Translate The Blog - Click Here / Traduza o Blog - Clique Aqui

sábado, 19 de novembro de 2011

Renovação. Um Princípio da Sabedoria





Por Maurício A Costa*


"Os visionário não continuam visionários para sempre. Poucos são capazes de imprimir sua marca numa segunda visão. Pior ainda, seus apóstolos se tornam dependentes da presciência do profeta, renunciando à própria responsabilidade pela visualização de novas oportunidades. Em geral, o visionário decadente que também é o CEO ou Chairman (Presidente da Empresa), inibe inconscientemente a capacidade de inovação radical da organização... Quanto maior o sucesso da empresa, mais arraigados seus modelos mentais. Mesmo em empresas medianamente bem sucedidas, a maioria das pessoas não questiona 90% do modelo mental existente. Opções de anos atrás raramente são reanalisadas. É difícil imaginar estratégias revolucionárias quando se começa com nove décimos do cérebro em inatividade. As opções do passado remoto quase nunca são desafiadas na ausência de uma crise... Se você for incapaz de pensar diferentemente, o futuro sempre chegará como surpresa... A autoridade que mais precisa ser questionada é a autoridade de suas próprias crenças... Procure uma empresa que esteja apresentando mau desempenho e invariavelmente se encontrará uma equipe gerencial que é prisioneira inconsciente de suas crenças superadas". (Gary Hamel, em 'Liderando a Revolução' (Leading the Revolution - Pág. 22/136 - Editora Campus - Rio de Janeiro - 2000).

_______________________


O texto acima é de um dos mais brilhantes consultores empresariais que já conheci. Tive a grata oportunidade de assistir algumas conferências do professor Gary Hamel, no Brasil e nos Estados Unidos, e confesso que, muito do que sei, como executivo, empresário ou consultor nasceu de suas idéias. Estou certo de que, meu pensamento estratégico aprimorou-se com ele. Nos dias atuais, seus conceitos são mais verdadeiros do que nunca; embora, lamentavelmente, muitas empresas desconheçam ou ignorem seus ensinamentos. Reféns de próprios paradigmas, não são poucos os empreendimentos que patinam numa incompreensível mesmice que os faz desperdiçar um tempo precioso, dando chances para que o principal concorrente espertamente ocupe seus territórios.  

Minha maior tristeza como consultor, ou conselheiro empresarial é vivenciar situações onde percebo que o que está sendo recomendado, de maneira segura e experiente, para garantir o crescimento saudável do empreendimento, vem a ser subestimado, por conta de posturas intransigentes, quase sempre fruto da vaidade do empreendedor, invariavelmente carente de uma visão fora; isenta dos vícios do passado ou do ranço da própria organização. Algumas vezes, chega a ser visível certa ironia ou desdém do líder ou de seus comandados com relação a idéias inovadoras. Em primeiro lugar, porque o novo desafia o 'status quo', e o 'establishment', abalando a segurança diante do que já é conhecido. Segundo, por mexer com crenças arraigadas de cima à baixo, que rechaçam precipitadamente qualquer inovação, por considerá-las ameaçadoras, antes mesmo de conhecê-las. Por último, pela questão da já citada vaidade, o mal maior de toda organização.

Aprendi com o tempo, que a sabedoria é como a luz que penetra a escuridão e revela o que até então era imperceptível. Por essa, entre outras razões, ela nem sempre é bem vinda; tal como acontece quando se mexe nas raízes de uma árvore, e invariavelmente as larvas escondidas sob a terra começam a se agitar em desespero, assim é em muitas organizações, onde certas atitudes ou procedimentos são mantidos sob sete capas. Situações cinzentas, a encobrir não apenas falcatruas e engodos, mas também o comodismo, o despreparo e a ineficiência. E nesses casos, o 'novo' nunca será bem vindo, pois tenderá a expor mazelas do custo invisível da ineficácia ingenuamente escondida, ou espertamente disfarçada.

Muito tempo atrás, trabalhei para uma organização, que por questões de ética omito o nome, cujos relatórios gerenciais eram constantemente adulterados para que os investidores e demais stakeholders não percebessem sua incompetência comercial ou administrativa. Um festival de 'faz-de-conta' cujas consequências vieram a ser desastrosas para aquele empreendimento anos mais tarde, e lhe custaram muito caro. Não foram poucas as vezes que escutei naquela empresa algo do tipo: 'não vamos inventar moda... melhor deixar as coisas como estão'... e em lugares assim, ou se entra no conchavo para não se criar inimigos ou se busca a porta de saída o mais rápido que se pode. Não pretendo aqui ser puritano, pois como já citei outras vezes, não sou apologista do 'certo ou errado', mas da análise do custo que produz cada decisão. E o que se pode aprender nessas situações, é que, em qualquer sistema onde não ocorra a renovação que promova sua 'oxigenação', ele tenderá à estagnação que produz deterioração. É bem provável também que o ambiente poderá corromper seus elementos de maneira virótica e irreversível. 

Nos dias atuais, é perceptível a resistência de muitas empresas à contratação de consultores, auditores ou conselheiros externos. Algumas chegam a evitar até mesmo a presença de palestrantes que possam vir a produzir um despertar de suas equipes. A verdade é que, o medo do novo assusta e até incomoda. A insegurança diante do desconhecido é apavorante. Renovar é algo que desafia a estruturas consolidadas existentes e isso põe em risco a estabilidade, o comodismo e a perpetuação de muita gente. Por isso, usando palavras do ilustre Gary Hamel, 'é difícil imaginar estratégias revolucionárias' em ambientes estagnados, quando não se acompanha a velocidade das mudanças que ocorrem no ambiente empresarial, em meio a batalhas sangrentas onde sobrevivem apenas aqueles que se preparam e se atualizam de forma ininterrupta, arrojada e corajosa para vencer a inércia que conduz à morte.

A tomada de consciência é o ponto de partida para a adequação à mudança que se impõe. Identificar fraquezas e vulnerabilidades é 'o conhecer a si mesmo'; condição 'sine qua non' para qualquer batalha, como já dizia a dois mil e quinhentos anos, o grande guerreiro Sun Tzu, autor de 'A Arte da Guerra' e preconizador do pensamento estratégico. Quando se conhece os próprios pontos fracos e se trata de corrigi-los a tempo com determinação, as possibilidades de superação aumentam consideravelmente. Se no entanto, isso é ignorado, as chances de ser minado sorrateiramente crescem de forma assustadora. É a consciência das vulnerabilidades, que incita ações corretivas, especialmente por desencadear uma análise mais profunda com relação ao tamanho do desafio no campo de batalha (o mercado, no caso das empresas), onde uma luta feroz e sem trégua, às vezes mortal, espera pelo guerreiro (o empreendedor) a cada dia. 

A renovação não necessariamente impõe a troca dos personagens em atuação. Pelo contrário, preservar as pessoas que formam um time ou equipe é o desafio maior de qualquer organização, sejam elas componentes de um exército, de uma família ou de uma empresa. Para tanto, todavia, é desejável que haja humildade para o aprendizado, e mentes abertas para assimilar o novo; consequência natural de um mundo dinâmico onde a mudança é a única constante. Quando o egoísmo e a  arrogância dão lugar ao desejo de aprender para reciclar conhecimentos, a oxigenação do ambiente gera a energia criativa que faz superar todos os desafios com sinergia, determinação. Não há milagre nisso, apenas a força da sabedoria que produz a inovação; a maneira ousada, assertiva e diferente de abordar aquilo que desafia, sem a necessidade de se apelar para o imediatismo do engodo, também sugerido por Sun Tzu em suas táticas de guerra.

Enfrentar crenças superadas ou paradigmas arraigados, não é, como sabemos, uma tarefa simples. Impõe a coragem para o enfrentamento. Exige posturas quase sempre tomadas por muitos como antipáticas e inoportunas. Como consequência, por gerar polêmica e incômodo, pode produzir reações emocionais e atitudes covardes de todo tipo, traduzidas pelo 'disse-não-disse', típico das fofocas e nas conversas paralelas que se disseminam com a velocidade do vento, a espalhar a discórdia por meio da hipocrisia que nasce da inveja, da incompetência ou do rancor. A verdade incomoda, e por causa dela, muitos já tiveram suas vidas destruídas. Por isso, não convém subestimar seus efeitos. É prudente agir com responsabilidade e cautela, consciente de que toda mudança carrega em si, sementes de profundas transformações que podem alterar significativamente a paisagem. Como ensina Ichak Adizes: "Mudar é como praticar jardinagem. Se cuidamos bem do jardim, não haverá mato e as flores poderão crescer; se não cuidarmos, o mato vai tomando conta de tudo e acaba com as flores. As empresas que não continuaram mudando suas culturas - aquelas que disseram 'muito obrigado por tudo, mas agora vamos voltar ao trabalho' - são como jardins mal tratados que acabam tomados pelo mato e pelas ervas daninhas" (Os Ciclos das Organizações - Como e Por que As Empresas Crescem e Morrem... - Editora Pioneira - São Paulo - 1993).

Trabalho feliz quando atuo como consultor, conselheiro ou estrategista para organizações que não temem o novo e mostram-se dispostas a estimular as transformações necessárias em seus empreendimentos, para se adaptarem aos novos tempos. Como ensina o ilustre professor Clemente Nóbrega: "A condição para crescer e evoluir é manter-se aberto aos sinais de fora. É querer a mudança". (Em Busca da Empresa Quântica - Editora Ediouro - Rio de Janeiro - 1996). É esse 'querer' que define o grau da 'renovação'; um princípio básico do universo para reciclagem constante de todos os seus elementos. Sinto-me extremamente realizado quando sou convidado a falar, em palestras, seminários ou workshop, sobre a busca de alternativas para grupos de pessoas sedentas por inovação em suas vidas e seus empreendimentos, por saber que: "Quebrar paradigmas ou idéias pré concebidas, permite vislumbrar o mundo além do horizonte das nossas limitadas convenções. Inserir uma visão mais ampla, que contemple múltiplas percepções para o mesmo fato enriquece nossas decisões e amplia infinitamente as possibilidades... Afinal: O extraordinário só pode ser percebido quando se voa além do convencional" (O Mentor Virtual - Pág. 22/97 - Editora Komedi - Campinas-SP - 2008).

_______________________________ 


*Maurício A Costa é Estrategista. Diretor da SUPPORT BRANDS, empresa de Estudos e Projetos para Alavancagem de Receitas e Rentabilidade, com foco no Pensamento Estratégico, Análise de Valor Agregado, Gestão e Licenciamento de Marcas.

 É o autor do livro O MENTOR VIRTUAL. Está disponível sob consulta para palestras, seminários e workshop em Empresas, Universidades e Associações. 

4 comentários:

  1. Fantástico! Facilmente nos deixamos levar pelo comodismo, mesmo percebendo que mudanças necessárias são urgentes, preferimos manter o viver e o lado profissional no conforto do "deixa estar, pior que isso é impossível"
    Soltar-se das próprias amarras, buscar novos conceitos, amparar-se em profissionais competentes a mudar nossa rotina é um desafio.
    É saber que renovar tem que ser constante.
    Abraços caríssimo Maurício

    ResponderExcluir
  2. Olá Mauricio
    FORÇA e ânimo para fechar um ciclo, dando espaço para iniciar outro e assim CRESCER e EXPANDIR...
    Toda e renovação e mudança trás consigo uma nova energia. É necessário CRESCER, APRENDER, EVOLUIR e EXPANDIR... Não tenhamos dúvidas que estamos em tempo de ESCOLHAS... em tempo de RENOVAÇÃO.
    Como diz "O MENTOR VIRTUAL" *O extraordinário só pode ser percebido quando de voa além do convencional* *Você nasceu para brilhar... Descubra e desenvolva seus talentos...*
    Mudanças de ATITUDE... devem ser uma constante em nossas vidas.
    E concluia com "O MENTOR VIRTUAL"...
    *Quando se está na direção certa, não importa a velocidade.*
    Um afetuoso Abraço meu querido AMIGO
    ALICE LOPES

    ResponderExcluir
  3. Comentário postado por Rosi Souza na Página do autor no Facebook:

    Boa noite, Maurício!
    Seu texto, fora de qualquer dúvida, tem muita propriedade.
    Dele, destaco o seguinte pensamento: "Quando o egoísmo e a arrogância dão lugar ao desejo de aprender para reciclar conhecimentos, a oxigenação do ambiente gera a energia criativa que faz superar todos os desafios com sinergia, determinação."; creio mesmo que tudo é uma questão de DESEJAR (conscientização da necessidade de mudança). Já diz o provérbio chinês: "Onde há vontade, há um meio."
    Como apreciadora da sabedoria chinesa, encerro esse breve comentário com mais um provérbio dessa cultura milenar: "Hábitos são inicialmente teias de aranha, depois fios de arame." Não tenho dúvida disso....
    Abraço.

    ResponderExcluir
  4. Oi Maurício,

    Extremamente enriquecedor seu texto. Tudo que foi dito tem haver com "consciência", e esta pertence ao micro e macro de uma empresa e seus integrantes, toda a sinergia existente num ambiente corporativo necessita deste constante aprendizado e da expansão deste entendimento a cada momento. Amei! Super grata por mais este texto.
    Abraço forte!

    ResponderExcluir

Não esqueça de deixar aqui as marcas de sua passagem...
Seus comentários serão sempre bem vindos.