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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Viver. A Grande Viagem






Por Maurício A Costa*


"Ilusões... Cenários de uma ópera que vai sendo construída, com fantasias de um mundo imaginário. Verdades e mentiras que se fundem numa história sem roteiros definidos ou finais previsíveis, onde a vida emerge exuberante, sem pudores, a revelar toda sua magia e encanto". - ('O Mentor Virtual II - O Elo Invisível - Campinas-SP - Em gestação).
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Eu estava em um voo entre Amsterdam e Copenhague, em meados de 2010, quando rabisquei a frase acima, que hoje é um fragmento do livro 'O Mentor Virtual II', ainda em fase de gestação. Naqueles dias, minha mente era um torvelinho. Milhões de ideias fluindo simultaneamente, em paralelo a um vórtice de emoções inusitadas. Havia recém criado minha página no Facebook, e ainda me sentia atônito com as múltiplas reações que brotavam de maneira espontânea daquele ambiente carregado de energia latente. De repente, era como se houvessem aberto represas de toda ordem, e todos começassem a expor um 'ser' mantido escondido por anos, agora disposto a revelar-se sem véus ou qualquer tipo de subterfúgio. A verdade de todos os desejos reprimidos parecia explodir em palavras e sons que ecoavam em cada rosto, expressão ou mensagem; e foi nesse magnífico ambiente virtual da internet que nasceu a ideia de escrever esse livro.

Por trás de cada olhar, uma história. Por trás de cada história uma vida. Todos, invariavelmente em busca de ampliar horizontes, ou relacionamentos; sedentos por completar-se no outro, ou pelo complemento que o outro pudesse representar para seus planos, pensamentos ou sentimentos. Uma mistura de negócio, aventura e poesia permeando cada gesto ou reação. Uma espécie de feira de ilusões, aberta e sem censuras; acontecendo de maneira natural, e ao mesmo tempo assustadora. Sem dúvida, uma tomada de consciência coletiva, onde a internet propiciava múltiplas oportunidades de descobrir e ser descoberto, até então reprimidas.

Como ensina Freud, "Estar consciente é, em primeiro lugar, um termo puramente descritivo, que repousa na percepção do caráter mais imediato e certo. A experiência demonstra que um elemento psíquico (uma ideia por exemplo) não é, via de regra, 'consciente' por um período de tempo prolongado. Pelo contrário, um estado de consciência é, caracteristicamente, muito transitório; uma ideia que é consciente agora não o é mais um momento depois, embora assim possa tornar-se novamente, em certas condições que são facilmente ocasionadas. No intervalo, a ideia foi... Não sabemos o que. Podemos dizer que esteve latente, e, por isso, queremos dizer que era capaz de tornar-se consciente a qualquer momento" (Freud, Sigmund, 1856-1939 - Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud - Volume XIX - Pág. 28 - Imago Editora - Rio de Janeiro-RJ - 2006).

A consciência é por assim dizer, um momento. Um estado temporário de espírito a refletir desejos, ou ideias latentes do subconsciente, sobre o qual não temos autonomia. Como ensina o insuperável Rubem Alves em 'Variações Sobre o Prazer': "O inconsciente é lugar onde mora a sabedoria... Nas profundezas das águas, tudo é silêncio".

A psicologia tem se encarregado de pesquisar as escuras cavernas do inconsciente para tentar compreender todo universo reprimido que cada um de nós carrega em seu mundo pessoal, mas esbarra quase sempre na visível ambiguidade, própria do ser humano, em decorrência dos diferentes caminhos que percorre a alma até revelar-se numa personalidade qualquer. Somos únicos, nesse emaranhado de possibilidades genéticas e isso faz com que apresentemos características tão diferenciadas um dos outros; por essa razão, nos desesperamos por encontrar algo, ou alguém que corresponda aos nossos anseios

James D Watson, biólogo norte-americano; Prêmio Nobel de Medicina e precursor do programa de sequenciamento do genoma humano, apesar de todo conhecimento que esbanja, no final de sua obra, 'DNA - O Segredo da Vida', desabafa: "há um longo caminho a percorrer em nossa jornada até o pleno entendimento de como o DNA atua. No estudo da consciência humana, por exemplo, nosso conhecimento é rudimentar a ponto de alguns elementos do vitalismo ainda persistirem". Uma significativa constatação de que, mesmo com todo avanço da ciência, nossas características individuais ainda são uma incógnita. Podemos mapear a vida humana, mas jamais mapearemos sua alma. A alma é indevassável, eterna, sagrada.

Retomando o tema deste artigo, quero sugerir uma rápida reflexão sobre a complexidade dos nossos comportamentos, nem sempre compreensíveis ao outro, e às vezes, nem para nós mesmos. Nos surpreendemos em alguns momentos com nossas atitudes, e em outras ocasiões pela falta delas. Tentamos nos entender, e não chegamos a conclusão alguma. Sobra apenas uma angústia existencial profunda, onde explodem inúmeras questões sem respostas a nos deixar perplexos, sem que compreendamos exatamente o que somos, o que queremos ou para onde estamos indo. Nesse contexto, flutuamos ao sabor das marés, permitindo que determinadas situações, provocadas por comportamentos alheios definam nosso destino. Aparentando uma suposta liberdade de expressão ou pensamento, nos flagramos na verdade, vulneráveis à vontade, ao desejo, ou direcionamento de terceiros. Com o argumento de agirmos sob a influência de nossas emoções, atuamos sem perceber, sob o disfarçado comando de eventuais posturas camufladas de  intenções que desconhecemos, e que podem nos tornar vítimas ou algozes de outros, à mercê de inusitadas situações.

Neste sentido, o excesso de liberdade assusta. A internet pode se tornar para muitos uma armadilha perigosa, a por em risco a própria integridade emocional. Ao  nos deixarmos conduzir de forma emocional por uma imagem, uma canção, ou uma mensagem aparentemente inofensiva, podemos estar abrindo flancos de nossa individualidade de maneira irreversível, e possivelmente desgastante. Para contornar isso, é recomendável que, a tomada de consciência do nosso 'ser' reprimido em busca de complemento, aventura ou liberdade deva vir acompanhada de outro tipo de 'conscientização', a de que lidamos com criaturas completamente desconhecidas, por isso, precisamos atuar com cautela, e ao mesmo tempo, com respeito pelo outro, pois não sabemos como seremos interpretados. Pior ainda, não temos noção do que poderá ser deflagrado por conta de distorcidos comentários, em um meio onde a comunicação prolifera sem qualquer controle ou responsabilidade. As decepções podem ser cruéis, a transformar doces expectativas, em frustrações imperdoáveis.

Em nossa ânsia por viver, podemos estar colocando em risco o que temos de mais sagrado: a nossa alma. Ao expô-la sem critérios, e abri-la de forma apaixonada, poderemos nos tornar reféns de nossa própria ingenuidade, e nos ferirmos de maneira indesejada. Viver é uma grande viagem, sem mapas,  sem previsões, e quase sempre sem destino certo. Por isso, é recomendável que em certos momentos, ao menos tomemos consciência de nossa rota. Como alerta nosso 'mentor virtual': “Os conflitos íntimos que nos assolam, são provocados pela imensa disparidade entre o incompreensível mundo real à nossa volta e a ingênua percepção abstrata que a alma carrega, por tudo que ela vivenciou ao longo de milhões de anos, através de nossos ancestrais. O estimulante desafio de viver consiste em encontrar pontos de contato entre esses dois mundos”. (‘O Mentor Virtual II – O Elo Invisível' – Campinas-SP).

Em minhas atividades paralelas, como escritor, palestrante ou mentoring nas mídias sociais, empenho-me na tarefa de procurar transformar turbulências emocionais em oportunidades de reflexão, apoiando cada ser humano que cruzar o meu caminho, no intuito de despertar valores latentes, ajudá-lo a retomar o controle sobre si mesmo, e a escrever sua própria história. Em alguns momentos, entretanto, confesso que aprendo mais do que transmito com essas magníficas criaturas virtuais. Recebo muito mais do que dou. Com o passar do tempo, percebo cada um dos personagens que passam por mim ganhando vida, e se transformando em algo real; enquanto o autor, perdido em um voo qualquer entre milhões de estrelas, vai lentamente se tornando algo virtual. 
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Maurício A Costa é um obcecado por resultados, gerado pelo pensamento estratégico, focado em gente, inovação, e criação de valor agregado. Executivo com experiência internacional em empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica); está disponível para participar da construção de marcas fortes, em organizações sérias, interessadas na identificação de novas oportunidades, na superação de desafios, e na melhoraria de resultados e rentabilidade. No plano pessoal, é o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país, e poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Conselheiro' para Empresas, Empreendedores ou Executivos.
Contatos: mauriciocosta@uol.com.br





11 comentários:

  1. Maurício,

    Realmente nossa expressividade pode ser captada por cada um de uma forma. Estamos nos expondo cada vez mais, mas como vc mesmo colocou, estamos sedentos por isso, queremos estar inseridos no sentido de pertencimento. Quando te encontrei aqui neste mundo virtual, encontrei um amigo que compartilha sensações muito próximas as minhas. Isso me deixou grata e conectada em uma corrente da qual outras pessoas compartilham o mesmo querer. Estamos entendendo que o Todo é formado por partes, e nós estamos apenas nos encaixando nelas.
    Quando estamos conscientes, estamos criando um poder comum dividido e expandido nestes elos mais fortes que se formam nas redes. Existem pessoas como você, capazes de trazer a todos nós um pouco mais de reflexão.Estamos cada vez mais próximos neste mundo da imagética, por isso estamos criando nossas asas e nossa maneira de voar e apreciar o que encontramos.
    Não sei se estamos sempre conscientes do que provocamos, passamos ou sentimentos com e para o outro, mas com certeza sempre foi assim, antes ou depois da internet, agora só estamos mais velozes e com portais mais amplos.
    Amei seu texto! Super bj

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  2. Caro Maurício, espetacular o artigo. Realmente, muitas vezes, a nossa ingenuidade nos assusta no que se refere ao mundo virtual. Deixamos tranaparecer a nossa intimidade e o que está dentro do nosso coração e, como vc mesmo explicou, podemos correr "perigo" ao nos expor demais. Devemos estar alertas e conscientes das nossas intenções. Agradeço por nos dar lições magníficas para o nosso crescimento pessoal e espiritual. Um abraço fraterno, Nina

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  3. Voce me lança no ponto em que me questiono todos os dias, e que algumas vezes me fez quase desistir.
    Eu que era avessa a exposição demasiada,me vejo agora brigando comigo, pois sem duvida, não temos controle sobre o "comportamento alheio que define nosso destino,como voce bem disse, a partir do momento que nos deixamos (e queremos, conscientes ou não) cair na rede.Me engano e penso, posso me libertar a qualquer momento,e antes de um dano maior, mas quem me garante isto? A velocidade e a voracidade é assustadora e talvez eu não consiga em tempo. Mas o risco, ah maldito risco que nos vicia. rsrs
    bravo amigo
    beijo

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  4. Precisamos estar sempre unidos, para mostrar ao mundo que ninguém é dono a não ser Deus. Somos hóspedes, estamos no planeta Terra por um período..., então por que não fazer desta estadia um período agradável?. Porque tanta maldade? Faça da vida um renascimento a cada instante. CHEGA de destruição, torturas, mortes..., ninguém está suportando, o medo torna-se constante, com ele o estresse. VAMOS DAR UM BASTA, COLABORANDO COM O PLANETA E SEUS DIVERSOS ECO-SISTEMAS. DIZER NÃO, A TANTA CORRUPÇÃO. FORA A TANTOS OBSTÁCULOS QUE PARECEM IRREMOVÍVEIS.
    ESPERO UM DIA PODER VER A NÉVOA SE DISSIPAR DIANTE DO SOL DA MANHÃ, ESTA DESARMONIA DESAPARECERÁ DIANTE DE UMA LUZ RESPLANDECENTE. O HOMEM CONSEGUIRÁ ENTENDER O QUE É VIVER EM HARMONIA COM A MÃE TERRA.

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  5. Amei seu texto,vou procurar todos exemplares.Noto amigo,a internet ,nos conecta com todos,mas nao temos as vezes a dimensão do estrago que ela pode faz nossas vidas.Uma coisa ela não passa-a EMOÇÃO interior,refletimos.......gostamos nao passa,.Ela é rápida,mas esta afastando nós seres humanos do contato humano,conversa sincera...olho no olho dos amigos-grupos-familias que transmite-união viva e vivida e precensiada por todo grupo ali inserido.Parabéns pelo texto.Tenho amigos....mas não,nao vejo seus olhos!!!! Eles tem olhos...dizem não tenho tempo ELE É MEU AMiGO VIRTUAL<isto existe..????.vai continuar assim cada vez mais veloz?Abraços Graça Sartório

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  6. Parabens pelo seu texto!!!O que noto aqui na net é que simplesmente somos reflexos, ou melhor, refletimos aquilo que somos na nossa vida real...ou seja , somos todos mascarados!!!mascarados sim ,pois não temos a coragem de nos mostrarmos como realmente somos.Mostrar os nossos reais sentimentos,por nós mesmos e por nossos irmãos(amigos, colegas, etc).Quando nos despojamos de nossa casa carnal (nosso corpo fisico) não conseguimos mais nos escondermos ,assim como os nossos sentimentos, de todos aqueles que nos cercam.
    Nós não temos coragem de nos olharmos a frente de um espelho.Pois temos medo do que enxergaremos.Da mesma forma que noss escondemos em nossas mascaras para que os outros não consigam enxergar aquilo que não queremos que eles vejam....tudo isso fruto de nosso orgulho,egoismo e suas derivações.No momento em que conseguirmos olhar para bem dentro de nós mesmos e nos despojarmos de todas as nossas vicios , nós amarmos e nos perdoarmos , conseguiremos ser nós mesmos e conseguiremos enxergar os nossos irmãos de forma totalmente diferente.

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  7. Atrás da telinha fica 'mais fácil' se expor, o medo nao flui e ficamos mais abertos aos outros e a nós mesmos. Uma briga entre o real e o abstrato. Na dúvida, prefiro ouvir o "meu mentor' e junto com amigos do 'mentor virtual' que está numa estrada onde respeita os sentimentos e ajuda a humanidade, isto, chama-se Amor! Muito bom, Abs sinceros!

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  8. Boa Noite Mauricio as nossas vidas estão ficando ou já estão desnudas não apenas com o mundo virtual mas com um todo que estamos vivendo e vivenciando hoje o nada e o tudo ao mesmo tempo me assustam... tenho 58 anos e acho que posso dizer que já vi de um tudo em minha família minha vida e toda cautela neste mundo conturbado penso eu que é muito valioso.
    Eu não ando legal venho ao FB posto curto mas estou sem animo de ler de viajar como disse uma amiga que é médica.
    E mias uma vez quero parabeniza-lo pelo excelente texto que nos presenteia a cada vez que tomo coragem e leio mas vou passar desta fase se Deus quiser e serei mais assídua e irei dar mais atenção ao seu belo trabalho. O mundo com tanta violência me assusta... nós somos um quebra cabeça que vamos encaixando no mundo virtual as peças!
    Abraços amigo e continue na nos proporcionar ttdo este conteúdo que nos faz guiarmos na vida.

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  9. Como tudo na vida tem o lado positivo e o negativo,a internet tambem.Com o ritmo de vida cada vez mais acelerado onde o tempo se torna tao escasso e as pessoas mais cansadas,a necessidade de adquirir coisas com facilidade e a curto prazo tornou a internet um lobo e a presa facil somos nos.Pois somos vitimas do nosso proprio comodismo.Temos o mundo numa pequena tela e podemos usa-la para todos os fins.E ai que esta o perigo.Se usada como meio para usufruir o que de bom oferece,otimo.So temos a ganhar.Se usada para destruir,corromper,desmoralizar,os meios levarao a terriveis situacoes onde as pessoas que nao estao preparadas e sao iludidas pelas facilidades geralmente tem um tragico fim como varios casos de suicidios,homicidios,roubos,personalidades e egos de muitos jovens danificados para sempre,casamentos destruidos,enfim o lado negativo da internet e bem negro.Muito preocupante para os pais que tem filhos menores adolescentes que nao tem nocao de perigo ainda,tornam-se vitimas fatais em muitos casos.Enfim,devemos estar sempre com o sinal de alerta ligado toda hora que abrir essa telinha.Mauricio,obrigada por seus admiraveis textos,sua atencao,e seu bom coracao.God bless you.

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  10. Querido Maurício,
    Como sempre suas escritas são muito sábias,
    um dia refletindo sobe a escrita, pude definir: "a escrita é o grito da alma".
    Alma de um ser humano que deve cuidar de si na integralidade, para que tenham mente e espirito sadios para se relacinar com cautela.
    Entretanto as arestas da simbologia para o outro sempre será uma incógnita,mas eu creio que o maior testemunho seja o exemplo de vida que o indivíduo mantém, pois sabemos nós que em uma média de 70% do que as pessoas publicam na internet não é verdadeiro, a imagem da máscara nessa sua postagem responde o quanto o ser humano esta desorientado,seu blog é sempre enriquecedor.
    grande abraço.

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  11. sempre paro e penso qdo leio teus artigos, algo deles tem tudo a ver com o meu presente e passado..sobre a escrita..e como alguns a decifram sem nenhum discernimento...sao poucos q conseguem ler com a alma;...parabens amigo...sao de extraordinaria sabedoria e riqueza teus textos..abraços!!

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