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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Direção. O Caminho Definido Por Um Propósito




Por Maurício A Costa*



“Muitos são obstinados em relação ao caminho tomado, poucos em relação à meta” (Friedrich Nietzsche, em 'Humano, Demasiadamente Humano' – Pág. 267 – Cia. das Letras - 2000)


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Ainda nos primeiros anos de escola, estudamos um pouco de Geometria, e ali aprendemos uma regrinha básica de álgebra: "a menor distância entre dois pontos é uma reta". Esse princípio universal, pode nos ser útil como referência para uma interessante reflexão: a de que muitas vezes não chegamos a lugar algum, pelo simples fato de não havermos definido dois importantes pontos: aquele onde estamos, e aquele aonde queremos chegar... Essa simples regra, é a base de qualquer navegação; tanto para uma pequena embarcação, como para o maior de todos os transatlânticos. Boa parte do nosso estresse diário, é sem dúvida alguma causado pela ausência dessa definição, que nos faz sentir perdidos ou desorientados em relação às nossas vidas, ou aos nossos empreendimentos. Para a construção de uma marca forte; seja ela pessoal ou empresarial, é fundamental definir-se o ponto de partida e o ponto onde se pretende chegar. Quando unimos esses dois pontos, traçamos uma reta. Essa reta, nada mais é que a direção a seguir; e é esse direcionamento que define o caminho.

Quando em um empreendimento, essa regra não é levada à sério por qualquer razão, a provável consequência é ficar girando em torno do eixo, ou de si mesmo, sem que se avance em qualquer direção. Algumas organizações, quer familiares ou empresariais, podem reclamar do pulso firme de seu líder, focado com certa intransigência numa direção, mas é a ausência desse pulso, que invariavelmente, permite a deturpação do duvidoso conceito de administração participativa, provocando uma situação anárquica que usualmente vem a comprometer os objetivos do empreendimento, e podem até levá-lo ao fracasso.

Certa vez, escrevi uma matéria da qual republico aqui alguns trechos interessantes que vale a pena relembrar para ilustrar este artigo. Há um breve diálogo na história de ‘Alice no País das Maravilhas’ que a meu ver tem gerado uma interpretação errônea para muita gente, por tomar a personagem como uma 'alienada' que não sabe o que quer ou para onde ir. Eu mesmo, por falta de uma análise mais criteriosa cometi esse erro, ao utilizar em meu primeiro livro da série ‘O Mentor Virtual’ a imagem de uma Alice desorientada, quando inseri a expressão “quando você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve” (O Mentor Virtual –Pág. 203); um lamentável equívoco que pretendo corrigir agora. Para iniciar, vamos recordar a parte onde no diálogo com o Gato, Alice pergunta: ‘o senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?’, ao que o Gato lhe responde: ‘isso depende muito de para onde você quer ir’. Nesse momento, ela retruca: ‘não me importo muito para onde’... Ao que o Gato lhe diz: ‘então não importa o caminho que você escolha’. Entretanto, apesar de muito confusa, Alice completa: ‘contanto que dê em algum lugar’. Ao ouvir isso, o Gato diz: ‘oh, você pode ter certeza de que vai chegar... Se você caminhar bastante’. 

Se analisarmos com mais cuidado o diálogo acima, veremos que Alice sabia exatamente o que queria: Sair daquele lugar! Sim, isso mesmo. Não importava o caminho para ela, desde que desse em alguma saída. Sua meta estava bem clara. Tanto, que ao prestar mais atenção ao comentário de Alice, o Gato de maneira sábia, imediatamente corrigiu sua postura arrogante e vaticinou de forma taxativa que ela com certeza chegaria ao seu objetivo, tudo que precisaria era apenas caminhar bastante. Em outras palavras, o 'se' é a condição que impõe colocar toda energia em direção à meta.

Neste ponto, você deve estar achando que é uma insanidade de minha parte misturar Nietzsche com Alice no País das Maravilhas, mas na verdade, “tudo está intimamente ligado”; quero criar a ‘ponte’ para os dois temas, simplesmente para reafirmar essa máxima do Nietzsche no início deste texto, quanto ao apego obstinado ao 'caminho', quando deveríamos refletir mais sobre nossa meta, ou seja, nosso propósito. Porque sem um objetivo claro na vida, um lugar bem definido de onde chegar, caminhamos sem rumo como animais; seguindo por seguir, agindo como zumbis. ou mortos-vivos. É desse objetivo que nos fala Nietzsche. É fundamental entender com clareza o propósito que sintetiza aquilo que faz sentido para nossa alma, essência daquilo que somos. “Sem a consciência da sua alma, o ser humano não utiliza o potencial a seu dispor e torna-se um alienado; alheio a milhões de possibilidades. Limitado como um alce, diante das múltiplas escolhas que poderia operar”, ensina ‘O Mentor Virtual’ (Pág. 39). 

A cada minuto operamos escolhas e essas escolhas devem, necessariamente, estar sincronizadas com o nosso propósito. Como diria a Alice, não importa o caminho que escolhamos, o importante é que ele nos leve ao ponto onde queremos chegar. O que acontece é que, na maioria das vezes nos divorciamos daquele propósito que definimos e nos perdemos por caminhos que não levam a lugar algum. E neste ponto sim, cabe o alerta incisivo daquele Gato, mencionado no Mentor Virtual : “Quando você não sabe para onde está indo, na verdade, não está indo a lugar algum”. Por essa razão, não precisamos nos preocupar tanto com o caminho escolhido, mas, desfrutá-lo; desde é claro, que estejamos na direção correta para alcançar a meta; pois “caminhar na direção certa, ainda que devagar, é mais eficaz que andar depressa na direção errada”

Para construir uma marca forte, é imprescindível definir onde se quer chegar; uma vez que, “definir onde chegar é assumir consigo mesmo um compromisso em relação às suas escolhas”; - porque trabalhar a própria marca é antes de tudo, identificar o sonho por trás da meta; e ao perceber aquilo que lhe toca de mais profundo, canalizar toda energia nessa direção. No que diz respeito às empresas, entretanto, apesar de suas equipes serem informadas com clareza de "para onde é preciso ir", cada um quer definir seu próprio ritmo, sua própria velocidade e direção pessoal; o que produz um esforço sobrenatural, um desgaste intenso, e uma enorme sensação de desconexão, a gerar perda de tempo, de energia e acima de tudo de resultados. Estão individualmente girando em círculos, e não numa direção específica definida por uma reta; 'se matando' sobre uma esteira ergométrica a produzir muito suor, sem ir a lugar algum.



Uma das mais importantes lições que aprendi como piloto, foi que não se deve tirar o avião do chão sem antes definir o lugar para onde se vai. O aeródromo de chegada. Se em alguns momentos nos angustiarmos por nos sentirmos perdidos, é bom lembrar que isso nem sempre é por falta de opções; na maioria das vezes pode ser por excesso de alternativas. E nesses casos, a direção só poderá ser definida se por trás houver um propósito claro e bem definido. Como o êxito na vida pessoal, ou de um empreendimento de qualquer porte depende essencialmente do pensamento estratégico, cuja essência é o questionamento, quero deixar cinco perguntas básicas para uma reflexão sobre o tema: 1) Você tem uma noção clara do seu propósito? 2) Tem uma reta traçada entre o ponto onde você está e aquele onde gostaria de chegar? 3) Todos à sua volta estão ao par dessa direção que você definiu? 4) Em seu empreendimento sua equipe está agindo de forma comprometida com esse objetivo? 5) Suas escolhas e decisões estão coerentes com a sua meta? 

Quando sentir que necessita de apoio para desenvolver o pensamento estratégico em sua vida ou organização, não hesite em buscar apoio externo. Dispa-se da vaidade e complemente sua análise com a visão de fora. Ela poderá ser decisiva para ajudá-lo a enxergar mais longe, tal qual uma torre de controle, que com informações atualizadas sobre as condições do tempo e do tráfego aéreo, permitem um vôo tranquilo para o destino que se planejou. 

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*Maurício A Costa é Estrategista. Diretor da SUPPORT BRANDS, empresa de Estudos e Projetos para Alavancagem de Receitas e Rentabilidade, com foco no Pensamento Estratégico, Análise de Valor Agregado, Gestão e Licenciamento de Marcas. A 'visão de fora' para o Empresário que deseja crescer com segurança. 

É o autor do livro O MENTOR VIRTUAL. Está disponível sob consulta para palestras, seminários e workshop em Empresas, Universidades e Associações. 

16 comentários:

  1. Silvia Helena Quaresma disse...
    Oi Mauricio !
    Primeiro gostaria de comentar que: assumir que fizemos algo que não era o mais correto e retomar o caminho, é uma grande virtude como em :"Eu mesmo, por falta de uma análise mais criteriosa cometi esse equívoco ao utilizar em meu livro ‘O Mentor Virtual’". Fazemos escolhas o tempo todo e muitas vezes temos que retomar nossos caminhos. Temos que ter coragem de questionar, estar abertos ao novo, assumir, realmente, que não somos perfeitos, nos permitir errar...e nos permitir retomar. Parabéns pelo texto. Grande abraço Silvia Helena Quaresma

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  2. DRICA. disse...
    Silvia esta certa Maurício, não cometeu nenhum equivoco...apenas reassumiu sua posição, lembra da canção de Raul Seixas: "Prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha mesma opinião formada sobre tudo". Pois bem, vc reavaliou a situação e descobriu outro sentido para tudo, amanhã poderá ainda mudar de novo...e de novo .....entre trancos e barrancos, erros e acertos vamos evoluindo. Voltar atrás e ter a humildade de corrigir um erro ( ou um suposto erro ) faz parte da nossa caminhada, senão ficaríamos na mesmice e passaríamos pela vida como expectadores dela e não como protagonistas ..viver e aprender sempre até o fim da jornada. Bjs meu amigo...Adriana .

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  3. Cydia de Souza disse...
    Gostei muito das comparações e analogias com o filme.
    Sua sensatez é algo impressionante em seus textos e que muito sinto falta no meu dia a dia.
    A grande dificuldade que sinto em focar de nossas metas é o Caminho, que sonhamos tranquilo,mas que na verdade, é bem difícil e complexo.O caminho revela nossa personalidade e essência o que por vezes é bem difícil de enfrentar.
    Você tem toda razão quanto a meta.A travessia até chegarmos a ela é que é bem traiçoeira para nós humanos demasiadamente humanos...

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  4. Cláudia manhães disse...
    Olá Mauricio!
    Parabéns pelo texto! Profundo mas direto e objetivo. Ele nos faz pensar e questionar nossa caminhada, além de nos servir como um alerta, já que muitas vezes tendemos a ir para o acostamento sem perceber e sem querer...Portanto nessas horas é necessário muita coragem,determinação e humildade como você mesmo nos deu o exemplo ao se corrigir. Obrigada!!! Um grande abraço.

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  5. Priscylla de Cassia disse...
    A união dos exemplos foi a forma mas clara e objetiva pra se compreender a proposta dessa importante observação: saber definir sua meta e não confundí-la com o rumo do caminho escolhido.
    Que texto! Que leitura! Ganhaste uma nova admiradora...abraços

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  6. Marília de Lima disse...
    Mauricio, é isso. Não basta só saber para onde vamos, temos que ter noção de mais detalhes como quando e como queremos chegar lá. Muitas vezes as pessoas não pensam nisso e se frustam por não ter conseguido. Parabéns pelo texto. Gostei.

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  7. Lily Accorsi disse...
    Olá Maurício.
    Excelente texto! Grande lição! Faço parte se seus admiradores. Sucesso sempre!
    Lily Accorsi

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  8. adriana reis disse...
    Perfeito Mauricio,a eterna procura de nosso ser;a eterna e dificil busca em saber quem somos,qual nossa meta,onde está nossa essencia.
    E por essa busca incansavel,vamos nos transformando,quem sabe na maior parte das vezes em seres melhores,mais humanos e grandiosos.
    E acredito que é essa a nossa meta,esse o nosso dever no planeta.

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  9. YVONNE MENDES disse...
    Parece que não fui a única que escreveu sobre Alice... Diga-se de passagem, os grandes clássicos infantis do Brasil e do mundo são "adultos demais" para o meu gosto: alguns, trágicos; alguns, simplesmente adultos e a maioria MACHISTA. A "mocinha" é frágil, imbecil e quase sempre órfã de mãe. A mulher é sempre inimiga natural da mulher no papel da madrasta carrasca e/ou da bruxa malvada e o homem, além de ser um ilustre e nobre príncipe, surge sempre como um herói para salvá-la tanto da maldade das outras mulheres quanto de si mesma e de sua incapacidade natural de se defender sozinha... O que sei é que as estórias infantis podem render interessantes crônicas. Alice (a mim) foi uma delas.

    SAUDAÇÕES LITERÁRIAS,
    YVONNE MENDES.

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  10. Anônimo disse...
    Olá, Mauricio estou usando este tema ( filme ) como atividade complementar na faculdade e também cometi o erro de interpretação no dialogo de Alice com gato mas já compartilho da sua visão.
    Parabéns pelo artigo.

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  11. sensacional, como sempre!! stela facebook

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  12. interessante texto, com certeza devemos ter um objetivo, uma meta um fim,aí sim escolher o melhor caminho, confesso nunca me preocupei muito com esse detalhe, mas últimamente tenho percebido que são os detalhes, muitas vezes pequenos que definem o sucesso ou o fracasso de tudo em nossa vida. o difícil as vezes é também conciliar nossos objetivos com os que nos cercam, interessante ler sobre isso agora, pois, faz um tempo tenho pensado sobre isso, e não estou me sentindo muito satisfeita com o rumo que a minha vida tomou, acredito que não tracei minhas metas com o devido cuidado...muito bom e esclarecedor esse texto...obrigada e boa noite Mauricio!!!

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  13. Muito lindo, sinto que preciso ler este livro, pois me encontro com tinta anos, totalmente perdida na vida profissional e pessoal como é bom ter suas palavras para ler quando a cabeça está fraca e só pensa negatividades, obrigada por postar fragmentos, obrigada por me adicionar á sua página de amigos do Facebook,parabéns pelo sucesso do livro!Abraço carinhoso, Conceição Pimentel- SP

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  14. Olá Mauricio... mais um desafio... sem a certeza de estar à altura...!!!

    Os textos são sempre oportunos, mas a sua interpretação é que deixa tudo mais belo.

    É uma constante as escolhas em nossa vida, até o facto de não escolher, já é uma escolha.

    Não é fácil definir o caminho a seguir... e depois como saber se se está no caminho certo?

    Todos nós temos um propósito: é o que nos indica o caminho a seguir, entre os muitos que se nos apresentam.

    Se não sabemos onde queremos chegar... qualquer caminho é um caminho válido.

    Nossos desejos, normalmente, são complexos, contraditórios e confusos. Muitas vezes precisamos de ajuda para tomar decisões. E, quando alguém nos diz o caminho a seguir... nós sabemos que "por aqui" é que eu não quero ir.

    Decidir é um risco que devemos assumir.

    Definir metas é um passo crítico para o sucesso.

    Se tivermos como meta... a conquista pela felicidade... decerto seremos FELIZES.... porque somos pessoas realizadas, de bem com a vida e com os outros.

    Um Abraço cordial..... ALICE LOPES

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  15. Parabéns pelo belo texto.
    As escolhas são fundamentais para buscarmos a nossa realização, mas o danado do "Caminho" sem atalhos pra atingirmos o objetivo é o grande risco, que quando alcançado nos dá a sensação feliz de superação.
    Cada etapa do aprendizado é fundamental para nos tornarmos mais fortes, assim aprimoramos e saboreamos cada uma.
    Ser feliz é conseguir pela justa conduta se realizar sem ferir ou oprimir, apenas compartilhando com os outros.

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  16. Este artigo me levou a uma profunda reflexão dos tempos em que lecionava 'geometria'... Das muitas lições que ensinei para meus alunos, como era fácil sair de um 'ponto' qualquer para o infinito!
    Pensemos, dentro da 'geometria da vida'... De uma sucessão de pontos, obtemos uma linha; pode ser uma linha reta ou tortuosa, que nos dará a direção, fruto das nossas escolhas e atitudes.
    Ainda, dentro da 'geometria da vida'... Unindo as linhas por suas extremidades, obtemos 'planos'; tudo depende de nossas escolhas ao longo do caminho, na construção de nossos 'planos', regulares ou irregulares.
    Continuando, a 'geometria da vida'... Unindo os planos por seus lados, obtemos 'sólidos'; a concretização das metas, os sonhos realizados enfim!

    Das lições que ensinei, hoje penso: - Por que de tudo que falo, escrevo... Não consigo ouvir minha própria voz? - Na 'geometria da vida', me perco nos 'espirais' das emoções! Por quê?!
    Ao longo da minha jornada sempre fui um 'ponto' de referência.... Será este meu caminho?!

    Tenho que parar de lutar contra respostas que estão bem diante dos meus olhos...

    Abçs. carinhosos Mauricio!

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