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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Partilhar, Sim. Mas, Com Quem?




Por Maurício A Costa*



"Há muitos que desejam ardentemente seu crescimento pessoal e se lastimam de maneira incessante da miséria cultural ou econômica em que vivem. Todavia, não fazem absolutamente nada para que isso mude. Vivem como algas no fundo do mar; ora presas aos arrecifes de onde brotaram, outras, boiando ao sabor das marés, que as levam sem destino em qualquer direção". (Mauricio A Costa, no artigo 'Indolência. O maior inimigo de uma Marca Forte', no Blog Marcas Fortes -Out,16-2010)
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Fui convidado recentemente para fazer uma vídeo conferência, ou em palavras mais simples, uma palestra via internet, para um grupo de voluntários que atua em uma das principais capitais brasileiras, atendendo pessoas que precisam desabafar. Um trabalho que, segundo fui informado, é realizado sem qualquer vínculo político ou religioso, onde cada voluntário dedica determinadas horas por semana, e mantém pessoalmente os custos do empreendimento. Uma entidade de caráter humanitário, escutando com total privacidade, pessoas em desespero, desorientadas momentaneamente, ou carentes de um ponto de referência.

A preparação para falar com esse grupo, produziu uma série de incômodas reflexões, que me levaram a escrever este artigo, por considerar antes de tudo, magnânima, a atitude de pessoas que, a despeito dos eventuais riscos, agem de maneira desinteressada para servir seu semelhante. Ao mesmo tempo, porém,  fui provocado por inesperado questionamento quanto à postura de quem poderia está do outro lado, recebendo o apoio.

À primeira vista, minhas apreensões podem parecer paradoxais, ou até mesmo cruéis, levando-se em conta a situação de extremo desconforto que vive um ser humano em momentos de angústia, a ponto de necessitar amparo de outros. Como ensina 'O Mentor Virtual': "A angústia se origina numa equivocada presunção de impotência diante de momentos desafiadores. Está quase sempre vinculada a traumas do passado ou ansiedades com relação ao futuro". Tudo o que vivemos no 'hoje', sabemos que é em parte resultado da genética que herdamos de nossos ancestrais; outra parte, no entanto, é fruto do que plantamos ou deixamos de plantar ao longo da vida. Nossos equívocos, alienações, ou indiferenças a determinados assuntos, costumam nos trazer consequências desastrosas mais à frente, cujo preço nem sempre estamos dispostos a pagar, e por isso nos desesperamos. Parte da inquietude resulta ainda, de uma incompreensível atitude de subestimar o tempo, em sua principal característica, a irreversibilidade; até o momento em que nos damos conta da força avassaladora das adversidades. Por último, há aqueles também que ao longo de suas vidas, por questões de egoísmo ignoram o poder da sinergia com o outro. Sua vaidade, a tapar-lhes a visão, os deixa cegos à importância da complementaridade; e por conta disso, se isolam totalmente, para mergulhos, às vezes irreversíveis numa solidão destruidora.

A mão amiga, neste caso a voz de um voluntário que gratuitamente oferece uma parcela do seu tempo, ou melhor, um pedaço de sua própria existência, para socorrer um náufrago da vida, vítima de suas próprias armadilhas, é mais do que uma atitude grandiosa, é transcendente. É divina. Exige um desprendimento fora do comum, por implicar abrir mão de si mesmo por alguns  momentos, para tentar salvar alguém, que nem sempre parece merecedor de tal sacrifício; seja por não reconhecer que seus problemas foram causados por ele mesmo, uma postura que bloqueia a consciência da mudança; seja também por não despertar o querer que produz a necessária transformação. Afinal, 'é inútil fugir de si mesmo, e buscar lá fora as respostas para nossas inquietações' se dentro de nós não produzimos a fagulha da vontade. O querer que deflagra a ação. "É preciso reinventar-se a cada momento. Frustrações, desilusões e insucessos são apenas desafios, para aqueles que acreditam na vida como uma oportunidade única, incomparável e irreversível".

Como disse no início deste artigo, essa 'incômoda reflexão', aparentemente desumana, tem o propósito de gerar um grito de alerta contra o comodismo. Tem a finalidade de chamar a atenção para nossas atitudes no presente, a fim de que não venhamos a nos colocar na deprimente situação de quem busca socorro, quando parece não haver mais saída. Em alguns momentos, é normal que nos sintamos um tanto perdidos. Quando a  angústia se torna maior que a nossa força, não devemos permitir que a mente venha a turvar os pensamentos com fantasmas que ameaçam nossa paz, se estamos seguros de estar fazendo o melhor. Nessas ocasiões, é imperativo tomar consciência da poderosa energia que carregamos, aguardando apenas uma oportunidade para ser acionada. É ela que quando ativada pelo 'querer' produz todos os milagres. Essa tomada de consciência é decisiva para a superação. Por outro lado, identificar o que se quer, e para onde se está indo é o ponto de partida para gerar autoconfiança.

Nossos sonhos, propósitos mais nobres da alma, viajam em velocidades alucinantes, nos projetando para dimensões que a limitada mente desconhece. Por isso, não podemos desperdiçar tempo e energia com imagens que são frutos de informações incompletas ou até mesmo distorcidas, onde tudo é passível de interpretação. A incoerência que na maioria do tempo vivenciamos entre o sonho e as realidades construídas pela mente podem nos causar imensuráveis frustrações, e nos levar a perigosos questionamentos existenciais, produzindo uma energia negativa que corrói a alma e desencadeia estragos às vezes irreparáveis. Quando deixamos morrer nossos sonhos, perdemos gradualmente o significado da vida, 'mergulhando numa angústia insana, em busca de algo que sequer sabemos definir'. Nas palavras do meu caro 'mestre invisível': “Uma batalha interminável é travada dentro de nós a cada minuto. A luta pelo sonho desafiador que nos move em direção àquilo que acreditamos é ameaçada sem tréguas pelo complexo emaranhado de caminhos do mundo real que nos cerca. Para alcançar o extraordinário, é imperativo ir além de todas as fronteiras do convencional... Nem sempre temos respostas para nossos questionamentos. Às vezes, sequer temos noção de para onde estamos indo. Nos perdemos por caminhos desconhecidos ou espaços vazios que não sabemos como preencher. Não é a liberdade que perdemos nessas horas, apenas o senso de direção; mas é em momentos assim que o improvável acontece e alma se realiza”. (‘O Mentor Virtual II’ - O Elo Invisível - Em gestação).

Quando identificamos a intensidade do amor presente na alma, vivenciamos uma autêntica epifania. Um ritual de passagem que transcende a qualquer experiência convencional; coisa que as religiões exploram com enorme competência. Experienciamos o divino em sua plenitude em nossas vidas, e por conta disso, desejamos permear o mundo com essa visão. Queremos de forma ardente, partilhar com outros seres humanos essa energia construtiva, criadora. E é nesse momento, que surge o ápice da minha reflexão: Partilhar, sim. Mas, com quem? Com qualquer um que passe à nossa frente, ou surja pelo caminho? Perguntas embaraçosas, que podem resultar em respostas desconcertantes. Se utilizarmos a virtude da compaixão, a resposta imediata seria 'sim'. Devemos estender a mão a todos indistintamente. Mas, a pergunta seguinte seria: Será que o outro estaria 'querendo' realmente a nossa mão estendida? - Sem o 'querer', a vontade que produz a transformação, como dissemos, toda iniciativa se esvazia em si. A energia se perde, pois não produz qualquer ação ou movimento. Por outro lado, quando nos deparamos com alguém que busca e deseja ardorosamente a mudança, um simples toque é capaz de produzir magníficas transformações. Uma palavra é suficiente para gerar o milagre.

Quero concluir, recomendando aos inestimáveis voluntários de ações sociais, que não se embrenhem pelos sinuosos caminhos das aparências. A benemerência é válida quando embasada por objetivos claros e mensuráveis. É sabido que há muitos que o fazem por mera vaidade ou interesse. Portanto, identifiquem suas vocações e seus propósitos para que aquilo que fizerem, o façam com plena entrega e desprendimento. Nisso consiste a realização da alma. Em segundo lugar, mas não menos importante, observem cautelosamente para quem estão dedicando seu precioso tempo, sem esquecer que é parte da própria vida que estarão doando. Observem se do outro lado há alguém que 'deseja' de verdade sua mão estendida, e se esse alguém 'quer' efetivamente mudar. Se assim o for, toda energia desprendida valerá a pena e você será capaz de reerguer alguém, 'ainda que esteja morto', e assim produzir o milagre da vida em abundância.


"Que as nossas palavras sejam sempre de encorajamento. Nossos gestos, poderosas alavancas de apoio. Nosso abraço uma imensurável fonte de energia para cada ser humano ao nosso redor. Coisas simples que podem modificar o mundo a partir de nós mesmos" 
('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível)




                                                                 
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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Executivo, Estrategista ou Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.

4 comentários:

  1. No ANO INTERNACIONAL DO VOLUNTARIADO aqui se colocam questões pertinentes em ralação à temática... dar...doar...partilhar...tudo feito sem reservas é um manancial que alimenta quem dá e quem recebe! mas será que do outro lado querem receber? Uma questão que nunca se me tinha colocado. Quanto ao "vedetismo" com que se fazem campanhas, disso não tenho dúvida nenhuma...E os que moram na porta ao lado, a quem se nega um bom dia...um sorriso...apenas porque é de outra cor...de outra raça...Dói a alma ver a indiferença e arrogância com que se tratam os "vizinhos"...Depois, eis que são almas beneméritas em campanhas que se divulgam nos meios de comunicação social...Para dar é necessário que alguém queira receber...Uma REFLEXÃO maravilhosa, Maurício...Mais uma vez me faz abrir os horizontes para temas que nem ousamos questionar...Obrigada por suas palavras ...Abraço imenso de PAZ e Carinho...

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  2. Estou sempre disposta a partilhar, e este é um questionamento que me acompanha, por isso procuro em primeiro lugar mostrar-me INTERESSADA, pois acharmos alguem interessante não é difícil, difícil é achar alguem interessado, que se importa e não que se ache 'importante'...

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  3. Querido Maurício,em sintonia com suas palavras, estou cada vez mais mergulhada em minhas verdades, e assim percebo que desta forma acontece a sinuosa estrada da vida, pois os seres humanos são mesmo compostos por um todo de passado, presente, futuro, genética, alma, traumas,cuidados e carinhos que o fortaleceu por toda uma vida ou não....por isso nossa postura deve ser mesmo a de estender as mãos e nunca julgar, pois o homem não tem consciência que sua vida é um reflexo do que vê e faz para seu semelhante, quem cuida também é cuidado por alguém de alguma forma,como enfermeira e educadora, penso da seguinte forma: hoje cuido e educo - os, outros cuidam de mim e educam - me, assim é a vida.
    grande abraço,

    Simone.

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  4. Quem de nós já não passou por momentos de turbulências?
    Quem de nós já não necessitou de ajuda, apoio de outras pessoas?
    Quem de nós já não tentou ajudar e foi repudiado?

    Passar por turbulências, é como se estar em pântanos sombrios e desertos. Quanto mais nos debatemos, mais afundamos no lodo; as forças se esvaem pouco a pouco. E quando pensamos que não há mais esperança, sempre há os 'anônimos anjos' prontos para nos estender um pouco de sua energia. Neste momento, temos o poder da 'escolha'; ficar cegos pela 'inercia' e, sentindo pena de nós mesmos ou, ser humilde e, estender as mãos, aceitar a ajuda; fazendo dela, uma fonte de energia que irá nos tirar do 'lodo'; transformando-as em luz, para iluminar nossos caminhos.

    Digo isto de experiência própria.
    Senti o gosto amargo do fel em minha boca; e a dor da morte visitando o meu corpo. Num último suspiro, olhei para uma 'luz'... Esta luz, não era o fim e, sim o começo. O começo de uma nova história pois, um 'anjo' me visitou....

    "Um anjo que está cuidando de você para que volte a viver... para que use todos os talentos que recebeu..."

    Então fiz a minha 'escolha' pela VIDA!!!

    Este 'anjo' deu-me asas! Com elas, pude alçar voo para fora do 'pântano' do qual eu mesma me coloquei. Hoje, partilho a 'energia' que recebi com todos que me cercam. Tenho consciência que nem sempre é fácil ser ouvida; mas, faço que sintam minha presença nos pequenos gestos e atitudes. Como um anônimo 'anjo' aprendi que partilhar é se doar e, se doar é não esperar nada em troca.

    SER ANJO

    É abrir mão de tudo a favor do próximo;
    É dar asas aos seus potenciais;
    É ser iluminado com gestos e atitudes, quando sentir que não estão lhe ouvindo;
    É respeitar a vida que seu corpo transporta, preservando-o; e
    É deixar marcas de amor por onde passar!

    Abçs. carinhosos adorável 'partilhador' de energia!

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