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sábado, 23 de julho de 2011

A Difícil Trilha do Corporativismo





Por Maurício A Costa*


 “Às vezes existe apenas uma pequena diferença entre as pessoas. Esta pequena diferença faz uma grande diferença. A pequena diferença está na sua atitude. A grande diferença está no fato de ser ela positiva ou negativa." (Clement Stone, citado em 'O Mentor Virtual - Pág. 106 - Editora Komedi - Campinas-SP - 2008).


Recebi dias atrás, curiosa mensagem de alguém no Facebook me pedindo para que escrevesse um artigo sobre a minha visão a respeito do 'corporativismo'; uma palavra bonita, bastante assimilada em nossa terminologia empresarial a partir da linguagem internacional. Uma expressão aparentemente inofensiva mas que carrega antes de tudo o estigma de uma doutrina, cujo traço marcante é a centralização do controle, por uma entidade invisível, com características de um Estado autoritário. Um sistema político econômico baseado no agrupamento de pessoas, cujos interesses podem estar acima dos de uma sociedade. O 'espírito de corpo' que caracteriza essencialmente o que chamamos de corporativismo é como uma máquina; sem alma, sem face e sem dono. Uma teia de proporções muitas vezes inimagináveis, agindo com foco em um propósito, uma ideologia, ou uma crença. 

Exemplos dessas 'hidras do apocalipse' podem ser vistos na maioria das multinacionais, nos grupamentos militares ou para-militares, nos partidos políticos, e nas organizações religiosas de todo tipo. Falar sobre corporativismo é como vagar a ermo pela noite do desconhecido, em meio a ninhos de serpentes, maribondos e morcegos. Uma especulação inócua, mas que costuma provocar irritação e desdém naqueles que, como mutantes parasitas, vivem em função desses monstros, cujas cabeças quando cortadas fazem nascer duas outras, tal qual na lenda.

Por se tratar de terra de ninguém e de todos ao mesmo tempo, é comum o comportamento geral ser do tipo vista grossa, ou cegueira coletiva. Vê-se aquilo com o que não se concorda, mas por amor (ou medo) ao dinheiro, ao cargo, ou ao poder fecha-se os olhos e faz-se de conta que não se está vendo nada. A partir de uma crença baseada em paradigmas amordaçantes, sufoca-se qualquer tentativa de reação motivada por valores. Na verdade, para essas organizações, 'valores' é algo utópico. Quase sempre uma bela mensagem pendurada em uma parede qualquer, ou a página de abertura de elaborados manuais de procedimentos, recheados de subliminares ordens de comando para manter a tropa, os colaboradores, ou os fiéis seguidores sob a mais forte disciplina possível. Comportamentos e atitudes dirigidos por controle remoto, manejando gente como se maneja gado, por entre cercas e currais. 

Desde que decidi abandonar a idéia de fazer parte da dissimulação coletiva desses estressantes manicômios, tenho observado como o sistema gera represálias de toda ordem. É comum ver-se empresas multinacionais bloquearem o acesso de palestrantes ou consultores que não comunguem de seus maquiavélicos credos, que disfarçam friamente atos de má fé, a embutir a perfídia, o ardil e a astúcia. É rotineiro o cancelamento de entrevistas por canais de televisão comandados por igrejas, quando se identifica no entrevistado uma postura de independência política ou religiosa. Se ele for um apóstata então nem pensar. O que se quer, é o discurso que venha a endossar com bajulação a hipocrisia e a manipulação. Afinal, o objetivo é manter iludido o seguidor para torná-lo um fanático; movido por uma interpretação ou ideologia que não é sua, e a qual muitas vezes sequer entende. Ele pertence a um grupo para não sentir-se só. Acompanha como dócil carneiro a manada por necessidade de sentir-se acolhido, em decorrência do medo e da solidão que o atormenta.

Nesses ambientes, portanto, ai de quem ousa contestar. Pobre daquele que aventurar-se com questionamentos pessoais a ideologia ou crença embutida na organização. Se a lavagem cerebral e as artimanhas do convencimento emocional não forem suficientes, a demissão, o exílio, ou a expulsão do grupo será inevitável. Permanecer significa concordar. A conivência, pela aceitação pacífica, ou a negociata é condição imprescindível para pertencer. É o custo da ilusória proteção do sistema. Discordar é tornar-se um herege, desertor, ou traidor. Em meio a um turbilhão de mentiras, falsidade e enganação, que caracteriza o sistema, aquele que sai é o 'desonesto', e como tal será estigmatizado para sempre por aqueles que comungam da farsa generalizada.

Essa é a razão pela qual, tantos têm preferido o desértico caminho que preserva a identidade e a coerência consigo mesmo; ainda que isso possa significar dias difíceis de amarga solidão ou inglórias batalhas quixoteanas. 'Ser', implica enfrentar a psicológica necessidade do 'pertencer'; implica vencer paradigmas, e aceitar a si mesmo em detrimento da aceitação coletiva. Só o tempo se encarrega de resgatar a dignidade do homem. A história nos conta sobre seres humanos que ousaram ir contra sistemas. Guerreiros solitários como Sócrates, Jesus Cristo, Mahatma Gandhi, ou Tiradentes. Homens que pagaram com a própria vida o preço de afrontar organizações hipócritas e manipulativas; formadas por feudos políticos, religiosos ou econômicos representando interesses pessoais disfarçados como serpentes em meio a suas ingênuas presas.

Alteram-se completamente os padrões para aquele que descobre que Deus não é apenas um fantoche de suas maquinações pessoais, como o faz a maioria dos sacerdotes da atualidade, ou um mero ícone a ser usado como referência para muitos magnatas, disfarçados de fingidos beneméritos. A sabedoria ensina que, para o encontro consigo próprio é imperativo colocar o ser antes do ter, e isso não pode ser feito de maneira parcial, ou figurativa. Ainda que se engane a muitos, é impossível enganar a si mesmo. Não há espaço intermediário entre o que definimos como matéria e o que convencionamos chamar de valores. Um revela o lado frágil de nossas origens, o outro, nosso potencial abstrato e poderoso, que sintetiza o conceito de paz interior; o estar bem consigo mesmo, acima de todos os demais conceitos que possamos identificar.

Não sou apologista do radicalismo que nos aponta conceitos extremos do isso ou aquilo, do bem e do mal, do certo ou errado, por acreditar que a verdade se encontra na harmonia dos opostos. Todavia, a  frase de abertura deste artigo, citada por Clement Stone, nos impõe uma importante reflexão sobre nossas atitudes. Elas podem ser positivas ou negativas sim, para nós mesmos. Destrutiva será a energia resultante da conivência com sistemas que se perpetuam graças ao seu poder de camuflagem, da enganação que se sustenta por conta de sua habilidade manipulativa sugando a vida de tudo que encontrar pela frente. Portanto, abrir mão de nossa identidade para atuar em prol de um corporativismo insano criado artificialmente por outros pode representar passar pela vida sem um significado. Por essa razão, tantos empreendedores preferem o desgastante sufoco na luta pelo sonho, a vegetar impotentes, flutuando ao sabor das marés. "Nos completamos no outro. Essa é uma imposição biológica de efeito avassalador sobre nosso comportamento. No entanto, quando perdemos o controle de nossas emoções, nos tornamos reféns. Não do outro, mas das fantasias que nós mesmos criamos, por conta de insanas expectativas".

Quando vendemos nossa alma para assegurar prazeres, extravagâncias ou devaneios, poderemos estar sufocando nossa própria identidade, e destruindo nossa marca pessoal em detrimento de algo que sequer entendemos. A vida nos ensina que a paz interior resulta de saber discernir entre o ilusório universo dos insaciáveis desejos, e o transcendente imperativo de liberdade da alma. Como lembra meu inseparável personagem: “Os homens que vinculam prazer à liberdade se tornam na verdade, escravos daquilo que julgam lhes dar prazer. Iludem-se ao acreditar que podem ter controle sobre suas vidas” (O Mentor Virtual – Pág. 37 – Ed. Komedi – Campinas-SP – 2008).

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 *Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas sérias, comprometidas com a verdade. 

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país. 


4 comentários:

  1. li o texto é complexo e apaixonante..me identifiquei com o texto...algumas caracteristicas nele contido...mas complexo para se chegar num resumo total sobre o assunto...que da uma diversidade de maneiras de ve-lo e descreve-lo...parabéns!!!

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  2. infinitas gracias por regalarnos la belleza y sensibilidad de tus letras, un besin de esta amiga admiradora.

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  3. Olá! Maurício, quando leio um artigo seu como este, penso: será que as pessoas entendem o que ele escreve? ou para alguns são somente palavra inspiradas e sábias? Pois, o que voce escreve é muito profundo, envolve caráter, sabedoria, auto-conhecimento, humildade, transcender, e por ai vai...pois venho percebendo na sociedade a ausência de tudo que voce expressa, tenho a resposta para a tal mentira que as pessoas mantém,(a qual comentei um dia, me referindo aos meios de comunicação)as mesmas foram engolidas pelo sistema, e não sabem quem são elas, assim exteriorizam o que algum insano julgou "importante" e são seguidoras de sua loucura, fazendo de tudo para distorcer seu próprio eu e Ter "valores" desvalorizados, sendo assim o que move a essência da vida que é o Ser deixa de existir, mas nós sabemos que tudo que é pertencente a nossa essência, simplesmente não pode ser anulado, não tem como, isso vai trazer consequências para o indivíduo e lucro para o sistema. grande abraço. Simone.

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  4. E pensando bem,todos nos estamos de uma maneira ou outra ja envolvidos nessa teia.Somos vulneraveis.Lembro que o ex presidente Bush pra se reeleger em 2004,mandou o ssecretario da defesa mentir para a nacao sobre um outro ataque terrorista e assim o sinal de alerta variava de amarelo para vermelho dependendo da intensidade do perigo.Essa luz vermelha esteve acesa durante toda a campanha.Depois o secretario escreveu um livro e nele contou tudo.A Igreja e outra que faz lavagem cerebral nos fieis impoe o medo do inferno,e por ai vai mantendo o caixa sempre em dia.Os canais de tv manipulam para ganhar audiencia e com isso conquistar os patrocinadores,e um ninho de serpentes.Feliz quem tem o poder de nao vender a alma,ou se ja vendeu conseguir de desvencilhar dos lobos e conseguir a paz de espirito tao desejada por todos.Enquanto houver os vendedores de almas,havera sempre os compradores.

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