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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Pontes Sobre Abismos



Por Maurício A Costa*


"A ponte se erige sobre o que queremos evitar, onde não queremos cair, o que não podemos atravessar. Não podemos perder a noção dos abismos. O abismo é o impensável, o que podemos ver, mas cuja visão de pouco nos adianta, a não ser saber que ele existe e aproveitar sua negatividade como um ensinamento sobre o sentido das coisas". (Márcia Tiburi, em 'Filosofia em Comum', Pág. 180 - Editora Record - Rio de Janeiro-RJ - 2008).

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Algum tempo atrás, um amigo me questionou de maneira incisiva e até irônica, para quem eu escrevia meus textos, artigos e livros. Uma pergunta simples, mas de grande profundidade, em especial para aquele que escreve. Minha reação naquele momento foi impensada, repentina, e aparentemente sem nexo: 'Escrevo para mim mesmo', respondi. Ao ouvir isso, meu interessado inquiridor me devolveu: 'Se é para você mesmo que escreve, então porque publicar?' - A princípio fiquei um pouco atordoado com sua nova pergunta, mas, mesmo assim, de imediato respondi: 'Porque faço parte de um todo, formado por seres que como eu, devem pensar e sentir as mesmas angústias e turbulências, e portanto, poderão aprender com minhas experiências pessoais'. Após um rápido silêncio, escutei-o rebater: 'E por acaso você acha que o mundo está interessado em suas histórias, experiências ou conselhos?


Christian D Larson
Confesso que não estava preparado para tão inusitado diálogo. Nesse momento, por uma dessas sincronicidades do universo, lembrei-me de algumas regras do 'Credo Otimista', escrito em 1912 por Christian D Larson, em seu livro, 'Suas Forças e Como Usá-las': "Prometa a si mesmo: Ser tão forte que nada possa perturbar sua paz de espírito; Fazer com que todos os seus amigos sintam que existe algo dentro deles que vale a pena; Ser tão entusiasmado com o sucesso dos outros como você é com o seu próprio; Esquecer os erros do passado  e concentrar-se nos grandes sucessos do  futuro; Dar tanto tempo melhorando a si mesmo que não terá tempo de criticar os outros; Ser tão grande para se preocupar, tão nobre para sentir raiva, tão forte para sentir medo, tão feliz para permitir a presença de problemas; Pensar tão bem de si mesmo e proclamar este fato ao mundo, não pelo grito, mas pelos grandes feitos; Viver acreditando que o mundo todo está a seu lado, desde que seja fiel à sua essência". Após esse ligeiro insight, senti-me encorajado a prosseguir, sem permitir que qualquer pensamento egoísta tomasse conta do nosso interessante diálogo.

Recentemente, compartilhei em minha página no Facebook um fragmento do livro 'O Mentor Virtual II', ainda em fase de gestação, que reflete de alguma forma meu pensamento com relação a este assunto: "Quando eu aprender que nada sei, e entender o quão pequeno sou, estarei pronto para voar sobre mares turbulentos ou desertas planícies. Só então irei descobrir que todos as minhas inquietudes não passam de quimeras, efêmeras como o vento que me conduz". Uma forma pessoal de parafrasear Sócrates, em sua máxima: 'só sei que nada sei', reagindo ao pronunciamento do oráculo Delfos, que o apontara como um dos mais sábios dos homens.

Filósofo Platão
A vida tem me ensinado que ainda há muito por aprender, mas o que apreendi até agora, faz de mim um exemplo típico da humanidade com a qual compartilho, experiências de dor, sofrimento, angústia, traumas e tribulações, com a mesma intensidade que partilhamos alegria, estar bem, e felicidade. Não sou, portanto, diferente de quem quer que seja, nem a mais, nem a menos. Sou 'humano, demasiadamente humano', diria o carrancudo filósofo Nietzsche; e como tal, suscetível a todas as intempéries do caminho, e a todas as tempestades geradas pela insensatez, variações de humor e descontrole emocional como qualquer um, em tantas decisões. Por isso, quando escrevo, não estou querendo passar a imagem de alguém que está acima do bem ou do mal, imune a vendavais. Muito pelo contrário, estou transferindo, até mesmo por catarse, o vivenciar de experiências extraordinárias que possam ser úteis ao outro. Ao purgar aquilo que é estranho à nossa própria  natureza, eliminamos o que corrompe e destrói silenciosamente a vida. Ao trazermos à consciência toda informação acumulada por milhões de anos em nosso subconsciente, nos liberamos, como ensina Platão, dos bloqueios que nos aprisionam em suas escuras cavernas, e experienciamos o verdadeiro sentido da liberdade em relação a nós mesmos, já que somos, em síntese, nossos maiores algozes, a subverter nossos próprios sonhos. “Aquele que faz do poder a sua força não passa de um fraco, porque forte é aquele que transforma todas as suas fragilidades em poder”. (‘O Mentor Virtual II’ – O Elo Invisível – Campinas-SP).

Assim, escrever, ou 'publicar', como diz o meu amigo no início deste artigo, torna-se uma forma de purificação; a libertação da alma em relação àquilo que a atormenta, especialmente no que concerne às paixões, desejos e prazeres que compõem os instintos impregnados no corpo desde suas mais remotas origens. Escrever é um ato de amor consigo próprio; publicar isso, um ato de coragem diante dos demais, pois implica expor-se sem máscaras e sem reservas. Ainda que, uma grande maioria não dê o mínimo valor ao que está se revelando, a informação permanecerá no universo para sempre, compondo o que chamamos de saber universal, acessível àqueles que a buscam. Como ensina a sabedoria oriental, o mestre só se revela quando o discípulo está pronto.

Ao retomar o diálogo com aquele 'inquisidor', que me inspira nesta matéria, senti-me um pouco mais confortável para compreender, depois dessa rápida reflexão, que não teremos absolutamente nada a aprender um com o outro, se nossa arrogância encobrir a luz que nos mostra horizontes infinitos de possibilidades. Só a consciência de que nada sabemos é que nos permite apreender a multifacetada visão de todas as coisas que nos cerca. Como ensinava o velho filósofo grego, já citado, o verdadeiro sábio é aquele que tem ciência de sua própria ignorância, e por conta disso, abre sua mente e coração para captar a sabedoria que o envolve, embora nem sempre o permeie. O outro, é a ponte que nos torna conscientes de que somos parte de algo maior, acima de todos os abismos, e nos leva ao pensar e questionar contínuo, que promove a evolução e o crescimento pessoal. 

Quando ainda adolescente, perdido entre centenas de livros de todo gênero, trazia intuitivamente essa noção da minha ignorância, e isso provocou uma insaciável sede por saber, por conhecer, por viajar no tempo, alheio a qualquer espécie de constrangimento. Ainda que ridicularizado por alguns, um inesgotável questionamento me levava a buscar respostas para coisas que nem sempre sabia como perguntar. Hoje, sinto uma profunda frustração quando vejo as estatísticas apontarem para o baixo nível de leitura de países como o Brasil, refletindo preguiça mental, ou indiferença apática, diante da avalanche de informação que rapidamente vai fazendo do conhecimento o maior patrimônio que um ser humano pode carregar consigo. Sinto, mais do que nunca, a necessidade de que estejamos preparados para todo tipo de questionamento, ainda que disfarçado sob as mais inusitadas perguntas, pois só assim alcançamos a verdade; e como nos ensina, a bela e competente filósofa dos tempos modernos, citada no topo deste texto: "A verdade é sobretudo, algo que se busca e a pergunta - quase sempre nasce da dúvida, embora a dúvida nem sempre providencie perguntas - é o dispositivo de avanço do pensamento... Façamos uma lista de nossas certezas. Descobriremos o tamanho de nossa incerteza". (Márcia Tiburi, Idem, Pág. 51/52).

Construir nossa marca pessoal exige um profundo conhecer a si mesmo, e o ambiente onde atuamos para com ele interagir de maneira sábia e eficaz. Não se preocupe se o mundo está ou não interessado em suas histórias, experiências ou conselhos neste momento... Revele-se. Abra o seu coração... É de lá que virão todas as respostas. Um dia, quem sabe, talvez você nem esteja mais por aqui, alguns compreenderão o que você quis dizer...
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*Mauricio A Costa, é Pensador/Estrategista. Expertise em projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte. 

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país. 

4 comentários:

  1. Quando temos prazer no que fazemos, não nos preocupa o que os outros acham...o que os outros pensam... Na verdade o que fazemos com a paixão de ser e estar naquele instante ALI, pode não ter o "valor" que cada um lhe atribui...Mas tem o VALOR que lhe damos! Quando pinto, faço-o para mim e quando descubro que os outros também gostam, alarga-se a possibilidade de outros OLHARES se prenderem nas minhas Cores. Obrigada Maurício, por fazer com que as suas PALAVRAS ecoem nas minhas pinturas...

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  2. A curiosidade leva ao conhecimento.Muitas descobertas foram possiveis por causa da curiosidade do descobridor.Voce proprio disse no seu texto que sempre gostou de ler,tinha curiosidade em aprender.E como resultado olha ai,tanto aprendeu, que tem a autoridade de repassar de maneira tao brilhante todo seu conhecimento que so nos faz bem e alimenta a alma de maneira tao simples mas sabia.Meu pai ja dizia que o maior patrimonio que podemos herdar e a educacao,o gosto pela leitura,pois e nos livros que esta a fonte do conhecimento,e isto e o que diferencia vc dos outros.Continue a sua jornada de dividir com todos os seus belos conhecimentos.Nos so iremos ganhar com isso.Obrigada.

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  3. Como Marianne a personagem do seu livro O Mentor Virtual,eu sou estabanada,e gostaria de dar umas dicas para quem ja leu seu livro e para quem ainda tera a chance de ler,uma vez que e um livro tao cheio de sabedoria simples para o dia a dia,tenho umas dicas muito boas:imprima os paragrafos estrelados,e cole todos ao redor da sua casa ou apartamento,em lugares estrategicos como na tela do computador,no espelho do banheiro,na geladeira,no armario,pois sera de grande utilidade no seu dia a dia.Porque nossa memoria e curta,entao para mante-la viva e em acao,o melhor e imprimir e colar ao seu redor todas essas perolas de sabedoria poisfarao seu dia a dia cheio de prazer e alegria.

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  4. Ninguém é diferente, o que nos faz diferente é o ser, o que fazemos é que diferencia um do outro, podemos ser bons ou ruins, sábios ou ignorantes, mas uma coisa afirmo com categoria; existem aqueles que alto se ignoram, que não buscam sabedoria, que pensam ser bons ou ruins; enquanto sua alma almeja o contrario do seu ser. Existe aquele que pensa saber muito, aquele que pensa nada saber, mas enquanto houver essa busca do saber; sabemos que seremos diferentes sempre. E com sua sabedoria meu querido amigo, posso acreditar que o quê nos une é a força infinita do amor. Obrigado por ser meu amigo, por não fazer diferença entre o que somos e sim por dedicar seu precioso tempo em fazer-me tão igual a você!

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