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sábado, 28 de maio de 2011

Emocional, Racional e Espiritual



Por Maurício A Costa*



"Três aspectos diferenciam a vida a partir da alma, da vida a partir do ego apenas. Eles são a capacidade de pressentir novos caminhos e de aprendê-los, a tenacidade necessária para atravessar uma fase difícil e a paciência para aprender o amor profundo com o tempo." (Clarissa Pinkola Estés, em 'Mulheres Que Correm com os Lobos' - Pág. 189 - Editora Rocco - Rio de Janeiro - 1994)
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Entre inúmeras mensagens que recebo diariamente, uma me chamou atenção nos últimos dias, especialmente pelo fato de estar naquele momento em fase de preparação de uma palestra sobre o tema 'A importância do controle emocional', que faria naquela semana para um grupo de mulheres executivas, em um Fórum da AMCHAM de Campinas (Câmara Americana de Comércio). Nessa singela mensagem, algumas palavras chaves revelam o estado de espírito de muitas mulheres dos dias atuais, diante do desafio de ser 'mulher' em um século marcado por profundas transformações. Visando preservar sua privacidade, citarei apenas um fragmento do texto: "Sabe Mauricio, sempre tive que ser muito forte em minha vida, e passar por momentos de muita coragem, mas tem dias que me sinto muito frágil... e tenho medo de pequenos atos... suas palavras acalmam meu coração, energia para minha mente e fôlego para minha ansiedade..."

Curiosamente, tanto no blog Marcas Fortes, como em minha página do Facebook, o público feminino predomina. Percebo, invariavelmente, um enorme interesse pela informação e pelo conhecimento, e tais posturas, salvo raras exceções, demonstram uma surpreendente simplicidade e ausência de vaidade pessoal. São, na verdade, maravilhosos seres humanos em busca de respostas para coisas que nem sempre sabem perguntar. Mulheres de todas as classes sociais, procurando entender a mudanças do ambiente que as cerca. Algumas, percebe-se, por sentirem-se carentes, procuram um porto seguro para minimizar a solidão que as aflige. Muitas, no entanto, desejam mais que tudo, ampliar sua visão e compreender a nova ordem mundial, para adaptarem-se rapidamente a esse contexto, pois não há muitas alternativas, uma vez que tais mudanças estão ocorrendo numa velocidade que muitos não conseguem acompanhar.

Há um silêncio profundo que brota da alma a gerar ansiedade; uma inquietação angustiante, a produzir insegurança e medo que fragiliza a ponto de temer-se por pequenos atos. Durante séculos, a mulher não precisou lidar com desafios profissionais, tampouco, com o nível de liberdade que a assusta agora. Frente a esse novo cenário, algumas decolam em vôo livre como se houvessem aguardado a vida inteira por esse momento; outras, no entanto, sentem-se como pássaros engaiolados, diante de portas que se abrem repentinamente a um universo assustador, e para o qual, sentem não estar prontas, pois isso implica enfrentar os perigos e riscos inerentes a essa liberdade, e ainda, por pressentir que haverá sempre um caro preço a pagar diante da tomada de consciência que implica em escolhas. Ela sente que é chegada a hora de pensar e agir como alguém livre, que precisará reaprender a lidar com o homem de uma forma diferente, e que terá de redefinir seu papel diante dos novos desafios. Terá acima de tudo, que compreender seu papel como mulher, mãe, esposa, profissional, e ser humano. Precisará entender a sutil diferença entre sexo e amor que os homens por esperteza jamais a ensinaram. No entanto, está apreensiva. Excitada com o novo, mas visivelmente assustada.

A resposta para tudo isso, me parece estar na competência em saber lidar com o emocional no mesmo nível do racional. Estar apta para identificar com clareza o momento de uma ou de outra postura, e acima de tudo, saber discernir com sabedoria e sensibilidade simultaneamente. Durante milhares de anos, o homem foi mente e corpo, enquanto a mulher, corpo e alma. O século XXI, entretanto, exige de ambos, mais do que nunca, uma grande sinergia entre mente, corpo e alma. Isso, pode não parecer, mas é um gigantesco desafio. Para o homem, isso significa aprender a lidar com a sensibilidade própria da alma, e para a mulher, exercitar muito mais a mente, o racional que minimiza os efeitos do agir ou reagir de forma essencialmente emocional. Algo aparentemente simples, mas que implica importantes mudanças comportamentais. Qualquer desequilíbrio neste sentido, poderá resultar em indesejáveis desgastes na vida pessoal, familiar ou profissional. Quem sabe, em todas elas, simultaneamente.

Como 'gerenciar' emoções em ambientes fora da rotina, e em momentos de plena liberdade? Como administrar situações decorrentes do desejo, da libido natural dos instintos? Como atuar sem os resquícios do medo característicos dos sentimentos de inferioridade? Como lidar com a multiplicidade das expectativas dos amigos e parentes em face às mudanças de comportamentos? Como adequar o tempo disponível nesse novo ambiente que mistura competição e diversidade de interesses? Qual o conceito de amor neste novo cenário? Perguntas aparentemente simples, mas de complexas respostas. Quiçá, angustiosamente incômodas. Afinal, não é tão simples assim, assumir as rédeas do próprio destino. Sair da condição de mera coadjuvante, para assumir um papel de destaque lado-a-lado com o homem implica para essa nova mulher, numa corajosa mudança de atitude, consciente de cada pensamento, palavra ou gesto. Exige uma nova postura que leve em conta a plenitude do ser. Ser racional; Ser emocional; Ser espiritual. Impõe agir com inteligência, sem abrir mão da sensibilidade. De ser guerreira sem perder o que de mais belo traz em sua alma.

Como diz, Clarissa Pinkola Estés, no livro citado no início deste artigo: "Quando a vibração específica da alma de um indivíduo, que tem tanto uma identidade instintiva quanto uma espiritual, é cercada de aceitação e reconhecimento psíquico, a pessoa sente a vida e a força como nunca sentiu antes. Descobrir com certeza qual é a sua verdadeira família psíquica proporciona ao indivíduo a vitalidade e a sensação de pertencer a um todo." (Pág. 217)

Por tudo isso, é imperativo enfrentar o medo do desconhecido. E como ensina a ilustre escritora que hoje me inspira, 'é preciso um coração disposto a morrer, renascer, morrer e renascer repetidamente'. Urge superar toda fragilidade com coragem e determinação, sem sentir-se inferior ou superior a quem quer que seja, e encarar o novo como uma magnífica oportunidade de crescimento pessoal, consciente de que se é parte de um todo extraordinário, onde não há nada a temer. 

Para finalizar, me parece extremamente oportuno também, recomendar às Empresas, Organizações, ou Empreendimentos de qualquer porte que estimulem suas Equipes a rever ultrapassados conceitos, especialmente no que concerne a possíveis falta de respeito ou apoio a essa nova mulher que corajosamente vai ocupando seu merecido espaço, numa sociedade tradicionalmente marcada pela discriminação resultante de superados paradigmas.  

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*Maurício A Costa é Um obcecado por resultados, focado em pessoas, no pensamento estratégico e no valor agregado. Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Foi o idealizador/investidor inicial do Projeto Futura Biotech (Cosmecêuticos).
Está disponível para participar de Empresas sérias, que estejam interessadas em analisar novas oportunidades, melhorar resultados e aumentar rentabilidade.
Como autor e palestrante, está disponível para, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Coaching' de Empresários ou Executivos.
Contatos: mauriciocosta@uol.com.br 

10 comentários:

  1. 'é preciso um coração disposto a morrer, renascer, morrer e renascer repetidamente'. Urge superar toda fragilidade com coragem e determinação, sem sentir-se inferior ou superior ,A cada dia a mulher e obrigada a se renovar mesmo com dor , nos deixamos se envolver por cituaçoes de toda especie para agradar a todos, acabamos a se esquecer que somos um ser,ninguem se preocupa conosco e como estamos nos sentindo nem a propria familia,somos masacradas como se um trator passase por cima e mesmo assim temos que renascer!!!NAO SEI SE ESTOU GENERALIZANDO,mais é assim que vejo as vezes ,grande abraço fraterno!

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  2. Precisamos nos conscientizar que pertencemos à unidade do todo;assim sendo, corpo e mente são um só.
    Faz-se necessário fortalecer ambos para sentirmos a nossa força e a utilizarmos como seres divinos que somos, criados pela ENERGIA MAIOR.
    Abraços, Maurício.

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  3. Maurício, as vezes tento entender como consegue perceber, sentir, o todo de uma pessoa, enquanto 99% não percebem nem o explicito!?
    Penso e concordo com voce que essa mulher contemporanea, necessita antes de tudo se conhecer, se conhecendo, se ama, se amando, se respeita e nesse respeito sabe o que lhe faz bem, pois conhecedora de si percebe seus limites e fortalezas, assim não se expõe ao desnecessário nem se priva da sua liberdade.
    sempre maravilhoso acessar seu blog.
    grande abraço carinhoso.

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  4. Muito importante o papel que a mulher cumpre nos dias atuais! É desafio o tempo todo! Julgo o de maior valor é não perder a nossa essência de SER mulher. Acredito também que as novas conquistas consequencia de nossa 'inteligência emocional' e unida a 'inteligência física' é o equilíbrio em todos aspectos da vida. Voce Maurício é de 'tirar o chapéu'! Parabéns!!!

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  5. mauricio,li dois livros que abordam esse tema da independencia da mulher e as consequencias negativas que vieram com essa independencia.The Proper Care and Feeding of Husbands,da Dr.Laura Schlessinger e o Act like a lady and think like a man,do comediante e radialista Steve Harvey.O Steve resolveu escrever depois de receber inumeros pedidos de ajuda das mulheres,no programa de radio dele,a respeito disso,que vc abordou acima.Como vc,ele disse que as mulheres pedem conselhos de como manejar a independencia e sobreviver nesse mundo que antes era na maioria de homens.e ambos dizem que o homem age com a razao,e a mulher com a emocao.E isso e verdade.Nosso DNA e diferente do DNA masculino,as mulheres deveriam saber disso.O amor afetivo da mulher para o homem nao e o mesmo do homem para a mulher.Temos hormonios que agem diferente,que mexem com nossas emocoes e consequentemente e normal que muitas vezes nos sintamos impotentes,choramos,nao sabemos o que fazer ou como lidar com tanta pressao,da sociedade,familia,marido,namorado,filhos,carregamos uma pesada mercadoria nas costas e nosso DNA nao esta sempre preparado para aguentarmos isso numa boa.Como dizem os 2 autores,Independencia,dinheiro,e solidao.Os relacionamentos afetivos mudaram e muito com toda essa correria e necessidade de igualdade.Infelizmente e a realidade e as mulheres deverao pensar no que elas poderao fazer para contornar essa situacao e assim se sentirem melhor.Adorei o artigo,vc esta absolutamente certo,concordo plenamente.

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  6. Magnífico, iniciando pela magnífica musica de Beethoven, enquanto lia e escutava a musica me sentia em um belíssimo salão em Paris.. rsrsrsr
    Mas vejo que está luta das mulheres realmente é complexa, hj vemos que as mulheres estão tentando se expandir intelectualmente, mas ao mesmo tempo querem continuar ser submissa , veja a quantidade de mulheres com graduação, pós e mestrado que ultrapassa em 30 á 40 % os homens, e que continuam sendo “do lar” e não “dólar” .
    Mas não é fácil tentar entrar no grupo do bolinha. Hoje sei com lidar e melhor estas perspectivas. Mas as mulheres brasileiras irão aprender isto logo, somos um pais novo. Também vejo isto como a nossa cultura, ainda mais por eu ser a única brasileira em minha família sempre sofri muito por isto, pois minha mentalidade era diferente dos outros saindo muito do padrão, em casa todos sempre trabalharão então isto era incomum. Obrigada por compartilhar e ótimo domingo bjs
    Ana Luiza

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  7. Mais uma vez você acertou em cheio no âmago da nossa questão, do nosso posicionamento perante a vida, perante o mundo e da forma como somos aceitas e entendidas erroneamente.Você Maurício, está sendo um elo entre a realidade feminina e a postura masculina. Homem sensível, profundo, observador e como não dizer...sensitivo. A escritora Clarissa Pinkola Estés foi imensamente sábia em seu texto: "Quando a vibração específica da alma de um indivíduo, que tem tanto uma identidade instintiva quanto uma espiritual, é cercada de aceitação e reconhecimento psíquico, a pessoa sente a vida e a força como nunca sentiu antes. Descobrir com certeza qual é a sua verdadeira família psíquica proporciona ao indivíduo a vitalidade e a sensação de pertencer a um todo." Ela definiu o real sentido do prazer de ser e sentir-se integrada ao contexto de uma sociedade ,onde sabemos, há um lugar específico e iqualitário em importância e valor para cada ser , seja ele mulher ou homem. Concordo quando você diz que os homens deveriam ser mais sensíveis e as mulheres mais racionais, seria como se o masculino baixasse a guarda e o feminino erguesse a ponte para que ambos se encontrassem no meio do caminho do mundo emocional. Parabéns pelo belo texto.

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  8. Comentário Postado por Eliane Fernandes no Facebook, em 30/maio/2011:

    Olá Maurício!
    Gostei muito do artigo. Publiquei meu excelente, não apenas pelo texto, mas pelo contexto que abrange. Em vários momentos, percebo sua preocupação em ajudar as pessoas, quase como uma missão (se não for). Percebo também sua insistência em orientá-las a descobrirem-se por si só, sem abandoná-las. Muitas vezes me toco com sua obstinação. Não saberei traduzir o que seu texto despertou e o que eu mesma gostaria de dizer para essas mulheres. Bem, como gosto de poesia foi inevitável lembrar-me deste poema de Cecília Meireles (que li recentemente) e que compartilharei agora.
    Um abraço. Eliane (Lya)

    BIOGRAFIA

    Escreverás meu nome com todas as letras,
    com todas as datas,
    — e não serei eu.

    Repetirás o que me ouviste,
    o que leste de mim, e mostraras meu retrato,
    —- e nada disso serei eu

    Dirás coisas imaginárias,
    invenções sutis, engenhosas teorias,
    — e continuarei ausente,

    Somos uma difícil unidade,
    de muitos instantes mínimos,
    — isso serei eu,

    Mil fragmentos somos, em jogo misterioso,
    aproximamo-nos e afastamo-nos, eternamente,
    — Como me poderão encontrar?

    Novos e antigos todos os dias,
    transparentes e opacos, segundo o giro da luz,
    nós mesmos nos procuramos.

    E por entre as circunstâncias fluímos,
    leves e livres corno a cascata pelas pedras.
    — Que mortal nos poderia prender?
    Cecília Meireles

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  9. Creio que vamos para o infinito com tudo que absorvemos, até nos sonhos...

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  10. Maurício, não se pode esquecer, jamais, que à frente da Cruz, com Israel inteiro tripudiando o que se passou, somente as mulheres ali permaneceram: 3 diante da cruz [diz João em 19.25] ... mais João, e Simão ... o resto [pernas pra que te quero? Ou 'obrigados a tal', pela situação? Sem julgamentos então, não?]

    E por qual motivo lhe digo estas palavras aqui? O faço, por que quero? Longe disto! Fui movido pelo Espírito, à tal ... e só Ele sabe o motivo [melhor assim, porque não entrarei pelas suas 3 citações, pois estou reformatando o Livro, exatamente nas 3 orações do Jardim, aonde se esteve sozinho, em oração ...] ... a 1a: o Emocional, no Pai ... a 2a: o Racional, no Filho, e a 3a: o Espiritual, pela Santidade do Espírito!

    Boa Palestra!

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