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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Resiliência. O Teste de Uma Marca Pessoal





Por Maurício A Costa*

"O grande sucesso não provém do sucesso. Ele provém da adversidade, do fracasso e da frustração, às vezes da catástrofe, e do modo como lidamos com ele e damos a volta por cima". (Sumner Redstone, magnata, presidente do grupo CBS/Viacom/MTV, citado por Paul Gordon Stoltz em: Desafios e Oportunidades - Editora Campus - Rio de Janeiro - 2001).

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Até pouco tempo, países como os Estados Unidos, Itália, França e Alemanha detinham a fama de maiores fabricantes dos melhores produtos do mundo. Tais produtos carregavam reputação internacional e a maior parte das grandes marcas nasceram nesses países. Com o agressivo desenvolvimento econômico da China, esses países começaram a enfrentar sérios problemas competitivos por razões de custo de mão de obra e de subsídios que tornavam os preços de seus produtos cada dia menos atrativos. Embora tivessem consigo um poderoso 'handicap' (vantagem sobre outros competidores): a força de suas marcas, não souberam lidar com a astúcia chinesa, que lentamente foi atraindo para seu país toda tecnologia mundial disponível, e instalando gradualmente enormes fábricas operadas à base de incentivos do governo que tornava aquilo que ali fosse fabricado, dez vezes mais barato que o produzido em outros países.

A inação dos governos desses países desenvolvidos frente à esperteza de seus grandes conglomerados econômicos, ávidos por reduzir custos, visando ampliar lucros, ignorava a crescente transferência das instalações produtivas de seus países para outros de mão de obra mais barata. Aos poucos, porém, foram minando o poder aquisitivo de seus potenciais consumidores, em decorrência do aumento do desemprego para a grande massa de assalariados que ainda é maioria em qualquer parte do mundo, seja ela oriental ou ocidental. Por conta disso, nos últimos cinco anos, há uma desaceleração econômica mundial, visível especialmente na Europa e Estados Unidos, causada pela significativa perda de renda da classe média. Há produtos importados em demasia; muitos, oferecidos com apelo de marcas fortes, mas que lamentavelmente não são consumidos por sua gente; são comprados em sua maioria por turistas empolgados que carregam em suas malas todo tipo de bugiganga, como verdadeiros troféus para serem exibidos em seus países de origem, sob a alegação de portarem marcas famosas; mesmo que nada tenham de original em relação ao país onde realizam a compra. Os óculos 'italianos' nada tem mais de italiano, senão a marca; o sobretudo 'inglês' é produzido no Vietnam, a grife francesa é fabricada por chineses, e o equipamento eletrônico de última geração é feito em Taiwan. Por conta do conceito de valor agregado, a decisão de compra vai se distanciando de valores como durabilidade, intrínseca ao padrão de qualidade do passado, para se concentrar cada vez mais em valores intangíveis como status, visibilidade ou praticidade. Em paralelo, a velocidade das mudanças vai gerando uma loucura consumista sem precedentes.

Em meio a esse ambiente de decadência industrial, atuei recentemente como coach do ex-presidente de uma grande empresa européia, famosa até alguns anos atrás. A gradual perda de controle da situação fez desse executivo um homem deprimido, irritadiço e cabisbaixo. Era visível seu desânimo e falta de auto estima. Afinal, a empresa, fundada por seus ancestrais, havia sido por longos anos, um respeitável empreendimento em seu país, e agora,  naufragava junto com centenas de colaboradores, em decorrência da perda de mercados tradicionais, por absoluta falta de competitividade. Uma lenta morte empresarial, que embora  previsível, vinha afetando acima de tudo sua estrutura emocional.

Meu esforço com esse executivo concentrou-se em restabelecer a confiança em si mesmo, muito mais do que na análise de alternativas estratégicas para redirecionar seu empreendedorismo e capital a novos negócios. E é neste ponto, que eu quero chamar a atenção do leitor para uma expressão em voga nos dias atuais, mas subestimada por muitos: Resiliência. Essa palavra caracteriza a propriedade que tem alguns corpos de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação temporária; ou resumindo: a capacidade de adaptação a mudanças drásticas. Jogo de cintura. Elasticidade.

Vivemos uma era de mudanças gigantescas. Não pela mudança em si, mas por conta da velocidade com que ela se processa, deixando a muitos com uma sensação de incompetência. Pior, uma falsa idéia de impotência diante da alteração ininterrupta de fatos externos, que se modificam numa escala quase caótica, a exigir multiplicidade de conhecimentos, extremo equilíbrio emocional, capacidade para administrar conflitos interpessoais, e de atuação no limite da ética (ou às vezes fora dela), para sobreviver em meio à turbulência. Enquanto no passado o planejamento previa cinco anos à frente, nos dias atuais há dúvidas quanto aos próximos cinco meses. Um ambiente estressante que pode alterar significativamente cenários em um simples final de semana. Não importa aqui se trata-se do executivo de uma grande multinacional, ou de um simples empreendedor. Todos estarão inevitavelmente submetidos ao mesmo desgaste. Ao estresse que exige resiliência; capacidade de adaptar-se rapidamente aos movimentos bruscos antecedidos por momentos cruciais de ansiedade.

O resultado de tudo isso é que estamos diante de um tempo que exige do administrador uma enorme competência emocional para atuar sob pressão. Não há muito tempo para pensar. Muitas decisões se tornam obsoletas em frações de minutos, e a angústia gerada por essas situações pode ter consequências lastimáveis do ponto de vista profissional e pessoal. Um grande empreendedor pode se tornar de uma hora para outra, um astronauta perdido entre galáxias, a navegar sem bússola na noite das indecisões e do medo. Quando não se tem respostas imediatas para todos os questionamentos, perde-se o senso de direção e essa é a pior de todas as sensações para aquele que dirige.

Exercitar a resiliência tornou-se o maior de todos os desafios do ser humano no século atual; significa aprender a conviver com as diferenças e a diversidade; compreender os próprios limites para não ir além de suas competências físicas, mentais e emocionais, e para o líder, executivo ou empreendedor, cercar-se de uma equipe confiável para delegar, substituindo a enrolação e o despreparo pela habilidade multidisciplinar, imprescindível em vôos de altíssima velocidade.

As empresas que sobreviverão no futuro serão aquelas que investirem no capital humano, conscientes de que não basta a capacitação técnica. É imperativo que suas equipes estejam preparadas para atuar sob estresse constante, e para tanto, necessitam de enorme poder refratário, imensa elasticidade emocional, e uma perfeita noção de complementaridade com o mundo exterior que lhes permitam sentir-se o tempo inteiro em sintonia ou sincronismo com o ambiente que lhe cerca, para voar tal qual gaivotas, serenas, entre a imensidão de um céu sem limites e os perigos de um imenso oceano desconhecido, e quase sempre turbulento. 

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*Maurício A Costa é Estrategista. Diretor da SUPPORT BRANDS, empresa de Estudos e Projetos para Alavancagem de Receitas e Rentabilidade, com foco no Pensamento Estratégico, Análise de Valor Agregado, Gestão e Licenciamento de Marcas.

É o autor do livro O MENTOR VIRTUAL, e está disponível sob consulta para palestras, seminários e workshop em Empresas, Universidades e Associações para falar sobre temas ligados à construção da marca pessoal.

7 comentários:

  1. Boa noite, Maurício. Infelizmente não posso te adicionar, mas gostaria de ser sua amiga e conversar mais sobre o tema. O engraçado é que ouvi essa palavra pela primeira vez ontem, numa página que faço parte. Possuo também a minha página, chamada "Filhas do Silêncio" e o assunto de debate foi resiliência. Fui procurar o sentido no google e fiquei emocionada com o que li, pois tenho um segundo perfil sob pseudônimo, e a minha comunidade visa ajudar pessoas mais velhas que sofreram abuso sexual e precisaram ficar caladas. Fiquei emocionada, pois foi postado o vídeo (eu já conhecia a história) do Prof. Roberto. E eu, com toda a minha baixa estima e fobia social, me senti uma vencedora...pois fui abusada e estuprada pelo meu pai durante 20 anos, sob fortes ameaças, chantagens e violência emocional e psicológica. E sobrevivi!!! Não me permiti certas coisas, como fuga através das drogas ou um casamento sem amo. Estou casada faz 18 anos, tenho dois filhos e uma união familiar forte. Tenho também dois blogs, um deles de depoimentos e estou escrevendo um livro. Ontem, aos 44 anos, pela primeira vez me senti uma vencedora, me senti capaz...graças a essa palavra mágica. Como você não é meu amigo, não posso compartilhar, mas gostaria muito, principalmente com as pessoas que eu sei que também se sentirão vitoriosas. Obrigada por compartilhar comigo. Um ótimo final de semana. Máshenka.

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  2. Stella Avelinojulho 16, 2011

    Achei este texto fantástico! E concordo que este termo precisa ser cada vez mais compreendido nos ambientes de trabalho, onde se trabalha com e se espera produção de: PESSOAS!
    Obrigada por ser disseminador de sabedoria! através de textos claros e úteis! é uma dádiva!

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  3. Oi Maurício,

    Realmente existem momentos na vida que estar no caos pode ser a oportunidade de se tornar mais forte do que se quer poderia imaginar. A interpretação que damos a cada coisa na vida e como lidamos com o inesperado nos faz crescer incrivelmente. Acredito que para este empresário esta possa ser a melhor oportunidade de conseguir a maior de todas as vitórias. Ganhando ou perdendo, isso não será o principal, mas a resiliência mostrará a capacidade da própria alma para entender o maior valor da vida. O que a humanidade está passando, nossos valores e crenças, todos os nossos conflitos, estão sendo criados para que possamos evoluir nesta compreensão. O valor da vida está sendo manifestado através de nosso sofrimento como forma de conscientização. ACHO QUE AS RESPOSTAS VIRÃO PARA ELE, mas nada poderá ser feito sem que se entenda realmente o verdadeiro valor e a intenção maior para qualquer desafio. Você está super certo de conduzir seu cliente nesta compreensão. Parabéns! Abraço forte!

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  4. O texto é magnífico e nos remete à importância do nosso valor como ser humano. Somos criaturas sensíveis e muitas vezes não compreendidas. Em situações de estresse, somos frágeis e com as nossas emoções à flor da pele. Faz-se necessário convivermos, lutando no dia a dia, aceitando os desafios e as diferenças; ter a consciência dos nossos limites. "exercitar a resilência". Parabéns pelo texto. Nina

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  5. Supimpa!
    Aprendi " na marra" , nos dois últimos anos em especial, que eu possuía e mais do que nunca , que necessito manter a tal resiliência. Não fora ela, meu mundo teria se transformado em um mar revolto, sem chance de navegação. Seu cliente teve a felicidade da tua condução . Parabéns. abs Denise

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  6. Marilene Grablerjulho 19, 2011

    Oi, Maurício. Tudo bem?
    O ferro sofre alteração sob o calor do fogo e derrete.Depois que sofreu, através da resiliência, volta ao seu estado normal e, com certeza, houve um aprendizado.
    É o que acontece conosco.Através da ebulição, metaforicamente sofremos alterações e, ao voltarmos ao estado normal, crescemos, atingimos metas, ultrapassamos limites.Um grande abraço

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  7. Hi Mauricio,ja ouvi essa palavra algumas vezes na tv em programas onde o assunto era a raca negra,os preconceitos pelos quais ja passaram e ainda passam,entao usam dizer que os negros sao resilientes.E concordo plenamente.Quanto ao fator economia,parece ate piada,as vezes conversando com americanos e surge a China,eu digo que o feitico virou contra o feiticeiro.Os americanos querendo economizar na mao de obra pagando uma miseria de salario para os chineses para lucrarem mais nao imaginavam que eles pudessem passar a perna neles.Bom,eles so fazem sorrir bem sem graca.E quanto a resiliencia os daqui vao sofrer muito,alias ja estao sofrendo porque nao estao preparados pra isso.Sempre tiveram com mais facilidade do que outros povos ao redor do mundo e agora estao sendo obrigados a uma mudanca radical.Acabou aquela historia de so os negros que sabem ser resilientes....

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