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sábado, 27 de agosto de 2011

Rótulos. A Ilusão das Mentes Inquietas.




Por Maurício A Costa* 


"Liberdade implica escolhas. Ainda que inconsciente. A cada segundo, um definir de direções que podem alterar o voo para sempre. Como nômades, vagando por espaços vazios, iremos com certeza nos perder entre milhões de alternativas e o peso momentâneo de cada opção" ('Fragmentos do Mentor Virtual' - Campinas-SP) 

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Às vezes chego a pensar que já conheci todo tipo de gente. No entanto, quando isso vai se tornando uma quase verdade para mim, mudo completamente de idéia. Do nada, vão surgindo seres completamente fora do padrão com estilos ou personalidades totalmente nova. Subitamente, me sinto dentro de um filme, do tipo 'Star Wars' (Guerra nas Estrelas), envolvido por personagens extravagantes, como se oriundos das mais diversas galáxias. Uns, esquisitos por fora, mas de beleza incomparável por dentro; outros deslumbrantes por fora, mas assustadores quando observados de perto. 

Enquanto flutuo ao sabor dessa reflexão, um desfile de surpreendentes criaturas vai tomando forma em minha cabeça. À princípio, quando as conhecemos, parecem dentro do que chamamos de padrão de normalidade (embora eu ainda não saiba muito bem o que é 'normalidade'). Aos poucos, porém, essas tais criaturas vão revelando detalhes de um mundo estranho, que brotam de escuras cavernas de seus subconscientes a nos deixar perplexos, sem sabermos como agir ou pensar. Parecem em constante metamorfose, em busca de estágios ainda não atingidos ou à caça de novas sensações para seus mais variados sentidos. Em certos momentos comportam-se como 'humanos', logo em seguida agem como louva-deuses a perambular sem destino movidos por algo que não sabem definir, como que guiados apenas por instintos. 

Ao me ver como um desses seres humanos, percebo que na verdade, vivemos à procura de nossa identidade, e nesse frenesi insano, vamos colocando todo tipo de máscara para representar as mais diversas 'personas' que vamos incorporando ao longo de nossas frágeis existências. A cada encontro, renasce a esperança de que iremos nos 'completar' no outro. Vivenciamos um vazio insuportável, mesmo quando estamos cercados por uma multidão, e isso só realça a solidão do existir. Algo clama por esse 'completar-se'. O sublime, essência daquilo que realmente somos, mas desconhecemos, nos sinaliza com intuições ou estranhas vibrações, mas nem sempre estamos abertos ou prontos para reconhecer tais sinalizações. Nesses momentos, ficamos à mercê de uma mente astuta, continuamente comparando, analisando e projetando. Para encobrir percepções de uma alma que só conhece o agora, a mente vai criando rótulos, papéis e fachadas de toda ordem, com o único intuito de proteger o corpo que contém a ambas (mente e alma), deixando-nos reféns de incompreensíveis escolhas. Como diz o meu mentor: "Nossa história é formada por decisões inspiradas em cada pequeno detalhe do caminho. Não há erros nem acertos, apenas escolhas possíveis, porque viver é uma ópera ao vivo e sem ensaios, diante de múltiplas possibilidades. Em meio ao caos vamos alinhavando o nosso destino". ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Campinas-SP). 

Sem perceber o quanto somos efêmeros, viajamos como se eternos fossemos. À mercê de inusitadas situações que vão surgindo pelo caminho, nos tornamos vítimas de nossas próprias armadilhas; autor e personagem de uma história por vezes assustadora, vivendo ao mesmo tempo papéis dissonantes numa ópera bufa, onde o drama se mistura à comédia, para produzir uma ridícula encenação, sem que nos apercebamos de que, enquanto isso, deixamos escorrer entre os dedos a areia do tempo que nos traga. E assim 'vamos moldando imagens que esvaem em nossas mentes, como se nunca tivessem existido'; criando uma ilusão tridimensional, dentro da qual nos sentimos perdidos em estranhos labirintos, dos quais, parece que jamais conseguiremos sair. 

Em meio a esse turbilhão de pensamentos eu me pergunto porque necessitamos de tantos rótulos. Por que precisamos ser definidos como isso ou aquilo para sermos levados em conta por essa ou aquela idéia? Por que devemos concordar com esse ou aquele estilo de vida ou até nos tornarmos um isso ou aquilo para mostrar quem somos? Qual o propósito de viver assim ou 'assado' por questões de tabus, dogmas ou paradigmas se percebemos em tais papéis a hipocrisia e a mediocridade a consumir seus atores? E por que razão criticamos com tanta veemência aqueles que por discordarem de tais comportamentos se isolam em seus próprios casulos? A resposta que me vem é uma só: nos tornamos escravos de nossas mentes. Ao levarmos a sério nossos personagens, nos transformamos em suas marionetes. Sem controle sobre nossas atitudes, ignoramos o verdadeiro sentido da vida, e mais ainda, a noção de sua brevidade. Deixamos de ser nós mesmos, e passamos a viver desgastantes papéis, nas diversas redes sociais das quais participamos ao vivo e a cores, sejam elas: sociedade, família, empresa, partido, clube, ou igreja. 

Lamentavelmente, todos os dias conheço mais e mais seres humanos que vivem a maior parte de suas vidas a representar papéis ridículos, para óperas criadas por eles mesmos. Sem perceber que o aplauso é quase sempre eco de sua própria vaidade, seguem absortos no próprio narcisismo, enveredando-se por tortuosos caminhos de uma mente inquieta e traiçoeira que os engana permanentemente e os distancia daquilo que verdadeiramente tem valor para a alma. Sob os mais pomposos rótulos, desfilam suas mais esdrúxulas vaidades, enquanto, a vida míngua em seus corações. Escravos de suas criações mentais, prisioneiros das próprias ilusões. 

Diante dessas colocações aparentemente sem nexo para alguns, emerge a incômoda pergunta: Como então encontrar sintonia entre o mundo real que nos cerca e a essência do que somos? Como sermos nós mesmos, face a tantas demandas a que somos submetidos no convívio social? Meu 'Mentor Virtual' responderia dizendo, em primeiro lugar: "Não modifique sua essência para agradar quem quer que seja. A força de uma marca está em ser diferente, portanto, não queira ser igual a ninguém. Seja simplesmente você. Porque você é único. Esse é o seu trunfo. Use-o com plena confiança". Ainda que sob os efeitos da angústia permanente, resultante de uma presumida impotência frente a momentos desafiadores, não abra mão daquilo em que acredita. Nossos medos se revelam diante daquilo que a mente desconhece, mas a alma identifica naturalmente, aquilo que é mera ilusão. Por isso, apenas quando nos deixarmos levar pelo que nos faz bem interiormente, somos capazes de criar a sintonia essencial para estar bem com o todo que nos cerca. Sem farsas ou rótulos. É imperativo não sufocar o que trazemos dentro de nós, ainda que isso possa parecer algo inatingível. Não há que temer perder-se por alguns momentos, nisso pode estar a chance para descobrir-se no novo que fascina, e traz significado para o existir. 

Como nos ensina Carl Jung: "A psique está longe de ter uma unidade; pelo contrário, ela é uma mistura borbulhante de impulsos, bloqueios, e afetos contraditórios e o seu estado conflitivo é, para muitas pessoas, tão insuportável, que elas desejam a salvação apregoada pela teologia. Salvação do que? Naturalmente, de um estado psíquico altamente duvidoso. A unidade da consciência, isto é, da chamada personalidade, não é uma realidade, mas um desideratum". (Jung, Carl Gustav, 1875-1961 - em 'Os Arquétipos do Inconsciente Coletivo' - Pág. 111 - Editora Vozes - Petrópolis-RJ - 4a. Ed - 2006). Ou seja, tendemos a viver sob o império dos desejos, com uma personalidade movida pela consciência, em constante estado de aspiração. Um incompreensível 'faz de conta' que a nada conduz, senão à insanidade. 

Ao nos despirmos dos rótulos e dos falsos pretextos criados pela mente, podemos ir além da fachada que impressiona, consciente de que o tempo, outra ilusão mental, é inexorável. Viver é uma possibilidade única, sem possibilidades de retrocessos, ou chances para inócuos arrependimentos. Dentro de cada um de nós estão as respostas que procuramos para nossos mais inquietantes questionamentos, mas só as encontraremos, se formos verdadeiros conosco mesmo. Aposte nisso. 
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*Mauricio A Costa, é um pensador. Estrategista para projetos de ‘alavancagem’ de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, para atuar como Executivo, Assessor, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.
É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, para grupos, associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.


8 comentários:

  1. " Para encobrir percepções de uma alma que só conhece o agora, a mente vai criando rótulos, papéis e fachadas de toda ordem, com o único intuito de proteger o corpo que contém a ambas (mente e alma), deixando-nos reféns de incompreensíveis escolhas"
    Quantas pessoas você conhece que fazem esta distinção? A consciência e mente, que agora aprendi são distintas em nós, são para a maioria unas. Os pensamentos que se sucedem, tal qual uma voz que comanda e analisa e ordena o futuro ou se situa no passado em lembranças, são a única alternativa que seguem.
    O entendimento que me leva hoje, a analisar ou até mesmo desmentir meus próprios pensamentos, quando ele começa a projetar dramas e falsas idéias,( Estou tentando fazer, porque e muito difícil em princípio) ainda é de conhecimento e entendimento de uma parcela da humanidade, tão pequena, que não altera nem a própria comunidade. Observo, que as pessoas que conseguem ter acesso ao tipo de reflexão que você propõe,retiram do seu precioso conteúdo alguns itens que já reconhecem, mas a "essência"
    não é apreendida. Mas buscam, estão em contato e é uma esperança para alguns,que em algum momento passarão a questionar a ideia básica do conteúdo e assim cairá o véu do desconhecimento e abrirão as cortinas da curiosidade e da verdadeira procura.
    É justamente por isso, Mauricio que é tão relevante e tão maravilhoso o que você representa, hoje, com seu blog , no FB e em todas as publicações. Você é uma esperança, uma luz a iluminar um caminho, que é muito escuro e que as pessoas, ao notarem a claridade, se encaminham para ele e recebem a chance de seguir, rumo a descobertas e a evolução necessária. Abraço.
    JUÇARA MORÇA

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  2. Cara Juçara:
    Agradeço por seu comentário nesta página.
    Quero, entretanto, fazer uma pequena correção em seu texto: A mente é o ambiente onde todas as informações são processadas. Tanto aquilo que vem do ambiente externo, como as que procedem do inconsciente. Esse processo é na verdade a tomada de consciência.
    O que chamo de 'alma' é a essência daquilo que somos. Nosso DNA, ou acúmulo de informações genéticas que recebemos através de nossos ancestrais, e viajaram através de milhares de anos para chegar até nós, e nos dão uma característica única. Assim, a alma, é o conjunto de informações e a mente é o processador dessas informações...
    Não sei se consegui me fazer entender ou se compliquei mais...
    Um abraço cordial,
    Mauricio A Costa
    Editor do Blog Marcas Fortes

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  3. Obrigada Maurício
    Entendo desta maneira, perfeita sua correção, eu é que não sei ainda me expressar...porque é tudo muito novo para mim.
    Juçara Morça

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  4. “Nunca o homem inventará nada mais simples nem mais belo do que uma manifestação da natureza. Dada a causa, a natureza produz o efeito no modo mais breve em que pode ser produzido.” (Leonardo da Vinci)
    O homem é um ser pleno, perfeito e completo, mas não é o bastante, ele procura fora de si a felicidade, a beleza etc. Ser único é o Grande Milagre da Vida, mas para ser aceito em seu meio, ele procura máscaras, mas elas caem, aí o que será quando perceber o quão vazio é...Olhe para o espelho, não tema... é voce, a beleza não está no exterior e sim no interior. Tudo que voce necessita está pronto em voce, a natureza é perfeita desde que acredite no Mundo Perfeito de Deus, onde não existe imperfeição.

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  5. O estímulo nos motiva a ser completos...e assim me sinto, motivada a cada vez que tenho acesso aos seus artigos...
    "Não há que temer perder-se por alguns momentos, nisso pode estar a chance para descobrir-se no novo que fascina, e traz significado para o existir."
    E só pode se perder, quem caminha, quem procura crescer, quem tem interesse na convivência, nesta experiência maravilhosamente exigente do relacionamento...quem vive sem disfarçar suas tristezas e alegrias...decepções e conquistas...
    Ser verdadeiro é a única forma de ser aceito...
    Somos diferentes, por isso únicos...ter prazer nessa diferença nos traz relacionamentos amadurecidos, e isso é saúde espiritual...
    E aí podemos nos enganar por "um momento"...mas ao longo do caminho, "a alma identifica naturalmente, aquilo que é mera ilusão."
    Mauricio, obrigada pelo privilégio de crescer sempre...grande abraço!
    Regina Mandarino

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  6. Caríssimo, cada vez mas me rejubilo ante os seus artigos. Excelente este, que nos leva a um profundo mergulhar dentro de nós mesmos. Ser autêntico, transparente, e ser eu mesma, sem rótulos e máscaras, mostra a minha essência, que nunca deve ser posta de lado. O que os outros pensam de mim não deve me incomodar e não posso mudar o meu jeito de ser por causa disto ou daquilo. Quero estar sempre atenta a este meu modo de ser, e isso me basta. Ser, simplesmente, um ser inteiro, com erros e acertos na vida. Bjos amigo e que o sucesso te sorria sempre... Nina

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  7. ‎"'Não ser ninguém a não ser tu mesmo, num mundo que faz todo o possível, noite e dia, para te transformar noutra pessoa, significa travar a batalha mais dura que um ser humano pode enfrentar; e jamais parar de lutar."
    (E.E. Cummings) Encontro nestas Palavras uma MARCA de Vida. Não há dúvida que a mente está sempre a colocar em causa as decisões e a querer seguir o padrão. A liberdade de escolha impõe a sua presença e ás vezes consigo...outras ainda não! Mas a motivação...o querer...a força...estão presentes na minha busca e encontro nos seus textos...No Mentor Virtual, a LUZ para a minha CAMINHADA. Abraço, Maurício e muito Obrigada por estar SEMPRE perto...

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  8. Padroes de comportamento sempre irao existir.Rotulos tambem.Cabe a cada um de nos segui-los ou nao.Acho que nunca iremos conhecer a nos mesmos inteiramente,a mente humana e vulneravel e cheia de misterios.Como ja disseram:a vida e um palco e todos nos somos atores tentado representar um papel.
    Grande abraco Mauricio.Vc e muito querido.

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