unicamente os costumes. Meu propósito, é simplesmente desenhar trilhas alternativas para aqueles que buscam respostas que lhes permitam um caminhar sereno, por conta da confiança que possam desenvolver em si mesmos, decorrente da plena consciência de cada decisão que vai sendo tomada ao longo da jornada. Não nos interessa definir ou conceituar o que venha a ser o 'certo' ou o 'errado'; afinal,  como dizia Einstein, 'toda observação depende do ponto de vista em que está situado o observador', e portanto, passível de múltiplas interpretações. O que se pretende na verdade, é analisar com profundidade aquilo que poderá ou não nos fazer bem; do ponto de vista corporal, mental ou espiritual.
Muitos estudos científicos têm confirmado os efeitos desastrosos para o corpo e consequentemente para a vida, provocados pelas energias negativas que assimilamos de forma consciente ou inconsciente por conta de nossas atitudes e reações diante do mundo. A essas forças repletas de negatividade que carregamos, eu chamo de inimigos íntimos, pelo simples fato de nos acompanharem vinte e quatro horas por dia, até mesmo enquanto dormimos. Trato-os como inimigos ferozes, por nos sabotarem muitas das possibilidades no tocante à nossa realização pessoal, ao nosso sucesso profissional, e especialmente no que diz respeito ao aspecto saudável dos nossos relacionamentos. Eles se revelam em nosso comportamento rotineiro das mais diversas maneiras: Sob a forma de uma preguiça letárgica disfarçada em atitudes como a apatia, o comodismo, a indolência ou a inércia, a nos paralisar diante de todas as oportunidades que o universo pode oferecer. Inimigos que se mostram também nas posturas que revelam descontrole emocional como a raiva, o mau humor, o rancor, e a intolerância; ou ainda nos gestos que refletem arrogância, mesquinhez ou falsidade; nos afastando por conta disso, de pessoas maravilhosas que poderiam conosco construir importantes sinergias ou até mesmo se tornarem parte daquilo que chamamos de felicidade. O estar bem que deriva da companhia de outros que partilham dos mesmos valores.
Como nos ensina o grande psicoterapeuta Carl Jung, já mencionado em outro artigo já publicado: “O homem gosta de acreditar-se senhor da sua alma. Mas enquanto for incapaz de controlar seus humores e emoções, ou de tornar-se consciente das inúmeras maneiras secretas pelas quais os fatores inconscientes se insinuam nos seus projetos e decisões, certamente não é seu próprio dono” (Young, Carl Gustav - 'O Homem e Seus Símbolos' -Pág. 83 - Ed. Nova Fronteira - Rio de Janeiro-RJ - 2002), uma verdade irrefutável, que completa de maneira inequívoca o pensamento de Nietzsche, citado anteriormente. Não podemos ter controle sobre nossa vida e nosso destino se não formos capazes de controlar nossos impulsos, instintos e reações. Pelo contrário, iremos nos tornar escravos de nossas próprias emoções; vítimas por consequência, da ignorância que possamos ter de nós mesmos. 

Entretanto, "modificar paradigmas implica muita ousadia, pois exige mudanças de posições que na maioria das vezes se tornaram excessivamente arraigadas; uma decisão que para muitos pode caracterizar aparente fraqueza ou falta de personalidade, quando na verdade trata-se de um ato de coragem e grandeza, porque reflete bom senso para rever conceitos, humildade para alterar posturas e forte determinação para expor-se". (‘O Mentor Virtual’ - Pág. 96 - Editora Komedi - Campinas-SP - 2008). Nem sempre é tarefa das mais fáceis admitir que esses inimigos possam estar atuando dentro de nós. Mais complexo ainda é a ação que exige coragem e determinação para enfrentá-los, numa batalha íntima de proporções gigantescas visando removê-los; uma vez que, muitos desses demônios, trazemos como herança de nossos ancestrais, e portanto, estão enraizados demasiadamente em nosso código genético, exigindo não apenas uma simples tomada de consciência, mas, principalmente um querer ferrenho para extirpá-los.

A interdependência, implícita aos seres humanos, exige comportamentos que vão além da individualidade, a nos impor um pensar que nos faça superar o egoísmo e a vaidade pessoal. Lamentavelmente, no entanto, isso nem sempre costuma ser lembrado. Tenho visto com frequência pessoas acometidas de graves doenças degenerativas, ou vivendo angustiantes momentos de solidão, por conta de sua incapacidade de escutar, ou por se julgarem donas absolutas da verdade, demonstrando uma corrosiva intransigência, que as isola e as deprime de maneira cruel e destrutiva. Escravas de suas próprias armadilhas, lutam desesperadamente para superar enormes desafios físicos, sem darem-se conta de que o inimigo não está no corpo, mas, em suas mentes e corações. A luta, portanto, não é contra adversários visíveis, esses são apenas consequências. O foco deverá ser direcionado para dentro de si mesmo. É lá que residem os maiores inimigos do ser humano.

É insano nos deixarmos afundar por conta de qualquer comportamento que nos aprisione. Não se trata de coragem, mas de amor próprio. Afinal, a vida é um efêmero momento que não pode ser desperdiçado. Para que brilhe a nossa marca pessoal, não podemos ser vistos como criaturas amargas, taciturnas e indesejáveis, com posturas que refletem paradigmas comportamentais inúteis. Como ensina O Mentor Virtual, 'o universo conspira a favor daqueles que percebem a força da diversidade e a beleza da complementaridade'; por serem capazes de ver no outro o 'elo invisível' que estabelece a ponte para algo maior. Por isso, dispa-se de toda energia negativa, e busque essa sinergia. Em alguns momentos é imperativo entrar no casulo; na mata escura de todas as inquietudes, vencer o medo, abrir o coração e revelar aquilo que só a alma é capaz de fazer. É decisivo transformar cada minuto numa oportunidade única, e entender a vida como um milagre que não pode ser repetido.

"A maior de todas as batalhas para concretizar seus sonhos será contra os inimigos que você carrega dentro de si mesmo. Identifique-os e saberá como lidar com eles. Ignore-os e será um escravo para sempre".
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*Mauricio A Costa, É estrategista para projetos de ‘alavancagem’ de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, para atuar como Executivo, Assessor, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas.
É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, para grupos, associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.
Contatos: mauriciocosta@uol.com.br