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sábado, 9 de julho de 2011

Dinheiro: O Deus dos Insanos



Por Maurício A Costa*


"Quando eu aprender que nada sei... e entender o quão pequeno sou, estarei pronto para voar sobre mares turbulentos ou desertas planícies. Só então irei descobrir que todos as minhas inquietudes não passam de quimeras, efêmeras como o vento que me conduz". (Mauricio A Costa, em 'O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Campinas-SP-2011).

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Houve um tempo em minha vida em que o dinheiro regia a maior parte dos meus atos e muitas vezes esteve acima até mesmo dos meus princípios. A ambição, movida pelo firme propósito de me tornar alguém imune às vulnerabilidades causadas pela dependência econômica, faziam de mim um escravo dos desejos, e algoz de mim mesmo. Não havia limites para alcançar o sucesso pessoal. Nenhuma montanha era íngreme o suficiente para deter a férrea vontade de superação, nenhum obstáculo invencível para a concretização do sonho.

Essa determinação fez de mim um ser maquiavélico e arrogante. Em alguns momentos, sem escrúpulos; estado em que a dúvida e a inquietação dominam o espírito. A obsessão por alcançar a meta havia se tornado maior que a consciência de um caráter íntegro, definido por valores éticos ou morais. Neste sentido, a dinâmica da atividade mecanicamente irracional conduzia meus atos. Como nos ensina o polêmico Nietzsche: "A infelicidade dos homens ativos é que sua atividade é quase sempre um pouco irracional. Não se pode perguntar ao banqueiro acumulador de dinheiro, por exemplo, pelo objetivo de sua atividade incessante: ela é irracional. Os homens ativos rolam tal como pedra, conforme a estupidez da mecânica. - Todos os homens se dividem, em todos os tempos e também hoje, em escravos e livres; pois aquele que não tem dois terços do dia para si é escravo, não importa o que seja: estadista, comerciante, funcionário ou erudito". Por muito tempo fui, portanto, um escravo de minhas próprias vaidades.

Ao viajar através do tempo, no entanto, nos auto flagelamos com profundos questionamentos existenciais, carentes de respostas que nos satisfaçam a contento, pois viajamos como nômades, sem noção do próprio tempo. Pressentimos a necessidade de mudanças, mas não sabemos como proceder, embora, por instantes, aqui e acolá vislumbremos poderosos insights que como flashes, iluminam parcialmente a estrada, como o que escutei certa vez do meu 'mentor virtual' em um forte momento de reflexão em Copenhagen: "Nem sempre temos respostas para nossos questionamentos. Às vezes, sequer temos noção de para onde estamos indo. Nos perdemos por caminhos desconhecidos ou espaços vazios que não sabemos como preencher. Não é a liberdade que perdemos nessas horas, apenas o senso de direção; mas é em momentos assim que o improvável acontece e a alma se realiza" (O Mentor Virtual - O Elo Invisível - Campinas-SP - 2011), onde a expressão chave do insight para análise era 'direção'. Uma palavra mágica ignorada por muitos de nós, na maioria das vezes, por conta da incoerência que pauta nossas vidas, especialmente quando 'viajamos' movidos pelo desejo, por instintos ou pela emoção; ignorando que a cada minuto estamos construindo nossa marca pessoal.

'Direção' não deve ser encarada aqui exclusivamente como uma orientação meramente racional. Pelo contrário, eu a vejo como uma espécie de 'feeling' extra sensorial, um sussurro da alma a nos indicar caminhos. É quando nos sentimos perdidos ou com a sensação de abandono, e a angústia parece consumir nossa força, que despertamos toda energia latente para nos sinalizar caminhos alternativos. Nesses momentos, substituímos a angústia produzida pela presunção de impotência frente ao desafio, por ações concretas resultantes de uma postura de tomada de consciência dos valores básicos que carregamos. Não se trata aqui de mera pieguice, o sentimentalismo exacerbado, fruto de arrependimentos atemporais, ou de momentânea hipocrisia; mas de uma atitude que reflete uma nova visão de nós mesmos, e consequentemente, do mundo à nossa volta.

Quando passamos a entender o conceito de felicidade como algo que transcende o 'ter', descobrimos que 'imprescindível' mesmo é a noção da transitoriedade; a consciência da nossa brevidade que nos alerta para o imperativo do 'ser'.  Essa consciência de 'ser' nos abre os olhos para outros valores, e mais que isso, nos permite enxergar que o tempo não é apenas efêmero, mas principalmente irreversível, exigindo portanto, que preenchamos cada minuto com ações que nos conduzam à realização íntima, e não apenas à satisfação de demandas impostas por comportamentos sociais alienados, marcados pela ânsia de poder, de dominação ou de um consumismo sem limites que quase sempre fazem descambar para a futilidade e o vazio.

Ao me defrontar nos dias atuais com seres humanos dominados pelo dinheiro, eu me entristeço por eles, embora os compreenda, por já haver, em algum momento do passado, vivenciado tal comportamento. Os vejo como criaturas acorrentadas aos seus próprios pesadelos, agindo de maneira quase irracional diante de seus amigos ou colaboradores, com atitudes mesquinhas que só refletem egoísmo, cujo preço é o isolamento e a solidão. Transformar o dinheiro em senhor absoluto de nossas vidas nos impõe posturas que refletem explícita ganância, mentira e enganação, e, portanto, nos afastam da sabedoria, que é resultado da integração do nosso 'eu' com o todo do qual somos parte. O equilíbrio da inteligência com a sensibilidade. A perfeita sintonia da alma com a mente.

Não sou apologista do comodismo ou da pobreza como estilo de vida para se alcançar a plenitude do ser. Pelo contrário, busco estimular frequentemente com minhas palavras a ousadia, a coragem e a determinação para aqueles que me escutam, na batalha pela realização pessoal e profissional. Todavia, há uma enorme diferença entre ganância e realização. Entre riqueza e prosperidade. Prosperidade é fruto do trabalho com dedicação, empenho e sabedoria; riqueza é consequência da acumulação desmedida, do saque, da mesquinharia, da enganação; do fazer do outro um trouxa, ou do tratar o colaborador como um idiota, que assim se comporta muitas vezes por falta de opção ou por não dar-se conta de seus reais valores.

Assistimos diariamente, homens públicos ou empresários pagarem preços elevadíssimos por escolhas equivocadas. Como dizia o grande mestre: "Não se pode servir a dois senhores: A Deus e a Mamon". Traduzindo: É impossível atuar com sabedoria quando se age com ganância. O preço da incoerência é o fracasso. O pagamento da enganação é o inferno dentro de si mesmo. Como já foi dito, a maior de todas as batalhas do ser humano, é travada dentro dele mesmo, portanto, é recomendável que tenhamos coragem para lutar contra os inimigos íntimos que carregamos. 'Para alcançar o extraordinário é imperativo ir além de todas as fronteiras do convencional'... "Vivemos numa sociedade que nos leva a sentir culpa quando tentamos assumir as rédeas do nosso destino, mas isso não deve nos intimidar. É decisivo que tenhamos exata noção do poder que dispomos sobre aquilo que nos cerca, em especial sobre nossa capacidade de proceder escolhas", sussurra nosso 'mentor virtual'.

Mudar implica tomada de consciência e determinação para proceder as alterações significativas de rota, sem que percamos nossa identidade e nosso senso de direção, por saber que a cada momento podemos modificar nossas decisões pessoais como  consequência da constante mudança de percepção. Não há nada de extraordinário nisso. "Nossa história é formada por decisões inspiradas em cada pequeno detalhe do caminho. Não há erros nem acertos, apenas escolhas possíveis, porque viver é uma ópera ao vivo e sem ensaios, diante de múltiplas possibilidades. Em meio ao caos vamos alinhavando o nosso destino" ('O Mentor Virtual II - O Elo Invisível' - Em gestação - Campinas-SP - 2011).

Não há que se falar em caráter, e muito menos, em falso moralismo. Afinal, 'verdades e mentiras são meras ilusões do caminho. A mesma paisagem vista de janelas diferentes' diria meu inseparável mentor. A questão é unicamente o preço que estaremos dispostos a pagar por nossas escolhas, pois o universo responde às nossas atitudes de acordo com aquilo que semeamos. Nisso consiste o conceito de ação e reação; de céu e inferno. É assim que se revela a sabedoria.

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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Diretor da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.

É o idealizador do 'Projeto Mentor Virtual', empreendimento comprometido com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país. 




13 comentários:

  1. Novamente suas palavras são oportunas... é interessante, porque suas palavras devem tocar muitos corações que se encontram em momentos de turbulência... novamente me deparo com uma encruzilhada e devo fazer nova opção e suas palavras sempre fortalecem minhas decisões... bom seria se quando nos encontramos em um momento difícil, alguém pudesse dizer - faça isso, que é o correto... mas não é assim... mas você, com sua experiência, pesquisa e trabalho nos orienta a pensarmos e refletirmos para encontrarmos a resposta dentro de nosso interior... Muito Grata a Você!!! Sempre compartilho seus textos que são uma luz em nossa vida... Muita Saúde e Felicidade a você e aos seus!!!...

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  2. Olá Maurício!
    Muito bacana seu texto, mas penso que você poderia escrever na terceira pessoal, na minha simples opinião ficaria melhor!
    Um grande abraço!
    Thais Coppini

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  3. Talvez a Maturidade..as perdas realmente significativas.o aprofundamento com a espiritualidade nos faça entender e lidar melhor com o dinheiro..sua falta ..seu excesso.o dinheiro é uma energia muito boa e ate necessaria para nossa vida aqui na terra..o que voce faz com ele é que é o problema..segundo alguns espiritualistas carma..prova..sei lá..mas admiro o desprendimento total de alguns..apesar de achar que se tem que ter equibrio nem de mais nem de menos governando seus dias..seu interior..exterior..dar valor ao dinheiro que ele tem..pagar suas contas..proporcionar viagens..uma vida confortavelsemtantas ganacias..apenas isso..

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  4. Excelente!! texto preciso e significativo!!! ADOREI!! Parabés!!!!!!

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  5. Marilene Grablerjulho 09, 2011

    Concordo com a Cristina, caro Maurício.O dinheiro é uma energia necessária.
    Necessário se faz não estrapolar os limites, tendo a consciência na forma de utilizá-lo.
    Acho também que não somos pequeninos porque fazemos parte do todo universal e portanto, somos parte de Deus.Jesus não disse: Vós sois deuses, sem um grande motivo.
    Precisamos nos descobrir, saber a que viemos.
    Abraços respeitosos

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  6. ROBERTO FREITASjulho 10, 2011

    " UM ATO GERA UM HÁBITO, UM HÁBITO GERA UM CARÁTER, E LOGO UM CARÁTER LEVARÁ A UMA ETERNIDADE. POIS QUALQUER RIQUEZA SEM DEUS NÃO LHE GARANTE E DÁ BASE ALGUMA DA VERDADEIRA ALEGRIA. ADMIRO E GOSTO MUITO MESMO DE SEUS ESCRITOS, MUI GRATO. UM GRANDE ABRAÇO.

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  7. Mauricio, mas uma vez parabens pelo belo texto.Texto este que nos leva a mais uma reflexão sobre o nosso excessivo apego as coisas materiais,ou seja, ao dinheiro.Deus não é contra termos,ganhar dinheiro.Ele nos é necessário para que possamos fazer a roda da evolução humana andar, progredir.Porém,ele quer que saibamos ser sábios na utilização desse dinheiro,seja ganho em consequencia de nosso trabalho ou por tê-lo ganho, de forma sempre honesta.Sabermos utilizá-lo para beneficio dos mais necessitados, não dando esmolas, mas concedendo oportunidade para que aqueles menos aquinhoados possam tê-lo.
    O nosso Mestre Jesus nos disse , que não devemos amontoar tesouros na terra a onde o ladrão rouba e a traça come, mas sim amontoar os nossos tesouros no ceus(dentro de nós mesmos) a onde o ladrão não rouba e a traça não come.
    Como a Cris mesmo, comenta acima, devemos ter e mantermos o equilibrio para sabermos utilizar aquilo que adquirimos.

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  8. bella morada donde habitan sensibles y magnas letras, esta asturiana sin esperar ser molestia se queda en ella, un besin de esta amiga admiradora.

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  9. sem palavras.... postagem merecedora de ser artigo em revistas e jornais de grande circulação, "O ser humano esta precisando lembar - se que é humano".(Simone)

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  10. Que lindo despertar!!! Parabéns!!!

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  11. Aprendi cedo que o dinheiro não aceia desaforos, e mais, que ele vem e vai, muda de mãos. Temos de estar preparados para estas mudanças que são tão rapidas e causam tantos estragos que as pessoas perdem o rumo e a razão de viver. Ser...ter...tudo isto se confunde se não estivermos atentos á real importancia que o dinheiro tem, nos deixando levar pela midia, pelo consumismo desenfreado, pelo sucesso a qualquer preço. Enfim, vivendo e aprendeno a jogar!
    beijos

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  12. por: Amarílis Adélio

    "Pelas ruas da cidade
    Pessoas andam num vai e vem
    Não vêm cair a tarde
    Vão nos seus passos como reféns
    De uma vida sem sída
    Vida sem vida, mal ou bem...

    Talvez quem sabe
    Por essa cidade passe um anjo
    E por encanto abra as asas sobre os homens
    E de vontade de se dar aos outros sem medida
    A qualidade de poder viver vida, vida!"
    (M. Peres/R. Giron/Claudio Rabello - Int. Fábio Jr.)

    Como na letra da canção as pessoas, não percebem que este 'anjo' está dentro de si. Que através dele, irão encontrar a sua realização e o prazer ao longo de sua jornada; nesta conturbada transição de século e também de milênio. Assim como, todas as outras transições da história, estamos vivenciando este momento.
    Cabe-nos, como 'ilustres anônimos', integrantes de um todo, refletir, tomar consciência de nossas atitudes, para determinar como queremos deixar nossas 'marcas', na história da humanidade. Não podemos ficar na mesmice de repetir tudo aquilo que levou, grandes impérios a ruína, envenenou a mente de grandes homens, ceifou a vida de muitos seres...

    Abçs. carinhosos.... Mauricio!

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  13. Hi Mauricio,eu sempre costumo dizer que seja la que o que fazemos em excesso faz mal a saude.Comer,beber,dormir,alta velocidade,enfim tudo traz consequencias.Com dinheiro e o mesmo.Demais=prepotencia,arrogancia,falta de tempo pra dedicar a familia,amigos falsos,alguns filhos chegam mesmo a matar a mae ou o pai na ansia de herdar a grande fortuna,isso ja aconteceu aqui.Enfim,muito dinheiro nao tenho nada contra mas e bem traicoeiro,quem tem deve estar preparado espiritualmente para isso senao e como voce disse:vivem acorrentados.Na minha opiniao, dinheiro na medida certa para uma vida confortavel sem preocupacoes e o ideal.Esse tipo de dinheiro faz feliz quem possui.Enquanto isso somos todos escravos dele.Seja rico ou seja pobre porque dependemos dele para nossa sobrevivencia.Costumo dizer que gostaria muito de morar em um lugar onde ninguem precisasse de dinheiro.Seria o paraiso.Gostei muito do seu desabafo e da sua honetidade ao descrever vc proprio como um dos algozes,rsrsrsr.Bom,nao vejo nenhum crime nisso,mas sempre detestei pessoas arrogantes.Ainda bem que vc nao e mais uma delas,congratulations!rsrsrs.Um forte abraco,desejo-lhe muito sucesso na sua nova profissao.Mas por favor sem arrogancia,ok?kkkkk

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