Translate The Blog - Click Here / Traduza o Blog - Clique Aqui

sexta-feira, 25 de março de 2011

Futuro. Um Lugar Incerto.



Por Maurício A Costa*


"Angústia e inquietude resultam da insegurança de uma mente entretida com pensamentos fúteis. Ao preenchermos nossa vida com tarefas desafiadoras, experienciamos a beleza do hoje, desprendidos de amarras do passado e da ansiedade de um futuro que sequer sabemos se iremos conhecer". (Mauricio A Costa, em diálogos no Facebook - Reflexões para 'O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Em Gestação).

_________________________

Nos últimos tempos, como resultado da minha experiência virtual viajando pelos desconhecidos e inusitados caminhos das mídias sociais, tenho sido questionado diariamente por um significativo número de pessoas em busca de respostas, para coisas que nem sempre sabem perguntar. Maravilhosos seres humanos, angustiados por perdas do passado, impotência diante dos extraordinários desafios do presente, ou inseguros com relação ao futuro.

Como diz o querido Rubem Alves, em seu livro 'Do Universo à Jabuticaba': "Aqui e agora ouço o canto do bem-te-vi. Aqui e agora estou vendo as copas das árvores movidas pelo vento. Aqui e agora estou sentindo um cheiro bom de pão saído do forno. Aqui e agora ouço o riso das crianças que brincam. Sempre aqui e agora. Porque é no aqui e no agora que nossa vida está acontecendo". Todos nós temos consciência disso que o Rubem carinhosamente nos fala, mas ainda assim, com frequência esquecemos de uma lição tão singela e apropriada como essa, do mestre das palavras.

O maior de todos os equívocos da humanidade é colocar sua felicidade em momentos que já se foram, ou construir expectativas sobre um futuro que ainda não chegou, deixando para o presente apenas um pálido espaço. Desperdiçamos boa parte do nosso tempo com divagações inúteis que a nada conduzem e nos perdemos em ilusórios labirintos construídos por uma mente fértil em construir cenários estapafúrdios ou ameaçadores. Quando não estamos a olhar para trás, lamentando equívocos, incoerências e distrações, nos flagramos jogando fora o melhor de nossas vidas a construir castelos de areia, ou assustados com fantasmas gerados por complexas imagens que brotam assustadoramente do nosso mais profundo inconsciente.

Conheci certa vez um grande empresário; homem maduro de idade avançada, bastante afortunado, líder de uma legião de empregados; e senhor absoluto de seus atos. Em resumo, alguém dono do próprio nariz. Sua fortuna, entretanto, não era compatível com sua felicidade; seu dinheiro não havia comprado a paz e alegria de viver. Havia se tornado um solitário, isolado na torre do poder. Distante de tudo e de todos era um semi-deus à vista daqueles que por ele nutriam apavorante temor reverencial, o respeito que deriva do medo. Quando me contratou como seu Consultor, me pedia para que nossos encontros fossem sempre fora da empresa, pois não queria que nenhum de seus empregados o vissem buscando ajuda. Afinal a expressão 'pedir ajuda' não fazia parte do seu vocabulário. Achava que não precisava da ajuda de ninguém. Ele se bastava. Paradoxalmente, no entanto, por ter um grande coração, fazia-lhe bem a sensação de ajudar outros. Não media esforços nesse sentido. Pagava-me uma fortuna para escutá-lo, mas não estava disposto a escutar quem quer que fosse.

Passado algum tempo, com muito tato e paciência, fui aos poucos conquistando sua confiança e abrindo vagarosamente aquele coração endurecido pela brutalidade do poder. De dentro da sua alma era perceptível brotar expressões carregadas de desilusão com pessoas à sua volta. Executivos desleais ou incompetentes. Mulheres vazias, interessadas apenas no luxo, conforto e segurança que o dinheiro propicia. Amigos de fachada, que no fundo não o respeitavam. Até que certo dia, de forma honesta consigo mesmo desabafou: "Sabe, Mauricio, eu não me arrependo de nada que fiz até hoje, mas sinto que fiz a coisa da maneira errada. Lutei a minha vida inteira para satisfazer meu ego, e percebo agora que esqueci da minha alma. Tenho tudo, e não tenho nada. Nem mesmo fui capaz de construir meu substituto para as empresas. Fui tão apegado ao poder que jamais pensei em abrir mão do controle dos meus negócios. Hoje estou velho e já não tenho mais tempo ou disposição para isso. Por isso quero que me ajude a encontrar uma saída". Seus olhos estavam totalmente tomado por lágrimas quando finalizou a frase. Diante dele, naquele momento, eu me sentia pequeno, e um pouco desconcertado por sua franqueza repentina e mais ainda, por seu pedido de ajuda. Mas estava certo de que faria qualquer coisa para ajudar aquele peregrino que, mesmo tardiamente, se descobria. 

Contive a emoção, respirei fundo e respondi taxativo: 'Venda sua empresa já. Aplique o que julgar conveniente em alguma fundação social ou algo parecido, e vá viver o restante de seus dias de acordo com o que pede seu coração. Não fique nem mais um minuto na direção contrária ao vento que vem de dentro da sua alma'. Nesse momento, meio de improviso, citei sob a forma de um insight, uma frase que viria anos mais tarde se tornar um dos meus textos favoritos no livro 'O Mentor Virtual': Meu caro amigo,  "Você é capaz de criar tantas realidades quantas queira, a partir do nada", (Pág. 180). Agora chegou a hora de realizar seu grande sonho, o sonho latente que traz na alma. Essa será, sem dúvida, a maior de todas as suas conquistas.

Ao final desse inusitado diálogo, nos abraçamos efusivamente e despedi-me com a certeza de que havia presenciado um dos maiores rituais de passagem da minha vida. A sensação de ver o escravo que abandona corajosamente a escuridão de uma mente opressora que durante anos havia aprisionado o que de mais belo aquele ser humano carregava consigo. Fora alvo de suas próprias armadilhas, mas agora tinha a liberdade ao alcance de suas mãos. Uma simples decisão e tudo poderia mudar para sempre. Livres das próprias amarras para dar asas à sua alma, e descobrir aquilo que realmente lhe faria bem. 

Rubem Alves e Mauricio A Costa
É grandioso descobrir de maneira serena, que o futuro não está no ilusório céu de todas as fantasias. O futuro que desenhamos é apenas um lugar incerto, onde não sabemos se um dia poderemos estar. O presente é dádiva. É a intensidade do efêmero momento que nos permite penetrar a eternidade no mais frágil instante de consciência em que percebemos o leve pulsar da vida, nas mais simples coisas à nossa volta; pois como aprendi com o sábio e insuperável Rubem Alves, 'não há nada além do agora'.

Não permita que ninguém decida o seu destino. Só a você cabe escrever sua história. Tampouco, ignore a poderosa voz que vem de dentro. É fundamental viver cada minuto com a consciência da irreversibilidade do tempo, e transformá-lo em um momento mágico que não se repete. ”Somos todos personagens de uma lenda que não termina jamais. Não há antes nem haverá depois. Apenas um agora que se eterniza através dos tempos" (‘O Mentor Virtual’ – Pág. 264 – Editora Komedi – Campinas-SP – 2008).

________________________________________________

*Maurício A Costa é um obcecado por resultados, gerado pelo pensamento estratégico, focado em gente, inovação, e criação de valor agregado. Executivo com experiência internacional em empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica); está disponível para participar da construção de marcas fortes, em organizações sérias, interessadas na identificação de novas oportunidades, na superação de desafios, e na melhoraria de resultados e rentabilidade. No plano pessoal, é o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país, e poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Conselheiro' para Empresas, Empreendedores ou Executivos.
Contatos: mauriciocosta@uol.com.br
_____________________________________________

sábado, 19 de março de 2011

Transparência. Valor Intrínseco do Ser.






Por Maurício A Costa*

"Rever posições é algo que exige mente aberta ou um 'espírito livre', pois impõe ir além das confortáveis fronteiras do que já é conhecido... Há momentos que será necessário enfrentar trilhas solitárias e construir o próprio caminho" (Mauricio A Costa, em ‘O Mentor Virtual’ – Pág. 95 – Ed. Komedi – Campinas-SP – 2008).
_________________________


Alguns dias atrás, fui convidado a fazer uma palestra, para um grupo de fantásticas mulheres, que se reúnem periodicamente com o intuito de construir juntas, invisíveis pontes que as conduzam a uma melhor compreensão do todo que as cerca; e o tema, por estarmos no mês que traz o dia internacional da mulher, não poderia ser outro: 'A Minha Visão da Mulher'

Após um breve resumo sobre a evolução do ser humano ao longo dos séculos, analisando a formação biológica do homem e da mulher, e o papel de cada um dentro do ambiente social que de maneira natural foi sendo criado pelas diversas civilizações, me detive em um ponto que aos poucos vem se tornando o foco das minhas reflexões sobre a essência humana, a sua alma.

Na minha percepção, a alma humana é a tela onde vai sendo gravado, ao longo de gerações, tudo aquilo que é captado pelos sentidos. Uma infinidade de sons e imagens, a gerar as mais diversas sensações, produzindo extraordinárias matizes para criar uma marca única, impenetrável e indelével: A nossa marca pessoal. Essa tela, conjunto de matéria e energia, carrega consigo a beleza inefável do que convencionamos chamar de divino, sem qualquer tom sobrenatural, mitológico ou fantasmagórico; apenas a grandiosidade de algo que viajou através do próprio tempo, com a dimensão do eterno, a ocupar o espaço de um corpo, formado por milhões de células que interagem entre si sob efeitos da força ou energia que contém essa alma, e que convencionamos chamar de amor.

A alma, de acordo com esta minha visão, é algo sem vontade própria, apenas flui no tempo, transportando um infinidade de informações com a energia que lhe é própria. Quando acessada, torna-se visivelmente transparente pois não está submetida a qualquer tipo de parâmetro limitador. Seu único propósito é aquilo que lhe é intrínseco, viajar pela eternidade, ou numa linguagem mais simples, perpetuar-se no tempo em busca de sua completude, ou perfeição.

Já a mente, é conhecida como o conjunto de células que comanda o sistema de alerta e defesa do corpo. Um emaranhado de terminais nervosos, a processar e transmitir incessantemente por meio de descargas eletro-química milhões de informações recebidas do ambiente externo, visando garantir a subsistência daquele organismo que coordena. Até aqui, nada de novo, dirá o leitor. Todo esse complexo de informações interagindo ininterruptamente, a gerar emoções e reações de toda ordem para que determinado 'ser' sobreviva em um ambiente inóspito e por caminhos desconhecidos a maior parte do tempo, na grande viagem de um breve tempo do lado de fora do ventre de sua verdadeira mãe, a terra, e para a qual retornará sem alternativa.

É essa mente, que em nome da sobrevivência, engendra o tempo inteiro todo tipo de comportamento defensivo ou ofensivo sempre que pressente qualquer forma de ameaça que eventualmente possa colocar em risco o corpo que comanda. Por conta disso, está invariavelmente conspirando de forma coerente ou maquiavélica por meio das mais inusitadas atitudes. Ora criando paradigmas ou restrições, ora manipulando situações e outros seres à sua volta. Nessa coreografia desesperada, busca garantir o maior tempo possível de existência desse 'ser' cuja tomada de consciência de si mesmo custou-lhe o temor da morte, e por consequência, toda ansiedade, que deriva desse medo.

Lembrando uma mensagem do Mentor Virtual: "Alguns humanos se comportam como animais comuns; outros, todavia, decidem optar por atitudes mais elaboradas, que envolvem decisões conscientes. Nisso se resume a evolução humana. A realização pessoal é algo abstrato, que transcende meras reações instintivas ou animais. Ater-se exclusivamente a coisas concretas e palpáveis nada difere o ser humano em relação a outros seres vivos. O extraordinário consiste em construir algo que atravesse o tempo e o espaço convencionais". (O Mentor Virtual - Pág. 33 - Editora Komedi - Campinas-SP - 2008).

Ao longo dos séculos, o homem, por questões biológicas desenvolveu com muita propriedade a principal característica animal de todo macho que seria cobrir o maior número de fêmeas possível para garantir por meio da reprodução sexuada a continuidade da espécie. Para tanto, teve que 'lutar' muitas vezes sanguinariamente, para conquistar a fêmea, ou as fêmeas que farejasse. Essa necessidade de lutar o fez desenvolver uma mente aguçada, agressiva e dominadora. Com o tempo, o campo de batalha estendeu seus limites e o fez um guerreiro por natureza em busca de poder para garantir dominação. Nesse campo, a transparência da alma em nada ajudaria. Pelo contrário, só iria expor vulnerabilidades, reduzindo sua competitividade. Assim, para o homem, as prioridades para sua sobrevivência se tornaram apenas corpo e mente.

A mulher, por sua vez, também por questões biológicas inequívocas, necessitava atrair o macho que a fertilizasse para cumprir seu papel de alojar no ventre o embrião da própria vida e partilhar de forma decisiva da continuidade da espécie humana. Esse processo de atração, pedia algo mais que a força física ou a 'maquinação' mental. Exigia estímulos sensoriais mais refinados, para além dos sentidos comuns. Algo que a só a alma em sua dimensão superior poderia oferecer, a insuperável energia interior que convencionou-se chamar de amor, exteriorizada sob a forma de sensualidade, delicadeza, e acolhimento, para produzir desejo e atração; tal qual a flor de qualquer espécie vegetal, que se abre em cores deslumbrantes e odores surpreendentes para ser polinizada por pássaros ou insetos que lhe permitam juntar os elementos que produzem o sêmen da própria vida, num espetáculo de rara beleza. A luta da fêmea da espécie humana foi então, ao longo de sua evolução, uma batalha onde suas armas tinham origem no corpo e na alma. A sensibilidade e a transparência formavam sua característica mais marcante. enquanto a mente atuava apenas como importante coadjuvante, uma  vez que a necessidade de cuidar da prole exigiriam uma constante doação de si mesma. A preparação dos filhotes para o mundo, que implicara inicialmente em transferir parte do seu corpo, exige agora um pedaço de sua própria alma. Corpo e alma tornam-se assim, a essência dessa mulher. E assim se mantiveram por milhares de anos.

Nos últimos tempos, porém, com o advento da tecnologia, resultante da universalização do conhecimento e da informação, a modernidade produziu  mudanças drásticas no comportamento humano. A sobrevivência, passou gradativamente a depender menos da força física, e o trabalho pesado a ser substituído pelas máquinas, exigindo uma atividade intelectual cada vez mais intensa; com um enfoque especial nos temas relacionados à cultura e às artes, que ganham a cada dia importância exponencial. E neste sentido, o ato de criação intelectual foi tornando imprescindível a sagacidade da mente associada à sensibilidade da alma. Assim, no momento em que a força física começa a deixar de ser o centro das atenções e entra em cena a inteligência associada à sensibilidade da alma, as mulheres passaram a ocupar mais espaço, expandindo seus horizontes a partir do uso mais consistente de seu poder mental latente, adormecido durante séculos.

Nesse momento, ao despertar esse poder encoberto por anos, a mulher surge como inesperada competidora no mercado de trabalho diante do homem, e com enorme potencial para superá-lo, caso ele não aprenda com agilidade a compreender sua própria alma para extrair dela a sensibilidade necessária à percepção do mundo por um ângulo bem maior do que aquele a que estava acostumado. Para tanto, esse guerreiro condicionado pela força física associada a  maquinações da mente, precisará substituir rapidamente sua habilidade de mentir, trapacear, iludir, chantagear, falsear, ou manipular, por valores essenciais que a alma carrega. O mundo de hoje está a exigir transparência, característica natural da alma; valor intrínseco do próprio ser; coisa que a mulher compreende e domina com extrema sutileza. 

Os dias da ilusória superioridade masculina estão contados. Não há mais espaço para a falsidade do jogo duplo ou para o exercício da força para a manipulação. Aos poucos a transparência da alma humana vai revelando os maquiavélicos subterfúgios que podem ostentar os melhores propósitos, mas escondem suas verdadeiras intenções. Por isso, convém refletir que tanto homens como mulheres necessitam adaptarem-se a esse novo modelo. Neste sentido, é recomendável que o homem busque compreender melhor sua própria alma, e que a mulher não enverede pelos tortuosos labirintos mentais criados pela mente do homem, desprezando o que de mais sublime carrega, a sua indiscutível sensibilidade. Endosso, entretanto, uma citação da escritora Zulma Reyo, em seu livro 'Alquimia Interior': "O amor é a melhor proteção. Mas, exatamente por isso, você não pode ser tão complacente e ingênuo a ponto de crer que ser indiscriminadamente vulnerável e aberto a todo mundo e a todas as coisas signifique amor. O amor é também a ação correta e a vigilância perspicaz. O amor envolve consciência e precaução". (Pág. 178 - Editora Ground - Rio de Janeiro - 1992). 

A força de uma marca pessoal é reflexo dos valores que carrega a própria alma. É ela que revela o potencial humano nessa incrível aventura que é viver. Quanto mais formos capazes de revelar essa marca com transparência maiores serão as chances de construirmos para ela a credibilidade necessária para que se torne uma marca forte.

Confesso, que como ser humano, esse tem sido meu maior desafio ao longo dos últimos anos. Estou me empenhando para ser o mais transparente possível, ainda que, consciente do preço a pagar, por saber que muitos de nós ainda não estamos prontos para lidar com isso. Mas, como diz 'O Mentor Virtual': "A maior de todas as batalhas para concretizar seus sonhos será contra os inimigos que você carrega dentro de si mesmo. Identifique-os e saberá como lidar com eles. Ignore-os e será um escravo para sempre". (O Mentor Virtual - Pág. 134-Editora Komedi - Campinas - SP - 2008) 

________________________




*Mauricio A Costa, É estrategista para projetos de ‘alavancagem’ de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, para atuar como Executivo, Assessor, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas sérias, comprometidas com a verdade.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, para grupos, associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.

Contatos:
mauriciocosta@uol.com.br




sexta-feira, 11 de março de 2011

O Agora. Cenário de Todas as Transformações Possíveis




Por Maurício A Costa*

"Vivemos mergulhados em dúvidas, questionamentos e inúteis conflitos tentando complicar algo tão simples como viver. Discutindo insignificantes detalhes, ignorando nossa própria ignorância, nos perdemos por caminhos que não levam a lugar algum, valorizando coisas sem valor. Até o dia em que descobrimos que a vida é apenas uma rápida viagem entre duas estações". (Mauricio A Costa, em 'O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Lançamento previsto em 2011).


Enquanto escrevo este artigo, observo na tela do meu computador, imagens estarrecedoras de um país sendo parcialmente destruído por um devastador terremoto, e como se não bastasse, algumas cidades costeiras arrasadas por um tsunami de proporções gigantescas. O número de mortos e desaparecidos é impossível ser previsto. Milhares de seres humanos, sem a mínima chance de socorro, sendo ceifadas nessa catástrofe. Uma mudança drástica na vida de muitos, em fração de segundos. Sonhos destroçados, por conta de uma ligeira acomodação da crosta terrestre, nas profundezas marinhas.

O texto acima, poderia ser apenas uma cena de ficção do cinema americano, que aos poucos vai ficando famoso por propagar a violência e a destruição nas telas com seus efeitos especiais. Mas, na verdade, é a realidade acontecendo debaixo dos nossos olhos, de maneira aparentemente cruel, mas muito natural. Nada de artificial, sobrenatural ou fantasmagórico. Apenas a vida acontecendo de maneira extraordinária em todas as direções em que lançamos os olhos. Uma reciclagem perene, onde a destruição não é mais que uma fração de segundo de um processo de acomodação dos elementos que compõem o todo magnífico do qual somos parte.

Apesar de lamentar pelas vítimas dessa desproporcional catástrofe que assisto neste momento, me espanta  muito mais a postura de muitos seres humanos que longe de tudo isso, fazem de suas maravilhosas vidas uma infinita tragédia, transformando pequenos desafios diários, inerentes à própria sobrevivência, numa sequência incompreensível de tsunamis. Alguns se entregam ao álcool, ou a drogas mais fortes, por conta de pequenos fracassos; outros à prostração que gera depressão motivados por perdas de amores ou posses, ignorando que não são proprietários de coisa alguma; apenas usuários temporários, pois não somos donos nem mesmo de nossos pensamentos. Esses apenas passam por nós; muito embora alguns se arvorem da vaidade de se julgarem criadores de conceitos ou teorias, quando não passam de meras antenas a captar a sabedoria universal e a reproduzi-las com novos formatos.

Diariamente em minha página no Facebook escuto dezenas de pessoas, aflitas, ansiosas, angustiadas e até desesperadas por coisas ínfimas. Sentem-se pequenas diante de desafios infinitamente menores que seu próprio potencial. Encolhem-se como lebres assustadas diante de um galho derrubado pelo vento, ao mais leve sinal de perigo. Atemorizam-se frente ao desconhecido, esquecendo que os maiores fantasmas com os quais nos defrontamos são aqueles que habitam as escuras cavernas de nosso subconsciente. O que vem de fora é mera construção dessa mente constantemente apavorada pela iminência de pretensas ameaças. Acovardam-se diante da solidão como se sua felicidade dependesse exclusivamente do outro, esquecendo que ao nos fortalecermos na batalha pessoal nos tornamos mais belos, mais atraentes e, consequentemente, nossa companhia se torna mais agradável e por que não dizer desejada.

Paulo, o apóstolo, escritor famoso de alguns livros da Bíblia, dizia: 'vosso corpo é o templo de Deus', sábia afirmação para mostrar que é em nós que reside toda força, toda sabedoria, e todo amor, capaz de 'mudar montanhas de lugar', de produzir a energia que necessitamos para enfrentar qualquer desafio. Tudo o que precisamos é apenas acreditar nesse poder interior que carregamos. No entanto, uma multidão de aflitos busca todos os dias, fora de si mesmos, respostas para angústias que sequer sabem identificar. Na verdade, mais preocupados com o dia de amanhã, que com a ventura de viver o presente.

Ao escrever O MENTOR VIRTUAL, tinha em mente o desafio de procurar transmitir essa confiança. Despertar valores latentes que pudessem servir de alavancas, nos processo de reflexão diária, e mostrar que a vida não é algo que acontece lá fora, no mundo das possibilidades e crendices. Ela é algo que pulsa com a mesma intensidade nas células de cada ser humano. Sem exceção. E neste sentido, de nada serve projetar a felicidade ou realização pessoal em futuro longínquo, em alguém que sequer conhecemos bem, ou nas conquistas materiais que poderemos alcançar. Tudo quimera. Perda de tempo para ser mais objetivo. O agora é nosso único patrimônio. É tudo que dispomos para proceder todas as transformações que pede nossa alma. Convém lembrar que, "Morremos um pouco cada dia em que deixamos morrer nossos sonhos. Eles são ecos do nosso mais profundo inconsciente, onde reside toda a essência daquilo que somos. A vida é movida pela energia do querer que em nós eles despertem". (Mauricio A Costa, em 'O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível – Lançamento previsto em 2011).

Lamentavelmente, muitos estão colocando todos os seu sonhos em um porvir desconhecido e quiçá inalcançável. Espremidos entre culpas de um passado que não serve mais para nada, e a ansiedade de um futuro que não sabem se atingirão. Transformam, assim, a alegria que energiza e a paz que produz o insuperável estar bem, numa sequência de insatisfação, agonia e estresse, cujas consequências todos sabemos. É imperativo fazer ressurgir a criança que somos para atingir a plenitude da confiança em nós mesmos. Como diz Richard Bach, em seu singelo livro, ILUSÕES - As Aventuras de um Messias Indeciso: "Você é levado em sua vida pela criatura viva interior, o ser espiritual brincalhão que é seu ser verdadeiro" ... "A marca de sua ignorância é a profundidade da sua crença na injustiça e na tragédia. O que a lagarta chama de fim de mundo, o mestre chama de borboleta"... "Não existe um problema que não ofereça uma dádiva para você". (Record, Rio de Janeiro - 1977).

Conheci também, ao longo de minha vida, alguns empresários que angustiados, destroem precocemente suas vidas, devorados pela ânsia de poder e pela ganância desmesurada que os leva a frequentes tsunamis emocionais de consequências devastadoras. Vivem sob permanente efeito de angustiantes tensões a retirar-lhe o bom senso e a serenidade necessárias ao dia-a-dia de importantes decisões. Sem que percebam, transformam-se em arrogantes donos exclusivos da verdade e por conta disso, fecham os olhos aos sinais do universo à sua volta que o tempo inteiro conspira a seu favor. Para o guerreiro, todavia, tudo é ameaça. O mais leve movimento de uma folha ao sabor do vento é tomada como ameaça. Tudo necessita estar sob seu total controle. Ninguém mais é confiável. Todos se transformaram em inimigos. Enquanto isso, a vida se esvai lentamente.

O agora é o único cenário de todas as transformações possíveis; é nele que construímos pontes para o futuro, mas isso não nos garante que estaremos lá. A ponte é apenas o caminho. Nada deve nos assustar na natureza mais do que a inconsciência do quanto somos efêmeros. A plena consciência dessa brevidade nos faz compreender que não necessitamos muito para ser felizes. O pulsar da vida é tudo o que precisamos.

*Maurício A Costa é Estrategista. Diretor da SUPPORT BRANDS, empresa de Estudos e Projetos para Alavancagem de Receitas e Rentabilidade, com foco no Pensamento Estratégico, Análise de Valor Agregado, Gestão e Licenciamento de Marcas.


É o autor do livro O MENTOR VIRTUAL. Está disponível sob consulta para palestras, seminários e workshop em Empresas, Universidades e Associações.