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sábado, 24 de setembro de 2011

Corrupção. Hipocrisia. Futilidade.






Por Maurício A Costa*

"Quando eu aprender que nada sei... e entender o quão pequeno sou, estarei pronto para voar sobre mares turbulentos ou desertas planícies. Só então irei descobrir que todos as minhas inquietudes não passam de quimeras, efêmeras como o vento que me conduz". ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Campinas-SP-2011)

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Eu queria escrever sobre o tema corrupção. Com a mente contaminada pelo noticiário internacional, fui dormir na noite passada com essa idéia na cabeça, pensando sobre as inúmeras manifestações populares que vêm ganhando corpo e se alastrando pelo mundo ultimamente, derrubando governantes corruptos, déspotas do poder, e seus partidos políticos, sustentados pela manipulação e a falcatrua. Como sou apolítico e apartidário; apóstata, enfim, de tudo que diz respeito a grandes organizações, como religião, partido, ou corporação, terei sempre uma certa tendência a querer generalizar todas as situações e por isso, confesso que resisti inicialmente à idéia de escrever sobre um tema tão polêmico. Entretanto, quem escreve, compõe ou pinta, não o faz por um simples impulso mental, o faz porque a alma está repleta de algo que necessita ser exposto, parido, compartilhado.

Os seres humanos em todo o planeta estão se dando conta do poder de manifestação que carregam dentro de si, e a internet, muito mais até que a própria imprensa, (às vezes, conivente com o sistema), tem servido como poderosa alavanca para pulverizar idéias e aglutinar forças dispersas. A web está se tornando gradualmente o palco mais importante para o exercício de uma autêntica cidadania, e porque não dizer, democracia; e através dela, de maneira silenciosa, o mundo vai
mostrando sua verdadeira face; não apenas do ponto de vista político, mas especialmente de valores sociais nos quais acredita. E as pessoas não fazem isso de forma anônima, pelo contrário, mostram a cara, com coragem e determinação, conscientes do que pensam e expressam. Demonstrando, antes de tudo, uma postura aparentemente coerente consigo mesmas.

Ao ver nos últimos dias, a 'presidenta' do Brasil discursar na Organização das Nações Unidas sobre o tema, e no dia seguinte assinar com o presidente do Estados Unidos, um acordo mundial contra a corrupção, eu percebi o quanto os governantes mais 'espertos' estão se preocupando com a força que pode emergir do povo, e sorrateiramente destruir suas carreiras, quiçá derrubá-los, tal qual vem acontecendo com líderes (?) como Muamar Kadafi, da Líbia, Zine El Abidine Ben Ali, na Tunísia e Hosni Mubarak no Egito. Neste momento, há dezenas de falsos líderes governando nações sob o império do medo, apoiados por partidos políticos formados por espertas raposas, lobos camuflados de cordeiros, e maquiavélicas serpentes, cujos interesses são mais do que conhecidos: o enriquecimento pessoal às custas de recursos que deveriam ser aplicados na minimização do sofrimento de uma turba sem cultura, sem esgoto, sem segurança, sem saúde e sem esperança.


Não há mais espaço para o hipócrita populismo de palanque, que alimenta a fé de milhões de ingênuos com a inócua promessa de distribuição das migalhas daquilo que pessoalmente usurpam. A ferida está demasiadamente exposta e espalha-se velozmente pelos tecidos de uma sociedade que alienada, se torna conivente com a própria doença, e dessa forma permite que o câncer gere uma metástase irreversível e fatal. Como já foi dito tantas vezes, não há corrupto sem corruptor. Portanto, não se pode apontar o dedo exclusivamente para a classe política. Há milhares de mega empresários espalhados pelo mundo nos dias atuais, ostentando riqueza construída sobre uma base fraudulenta de desconhecidos conchavos, cujas consequência, resultam invariavelmente no aumento desmedido dos gastos da nação, transferindo recursos que deveriam ser aplicados na educação ou saúde, para contas particulares no exterior, ou patrimônios disfarçados sob as mais diversas formas. Não haveria o tráfico de drogas se não existisse  um irresponsável usuário, portanto, a questão da insegurança em que vive a sociedade não é apenas um problema do governo, mas, também da própria sociedade que produz o caos. As mortes e acidentes no trânsito não ocorrem só por estradas  mal conservadas ou perigosas, mas também porque jovens e adultos dirigem sob efeito do álcool. E assim por diante. Na maior parte do tempo, somos bons para criticar, mas nem sempre queremos nos olhar no espelho para observar nossas ações.

É emocionante, belo, e patriótico lotar avenidas erguendo bandeiras e mostrando nosso protesto através de caras pintadas, com faixas bradando por ética, mas hoje eu acordei me questionando se individualmente, estamos fazendo a nossa parte, ou se não estaríamos agindo com a mesma hipocrisia daqueles a quem criticamos. É recomendável que tomemos consciência de que quando subornamos um funcionário público, ou exploramos de forma desonesta um empregado, ou ainda, falseamos informações, para um estranho ou amigo, estamos na verdade agindo com os mesmos valores desses maus representantes que acusamos. Em todos esses casos, estaremos agindo como 'enganadores', alicerçando nosso comportamento na mentira; sem moral, portanto, para criticar.  "Só quando me despojo de toda hipocrisia descubro o meu verdadeiro eu. Cada vez que acuso o mundo por minhas angústias mais me distancio da verdade que liberta", sussurra meu mentor virtual.

Como posso exigir dos meus filhos uma postura 'assim ou assada' se com a minha ausência ou omissão não fui ou não sou capaz de dar o exemplo que edifica? Com que argumento pode um governante punir sua gente, ou seus empresários, taxando-os como sonegadores de impostos se usa esses recursos da nação para financiar seu próprio partido a fim de garantir-se indefinidamente no poder, ou bancar de forma indireta seus gastos pessoais? De que ética está falando o patrão sonegador quando repreende ou até mesmo despede seu empregado ou colaborador, acusando-o de desonesto por utilizar parte do seu tempo navegando na internet? Com que moral pode impor-se o marido sobre sua mulher, ou arguir sobre determinados comportamentos se sua própria vida é um exemplo de desrespeito, de mentira e de promiscuidade? A resposta para todos esses questionamentos vem em uma única palavra: Hipocrisia. E na hipocrisia não reside a coerência que emana da força e transparência da verdade.

Cada ser humano carrega seus próprios paradigmas. A beleza do universo não está na complexidade, mas em sua diversidade. Compreender e aceitar essas diferenças é o que torna o homem um sábio. Portanto, não há que se falar sobre o certo ou o errado. Por outro lado, não há como se cobrar ética se ela não começar por nós mesmos. Como diz 'o mentor virtual', "Nossa história é formada por decisões inspiradas em cada pequeno detalhe do caminho. Não há erros nem acertos, apenas escolhas possíveis, porque viver é uma ópera ao vivo e sem ensaios, diante de múltiplas possibilidades. Em meio ao caos vamos alinhavando o nosso destino". Viajamos a maior parte do tempo no campo da subjetividade, envolvidos por uma irresistível força gravitacional, sem noção de consequências, impelidos pelo espectro emocional contido nas atitudes da massa que nos cerca. Atuamos, sem perceber, sob efeito de um 'inconsciente coletivo' que nos arrasta, tal imprevisíveis enxurradas, a repetir chavões, desprovidos da força do querer que impulsiona efetivamente a mudança. Somos capazes sim de produzir verdadeiras revoluções, mas para isso, precisaríamos iniciá-las dentro de nós mesmos. Sem isso, toda encenação não passará de um ridículo 'mise-en-scène'; mera teatralidade, onde máscaras encobrem o caráter ambíguo de dúbios propósitos momentâneos. Verdades e mentiras, sobre a mesma paisagem, vistas sob distintas visões, a se mesclar num torvelinho de efêmeras emoções, que se dissipam diante da mais leve brisa, por não estarem embasadas em algo coerente, consciente e verdadeiro. Como nos ensina o grande psicólogo Carl Jung, (1875-1961), "A verdadeira ampliação da personalidade é a conscientização de um alargamento que emana de fontes internas". Em outras palavras, se não vem de dentro de forma autêntica, não se mantém.


Por tudo isso, creio que vale a pena refletirmos sobre nossa postura diante dessa onda de moralismo que nos assola. A guerra entre o bem e o mal é uma batalha de conceitos, que depende essencialmente do estado de espírito de cada um em seu processo evolutivo. Algo que para uns é extremamente errado, poderá ser o certo para outro. Nossas posições também podem mudar com o tempo. Uma postura ou comportamento assumido no passado como correto, poderá tornar-se alvo de nossas própria auto crítica ou censura no presente. Afinal, “O ser humano é livre por natureza. Por ter consciência de si mesmo, goza de plena liberdade, e por suas escolhas é responsável. O destino é apenas um imaginário ponto de referência, porque nada no universo tem caráter definitivo”. É imprescindível, porém, que tenhamos noção do preço a pagar por cada uma dessas escolhas. Muito do que desejamos, não são sonhos da alma, são futilidades. São ambições de uma mente, ávida por segurança, poder, ou satisfação dos instintos do corpo que a transporta. E nessa ânsia por satisfazer desejos, nos corrompemos de forma lamentável, e nos tornamos capazes de qualquer coisa como roubar, mentir, falsear, e até matar se necessário for; mesmo que a revelia de nossos princípios e crenças. Uma ópera fúnebre onde o moribundo seremos nós, por estarmos na verdade, matando nossos sonhos mais profundos.

Ainda que eu possa parecer um tolo e sonhador, quero finalizar esta reflexão dizendo o quanto sou a favor de uma revolução sem precedentes, na ética, sim; com bandeiras e caras pintadas carregando faixas de protestos; mas quero sugerir, que antes, essa transformação comece dentro de nós mesmos. Que sejamos a cada momento, de maneira firme e corajosa, conscientes e fortes para lutar pelo que acreditamos; mas que a nossa vida, por meio de palavras e gestos reflita sempre, de maneira coerente, a essência daquilo que somos...


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 *Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte. 

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país. 


4 comentários:

  1. Boa Noite Mauricio, seu texto caiu como uma luva para mim penso tb assim, que nunca sabemos tudo estamos aqui aprendendo; e realmente a ética moral e civilidade inicia com cada um de nós deixando e iniciado em nossa casa deixando de ser espertos e sermos inteligentes, é a nossa melhor riqueza e onde podemos ver o mundo como ele é mesmo. O ser humano deve esquecer de levar vantagem em tudo,que isto só ele perde obrigada sempre por compartilhar conosco uma excelente semana bjs

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  2. Comentário enviado por Simone Furlaneto, através do Facebook:

    Bom dia! Maurício, que postagem linda! Se eu fosse resumir o que você escreveu, eu diria que, a mentira esta dentro de cada ser humano que não é autentico consigo, posteriormente suas atitudes "tão simples e inofensivas" favorecem o mundo da hipocrisia, e depois ainda enchem o peito e definem seres de sua própria espécie de corruptos, mentirosos, perigo iminente esse mesmo cidadão no poder exercido pelos corrupto que ele definiu, pois são hipócritas e corruptos na proporção que seu mísero "poder" lhe permite, caso contrário seriam esses na ação dos quais se sentiram no direito de julga-los.
    Refletir....
    Grande abraço!
    Simone Furlaneto

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  3. De vez em quando lembro de ler e reler seu Blog... Este artigo eu leio pela primeira vez. Talvez tenha vindo porque meu inconsciente me trouxe. Quem sabe, guiada pela notícia do Prémio Nobel da paz... Mulheres que lutam pelos direitos das que ainda estão presas aos princípios de seus países...E dentro de casa, em países ditos liberais? Pois...se abrirmos os jornais, em Portugal, acontecem diariamente situações de agressões e até criminalidade entre casais. E a faixa etária em que essas situações de crime vêm à tona, são de espantar! Ou não! A leitura que faço é que pela aparência e pelo que a sociedade determina, esses casais foram vivendo numa aparente harmonia! Pois...mas chega um dia em que o verniz estala e as balas...as facadas,os maus tratos são de tal ordem e até os vizinhos se dizem espantados! E assim vamos vivendo...Até para viver temos de ser corajosos. Não é fácil! mas é BOM ser capaz de aproveitar cada dia, acreditando e sendo o próprio. Parece que o que digo, nada tem a ver com o tema do seu artigo. Mas a Corrupção...a Hipocrisia...a Futilidade...pode ser connosco e com a nossas VIDAS... Um ABRAÇO, meu querido Mentor Virtual... As suas PALAVRAS estão sempre presentes e são uma leitura imprescindível, em cada dia...em cada momento em que tudo parece difícil...Mas ELAS fazem sempre sentido dentro de mim...Obrigada, Maurício...

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  4. E,vc tem toda razao,nao sao so os politicos que devemos culpar pela corrupcao.Infelizmente ela esta enraizada na cultura de muitos paises.O famoso jeitinho,o molhar a mao,e permitido e isso e corrupcao tambem existe entre muitos da sociedade em que vivemos.Tem que haver uma consciencia em cada um primeiro e assim o movimento contra os governantes se tornaria mais forte.Ja ouvi uma frase ha anos atras que dizia :A corrupcao e como um cancer que destroi a nacao.

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