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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Imprevisibilidade. Esteja Pronto Para Ela.


Por Maurício A Costa*




“Quando você estabelece um contato mais intenso consigo mesmo, percebe que não é você que conduz os movimentos e que não foi você quem escreveu a sinfonia. Descobre então que não a está regendo. Você é parte do movimento. Você está apenas tocando o oboé”. (Lloyd Tupper, citado por Mauricio A Costa, em 'O Mentor Virtual' - Pág. 182 - Editora Komedi - Campinas-SP - 2008).
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O assunto que dominou as conversas em passado recente, foi o casamento do Príncipe William com Catherine Middleton, ou simplesmente 'Kate'; herdeiros em potencial ao trono da conservadora Inglaterra. O sonho de milhares de donzelas em todo o mundo, realizado na figura de uma mulher simples e de origem humilde; filha de pessoas comuns e de uma trajetória de vida sem qualquer lance espetacular, senão o de estar no lugar certo e na hora certa, ao entrar para a mesma Universidade onde estaria seu futuro príncipe encantado.
Esse fato, me estimulou, na ocasião, uma importante reflexão sobre a casualidade, ou mais precisamente sobre o fator imprevisibilidade, que dá título a este artigo. Me fez pensar sobre a 'ampla variedade das possibilidades', sobre a qual nos fala Charlene Belitz e Meg Lundstrom em 'O Poder do Fluxo', a nos mostrar que "quando somos acolhedores, não nos esforçamos para nos afastar das coisas; não construímos muros entre nós e o mundo, pelo contrário: abraçamos o que quer que se revele, pois sabemos que tudo o que vivenciamos tem valor". A palavra chave aqui é 'acolhimento'. Uma atitude que pode mudar decisivamente o rumo dos acontecimentos, e significa estar aberto a todas as possibilidades sem qualquer tipo de preconceito, restrição ou paradigma.

Temos uma tendência a agir com certa predisposição de inferioridade quando o universo nos acena com algo que vai além do convencional. Nos autodepreciamos com pensamentos e ideias de que podemos não estar à altura disso ou daquilo, e devido a isso, desperdiçamos magníficas oportunidades de realização pessoal ou profissional, e de construirmos importantes sinergias, por ignorar ou subestimar o fato de que a maioria dos eventos à nossa volta ocorre de forma natural e quase sempre imprevisível, cabendo-nos unicamente a decisão de construir pontes, quando avistamos na outra margem, algo que fascina a alma.

Como nos ensinam as mencionadas autoras de 'O Poder do Fluxo' "é preciso se sentir à vontade com a ambiguidade, não temer o paradoxo e se encantar com o mistério", e eu complemento, dizendo que é decisivo estar atento à sincronicidade como ensina Carl Jung. Afinal, o universo à nossa volta está a conspirar o tempo inteiro a nosso favor, enviando mensagens para as quais, nem sempre damos a devida atenção, ao nos colocar diante do inusitado. Só uns poucos fazem isso.

Há muitos que parecem viver uma espécie de sono hibernal; inertes diante de múltiplas oportunidades, viajando alheios a todas as possibilidades. Alguns por conta de um inaceitável complexo de inferioridade, outros, por mero comodismo; a preguiça física e mental que escraviza o ser humano aos inimigos que carrega dentro de si mesmo. Como lembra 'O Mentor Virtual':  “Destacar-se em meio à multidão não é tarefa das mais fáceis. Exige algumas vezes ir além dos próprios limites. Implica criar diferenciais que tornem você ou sua marca reconhecida pelos demais” (O Mentor Virtual – Pág. 231 – Ed. Komedi – Campinas-SP 2008). Nossa inércia, no entanto, nos faz vítimas de nossos próprios paradigmas. Quando aceitamos como verdade aquilo que alguém ironicamente nos diz; algo do tipo: 'isso não é para o seu bico' estamos permitindo covardemente que uma limitação imposta de maneira irresponsável por terceiros defina nosso destino. Nesses momentos, é decisivo um despertar para os valores mais profundos que carregamos na alma, e acreditar em si mesmo como uma marca forte, com potencial para competir com enormes vantagens em quesitos que às vezes ainda não havíamos nos dado conta; afinal, a beleza do que somos é um conjunto de fatores, que não está restrito apenas a questões como aparência, riqueza, ou títulos. Há muito mais que isso, sob a forma de valores que transcendem a observação superficial.

A consciência pessoal nos permite descobertas importantes. É imperativo, entretanto, nos livrarmos da velha casca a fim de decolarmos para voos grandiosos. Estar pronto para o imprevisível. Entender que o universo está enviando mensagens o tempo inteiro. É decisivo um agir confiante diante das possibilidades com as quais a vida nos acena, mesmo que elas jamais tenham passado pela nossa cabeça. De vez em quando vale a pena sair do controle e se deixar levar pelos sonhos. "Você é o centro do universo, e só a você cabe proceder suas próprias escolhas. Basta que potencialize seus dons. Desperte a poderosa força interior que carrega dentro de si mesmo e acredite no que faz. Sem medo, e sem falsos pudores, deixe seu brilho permear o mundo à sua volta, e ele irá girar em torno de você." (Fragmentos do Mentor Virtual).

Ainda que não tenha sido você quem escreveu a sinfonia, e esteja apenas tocando o oboé, preste atenção aos sinais à sua volta; cada fato, circunstância ou pessoa traz uma importante mensagem. Reveja inúteis crendices, destrua superados dogmas, faça explodir inócuos paradigmas e reinvente-se a cada dia. A felicidade não está em algum ponto distante, e muito menos para além do além. A vida acontece aqui e agora, diante dos nossos olhos, exigindo-nos a ação, que resulta de um querer determinado. Saia da plateia e suba no palco. Assuma seu papel, e acredite que pode brilhar. "Defina o roteiro da sua história. Comece a escrevê-la a partir deste momento. O mundo inteiro está aguardando para escutá-la. Não se esqueça de que é você o personagem central e todos à sua volta, maravilhosos e imprescindíveis coadjuvantes", ensina 'o mentor virtual'. 

 
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*Maurício A Costa é um obcecado por resultados, gerado pelo pensamento estratégico, focado em gente, inovação, e criação de valor agregado. Executivo/Diretor com experiência internacional em empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica); está disponível para participar da construção de marcas fortes, em organizações sérias, interessadas na identificação de novas oportunidades, na superação de desafios, e na melhoraria de resultados e rentabilidade. 
No plano pessoal, é o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país, e poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Conselheiro' para Empresas, Empreendedores ou Executivos.

sábado, 23 de abril de 2011

Tempo. O Maior de Todos os Mistérios




Por Maurício A Costa*

“O tempo não é mais que uma ilusão mental para quem busca compreender o verdadeiro sentido daquilo que para a alma é eterno. A vida é um pulsar contínuo sem antes nem depois. O presente é o cenário de todas as transformações possíveis, a impor um agir agora inevitável”. ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Campinas-SP-Brasil).

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Lembro-me com uma suave réstia de saudade, um magnífico momento de minha vida, em que tive a coragem e a ousadia de parar o tempo. À primeira vista isso pode parecer um disparate para você que me lê, mas na verdade, esse fato retrata de maneira simples, como podemos lidar com o ele, o tempo, quando abandonamos a prisão da mente, e nos permitimos ser conduzidos por nossa alma, a essência do que verdadeiramente somos.

Era outono, nos Estados Unidos. Eu estava no Aeroporto de New York, depois de viajar durante alguns dias por diversos Estados da costa leste americana, e haver me deslumbrado com a profusão de cores da vegetação que invade a paisagem nessa época do ano. Uma incrível aquarela natural a formar surpreendentes matizes capazes de inspirar qualquer Monet de plantão a criar as mais belas telas do universo. Como havia chegado muito cedo ao aeroporto, e meu vôo para o Brasil só decolaria cerca de oito horas mais tarde, por volta das onze da noite, não era possível fazer meu check-in; por essa razão fui circular à toa pelo aeroporto, e como sempre, procurar deleitar-me pelos corredores de alguma livraria, meu espaço favorito em qualquer lugar do mundo. 


Estava absorto entre livros, quando uma repentina troca de olhares me colocou frente a frente com uma das mulheres mais lindas que eu havia conhecido até então. Como que atingido por um raio, senti a respiração ofegante e meu coração bater mais forte. Meio hesitante, sem saber o que fazer, baixei a cabeça e tentei voltar a atenção para os livros à minha frente. Inútil. Eu já estava sendo arrastado pela correnteza invisível de algo que não sabia definir. Uma atração irresistível me fez voltar os olhos de maneira firme, para aquela mulher que me encantava tanto quanto a profusão de cores das estradas da região da Virginia. Apesar de não estar preparado para aquele momento, retribuí seu envolvente sorriso com um matreiro cumprimento e em seguida comentei sem muita formalidade: 'vejo que ambos gostamos de livros... ' ao que ela me respondeu quase sussurrando: 'não vivo sem eles'. Após esse breve e improvisado diálogo, seguido de rápidas apresentações, convidei-a para um café, pois como eu, ela teria também uma longa espera pela frente para seu voo.

Acomodados agora naquele pequeno Café, eu pressentia como a vida irrompe sem rodeios, e sem qualquer previsibilidade, revelando que a cada instante poderemos estar diante do inusitado. Literalmente fascinado por aquela criatura à minha frente, eu ia me dando conta de que para viver, basta deixarmos fluir de forma natural aquilo que vem de dentro de nós, sem interferir. - Assim, começamos a conversar, e com muita tranquilidade trocamos idéias sobre livros, sobre a vida, e sobre nós. Em poucos minutos, parecia que já nos conhecíamos a anos. Ela era uma mulher jovem, com pouco mais de trinta anos; extremamente atraente, a revelar um sotaque  irlandês, embora residisse na Inglaterra. Sua voz era suave, e seus gestos pareciam imagens em câmera lenta. Não havia pressa estampada em seu semblante e seu sorriso me fazia esquecer o mundo, lembrando-me apenas que, quando guiados pela alma, criamos uma imperceptível sintonia com o todo que nos cerca; e só a partir daí nos damos conta de como é possível sentir a vida em sua plenitude, e assim entendemos o quanto a intensidade pode definir um momento.

Passados alguns minutos, cerca de uma hora depois de nos conhecermos, eu segurava sua mão, com meu olhar fixo em seus olhos como se uma deusa Celta houvesse me enfeitiçado sem pudores. Era possível, escutar as batidas do meu coração a quilômetros de distância, e o seu sorriso revelava todos os seus segredos. Silenciosamente, abríamos os escuros portais do nosso subconsciente, libertando pássaros engaiolados para vôos magníficos. 


Eu sempre acreditei que parte do nosso destino está previamente definido por nossa ancestralidade, mas que podemos alterá-lo significativamente quando escutamos algo maior dentro de nós a impor roteiros. O querer que impulsiona, e mantém viva cada célula de nosso corpo, realiza todos os milagres. A suave magia do amor, com sua inefável energia invade todos os espaços. E em meio a esse momentâneo enlevo, a escutei dizer: 'há momentos em que deveríamos saber como parar o tempo'... refletindo sua preocupação com o fato de que dentro de algumas horas teríamos que tomar nossos voos, em direções opostas, e que poderíamos não voltar a nos ver jamais; um reflexo da mente que em suas infinitas viagens entre o passado e o futuro, vive a projetar estapafúrdios cenários.

A alma, no entanto, que só conhece o agora, vive com intensidade cada segundo, sem qualquer ansiedade e apenas se entrega. Deixando o corpo dividido entre dois mundos distintos, nos faz reféns de nossas próprias escolhas. E nesses momentos, como escrevi certa vez, 'a felicidade humana parece depender de um terrível paradoxo; o de estarmos divididos entre a possibilidade de realizar os mais belos vôos de nossas almas e o cativeiro das imposições que definimos como padrões; uma decisão que pode implicar em estarmos abrindo mão daquilo que temos de mais precioso, a liberdade de ser'. (Mauricio A Costa, no artigo 'Divididos Entre a Razão e o Coração', no Blog Marcas Fortes, Jun,26-2010).

Foi nesse momento, que num imprevisível insight, descobri que poderia parar o tempo. E assim, de maneira decidida, falei como guerreiro que ignora qualquer adversidade: 'Se você realmente desejar, podemos parar o tempo'... Fitando-me com imensa ternura ela me questionou, sorridente: 'Como faria isso? Você é algum tipo de super-homem?... - Não!... respondi convicto, e continuei: 'posso mudar minha passagem de São Paulo para Londres neste momento e com isso, altero nossos destinos e paraliso o tempo'... Ao que ela novamente me questionou com um ar de espanto: 'Você é louco? Eu não acredito que você faria isso. Afinal, faz apenas alguns minutos que nos conhecemos!'... Ao que serenamente, mas com um sorriso escancarado respondi: 'Sempre achei que eu não era normal, mas reconheço que é a primeira vez que me dou conta de que posso parar o tempo e alterar o roteiro da minha história'... Alguns horas mais tarde, voávamos à bordo de um jato da British Airways com destino a Londres, ignorando o que poderia significar para nós, todos os mistérios do tempo.


Hoje, tanto tempo depois, ao relembrar esse incrível momento da minha vida, escuto o Mentor Virtual sussurrar-me com carinho: “O ser humano é livre por natureza. Por ter consciência de si mesmo, goza de plena liberdade, e por suas escolhas é responsável. O destino é apenas um imaginário ponto de referência, porque nada no universo tem caráter definitivo. Há um chegar e partir em cada estação; mas a beleza no decorrer da viagem somos nós que definimos. Aquilo que eu decidir ver como belo, ainda que à revelia do mundo, assim o será” - ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível – Campinas-SP - Brasil), e com esse texto em mente, me dou conta com certa tristeza, da quantidade de incríveis seres humanos que paralisam diante de múltiplas oportunidades que a vida lhes proporciona, por sentirem-se presos a dogmas, tabus, regras e paradigmas de toda ordem. Presos em suas próprias armadilhas seguem seu único e definitivo destino, como se não sobrasse qualquer opção. Mortos vivos, flutuam inertes ao sabor de imaginárias correntezas que não conduzem a lugar algum.
'Escolhas são momentos cruciais de uma caminhada porque implicam em abandonar todas as demais alternativas'... diria meu inseparável mentor... 'Razão e coração separados por um fogo que destrói aquilo que já é conhecido para que o novo se estabeleça, trazendo o arrepio de todas as consequências'. A vida emana com intensidade e é imperativo a deixarmos fluir naturalmente. Cada vez que interferimos nesse processo geramos a negativa energia das frustrações e do arrependimento, cujo preço será significativamente maior.
O caminho é formado por paisagens que podem ser vistas de maneiras totalmente diferentes e, portanto, não devem ser tratadas como algo definitivo. São apenas flashes de um momento, vistos por ângulos distintos. Efêmeros instantes de uma alma que viaja sem noção de tempo ou espaço, buscando perpetuar aquilo que a seduz, impulsionada pelo vento da liberdade que a fascina.


Não é sensato viver uma vida de inúteis questionamentos, ou discutir insignificantes detalhes da nossa própria ignorância, quando na verdade somos apenas uma montanha de dúvidas e ambiguidades. 'Viajamos em busca de certezas sem perceber que é no vazio absoluto que voamos', diz 'O Mentor Virtual'. A vida é um milagre que não pode ser repetido. Por isso, é imperativo transformar cada minuto numa oportunidade ímpar, sabendo que em alguns desses momentos, temos até mesmo o poder de parar o tempo, para vivê-lo com intensidade, conscientes de que a vida é uma experiência irreversível, pessoal e única.
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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Executivo, Estrategista, ou Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte. 

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país. 

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sábado, 16 de abril de 2011

Atitude. O Grande Diferencial de Uma Marca Forte.



Por Maurício A Costa*


"Todo poder emana do querer. Grandes transformações ocorrem em nossas vidas quando paramos de lamentar e colocamos nossa energia na direção daquilo que nos realiza. Dentro de cada um de nós está a força de todos os milagres" ('O Mentor Virtual II - O Elo Invisível - Abril,2011).
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Oriundo de uma família muito simples, logo cedo me defrontei com a realidade da vida e conheci desafios monstruosos que só mais tarde viria a entendê-los como oportunidades. Com apenas nove anos de idade eu olhava o mundo à minha frente como quem observa os trilhos de uma grande estação ferroviária. Múltiplas alternativas a se desdobrar à minha frente, sugerindo inúmeros caminhos. Entre eles, a opção de nada fazer, e permanecer à beira da calçada lamentando pela sina de haver nascido em um lar cercado por turbulências de toda ordem, inclusive financeira. Ainda na tenra idade, eu não sabia, mas já pressentia: 'Opções envolvem escolhas. Escolhas implicam em atitudes'.

Por residir numa cidade praiana, algumas vezes me sentava à beira mar e ali permanecia por horas a observar aquela imensidão à minha frente, refletindo sobre todas as chances que poderiam estar escondidas por trás daquele horizonte que me fascinava. Perdido em magníficas divagações eu viajava em meus pensamentos como se caminhasse suavemente sobre um oceano de possibilidades. Sentia naqueles momentos a nítida sensação de que eu não estava sozinho. Parecia prever, que na jornada haveria dezenas de anjos amigos dispostos a orientar e apoiar na travessia daquele imenso mar repleto de aventura e perigo. E foi em um desses inesquecíveis momentos, que tive um dos meus primeiros insights, que mudaria minha vida para sempre: algo me dizia para iniciar essa caminhada tomando como um firme propósito ler todos os livros que encontrasse pela frente. Assim, sem perda de tempo, assumi comigo mesmo esse compromisso, e por conta disso, me joguei na aventura de uma solitária viagem pelos quatro cantos do mundo através das páginas de fantásticos livros. Dessa maneira começava minha paixão pela leitura. Nada mais me interessaria. Nem bola, nem brinquedos, nem qualquer outra futilidade além daquela marcante determinação de descobrir o novo. Devido a isso, a solidão passaria a fazer parte do meu estilo de ser, e o silêncio do casulo se tornaria minha segunda placenta. A paz era tudo o que precisava para mergulhar em extraordinárias peregrinações com autores nem sempre tão compreendidos, por conta da pouca idade que eu tinha, mas a verdade é que a odisséia já havia começado. A soma desses mentores que participaram da minha formação se transformaria mais tarde, no personagem que criei, chamado 'O Mentor Virtual'.

Hoje, tantos anos depois, fico imaginando quão sem sentido teria sido minha vida, se já naqueles momentos da minha juventude não houvesse tomada uma 'atitude', e escutado a voz que vinha do coração, indicando caminhos. Como nos ensina Richard Bach: 'Se você defender suas limitações jamais se livrará delas'. Ou como revela 'O mentor virtual: "Nossas atitudes, e posturas resultam daquilo que alimentamos em nossas mentes e corações. Aquilo que validamos irá tornar-se a nossa verdade, e estará refletida em nossos pensamentos e palavras". Nosso comportamento reflete aquilo que tomarmos como verdade; é essa crença que constitui inicialmente nossa esperança; mais à frente, nossa fé; e por último, a confiança que transmitimos através de nossas posturas, que irão transferir credibilidade; característica essencial de uma Marca Forte. Por isso, ensina mais uma vez meu inseparável mentor: "Não coloque sua confiança ou expectativas em nada fora de você. A força que necessita para realizar seu sonho, e as respostas para suas dúvidas e ansiedades, estão dentro de si mesmo. Apenas escute o seu coração. É por aí que o universo fala com você". ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Campinas-SP - 2011).

Recentemente recebi um interessante comentário em minha página no Facebook que dizia: "É interessante observar que enquanto jovens, somos ousados, irreverentes e desafiadores do mundo, no entanto, na idade adulta, com toda experiência adquirida, tendemos a acomodação e a prudência para não parecermos irresponsáveis'; afirmação que eu endosso plenamente, completando: O comodismo esconde a preguiça ou a covardia resultante do medo, e aquilo que chamamos de prudência, não passa muitas vezes de uma mentira que pregamos para nós mesmos, permitindo que esses poderosos inimigos íntimos se instalem em nossas vidas nos acorrentando, quem sabe para sempre, no escuro pântano de nossas cautelosas mentes que mais nos tolhem que estimulam. Essa ausência de atitude nos torna reféns de nossas próprias armadilhas e inevitavelmente darão causa a profundas frustrações a desencadear indesejáveis ansiedades resultantes da insegurança, que irão gerar lamentáveis angústias e depressões; ponto de partida para muitas das enfermidades do corpo e da alma. 
"Há muitos que desejam ardentemente seu crescimento pessoal e se lastimam de maneira incessante da miséria cultural ou econômica em que vivem. Todavia, não fazem absolutamente nada para que isso mude. Vivem como algas no fundo do mar; ora estão presas aos arrecifes de onde brotaram, outras, boiando ao sabor das marés, que a levam sem destino em qualquer direção". (Mauricio A Costa, em artigo publicado no blog Marcas Fortes - Outubro,16-2010).

Como ensina nosso enigmático mentor: "A angústia se origina numa equivocada presunção de impotência diante de momentos desafiadores. Está quase sempre vinculada a traumas do passado ou ansiedades com relação ao futuro. Toda inquietude é substituída pela insuperável energia do viver, quando preenchemos cada minuto do presente, conscientes de que ele é único, e de que o tempo é irreversível" - ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Campinas-SP - 2011). Em outras palavras, nós podemos qualquer coisa que o nosso coração venha a desejar, desde que foquemos com coragem e determinação toda nossa energia naquilo que acreditamos, e definimos como nossas escolhas. Ao sinalizarmos nossas intenções para o mundo à nossa volta, através de atitudes conscientes, criamos uma poderosa sinergia, a provocar extraordinárias transformações. Caso contrário, sabemos o quanto a letargia poderá ser extremamente corrosiva. "Morremos um pouco cada dia em que deixamos morrer nossos sonhos. Eles são ecos do nosso mais profundo inconsciente, onde reside toda a essência daquilo que somos. A vida é movida pela energia do querer que em nós eles despertem." ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível – Campinas-SP - 2011). 

A vida nos impõe um agir agora inevitável, e o presente é o cenário possível de todas as transformações."Sua vida, seus planos, seu destino enfim, são frutos de suas escolhas. Ninguém poderá interferir nisso, apenas a você cabe decidir aquilo que considere ser o melhor caminho. Esta é uma das facetas daquilo que o ser humano convencionou chamar de livre arbítrio. Você define suas escolhas e são essas escolhas que definirão o roteiro da sua história" ('O Mentor Virtual' - Seja O Autor de Sua Própria História - Ed. Komedi - Campinas-SP - 2008).
Atitudes são reflexos desse 'querer' determinante. São elas que definem uma Marca. Revelam valores como coragem, iniciativa, persistência e ousadia, ou ainda seriedade, comprometimento e sabedoria. Como sabemos, esses são valores que constroem credibilidade e geram percepção na mente e no coração daqueles em quem desejamos 'impregnar' nossas marcas para sempre. 
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*Maurício A Costa é estrategista; focado na análise de alternativas, e no valor agregado. Foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. Está disponível para empresas de qualquer segmento ou porte, interessadas na alavancagem de receita e rentabilidade de seu negócio.
Como livre pensador não tem vínculos com partidos políticos ou religiões. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Está disponível também para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que podem mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.


sexta-feira, 8 de abril de 2011

Complementaridade. Uma Palavra Mágica.






Por Maurício A Costa*


"Como a abelha que recolhe o mel de diferentes flores, o homem sábio aceita a essência de diferentes Escrituras e só vê o que há de bom em todas as religiões"  Dos Livros Sagrados da Índia. Ver:  Srimad Bhagavatam

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Nasci e fui batizado nos ritos da religião católica. Quando eu tinha por volta de dez anos, minha mãe foi convertida para a religião protestante, passando a frequentar um templo Batista. Segui seus passos de maneira natural, envolvido especialmente pelo carisma de maravilhosos missionários americanos que em muito contribuíram para minha formação. Aos quinze anos, no entanto, fui convidado a retirar-me da comunidade cristã da qual participava, por um sacerdote, pelo qual até hoje tenho imenso carinho, que enxergava em mim uma ameaça para seu rebanho, por eu ser um leitor contumaz, de autores como Santo Agostinho, Schopenhauer, Spinosa, Kant ou Nietzsche; enfim, de tudo o que me aparecesse pela frente. Assim, em pouco tempo, deixei de ser um asceta para me tornar um apóstata. Ou em palavras mais simples, de seguidor tornei-me um desertado. Um fiel  que abandona seus votos de fidelidade a uma crença absoluta e decide encarar um novo caminho, livre de dogmas ou paradigmas. 
Ao longo dessa caminhada fui ver de perto outras seitas, religiões e fraternidades como o espiritismo, o budismo, o taoísmo e os rosacruzes; as quais me propiciaram profundas reflexões e fantásticas descobertas, especialmente do ponto de vista interior. Vivi momentos grandiosos de crescimento pessoal, mas em todas elas me sentia incomodado pelo dogma e pela doutrina resultante de múltiplas interpretações. Não havia muita liberdade de expressão, apenas roteiros pré estabelecidos e o direcionamento da mente para determinados conceitos ou regras recheados de rituais. Por tudo isso, mesmo que a um custo pessoal muito alto, a trilha solitária tornou-se minha opção. Seguir em busca do sagrado, guiado apenas pelo espírito universal, consciente de que não se pode alcançar a verdade sem que se amplie de maneira significativa a percepção, para romper as amarras da ignorância e do paradigma que escraviza. Duas mensagens poderosas, apreendidas na adolescência ecoavam muito forte dentro de mim, servindo como bússola para a jornada. Uma do grande mestre que sempre me inspirou, e ensinava: 'Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos Libertará' (João 8:32); e outra de seu maior apóstolo: 'Examinai tudo e retenhas o que é bom' (I Tess.5:20). Essas recomendações, somadas à síntese do que ensinou Nietzsche sobre o imperativo de uma 'mente aberta e espírito livre', foram ventos importantes sobre velas içadas de um pequeno barco que ousava adentrar por mares turbulentos e quiçá perigosos, por saber que ao mesmo tempo aquilo que  propicia sabedoria, pode, com a mesma intensidade conduzir à loucura, como ocorreu com o próprio Nietzsche, ou à morte, como Sócrates ou  Jesus Cristo.

Todavia, tal qual o guerreiro que desconhece ameaças quando se aventura movido pela energia que vem da alma, e nada o detém ao partir em busca da visão que traz como parte intrínseca de si mesmo, assim aquele que é sedento por conhecimento. Como nos diz Aldous Huxley: "Se alguém não for um sábio ou um santo, o melhor que poderá fazer, no campo da metafísica, é estudar as obras daqueles que o foram, e que, porque modificaram seu modo simplesmente humano de ser, tornaram-se capazes de apreender mais que um tipo simplesmente humano - e de uma quantidade maior - de conhecimento". (Huxley, Aldous, 1894-1963. 'A Filosofia Perene' - Pág. 23 - Editora Globo - São Paulo - 2010).
Complementaridade é uma palavra mágica, quando se tem a consciência de que nada se sabe, e humildade para curvar-se diante da sabedoria universal só alcançável por meio do outro, para formar um estupendo elo invisível que torna insignificantes individualidades um todo incomensurável.
Confesso mais uma vez, que o maior de todos os meus desafios é colocar em prática essa grande verdade. Não é tarefa das mais fáceis destruir inimigos íntimos como a arrogância, a vaidade, ou a intolerância, e outras atitudes prepotentes que emanam do ser inferior que carregamos ao longo de gerações. Uma terrível batalha é travada todos os dias entre o sublime das nossas aspirações e o animal de nossas origens. À medida que avançamos, evoluímos, e assim, vamos mudando conceitos, princípios e posturas, ainda que possamos parecer aos olhos dos demais como alguém incoerente ou inconsistente, quando na verdade somos apenas reflexos dessas mudanças. Isso me leva a questionar com frequência sobre essa aparente incoerência entre o sagrado propósito das intenções e a desprezível realidade de minhas vaidosas posturas que tanto me incomodam. 

Como consolo, repito silenciosamente para mim mesmo: 'humano, demasiadamente humano'; como se escutasse o próprio Nietzsche em sua angústia pessoal, sussurrar ao meu ouvido: “Quem alcançou em alguma medida a liberdade da razão, não pode se sentir mais que um andarilho sobre a Terra – e não um viajante que se dirige a uma meta final: pois esta não existe. Mas ele observará e terá olhos abertos para tudo quanto realmente sucede no mundo; por isso não pode atrelar o coração com muita firmeza a nada em particular; nele deve existir algo de errante, que tenha alegria na mudança e na passagem” (Humano, Demasiadamente Humano - O andarilho. – p.306).
Como empresário, escritor, consultor ou mentor, costumo gerar indesejáveis expectativas sobre o meu comportamento, e isso aumenta ainda mais a inquietação. Por conta da mensagem que busco transmitir, muitos, invariavelmente desejam enxergar-me com uma áurea de santidade ou perfeição que está longe da realidade daquilo que realmente sou: humano. São essas expectativas que nos atormentam, ao mesmo tempo que nos incita à busca da sabedoria. E é essa sabedoria que revela a nossa fragilidade ou imperfeição, e a imperativa necessidade de nos completarmos no outro. Quando assumimos nossa pequenez nos tornamos extraordinariamente grandes, e nos damos conta de que somos uma ínfima parte de um todo de proporções gigantescas. E só assim, somos capazes de compreender e aceitar o outro com suas características individuais, que não são defeitos tampouco virtudes, mas apenas momentos de um estágio evolutivo, a revelar o nível de conhecimento de si próprio e o grau de percepção do mundo à sua volta. Pois, representamos na verdade, "uma soma de caracteres individuais que trazemos geneticamente, complementados por nossas experiências pessoais, o que nos leva a construir um verdadeiro arsenal de regras e comportamentos que definem nossa personalidade" (O Mentor Virtual – Pág. 90 – Ed. Komedi – Campinas-SP -2008).
Ao compreender a magnitude da palavra complementaridade e, assimilar em nossas vidas sua dimensão, nos tornamos capazes de reduzir o stress resultante das expectativas, e destruir a energia negativa que se revela por meio de posturas como a inveja, o rancor, a intolerância, o egoísmo ou a falsidade, causadoras de perigosas enfermidades que silenciosamente corroem o corpo e a alma. Mas, "o que seria viver a própria vida, se nos obrigamos a esquecer o que somos na maior parte do tempo em função de expectativas? Como adequar nosso modelo tão pessoal a um sistema complexo, formado por milhões de outras criaturas? A resposta parece estar na necessidade de um freqüente mergulho para dentro de nós mesmos e buscar compreender a essência de nossas mais profundas aspirações”. (‘Divididos Entre a Razão e o Coração’ publicado no Blog ‘Marcas Fortes’ – Junho/2010). 
Ao finalizar este artigo, deixo aqui um sincero pedido de perdão a todos a quem voluntária ou involuntariamente decepcionei, magoei, ou frustrei por ser eu mesmo, com todas as características que me são inerentes, acompanhado de um solene apelo: "Não me deduzas por uma simples imagem, nem me interpretes só pelo que te digo. Não me tomes como um ídolo, tampouco por um vilão. Não me perguntes de onde venho, ou para onde vou; passado e futuro são apenas detalhes do caminho. Quero que te alegres com a minha presença cada vez que eu estiver contigo, sem que percebas que sou apenas um leve reflexo de ti mesmo".  ('O Mentor Virtual II' – O Elo Invisível - Campinas-SP). 
Na empresa ou na comunidade, na vida pessoal ou familiar, construir uma Marca Forte resulta do desejo de sair do lugar comum com ousadia e determinação. Exige coragem para encarar o desconhecido e romper superadas tradições. Impõe a tomada de consciência de que quase sempre caminhará sozinho, sem o companheirismo ou cumplicidade das confrarias. Implica sujeitar-se à critica e ao desdém, sem perder a simplicidade, o entusiasmo e a confiança, pois só assim é possível construir uma base confiável que transfira credibilidade. Mas, acima de tudo, depende da capacidade de compreender o verdadeiro sentido e a magia da palavra complementaridade.



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*Maurício A Costa é um inquieto obcecado por resultados, focado no pensamento estratégico e no valor agregado. (Numa linguagem moderna, um 'Design Thinker'). Foi Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar de Empresas sérias, que estejam em busca de melhores resultados e interessadas em alavancar a rentabilidade do negócio. Em termos pessoais, é o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento em fase de gestação, focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 

sábado, 2 de abril de 2011

Significado. A Razão de Todas as Buscas.


Por Maurício A Costa*


“Somos dúvidas, incertezas, indecisões, imprecisões e obscuridades. Somos multiplicidade de sentidos, equívocos e hesitação. Vivemos a diversidade de infinitos significados. Somos, enfim, o paradoxo da ambiguidade. Nada do que afirmamos pode ser considerado definitivo, porque vivemos um permanente processo de evolução, onde a verdade se revela gradualmente através da mudança”. ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Em Gestação).

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A inspiração para escrever este artigo me vem da imensidão do mar. Enquanto quietamente o aprecio, mergulho inconscientemente em suas profundezas  e deixo-me levar por pensamentos que vão da beleza aparente, aos perigos e mistérios que guardam suas águas. Um misto de atração e respeito por algo que encanta, e ao mesmo tempo amedronta.

Perdido em divagações, trago à mente a frase que abre esta matéria, lembrando-me de que nada neste mundo pode ser concluído a partir de uma observação isolada, parcial ou definitiva. A cada momento enxergamos a mesma coisa por um anglo distinto. Nossa percepção vai se transformando à medida que mudamos o ambiente, o humor, ou o estado de espírito. Por conta disso, algo que avaliamos de determinada maneira a poucos minutos atrás, pode ganhar repentinamente novo significado, e alterar totalmente nossa perspectiva em relação ao tema. Mas, afinal, o que é significado, perguntaria meu anônimo leitor ou leitora? Para fugir de qualquer elucubração intelectualizada, eu responderia da forma mais simples e objetiva possível: Significado é tudo aquilo que para nós tem importância, algo a que damos 'valor'.

Carl Gustav Jung
Carl Jung, o grande psicanalista suíço, fundador da psicologia analítica e um dos meus mentores favoritos quando o assunto é marca, identificava como 'arquétipos' ou 'inconsciente coletivo', as forças mais profundas que carregamos dentro de nós. Gravações indeléveis na alma, registros de sensações acumuladas ao longo de gerações, que com o tempo, transformam-se em regras de comportamento, atitudes ou posturas. É daí que nasce tudo o que conceituamos como ídolos e símbolos. Assim, quando algo diz respeito às nossas percepções mais íntimas, estamos diante de crenças que nos fazem construir todo tipo de mito; e o mito nada mais é que a 'personificação' de nossas mais profundas convicções. A síntese do que acreditamos como uma verdade absoluta.

E é aqui que começa também a grande ilusão absoluta. Simplesmente, pelo fato de nossa pequenez não nos permitir  alcançar a verdade absoluta. Todas as informações que dispomos são infinitamente limitadas. Tudo o que sabemos é meramente parcial, incompleto e na maioria das vezes, distorcido por nossos sentidos, ou pela precariedade da divulgação do conhecimento humano. Por essa razão, não dispomos da mínima competência para definir algo como absoluto ou definitivo. Tudo é efêmero, tudo é ilusório, tudo é incógnito, já que tudo está em processo, em sua infinita evolução na busca da perfeição. Aquilo que acabo de ver já não existe mais, e até mesmo o que terminei de pensar já é passado e suscetível de nova reflexão. O caminho vai aos poucos revelando a verdade, e a 'verdade' é o mistério da própria vida.

Gottfried Wilhelm Leibniz
É por esse motivo, que vivemos perplexos a maior parte do tempo, divididos entre dúvidas e ambiguidades. Hesitantes, quase sempre em relação ás mais ingênuas decisões, nos perdemos em insólitas divagações, ou nos entregamos a crenças absurdas alicerçadas sobre 'mitos' criados na profundeza de nossas mentes, tais quais monstros marinhos que quando vistos à luz da realidade não passam de minúsculas e indefesas criaturas. Ingenuamente nos tornamos presas de nossas próprias armadilhas. Perambulando perdidos entre nossos mais profundos sonhos, ideais e significados, nos angustiamos e ardemos nas fogueiras de estúpidas vaidades que nada fazem além de nos torturar, e nos fazer desperdiçar o melhor de nossas vidas, na construção de incompreensíveis fantasias. Como ensina o grande filósofo Gottfried Wilhelm Leibniz, (1646-1716), 'somente um indivíduo na sua totalidade, consciente de si mesmo, pode ver, sentir, perceber. As percepções inconscientes criam um certo halo invisível em torno dos objetos, que influem de maneira considerável em nossos julgamentos'

Neste momento, frente à magnitude desse oceano que contemplo, surge uma nova reflexão: perceber sua grandiosidade como resultado do aglomerado de milhões de insignificantes elementos que se misturam e se complementam para formar algo extraordinariamente magnífico. Células e moléculas agrupando-se num balé inigualável para gerar novas formas de vida. Flutuando à mercê do imponderável, impotentes diante da força avassaladora do que as cerca, alheias a toda adversidade, seguem sem qualquer preocupação com o que possa vir a ser 'insignificância', e sabiamente deixam-se levar pelo fluxo, porque a vida impõe um imperativo seguir em frente, para criar algo estupendo.

Não somos nada diferente disso. Envolvidos por esse 'todo' que nos cerca, somos como meros golfinhos, num frenético ziguezague em busca de construir algo que sequer sabemos definir. Uma eterna procura por significado para nossas vidas. Como se a vida em si já não representasse todos os significados do  mundo. Aflitos, exasperados e às vezes até desesperançados, vagamos numa insana viagem, esquecidos que “viver é simplesmente deixar fluir de maneira natural cada mínimo detalhe que irrompe no ambiente em que a vida acontece sem interferir; sem modificar sua tendência, intensidade ou direção. Apenas estabelecer a suave sintonia, que permite percebê-la em sua plenitude” (O Mentor Virtual II – O Elo Invisível – Em Gestação)

Joseph Campbell
Como nos diz Joseph Campbell, 'em alguns momentos, queremos ser os heróis e heroínas, lutando contra imaginários dragões da maldade, ou nos tornando um deles. Em outros, temos a pretensão de ser o mentor que se julgando experiente deseja transformar a tudo e a todos à sua volta. Quase sempre, pagando com a própria vida, para atingir ilusórias metas, recheadas de pretensos significados'. Como escrevi certa vez: "o que seria viver a própria vida, se nos obrigamos a esquecer o que somos na maior parte do tempo em função de expectativas? Como adequar nosso modelo tão pessoal a um sistema complexo, formado por milhões de outras criaturas? A resposta parece estar na necessidade de um freqüente mergulho para dentro de nós mesmos e buscar compreender a essência de nossas mais profundas aspirações”. (‘Divididos Entre a Razão e o Coração’ publicado no Blog ‘Marcas Fortes’ – Junho/2010). 

A construção da marca pessoal resulta dessa busca natural: Identificar aspirações ou vocações e nessa direção aplicar toda energia. Sem olhar para os lados, sem copiar, sem clonar, sem plagiar, sem tentar ser o outro; apenas completar-se nele. Consciente de que a complementaridade é um dos maiores conceitos de significado do universo, e que os 'arquétipos' não são mais que múltiplos papéis que executamos, em um formidável balé onde a vida se desdobra sem antes nem depois, porque  “o tempo não é mais que uma ilusão mental para quem busca compreender o verdadeiro sentido daquilo que para a alma é eterno. A vida é um pulsar contínuo sem antes nem depois. O presente é o cenário de todas as transformações possíveis, a impor um agir agora inevitável”. ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Em Gestação).

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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Executivo, Estrategista, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.
É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.