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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Gente. A Prioridade de Qualquer Empreendimento



Por Mauricio A Costa*

Clemente Nóbrega
"O que alimenta o crescimento é a existência de multiplicidade e variedade. Isto é, a possibilidade de múltiplas escolhas... Havendo isso, o sistema se sente desafiado a 'procurar', experimentando a mutação certa para garantir sua sobrevivência e perpetuação. Quem opta pelo simples e pelo não ambíguo em detrimento do complexo, opta por se isolar das possibilidades... Qualquer evolução, seja a das estrelas, das formas biológicas, ou da própria consciência, alimenta-se da diversidade...É desse padrão universal de inteligência que precisamos em nossas empresas" (Clemente Nóbrega, "Em Busca da Empresa Quântica" - Pág. 275 -Ediouro - Rio de Janeiro-RJ - 1996).
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Ao longo de minha vida profissional, convivi com empresas de todo tipo. A maior parte delas, para minha sorte, organizações sérias, com um foco muito bem definido em seu patrimônio mais delicado: as pessoas que dela fazem parte. Lamentavelmente, no entanto, nem todos empreendimentos percebem a importância de suas equipes. Como estrategista, assessorando diretamente o principal executivo, minha recomendação inicial é no sentido de que a Empresa tenha como prioridade número um, sua gente. Em segundo lugar, gente; em terceiro lugar, gente. Todos os demais assuntos devem passar a ser vistos como complementares, ou meramente consequentes; porque tudo o que se produz ou que se realiza em qualquer empreendimento é fruto das idéias e ações de inúmeros seres humanos envolvidos em seu processo. Alguns em posição de destaque, outros em total anonimato. Poucos sob holofotes da visibilidade, muitos como incansáveis abelhas atuando nos bastidores. Todos, sem exceção, imprescindíveis para que o resultado aconteça.

É dessa diversidade que nos fala Clemente Nóbrega, no texto que abre este artigo. Somente por meio da complementaridade é possível obter-se algo maior. Se isso não se tornar um mantra dentro da organização, ela estará fadada à turbulência, ao isolamento, e quem sabe, ao fracasso. Manter-se apegado a velhos paradigmas pode significar a morte por asfixia, pois só a idéia nova, ousada e brilhante, oxigena o processo; porque a empresa vive da inovação; da melhoria constante; da atualização permanente, e isso só será possível se ela dispuser, de uma rede humana inteligente e flexível, que possibilite o maior nível possível de interconexões a arejar as veias que irrigam a vida do sistema. Como diz o ilustre professor e consultor, 'nada na natureza evolui valorizando a estabilidade'; ou seja, é o movimento contínuo que produz o estímulo vital, essencial à sobrevivência e ao crescimento; e mais que isso, é fundamental que se esteja atento a toda informação exterior, captada por sua equipe: 'A empresa tem de reagir como um sistema que se auto organiza... que sabe processar a informação que chega de fora e usá-la para se auto renovar'.

O que tenho observado, todavia, em algumas empresas é uma incompreensível inércia neste sentido. Certos empresários, na ilusão de sentirem-se donos da verdade absoluta, ignoram essa 'informação que vem de fora', subestimando significativas contribuições que sinalizam importantes adequações da empresa à velocidade das mudanças. Por conta disso, limitam a possibilidade de novas visões no processo, atrofiando seu potencial de crescimento; ou pior, ampliando sua vulnerabilidade em relação aos concorrentes. Ao portar-se como dono absoluto da verdade, o empreendedor bloqueia o pensar alternativo, a criatividade, e a inovação, e torna-se refém de suas próprias armadilhas. Uma empresa que não reage com agilidade às mudanças em seu ambiente é uma empresa morta.

Não implica o tamanho do empreendimento; seja ele uma multinacional ou uma micro empresa, o desafio é o mesmo: manter-se viva; ou melhor, crescendo! Porque aquilo que pára de crescer inevitavelmente morre. Convém lembrar ainda que, além do fluxo permanente de informação e do conhecimento, é preciso que haja também um comprometimento recíproco dentro do empreendimento que lhe permita avançar de forma objetiva e unidirecional; sem isso ocorre o desperdício de esforço decorrente da falta de sinergia. Ichak Adizes, em seu livro 'Os Ciclos de Vida das Organizações', nos diz: "Para as pessoas manterem seu compromisso a longo prazo com a organização, terão que sentir que a organização também tem um compromisso a longo prazo com elas.... Um horizonte a longo prazo não abrange apenas prognósticos do que acontecerá a longo prazo; significa uma meta em comum a longo prazo, além de interesses comuns a longo prazo compartilhados por meio de uma visão comum". (Adizes, Ichak: 'Os Ciclos de Vida das Organizações' - Pág. 178 - Editora Pioneira - São Paulo-SP - 1993).

A unidade só é possível quando se estabelece essa visão comum. Como dizia Claudio Gonzalez, 'Chairman' da Kimberly Clark latino americana, à época em que atuei como executivo naquele grupo, é imperativo haver 'comunidade de propósitos'; o poderoso elo entre partes envolvidas em uma meta que gera a sinergia indispensável ao sucesso de qualquer empreitada. A ausência da sinergia entre componentes de um sistema produz o atrofiamento e envelhecimento precoce, e essa é minha maior preocupação com as Empresas às quais assessoro. E neste sentido, escuto o que nos ensina mais uma vez Adizes, "Um consultor que não pode se dar ao luxo de perder um cliente é um remédio errado para os males das organizações em envelhecimento. O máximo que ele poderá fazer é aliviar os sintomas. O que uma organização em processo de envelhecimento precisa é de alguém que possa mudar a estrutura de poder. Eu chamo essas pessoas de 'insultores' - consultores que não temem causar dor e sofrimento, nem perder o cliente" (Idem, pág. 111).

Quando vejo a truculência verbal resultante da prepotência ou  intolerância de um empresário qualquer, começo a imaginar quanto tempo de vida aquela empresa ainda poderá ter pela frente, e sinto profunda compaixão por aquele líder que ignora a grandiosidade do seu papel, especialmente se sua postura for decorrente de apego ao poder ou à ganância pessoal. O principal papel de um líder não é unicamente garantir o lucro do empreendimento mas a plena satisfação de todos os seus 'stakeholders', ou seja, daqueles que atuam para o sucesso do empreendimento, como fornecedores, clientes, bancos, investidores, etc. mas, em especial seus colaboradores diretos ou indiretos. São as pessoas que produzem idéias ou as executam, as responsáveis pelo resultado da Empresa. Subestimar o que emana desse grupo pode ser fatal no médio ou longo prazo.

Uma grande marca empresarial é resultado da somatória das pequenas marcas individuais que a compõe. Da força dessas individualidades resultará a força da marca corporativa. Por isso, sábio será o empreendedor ou empresário, sem  importar o tamanho do empreendimento, que sem perder seu espírito guerreiro, compreende seu papel de liderança em tratar com dignidade e respeito sua equipe, mas acima de tudo, saber motivá-la por meio da participação efetiva nas decisões que envolve seu destino. Afinal, liderar não é impor, é conduzir; é tornar cada membro da equipe um apaixonado pela meta, ao compartilhar o sonho do empreendedor. Só dessa maneira não haverá um 'nós' e 'ele', mas uma 'causa' a ser defendida por todos, como uma religião, onde impera a crença no propósito.

As empresas do futuro serão aquelas que considerarem suas equipes como a verdadeira prioridade, e que sejam capazes de transformar o discurso vazio recheado de hipocrisia ou enganosas promessas em ações concretas que visem integrar sua gente em seus planos, realçando sua importância por agregar valor à marca. O ser humano não pode ser tratado como um ente primitivo e muito menos como uma manada de elefantes. O respeito pelo semelhante é antes de tudo uma postura que revela inteligência. Gerar prosperidade em harmonia é sabedoria.  


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Maurício A Costa é um obcecado por resultados, gerado pelo pensamento estratégico, focado em gente, inovação, e criação de valor agregado. Executivo com experiência internacional em empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica); está disponível para participar da construção de marcas fortes, em organizações sérias, interessadas na identificação de novas oportunidades, na superação de desafios, e na melhoraria de resultados e rentabilidade. No plano pessoal, é o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país, e poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Conselheiro' para Empresas, Empreendedores ou Executivos.

Contatos: mauriciocosta@uol.com.br

7 comentários:

  1. No momento atual não valorizamos o ser humano como devíamos, .... estamos buscando o ter do que o ser.

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  2. Importante essa visão "minha recomendação inicial é no sentido de que a Empresa tenha como prioridade número um, sua gente. Em segundo lugar, gente; em terceiro lugar, gente"...também compactuo com a idéia que deve ser a prioridade, a saúde física e psíquica do trabalhador e como resultado o lucro para Empresa. Muito obrigada Mauricio A Costa por compartilhar em seu Blog sua experiência Empresarial.

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  3. Yara Helenajunho 26, 2011

    Sempre aprendo algo novo em ler seu blog..É muito bom saber que você existe!!!!bjo

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  4. Olá Maurício!
    Ótimo artigo. Na maioria das empresas grandes ou pequenas, nacionais ou multinacionais, a área comercial, que são pessoas lidando com pessoas, gente de dentro com gente(cliente) de fora, sente ainda mais essa desvalorização. O que importa é a venda imediata e os números resultantes. O trabalho comercial tem como resultado natural a compra, e o talento humano faz toda a diferença.
    Como você diz:
    "Uma grande marca empresarial é resultado da somatória das pequenas marcas individuais que a compõe. Da força dessas individualidades resultará a força da marca corporativa. Por isso, sábio será o empreendedor ou empresário, sem importar o tamanho do empreendimento, que sem perder seu espírito guerreiro, compreende seu papel de liderança em tratar com dignidade e respeito sua equipe, mas acima de tudo, saber motivá-la por meio da participação efetiva nas decisões que envolve seu destino."
    Forte abraço.
    Eliane (Lya)

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  5. Ate o dia em que todos os seres humanos forem substituidos por robots,o que acontecera um dia,nao sei quando mas esse dia vira.Entao e muito importante a relacao de amizade entre patrao e empregado em qualquer tipo de negocio por menor que seja.Nao existe coisa mais desagradavel do que a tensao e energia negativa dentro do ambiente de trabalho.Funcionario que trbalha feliz produz mais e consequntemente a empresa crescera,produzira mais e evitara muitas situacoes desconfortaveis criadas devido a arrogancia e falta de calor humano de muitos patroes.ja diz o ditado popular que a uniao faz a forca.E unidade nao trabalha com inimizade.

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  6. Vou mais longe, o ambienbte de trabalho deve ser bom. A energia deve ser boa, para que todo e qualquer trabalho flua bem.Todas as partes do todo devem estar sincronizadas e todo componente da equipe desde a faxineira até ó diretor ou dono tem a mesma importância e merecem o mesmo respeito pois o trabalho de cada um é singular e necessário, é parte ímpar da engrenagem. Mais um ponto que acredito ser imprescindivel para qualquer empreendimento na atulalidade a "flexibilidade".
    Obrigada Maurício! Excelenete matéria, como sempre.
    Forte abraço,
    Edilene Boldrini

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  7. por: Amarílis Adélio

    Mauricio,
    Penso que cada ser, tem um papel primordial no grande espetáculo da VIDA; pois, fazem parte do todo. Pode, não ter o seu nome na porta, de um andar superior; pode, não ter artigos publicados, em revistas famosas; ou, sair em notas, de grandes jornais. Mas, qualquer pessoa que ignore a sua gente, estará ignorando tudo à sua volta e a si próprio e assim fadado a ruína.

    Comparemos então, a Nós/como pessoas; Empresários/empresas; Chefes de Famílias/família; Estadistas/governantes; enfim, à RELÓGIOS...

    Existe uma infinidade de modelos, marcas, tamanhos... Alguns, luxuosos de grifes famosas, com multiplas funções, e, outras. Mas, se olharmos por dentro, praticamente, são todos 'iguais' - parafusos e engrenagens! E, mais ainda. Tem um 'parafuso mestre', que sustenta toda esta parafernalha. Se uma 'engrenagem', não cumpre sua função, o parafuso mestre, fica sobre pressão e se desgasta... Se este não estiver bem ajustado, toda a estrutura fica comprometida.

    "Tem que haver uma perfeita sintonia entre todos os elementos que compõe a máquina..."

    Abçs. carinhosos Adorável Mentor!

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