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domingo, 13 de novembro de 2011

Acreditar. A Postura Que Faz Diferença





Por Maurício A Costa*

"Somos aquilo em que acreditamos, com audácia para sonhar, livres para tecer nosso destino e, ao viajar além de todas as expectativas, nos surpreender a cada instante". (‘O Mentor Virtual’ - Pág. 158 - Ed. Komedi - Campinas-SP -2008).

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Muitas de nossas atitudes são movidas pela que depositamos em algo. Esse 'algo' pode ser determinada pessoa, projeto, ou idéia; um empreendimento ou um mito. Repentinamente, tomamos certa decisão, e começamos a pensar e agir de acordo com aquilo em que passamos a acreditar. Enquanto nada nos remover desse caminho, e nossa seguir inabalável, seremos capazes das maiores loucuras, a ponto de até mesmo oferecer nossa vida por aquilo. O tempo passa, os cenários mudam, as pessoas à volta mudam, os propósitos mudam, mas ainda assim, se continua apegado àquele crença, tomando-a como verdade absoluta e imutável. Um exemplo claro disso pode ser visto nas religiões, seitas e fraternidades de todo mundo; especialmente as mais radicais, ou chamadas de fundamentalistas.

O mito é algo de caráter simbólico, que tenta explicar fenômenos naturais por meio de deuses e heróis. Na atividade humana, o mito tornou-se algo sobrenatural, gerador de surpreendentes formas de dependência; e por conta disso, está associado a rituais de toda ordem, por meio de sacrifícios, orações, e cerimônias de todo tipo. O mito leva ao endeusamento, e consequentemente adquire com isso um status de sagrado. Nas palavras de Fernando Pessoa, 'O mito é o nada que é tudo. O mesmo sol que abre os céus, é um mito brilhante e mudo: O corpo de Deus, vivo e desnudo. Este, que aqui aportou, foi por não ser, existindo. Sem existir nos bastou. Por não ter vindo foi vindo, e nos criou. Assim a lenda se escorre, a entrar na realidade, e a fecundá-la decorre. Em baixo, a vida, metade; de nada, morre" (Ulisses). E é esse mito construído em nossas mentes que gera a crença inabalável. “Essas informações provenientes de tempos antigos têm a ver com os temas que sempre deram sustentação à vida humana, construíram, civilizações e formaram religiões através dos séculos, e têm a ver com os profundos problemas interiores, com os profundos mistérios, com os profundos limiares da nossa travessia pela vida...” (Joseph Campbell - em, 'O Poder do Mito').

E o que nos leva a essa fé cega? O que nos faz acreditar com tamanha força em idéias, coisas ou mitos construídos pela mente humana? O que nos faz mudar de caminho de maneira tão radical? Pergunto-me com frequência, especialmente quando estou diante de turbulências, desafios, ou situações que implicam tomadas de decisão. Seriam nossos medos que nos fazem buscar por segurança em algo fora de nós?... Ou seriam nossas atitudes resultantes da extraordinária viagem genética que fizemos por milhares de gerações, acumulando experiências e informações de toda ordem, a criar toda espécie de mito? Por qual razão deixamos de acreditar em uns e acreditamos piamente em outros? O que nos leva a esse padrão de escolhas? Em que se fundamentam tais decisões?... Poderíamos continuar elaborando esses questionamentos a vida inteira, e ainda assim, não iríamos encontrar respostas convincentes. Tudo porque somos um amontoado de camadas, formada por inúmeros seres a se digladiar dentro de nós mesmos. Uma multidão de identidades aglutinadas em um único ser. Misturadas. Confusas. Perdidas em um ambiente hostil, que se modifica a cada segundo. Numa 'Babel' de enormes proporções, diante da qual, nos sentimos insignificantes, despreparados, perplexos.

Como proceder escolhas é um desafio constante, e decidir, um martírio permanente, tomar decisão com aquela certeza absoluta então, é algo que nos parece quase utópico. Como ter inabalável em algo? No que acreditar? - “Uma batalha interminável é travada dentro de nós a cada minuto. A luta pelo sonho desafiador que nos move em direção àquilo que acreditamos é ameaçada sem tréguas pelo complexo emaranhado de caminhos do mundo real que nos cerca. Para alcançar o extraordinário é imperativo ir além de todas as fronteiras do convencional”. (O Mentor Virtual). Mas, se é decisivo definir com clareza o que se quer, como chegar a essa definição? - Me perguntaria o leitor. E eu responderia: Com a consciência de nós mesmos. Só quando compreendemos o potencial e as limitações que carregamos, nos tornamos capazes de dimensionar não apenas o queremos, mas também o que podemos. Isso mesmo: o que podemos. Ou seja, aquilo que está dentro de nossas possibilidades de conhecimento, forças ou recursos. Todavia, como já foi dito, 'somos do tamanho dos nossos sonhos', e isso nos coloca diante de um paradoxo: Como os sonhos não levam em conta qualquer noção de potencialidade, por resultarem apenas da multiplicidade de imagens e informações abstratas, sem levar em conta tempo ou espaço, ou qualquer outro tipo de restrição, como apostar nessa teoria de que 'podemos qualquer coisa'? Eu diria: Da força motivacional que formos capazes de imprimir a nós mesmos a partir de uma idéia. Aquilo que convencionamos chamar de 'auto motivação'. A energia produzida pelo estímulo do querer. Esse querer ou vontade, é o poder natural de todos os milagres, que nos faz voar além do horizonte conhecido.

Ora, se somos capazes de ter fé inabalável em coisas, pessoas, imagens ou lendas que transformamos em mitos, e disso depender e até morrer pela causa, como ocorre em algumas religiões, porque não seremos capazes de construir nossa própria lenda? O que falta? - Ao meu ver, falta simplesmente o acreditar. A energia do querer que produz a superação para qualquer desafio. Sair do comodismo que engessa e abandonar a letargia resultante da preguiça física e mental que limita todas as possibilidades. Para tanto, convém lembrar: 'Nossas atitudes e posturas resultam daquilo que alimentamos em nossas mentes e corações. Aquilo que validamos irá tornar-se a nossa verdade, e estará refletida em nossos pensamentos e palavras. ...Atitudes fazem a diferença, quando se deseja mudar o rumo da própria história. Nada detém aquele que se propõe com firmeza a alcançar sua meta'. - Em nossas vida pessoal ou empresarial, vivemos constantemente sob o fogo de inesperados desafios. Somos testados ininterruptamente por turbulências de toda forma e intensidade, com nossa resistência colocada à prova, e nossas convicções mensuradas com relação àquilo que realmente desejamos. Assim, se o sonho não for autêntico e o querer, verdadeiro, ele se desfará como nuvem passageira, que se transforma repentinamente num lamentável aguaceiro.  

O sonho pessoal é a fonte de energia do empreendedorismo e do êxito profissional, mas é decisivo que se tenha noção do tamanho do desafio, consciente de que 'a trilha é íngreme, e o ambiente quase sempre inóspito... Cercados de inesperadas armadilhas covardemente montadas por nossos próprios semelhantes, viajamos solitários em busca de um significado para nossas vidas'. Por isso, não podemos colocar nossas expectativas e muito menos nossa fora de nós mesmos. A força e sabedoria que necessitamos para empreender a meta vem do nosso interior, e não pode ser confundida com a sinergia que formos capazes de criar com o  mundo à nossa volta, por conta do brilho nos olhos de quem carrega a auto confiança que traduz a energia da alma e a força do acreditar. Por alguns instantes poderemos ter caminhos paralelos com outros; isso, no entanto, não significa que estaremos lado a lado com eles para sempre. A parceria é quase sempre momentânea, volátil e essencialmente efêmera. Porque, como diz a canção, 'ninguém vai dormir nossos sonhos'. Qualquer dependência externa poderá ser fatal, se construirmos nosso plano de vôo baseados em alvos que se movem fora do nosso controle.

Há momentos em que a melhor opção pode ser abrir mão momentaneamente dos planos, e deixar-se surpreender pela própria vida, com a certeza de que a removerá qualquer montanha; por saber que não existe a tal montanha. Ela é apenas mais um imaginário obstáculo, em meio aos desertos de nossas solitárias caminhadas. Acreditar é a postura que faz a diferença. É colocar toda energia na direção daquilo que definimos como o caminho que nos faz bem, sem intimidar-se com o desafio da jornada, ou o preço a pagar; e sem permitir se tornar refém da falsa idéia de um herói em busca de aplauso. É não olhar para trás e não seguir ninguém. Tampouco se deixar intimidar diante da farsa e da hipocrisia que tenta intimidar ou ironizar aquele que luta ardorosamente pelo que acredita. “Nem sempre temos respostas para nossos questionamentos. Às vezes, sequer temos noção de para onde estamos indo. Nos perdemos por caminhos desconhecidos ou espaços vazios que não sabemos como preencher. Não é a liberdade que perdemos nessas horas, apenas o senso de direção; mas é em momentos assim que o improvável acontece e alma se realiza”, diz o mentor virtual que silenciosamente me mostra alternativas quando tudo parece envolto em dúvidas e inquietude. Afinal, completa ele: 'perder-se é criar a chance para descobrir o novo e ver-se frente a frente com o inusitado'.

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* Mauricio A Costa é Conselheiro/Consultor Empresarial. Estrategista para assuntos de alavancagem de receita e rentabilidade em empresas de qualquer porte, com foco no valor agregado e na construção de marcas fortes.

É o autor de O MENTOR VIRTUAL, e está disponível sob consulta para palestras, seminários e workshop. 



5 comentários:

  1. Hanna Angélica Castellonovembro 13, 2011

    Magnífico esse texto,é uma motivação para sairmos em busca do que acreditamos e não daquilo que as pessoas acreditam e formulam leis, regras,religiões que muitas vezes nos oprime em nossos ideais pessoais, Obrigada...abraços

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  2. Temos a LIBERDADE de sermos nós próprios, ACREDITANDO no que buscamos! A maior parte das nossas vidas é passada em função dos princípios e preconceitos que a sociedade "acredita" serem os bons...os melhores.
    Principalmente as mulheres que nasceram há mais de 50 anos, viram as suas vidas limitadas por muitas regras. As que ACREDITARAM na sua capacidade de trabalho, conseguiram fazer história... Depois surgiu a necessidade do casal ter mais que um salário e aí elas viram-se com duas frentes de batalha, a de criar os filhos e dar conta da lida de casa...
    Os tempos mudaram e a possibilidade de singrar na carreira ficou mais igual!
    Mas só quem ACREDITA, consegue chegar mais além!
    O MEDO é ainda um grande inimigo, pois vem colocar por terra muito daquilo em que se "acredita"...Ele pode servir apenas para reformular ideias e consolidar os objectivos. Sempre que leio os seus artigos, Maurício, reporto as suas PALAVRAS à minha experiência dos últimos anos! Ao tempo da descoberta do prazer da pintura! Mãe, professora aposentada, quereria a sociedade que fosse uma avó dedicada à vida dos netos e dos outros! Mas a PINTURA trouxe a FELICIDADE que me fez ACREDITAR que aquele trabalho era algo em que devia empenhar-me! Nem os comentários de desdém, perante os primeiros trabalhos, nem as dificuldades que sempre se deparam no nosso caminho, me fizeram parar.Esse ACREDITAR em mim mesma e na capacidade de alcançar a FELICIDADE dentro de mim, movem-me todos os dias. É que, quando casamos, temos filhos, somos avós ou desempenhamos uma actividade profissional, a "felicidade", é proporcional ao que sentimos através de OUTRO! QUANDO ACREDITAMOS VOAMOS MAIS LONGE!
    E as suas PALAVRAS ajudam-nos a ver mais longe e a não ter medo de VOAR! Um Abraço carinhoso e OBRIGADA por nos fazer despertar para o mundo que nos rodeia, acreditando!

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  3. Esta análise, para mim, é mais um desafio... pois comentar um grande MESTRE... é uma "ousadia" ... e necessária alguma coragem...!!!

    MOTIVAÇÃO é um ponto de partida positivo para acreditarmos em nós e pensar que tudo é possível.

    Os grandes DESAFIOS podem assustar... e nós sabemos!!!
    Por isso temos que saber o que queremos fazer da vida... definindo metas e trabalhando duro para que possamos alcançá-las

    Todos somos motivados pela AUTOCONFIANÇA... mas sempre com humildade.

    Nós só precisamos de uma decisão: a NOSSA

    Tudo Acaba no Mérito da Nossa Decisão.

    Mauricio um abraço afetuoso.... ALICE LOPES

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  4. Mauricio, citei voce hoje no Lobas por estar exatamente dentro do meu casulo de questionamentos! Tarefa dificil esta, não olhar pra tras, não se deixar intimidar...e saber a hora de recuar, para depois voltar mais forte, nas proprias crenças!
    Show!
    beijo amigo

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  5. É muito comum as pessoas, diante das dificuldades, se isolarem. Para mudar o padrão de nossas atitudes diante dos problemas da vida pessoal ou profissional, devemos lembrar de que tudo pode ser superado e transformado em uma nova direção; só temos que nos deixar conduzir para o novo, sem qualquer resistência - ACREDITAR!
    Mesmo que os problemas aconteçam, não devemos nos deixar contaminar pelo 'mau humor', a 'insatisfação' e o 'comodismo'. Errar é parte essencial do processo de amadurecimento; portanto, não devemos ter medo de 'arriscar', pois assim aprenderemos a enfrentar os fantasmas que costumam habitar nossa mente. Ao invés de direcionarmos nossa capacidade para imaginar acontecimentos ruins, devemos focar nossas energias na visualização de objetivos e imaginando-os concretizando-se de maneira favorável e, ACREDITAR que nossos problemas, não podem ser maior que nossos sonhos. Nestes momentos, é necessário cultivar a serenidade em todas as circunstâncias, ainda que isso nos custe um pouco, a 'Luz' sempre haverá de prevalecer.
    Nós, somos o resultado do quanto nos empenhamos para atingir nossas metas.... ACREDITAR - sempre!!!

    Abçs carinhosos, Mauricio!

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