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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Humanizar a Marca Empresarial



Por Mauricio A Costa*


“Os conflitos íntimos que nos assolam, são provocados pela imensa disparidade entre o incompreensível mundo real à nossa volta e a ingênua percepção abstrata que a alma carrega, por tudo que ela vivenciou ao longo de milhões de anos, através de nossos ancestrais. O estimulante desafio de viver consiste em encontrar pontos de contato entre esses dois mundos”. (‘Fragmentos do Mentor Virtual’ – Campinas-SP - Lançamento em Breve).

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O artigo que escrevo hoje foi estimulado pela seguinte mensagem de um amigo virtual, comentando sobre um aparente 'antagonismo' entre as postagens que faço no Facebook e os artigos que publico em meu blog:

"Caro Mauricio, gostei bastante da citação, assim como do vídeo. Devo confessar, contudo, que ainda estou tentando conciliar o aparente antagonismo entre o aspecto humanístico de seus textos com seus artigos publicados no Marcas Fortes, que são direcionados para o universo corporativo, calcado nos princípios do capitalismo, que visa o lucro, e que, não raramente, lida com o material humano como simples peças de reposição. Ultimamente, tenho me distanciado um pouco de conceitos eminentemente materialistas, comuns nas sociedades de consumo, que valorizam sobremaneira as posses e a posição social e financeira. Tenho dedicado algum tempo a rever minhas necessidades reais (para reduzi-las ao mínimo essencial), de forma a deixar, ao menos um pouco, de ser refém do sistema. Tendo conseguido estabilizar minhas demandas materiais, priorizo, hoje, tentar tornar-me um ser humano melhor e mais feliz. Até agora, tenho conseguido, utilizando, inclusive, o recurso de criar vínculos sólidos e verdadeiros com os que se enquadram na minha classificação de 'elegíveis para uma amizade'. Um forte abraço". Bruno Serrat de Aguiar.

Como estrategista, empresário ou conselheiro empresarial, meu trabalho é o de ajudar empresas, especialmente as de pequeno e médio porte a superar desafios, ampliar receitas e melhorar sua performance no que diz respeito a resultados; afinal, o que move uma empresa é sua capacidade de gerar rentabilidade, para que ela possa crescer em meio a um ambiente inóspito de um capitalismo selvagem como diz o Bruno. Todavia, quem acompanha os artigos que publico semanalmente no blog Marcas Fortes, já deve ter percebido como coloco enorme ênfase em tudo que se refere ao ser humano. Não faço isso por pieguice, o sentimento ridículo de alguém afetado por algum tipo de infantilidade; o faço por acreditar que esse ser humano é a base de qualquer empreendimento. Uma grande marca, não se faz apenas com uma grande quantidade de dinheiro; ela é o resultado do esforço coletivo de um grupo de pessoas, envolvidos pelo mesmo ideal.

Em todas as minhas recomendações estratégicas para qualquer empresário, coloco o ser humano em primeiro lugar, e costumo dizer que, a prioridade número um de qualquer empreendimento é gente. A segunda é gente. A terceira é gente. Escolha bem sua equipe; entenda-os; treine-os; motive-os; e terá a base de uma empresa forte o suficiente para enfrentar desafios, gerar resultados e crescer. Idéias brotam como água, em um ambiente preparado e motivado. E o dinheiro aflui naturalmente para um empreendimento fértil de idéias, motivação e comprometimento; mas é necessário que se saiba, que ele é um importante instrumento de alavancagem, não a alma de uma empresa.

Nas matérias que escrevo, ou nas palestras que realizo, reforço esse pensamento, no tocante a despertar a força interior dentro de cada um, para que não subestimemos nosso poder pessoal. Vivemos numa sociedade que nos leva a sentir culpa quando tentamos assumir as rédeas do nosso destino, mas isso não deve nos intimidar. É decisivo que tenhamos exata noção do poder que dispomos sobre aquilo que nos cerca, em especial sobre nossa capacidade de proceder escolhas. Por isso, não devemos nos omitir diante das possibilidades que se desdobram a cada momento da caminhada. É preciso lembrar que, por trás de cada profissional ou empresário há um ser humano repleto de expectativas pessoais. Entretanto, como ensina, a filosofia taoísta, através de seu lendário mestre, Lao Zi (ou Lao Tzu), "aquele que controla os outros pode ser poderoso, mas aquele que é mestre de si mesmo é mais poderoso ainda".

Como diz o fragmento do 'mentor virtual' na introdução deste texto, vivemos divididos entre um incompreensível mundo real que nos cerca e o universo abstrato em que viaja nossas almas, e portanto, nosso dualismo impõe um comportamento multifacetado. Ora lutando pela sobrevivência, ora divagando entre questionamentos insondáveis que vão do 'que somos' até o para 'onde vamos', passando pelo 'o que fazer', e tantas outras dúvidas que nos consomem  com frequência. Ser dual, portanto, é condição do próprio existir. Não deve haver vergonha nisso. Não podemos nos engessar em um único pensar, ou nos limitarmos a um único modo de ser. É preciso transgredir. Voar além do convencional para conhecer e vivenciar múltiplas sensações que nos permitam ampliar horizontes e enriqueçam nosso interminável processo de escolhas. O certo e o errado são apenas paradigmas, a refletir um estado de espírito momentâneo, ou uma visão parcial. Verdades e mentiras são meras ilusões do caminho. Por tudo isso, conviver consigo mesmo é uma verdadeira arte.

Estou plenamente de acordo com o caro amigo virtual que me inspira a escrever esta matéria, no tocante ao excesso de materialismo e apego ao poder que costuma estar por trás das grandes corporações. 

Como dizia o grande mentor, é impossível agradar simultaneamente a Deus, que significa Sabedoria, e a 'Mamon', expressão hebraica que sintetiza na tradição,  a personificação do dinheiro em seus aspectos mais nocivos como ganância, avareza ou usurpação. Colocar o dinheiro como principal ponto de referência em qualquer empreendimento é no mínimo uma postura doentia, de pessoa ou pessoas marcadas pelo instinto de dominação, resultante de seus íntimos temores, insegurança ou complexo de inferioridade; pois o verdadeiro poder transcende qualquer materialismo ilusório e efêmero, e é representado por valores.

Todo empresário ou presidente de qualquer grande empreendimento, deve ter em mente que uma marca forte é fruto de marcas individuais fortes. Essa tem sido a tônica de todas as mensagens que posto no blog Marcas Fortes; direcionadas ao mesmo tempo ao empreendedor, e àqueles que incorporam o dia a dia de grandes empresas com seu esforço individual. É imperativo reconhecer a força de cada ser humano e respeitar essa individualidade, na mesma proporção que é conveniente compreender e aceitar a visão e a missão que compõem a cultura do empreendimento do qual se faz parte, pois ambos, de maneira conivente pactuam com o mesmo objetivo, seja ele qual for. - É imprescindível a consciência dessa eventual cumplicidade.


Assim, enquanto no blog MARCAS FORTES eu viso fortalecer a marca corporativa, no projeto O MENTOR VIRTUAL foco o crescimento pessoal, com o objetivo de despertar cada ser humano para sua potencialidade, e ajudá-lo na construção de sua marca pessoal, como algo único, penetrante e indelével. Dois enfoques distintos com o mesmo propósito: Gerar vida em abundância, no sentido mais literal possível.

Os amigos e amigas do Facebook têm sido poderosas alavancas no gigantesco desafio de divulgar a essência dessa mensagem. Por isso, quero aproveitar este artigo para agradecer a cada um(a) deles(as) que diariamente compartilha com outros, cada fragmento dos livros ou dos artigos que produzo. Um magnífico exemplo do poder das mídias sociais quando utilizadas com bom senso, seriedade e respeito. Um agradecimento especial ao Bruno Aguiar, por seu pertinente comentário que provocou esta reflexão.

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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.

É o idealizador do 'Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país. 

Contatos: mauriciocosta@uol.com.br

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Reduzir Custo ou Aumentar Receitas?



Por Maurício A Costa*

"Construir uma marca forte implica encarar o desconhecido; enfrentar novos desafios. Sair do lugar comum com determinação e ousadia, que exige criatividade e coragem para correr riscos, entusiasmo e autoconfiança para transferir credibilidade". (O Mentor Virtual - Pág. 170 - Editora Komedi - Campinas-SP - 2008). "A adversidade ensina que é preciso reinventar-se a cada dia". (Idem, pág. 164).
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Algum tempo atrás, durante uma negociação com um empresário de médio porte que desejava contratar minha assessoria para estimular o processo de crescimento do seu empreendimento, fui surpreendido com uma colocação no mínimo inusitada. Após ser informado sobre quanto custaria esse trabalho de assessoramento, ele me disse de maneira quase infantil: 'Sabe Maurício, não é o seu preço que está caro, reconheço sua competência como estrategista e sei de sua capacidade como estrategista, acontece que eu é que não estou ganhando bem, para contratá-lo para minha empresa'. Em seguida, olhou para mim com certo desalento. como se fosse uma criança a barganhar por um chocolate.


Após escutá-lo, eu não sabia se sorria ou chorava. Rir de felicidade por ser reconhecido pelo meu trabalho, ou chorar de tristeza por conhecer mais um empresário de visão míope, olhando custos no curto prazo, ao invés de focar na possibilidade de ampliar suas receitas, choramingando por migalhas a ignorar a relação custo-benefício por trás daquele diálogo. Sua preocupação não era realmente com o crescimento saudável da empresa e sim com quanto poderia economizar naquela negociação. 
Seu olhar não estava no futuro de sua organização, que navegava em um ambiente caótico marcado pela velocidade das mudanças, onde a visão de fora é como um boletim meteorológico, que avisa com necessária antecedência, o piloto de um jato que voa a mais de novecentos quilômetros por hora, sobre a adversidade do tempo que o espera logo adiante, exigindo constantes adequações de rota, numa viagem cercada de ameaças, que podem colocar em risco centenas de vidas. O olhar daquele empresário percebia exclusivamente custos. Numa atitude mesquinha consigo mesmo e com sua organização, centrava-se nos centavos que poderia economizar em cada transação. Por princípio, não insisti naquela negociação, pois antevia a dificuldade que teria para implementar uma nova visão numa organização dirigida por uma mentalidade desse tipo. Preferi perder o negócio a perder meses de desgaste pessoal, e despedi-me daquele cansado guerreiro desejando-lhe muita luz em sua jornada. 


Passado alguns anos, acompanhando à distância aquela empresa, vejo com tristeza sua decadência e perda de robustez gradual. Da posição de importante 'player' na área em que atua, à condição de apenas mais um concorrente entre seus pares, a empresa vai pouco a pouco 'perdendo o bonde' do crescimento de um mercado em franca expansão, que vai sendo ocupado por empreendedores com aguçada noção de oportunidades, e extrema agilidade na tomada de decisão.

Como nos ensina a mente brilhante do consultor norte americano, Gary Hamel, "Na era da revolução, não será o conhecimento que produzirá a nova riqueza, mas o 'insight' - o vislumbre de oportunidades para inovações descontínuas. A descoberta é a jornada; o 'insight' é o destino. É preciso converter-se em seu próprio profeta. ...A inovação não-linear exige que a empresa rompa com os grilhões dos precedentes e imagine soluções inteiramente inéditas para as necessidades dos clientes. ....A maioria das organizações conta com poucos indivíduos que sabem inventar conceitos de negócios inteiramente novos ou efetuar mudanças radicais nos existentes. Na maioria das empresas, a convocação por 'mais inovação' é interpretada como apelo por novos produtos ou por novas características em velhos produtos" (Hamel, Gary, em Liderando a Revolução - Editora Campus - Rio de Janeiro - 200).

Na minha percepção, não há mais espaço no século XXI para atuar-se com posturas conservadoras, voltadas exclusivamente para economias mesquinhas. É preciso sim pensar diuturnamente no custo do ponto de vista da inovação para que o produto seja competitivo e possa atingir um número cada vez maior de consumidores ou usuários; todavia, o foco precisa estar na solução e não no problema. Mais precisamente, no mercado e não na empresa, pois é lá que estão as oportunidades, e é de lá que virão as receitas. Dessa forma, não se pode concentrar a atenção unicamente no quanto vai custar determinada decisão, mas  no quanto ela poderá agregar de valor ao cliente em potencial, de maneira a gerar atração; ponto determinante para que uma marca seja sempre desejada, em meio a uma multidão de opções. E como costumo dizer, 'resultados dispensam explicações'.

Há inúmeros caminhos alternativos para o crescimento saudável de uma empresa que patina na mesmice de sua decisões conservadoras. A começar pela própria marca, que poderá não estar recebendo a atenção adequada no tocante a posicionamento, foco, visibilidade ou imagem. Seus produtos podem estar carentes de desempenho e design, ou seus serviços desprovidos de diferenciação e atração. Para que uma marca torne-se forte é  necessário que transfira significado ao seu público através de um conceito claro que a caracterize. Sem isso, não será marca, mas apenas um nome a mais na poluída paisagem da propaganda inócua, da sanguinária competição que leva ao desgaste e ao desperdício de energia e recursos. Para exemplificar, cito a Troller, uma marca da Ford que não me remete simplesmente a um carro, mas a um conceito claro de 'aventura'.

Em recente palestra para alguns empresários na CIESP, comentando sobre a velocidade das mudanças, alertei para o fato de como até o próprio conhecimento está se tornando vulnerável, pois produtos e serviços diferenciados estão perdendo rapidamente essa condição, exigindo das empresas muita habilidade no tocante à inovação e enorme agilidade na implementação do novo. É preciso também. estar atento para o fato de que apenas a velocidade de reação não é suficiente. É imperativo que se tenha em mente a importância de definir a direção; pois, velocidade sem direção, ou pior ainda, na direção errada, pode resultar em elevado desgaste, sem que se alcance os objetivos pretendidos.

Em momentos de grandes oportunidades e possibilidades de crescimento como o que vivemos, é extremamente aconselhável pensar no valor agregado como poderosa alavanca para o crescimento das receitas e da rentabilidade. Urge abandonar os divertidos carrinhos 'tromba-tromba' dos antigos parques de diversões que consomem muita energia mas não saem do lugar, e passar a pilotar naves virtuais, a partir de sensíveis 'joystick', que desconhecem limites e viajam na velocidade do próprio pensamento a produzir resultados extraordinários. Os empresários que acreditarem nas ferramentas contemporâneas do marketing como a internet, o web design e as mídias sociais, ao inserir em seus empreendimentos o pensamento estratégico, irão descobrir  a importância da inserção internacional, da vantagem competitiva, da construção de sinergia até mesmo com seus concorrentes; da terceirização, do licenciamento de marcas, da capacitação de suas equipes e por último, mas não menos importante, do poder da força de distribuição que poderá ser potencializada de forma exponencial por conta de ações adequadamente planejadas com foco no longo prazo, por conta da nova forma de pensar.

Do ponto de vista da marca pessoal a coisa não é diferente. Alguns estão fazendo economias 'burras' ao deixar de investir em si mesmo, por preguiça mental, indolência, ou alegação do corte de gastos, para manter-se numa esteira ergométrica onde suam como loucos, mas não chegam a lugar algum. Manietados pelo curto prazo, deixam de investir no presente, subestimando perigosamente o futuro. Esquecem de que é mais importante saber 'ganhar' do que apenas saber guardar. A parábola dos talentos nas escrituras sagradas já preconizava isso, ensinando que não se deve 'enterrar' os talentos, e sim, colocá-los a produzir resultados.

Ao  meu ver, portanto, a solução não reside em focar no custo, mas na receita. O crescimento não virá da visão estreita do controle imediatista das despesas, de maneira cega e obstinada, mas do foco na rentabilidade, ou seja do lucro real, resultante de decisões arrojadas que vislumbrem o médio e longo prazo, a partir de uma postura sustentada por uma visão multifacetada, de um mundo que vai muito além das quatro paredes em que se confina a insegurança ou a vaidade. É decisivo romper o convencional quando se pretende alcançar o extraordinário. É imperativo ousar quando se deseja sair da multidão.

Quero concluir este artigo, com a mensagem que deixei para aquele arrojado grupo de empresários para os quais palestrei: "Há palavras que passam diante dos nossos olhos ou através de nossos ouvidos às quais não damos a mínima atenção; existem mensagens, todavia, que chegam para ficar, aninham-se lá dentro de nós, causando mudanças extraordinárias para sempre. Tudo depende da maneira como reagimos a elas." (O Mentor Virtual - Pág. 7 - Ed. Komedi - Campinas-SP - 2008).
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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.

É o idealizador do 'Projeto Mentor Virtual', organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.






sábado, 12 de fevereiro de 2011

Vaidade. O Princípio da Corrosão de Marcas Fortes





Por Maurício A Costa*

"A maior de todas as batalhas para concretizar seus sonhos será contra os inimigos que você carrega dentro de si mesmo. Identifique-os e saberá como lidar com eles. Ignore-os e será um escravo para sempre". ('O Mentor Virtual - Pág. 134 - Editora Komedi - Campinas-SP - 2008).



Há uma frase atribuída ao grande ícone norte americano, Abraham Lincoln, de que, se 'desejarmos conhecer verdadeiramente um homem, basta dar-lhe poder'. Um texto simples, mas de enorme significado, para entendermos um dos mais poderosos 'inimigos íntimos' do ser humano, a vaidade.

Embora saibamos que uma das mais importantes características da alma  humana seja o seu 'espírito indômito' que o torna um constante desafiador, levando-o a viver frequentemente diante da adversidade, essa postura o faz desenvolver comportamentos quase sempre pautados por excesso de confiança, egocentrismo e intransigência. E é aí que reside a ferrugem, ou numa linguagem atual, o 'radical livre' que corrompe todas as suas 'boas intenções' originais, transformando de forma corrosiva magníficas idéias, ou ideais coletivos, na esquizofrenia do poder que transmuta fantásticos líderes em meros fantoches de uma fantasia inócua, onde o elemento marcante é uma enganosa fachada, construída às custas da manipulação de fiéis seguidores, que sob fé cega, entregam-se à exaustiva tarefa de edificar castelos de areia, movidos pela confiança no líder.

O mundo está repleto de exemplos desse tipo de liderança: De Adolf Hitler (Alemanha) a Benito Mussolini (Itália), de Muammar Kadafi (Líbia) a Idi Amim (Uganda), de Fidel Castro (Cuba) a Hugo Chávez (Venezuela), de King Jong (Coréia do Norte) a Baby-Doc (Haiti), de Mao Tsé-Tung (China) a Francisco Franco (Espanha), de Josef Stalin (Rússia) a Augusto Pinochet (Chile), e no destaque atual, Hosni Mubarak (Egito); o exemplo da decadência de uma liderança, na qual me inspiro para escrever este artigo, sem ater-me a qualquer tendência política.

Todos esses personagens da história, de alguma maneira, impulsionados inicialmente pela melhores intenções, são, quase sempre apoiados por interesseiros vassalos do poder ou pela massa de ingênuos 'miserábles' que flutuam indefesos à reboque das correntes majoritárias dos idealismos utópicos, ou da criminosa pressão financeira de grupos étnicos ou familiares.

Essa figura, entretanto, não está restrita a líderes que controlam nações. Ela pode ser vista também à frente de empreendimentos, organizações ou famílias. Alguns, portam-se como inofensivos cordeiros; que com voz mansa e gestos suaves apresentam-se como defensores ou guardiães do ideal comunitário, das tradições, ou de valores e crenças. Agem como se investidos por áurea sagrada, de tudo entendessem, a tudo compreendessem, sem necessidade de qualquer oráculo que ponha em dúvida, suas decisões. Na verdade, sua vaidade faz com que se sintam 'ungidos' e, como tal, infalíveis em suas visões, julgamentos ou escolhas, cujo preço costuma ser caro não apenas para si próprio, mas principalmente para aqueles que nele depositaram sua fé ou confiança.

É por conta disso, que países se desmantelam, corporações desmoronam e famílias se esfacelam. Vítimas dessa excessiva vaidade, sucumbem sob o peso de lamentáveis decisões equivocadas, fruto de egoísta intransigência cujas consequências só poderão ser avaliadas com o passar do tempo, o juiz imparcial de todos os equívocos. Alguns, com sorte se reerguerão como fênix que ressurge das próprias cinzas, outros poderão não ter novas chances e passar a fazer parte da história de marcantes e lamentáveis fracassos.

Em meu livro O MENTOR VIRTUAL, trato a vaidade humana como um dos maiores adversários à conquista da realização e do êxito, e a chamo de 'inimigo íntimo', pelo fato de dormirmos com ele. No dia-a-dia, tento trabalhar esse demônio pessoal desde a hora em que acordo, por ter a exata noção do quanto somos tentados a cada minuto por esse invasivo 'vírus', de maneira contínua e quase imperceptível, minando todos os valores que tentamos desenvolver, com base na sabedoria superior que nos ensina sermos parte de um todo; e que o poder aparente não passa de uma quimera, criada pela nossa mente com vistas ao prazer desmedido ou à acumulação de bens para além de todos os limites do bom senso.

Quando ainda jovem, eu vislumbrava o poder e a ganância como componentes naturais da cultura machista e dominadora, que me pareciam àquela época, fazer parte do DNA histórico do homem de sucesso. Por conta disso, mentir, falsear, enganar, ou corromper, fizeram parte do meu 'modus vivendi' como algo natural e até admirado por muitos, que ignoram a corrosividade da falsa prosperidade, quando construída sobre os pilares da futilidade e da mentira.  O tempo, no entanto, mostrou-me que sucesso não tem nada a ver realização pessoal. Afinal, "sucesso e fracasso são impostores nos quais acreditamos ingenuamente quando levamos a materialidade demasiadamente a sério" (O Mentor Virtual, Pág. 169 - Ed. Komedi - Campinas-SP - 2008). Aprendi com minha inestimável plêiade de 'mentores' que "a realização pessoal tem natureza perene, pois está vinculada a metas cujos valores transcendem o aspecto meramente material, por atender aos anseios de uma alma que é única, viajando no tempo em busca de evolução e liberdade" (Idem, Pág. 101). Sucesso, costuma gerar ilusão. Realização pessoal, entretanto, é a base da Prosperidade; a riqueza fundamentada em valores autênticos e universais. 

Nos dias atuais, depois de vários anos de significativo aprendizado, ao atuar como Conselheiro de Empresas de vários portes, minha primeira recomendação ao Empreendedor a quem venha a assessorar diretamente é para que ele trabalhe seriamente em sua mente e coração esse perigoso 'inimigo íntimo' chamado vaidade. Sem perder seu espírito indômito e imprescindível idealismo, aprenda a escutar à sua volta; a rever conceitos e paradigmas, pois em um mundo marcado pela velocidade das mudanças é decisivo estar atento aos sinais que vão surgindo pelo caminho a indicar alternativas seguras que permitam decisões embasadas numa visão ampla, que contemple múltiplas percepções. Não há antídoto melhor para esse adversário interior que a humildade, com base na sabedoria. Aquela humildade que não é apenas aparente, mas reflete bom senso, e a perfeita noção de que se é parte de algo muito maior. O verdadeiro líder enxerga isso com naturalidade.

Como dizia Albert Einstein, 'todo ponto de vista depende de onde está situado o observador'; o que nos sugere buscar a cada momento novos enfoques fora de nosso alcance de visão convencional, se desejarmos uma percepção mais ampla que nos permita decisões consistentes. Além do mais, vale lembrar, Heráclito de Éfeso, quando afirmava que 'é impossível entrarmos no mesmo rio duas vezes, pois as águas já não são as mesmas, e nós já seremos outro'; uma interessante metáfora para caracterizar o momento atual, marcado pelo dinamismo acentuado das mudanças, e a importância do rever conceitos e posturas a todo instante, uma vez que, por vivermos em um ambiente em constante mutação é imprescindível adaptar-se ao meio se desejamos sobreviver. Para tanto, é imperativo 'escutar' com humildade, 'ponderar' com serenidade (mistura do racional com o emocional na dosagem certa), e 'decidir' com sabedoria. Quando agimos com base nesses valores temos grandes chances de construir relações saudáveis e liderança duradoura.

Em pleno século XXI, onde a informação navega a velocidades quânticas, não há espaço para quem quer que seja, considerar-se dono absoluto da verdade. Isso é no mínimo um 'non sense'; um disparate sem consistência que pode colocar em risco qualquer empreendimento, nação, família e até mesmo uma simples amizade. O conhecimento e a informação se alastram na velocidade virtual e de maneira irreversível, fazendo com que um número cada vez mais maior de elementos envolvidos em qualquer grupo, projeto, ou comunidade, saibam exatamente o que acontece a seu redor, estimulando-os abandonar à própria sorte, outrora respeitados líderes, como o Mubarak que hoje nos inspira; cujos cacoetes manipulativos vão se tornando visíveis e indesejáveis. A liderança do presente terá que aprender a lidar com valores. É isso que definirá as marcas fortes do futuro.
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*Mauricio A Costa, É estrategista para projetos de ‘alavancagem’ de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, para atuar como Executivo, Assessor, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, para grupos, associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.



sábado, 5 de fevereiro de 2011

O Mentor Virtual Dentro de Cada Um de Nós...


Por Maurício A Costa*

"Em alguns momentos você poderá encontrar respostas para suas inquietudes nos lugares mais improváveis... É essencial estar preparado para o inusitado... Escute à sua volta ou através de você". ('O Mentor Virtual' - Editora Komedi - Campinas-SP - 2008).



...Quero começar este artigo, citando o depoimento de uma amiga do Facebook, a Giovanna Chiabai, que após a leitura do livro O MENTOR VIRTUAL, gentilmente me enviou o seguinte depoimento: "Maurício, seu livro me transportou em uma viagem além do ordinário, pelo interior dos personagens. De espectadora privilegiada me tornei partícipe de cada história que lia. Por isso o li bem devagar, espaçadamente, em momentos especiais, exclusivos, quando nada mais me consumia.

Em uma viagem pelo interior dos personagens, através da leitura do meu próprio interior, me identifiquei, me encontrei e no silêncio das palavras mudas do seu livro, escrevia, em pensamento, a minha própria história. Percebi que como uma eterna mutante sigo sonhando, querendo, amando e vivendo de forma diferente em momentos diferentes da minha vida.... mas o essencial não muda e é sobre ele que vou construindo a minha marca forte.

É com livros como esse “O Mentor Virtual” que exercitamos o nosso auto-conhecimento, a valorizamos a nossa sabedoria, nossa capacidade de sonhar, voar e ir além dos limites imaginários estabelecidos. E, principalmente, percebemos que não foram grandes guerras que transformaram o mundo. As maiores revoluções partem de dentro de nós. Obrigado pelo verdadeiro presente! Um abraço especial"... (Giovanna Chiabai é Advogada em Vitória-ES - E-mail:  gfchiabai@gmail.com).

Quando escrevi 'O Mentor Virtual', não era intenção minha escrever um livro de auto-ajuda, como alguns à primeira vista possam pré-julgar, e sim criar uma ferramenta que pudesse levar meus leitores a uma reflexão profunda sobre si mesmo, e em especial, sobre o potencial latente de seus valores, como fez a Giovanna. Seu comentário é preciso neste sentido: exercitar o auto-conhecimento, para valorizar a própria sabedoria, e a capacidade de ir além dos limites imaginários. Isso é filosofar sobre a própria existência em um contexto maior que uma simples análise psicológica, para ir além do texto e descobrir-se em cada personagem, como um espelho que vai resgatando sutilmente parte da história de cada um de nós. Como sabemos, nosso subconsciente guarda informações preciosas, não apenas da nossa vivência, mas especialmente, daquilo que vivenciou nossa alma, a essência do que somos, através de milhares de gerações que nos antecederam. 

Tal qual o Lótus, que extraindo sua força da lama fétida de suas raízes, é capaz de manifestar extraordinária e incomparável beleza na flor que revela sua face exterior, assim cada um de nós, transmutando matéria degradável em algo sublime, que se eterniza no legado que sejamos capazes construir a partir do nada. Esse é o princípio básico da verdadeira alquimia. Nisso consiste todo processo evolutivo humano. Um desafio que transcende a visão imediatista da simples sobreviência como meros animais, para nos transformar em deuses, ou à sua imagem e semelhança, muito acima da materialidade.

O 'Mentor Virtual' é apenas um personagem que criei a partir da síntese de todos mestres que passaram pela minha vida. Não há nada de sobrenatural ou fantasmagórico em sua figura. Ele é o resultado do amálgama criado pela fusão de diferentes idéias e conceitos, apreendidos através de centenas de livros absorvidos ao longo de uma existência, ou do contato direto com seres especiais com quem aprendi algo novo, diferente ou complementar. Portanto, nada impede que cada um tenha seu próprio 'mentor virtual', que o acompanha ao longo da jornada, mostrando caminhos e apontando direções. Todavia, como a maioria de nós carrega características animais como as de um alce, ou de uma mula, que nos torna cínicos e indiferentes, ou resistentes à mudanças, escutamos mas não damos ouvidos, refletimos mas não colocamos em ação, dizemos acreditar mas não transformamos o que acreditamos em algo concreto. Por conta disso, muitos seguem na mesma batida de sempre, ignorando suas vozes internas, alheios aos anseios que trazem latentes, fazendo-se de surdos à própria alma, que em silêncio espera por libertar-se da lama negra do inconsciente para surgir como algo magníficamente belo. Um milagre que só nós mesmos podemos operar. A tomada de consciência decisiva que modifica a percepção para sempre e nos faz compreender o verdadeiro sentido efêmero, e grandioso da vida.

Escrever a própria história é a essência da própria liberdade de ser, a personificação do livre arbítrio que modifica um destino pré traçado por condições ambientais ou genéticos. Uma postura, no entanto, que necessita algumas vezes ser provocada por estímulos externos, de 'mentores' que nos cercam a cada momento. Neste ponto, 'O Mentor Virtual' repete o grande pensador alemão Johann Wolfgang 'Goethe'(1749-1832): "se eu te aceitar como és, tornar-te-ei pior; contudo, se eu te tratar como sendo o que és capaz de se tornar, ajudo-te a se modificar". Lamentavelmente, há uma enorme diferença entre entender e aplicar aquilo que se aprende, e por conta disso, se desperdiça tranto tempo e recursos em treinamento. Como diz certo ditado popular americano, 'não tente ensinar um porco a cantar, pois você se sentirá frustrado, e ainda por cima, deixará o porco irritado'. Todo esforço é desperdiçado também, quando o novo é rechaçado de maneira dogmática, por conta de arraigados paradigmas. A resistência ao que vem de fora por pura birra, ignorância ou vaidade, é a restrição que limita a evolução e a compreensão de novas alternativas, e uma visão ampliada do mundo, mantendo maravilhosos seres humanos prisioneiros das próprias intransigências.

"Muitos dos conceitos elaborados são como sinfonias que compomos a partir de sons, palavras e imagens que vão se interligando em nossa mente, captadas por nós mesmos ou por intermédio de nossos ancestrais, e que permanecem latentes no fundo do nosso inconsciente, para se revelarem no momento oportuno". ('O Mentor Virtual' - Pág. 78 - Editora Komedi - Campinas-SP - 2008). Por essa razão, é imperativo que mergulhemos fundo para dentro de nós mesmos, nessa busca frenética por nossa identidade, para definir quem somos e o que desejamos alcançar. Lá descobriremos um 'mentor virtual' que nos mostrará o caminho, sob a forma de intuições, sonhos ou revelações inusitadas, a cada instante da jornada. Basta prestar atenção, e não subestimar aquilo que pareça mera casualidade, porque "tudo está intimamente ligado. Cada mínimo elemento carrega em si um relevante e decisivo papel para que o extraordinário aconteça, num espetáculo de infinitas possibilidades". ('O Mentor Virtual', Pág. 21 - Editora Komedi - Campinas-SP - 2008).

Leila Diniz
Para construir a sua marca, seja ela pessoal ou empresarial, é decisivo quebrar paradigmas; implica muita ousadia para romper com preconceitos, tabus e dogmas que se tornaram arraigados. É um ato de coragem mergulhar em si mesmo em busca de respostas para coisas que sequer se sabe perguntar. É uma postura de grandeza e humildade rever conceitos com determinação para modificá-los se necessário. Preste atenção ao mundo em volta de você e irá descobrir como é parte inseparável dele; por isso, muitas das informações aleatórias que recebe podem ser poderosos insights a despertar a força interior capaz de produzir mudanças significativas em sua vida e na de muitos que o cercam. "Cada um de nós carrega um 'mentor virtual' em potencial. Basta nos propormos a aprender captar os sinais do mundo a nossa volta; colecionar com paciência tudo aquilo que nossos corações identifiquem como sabedoria" ('O Mentor Virtual' - Pág. 189) - Editora Komedi - Campinas-SP -2008). No caminho você encontrará a verdade. A verdade irá revelar a vida em toda sua essência e beleza; e ao sentir-se parte de tudo isso, saberá como transmutar a pesada matéria que o aprisiona em algo leve e eterno. Descobrirá que a história não tem fim quando percebemos que os personagens à nossa volta são ficções da nossa mente; que na verdade os criamos a cada momento, e como tal, tornam-se extensões de nós mesmos. Somos assim, criaturas e criador ao mesmo tempo. Autor e platéia, em um show ao vivo e sem ensaios, sem ontem ou amanhã, apenas um agora que se estende para sempre.
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*Mauricio A Costa, é Estrategista para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Executivo, Estrategista, ou Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.

É o idealizador do 'Projeto Mentor Virtual', empreendimento comprometido com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.