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sábado, 2 de abril de 2011

Significado. A Razão de Todas as Buscas.


Por Maurício A Costa*


“Somos dúvidas, incertezas, indecisões, imprecisões e obscuridades. Somos multiplicidade de sentidos, equívocos e hesitação. Vivemos a diversidade de infinitos significados. Somos, enfim, o paradoxo da ambiguidade. Nada do que afirmamos pode ser considerado definitivo, porque vivemos um permanente processo de evolução, onde a verdade se revela gradualmente através da mudança”. ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Em Gestação).

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A inspiração para escrever este artigo me vem da imensidão do mar. Enquanto quietamente o aprecio, mergulho inconscientemente em suas profundezas  e deixo-me levar por pensamentos que vão da beleza aparente, aos perigos e mistérios que guardam suas águas. Um misto de atração e respeito por algo que encanta, e ao mesmo tempo amedronta.

Perdido em divagações, trago à mente a frase que abre esta matéria, lembrando-me de que nada neste mundo pode ser concluído a partir de uma observação isolada, parcial ou definitiva. A cada momento enxergamos a mesma coisa por um anglo distinto. Nossa percepção vai se transformando à medida que mudamos o ambiente, o humor, ou o estado de espírito. Por conta disso, algo que avaliamos de determinada maneira a poucos minutos atrás, pode ganhar repentinamente novo significado, e alterar totalmente nossa perspectiva em relação ao tema. Mas, afinal, o que é significado, perguntaria meu anônimo leitor ou leitora? Para fugir de qualquer elucubração intelectualizada, eu responderia da forma mais simples e objetiva possível: Significado é tudo aquilo que para nós tem importância, algo a que damos 'valor'.

Carl Gustav Jung
Carl Jung, o grande psicanalista suíço, fundador da psicologia analítica e um dos meus mentores favoritos quando o assunto é marca, identificava como 'arquétipos' ou 'inconsciente coletivo', as forças mais profundas que carregamos dentro de nós. Gravações indeléveis na alma, registros de sensações acumuladas ao longo de gerações, que com o tempo, transformam-se em regras de comportamento, atitudes ou posturas. É daí que nasce tudo o que conceituamos como ídolos e símbolos. Assim, quando algo diz respeito às nossas percepções mais íntimas, estamos diante de crenças que nos fazem construir todo tipo de mito; e o mito nada mais é que a 'personificação' de nossas mais profundas convicções. A síntese do que acreditamos como uma verdade absoluta.

E é aqui que começa também a grande ilusão absoluta. Simplesmente, pelo fato de nossa pequenez não nos permitir  alcançar a verdade absoluta. Todas as informações que dispomos são infinitamente limitadas. Tudo o que sabemos é meramente parcial, incompleto e na maioria das vezes, distorcido por nossos sentidos, ou pela precariedade da divulgação do conhecimento humano. Por essa razão, não dispomos da mínima competência para definir algo como absoluto ou definitivo. Tudo é efêmero, tudo é ilusório, tudo é incógnito, já que tudo está em processo, em sua infinita evolução na busca da perfeição. Aquilo que acabo de ver já não existe mais, e até mesmo o que terminei de pensar já é passado e suscetível de nova reflexão. O caminho vai aos poucos revelando a verdade, e a 'verdade' é o mistério da própria vida.

Gottfried Wilhelm Leibniz
É por esse motivo, que vivemos perplexos a maior parte do tempo, divididos entre dúvidas e ambiguidades. Hesitantes, quase sempre em relação ás mais ingênuas decisões, nos perdemos em insólitas divagações, ou nos entregamos a crenças absurdas alicerçadas sobre 'mitos' criados na profundeza de nossas mentes, tais quais monstros marinhos que quando vistos à luz da realidade não passam de minúsculas e indefesas criaturas. Ingenuamente nos tornamos presas de nossas próprias armadilhas. Perambulando perdidos entre nossos mais profundos sonhos, ideais e significados, nos angustiamos e ardemos nas fogueiras de estúpidas vaidades que nada fazem além de nos torturar, e nos fazer desperdiçar o melhor de nossas vidas, na construção de incompreensíveis fantasias. Como ensina o grande filósofo Gottfried Wilhelm Leibniz, (1646-1716), 'somente um indivíduo na sua totalidade, consciente de si mesmo, pode ver, sentir, perceber. As percepções inconscientes criam um certo halo invisível em torno dos objetos, que influem de maneira considerável em nossos julgamentos'

Neste momento, frente à magnitude desse oceano que contemplo, surge uma nova reflexão: perceber sua grandiosidade como resultado do aglomerado de milhões de insignificantes elementos que se misturam e se complementam para formar algo extraordinariamente magnífico. Células e moléculas agrupando-se num balé inigualável para gerar novas formas de vida. Flutuando à mercê do imponderável, impotentes diante da força avassaladora do que as cerca, alheias a toda adversidade, seguem sem qualquer preocupação com o que possa vir a ser 'insignificância', e sabiamente deixam-se levar pelo fluxo, porque a vida impõe um imperativo seguir em frente, para criar algo estupendo.

Não somos nada diferente disso. Envolvidos por esse 'todo' que nos cerca, somos como meros golfinhos, num frenético ziguezague em busca de construir algo que sequer sabemos definir. Uma eterna procura por significado para nossas vidas. Como se a vida em si já não representasse todos os significados do  mundo. Aflitos, exasperados e às vezes até desesperançados, vagamos numa insana viagem, esquecidos que “viver é simplesmente deixar fluir de maneira natural cada mínimo detalhe que irrompe no ambiente em que a vida acontece sem interferir; sem modificar sua tendência, intensidade ou direção. Apenas estabelecer a suave sintonia, que permite percebê-la em sua plenitude” (O Mentor Virtual II – O Elo Invisível – Em Gestação)

Joseph Campbell
Como nos diz Joseph Campbell, 'em alguns momentos, queremos ser os heróis e heroínas, lutando contra imaginários dragões da maldade, ou nos tornando um deles. Em outros, temos a pretensão de ser o mentor que se julgando experiente deseja transformar a tudo e a todos à sua volta. Quase sempre, pagando com a própria vida, para atingir ilusórias metas, recheadas de pretensos significados'. Como escrevi certa vez: "o que seria viver a própria vida, se nos obrigamos a esquecer o que somos na maior parte do tempo em função de expectativas? Como adequar nosso modelo tão pessoal a um sistema complexo, formado por milhões de outras criaturas? A resposta parece estar na necessidade de um freqüente mergulho para dentro de nós mesmos e buscar compreender a essência de nossas mais profundas aspirações”. (‘Divididos Entre a Razão e o Coração’ publicado no Blog ‘Marcas Fortes’ – Junho/2010). 

A construção da marca pessoal resulta dessa busca natural: Identificar aspirações ou vocações e nessa direção aplicar toda energia. Sem olhar para os lados, sem copiar, sem clonar, sem plagiar, sem tentar ser o outro; apenas completar-se nele. Consciente de que a complementaridade é um dos maiores conceitos de significado do universo, e que os 'arquétipos' não são mais que múltiplos papéis que executamos, em um formidável balé onde a vida se desdobra sem antes nem depois, porque  “o tempo não é mais que uma ilusão mental para quem busca compreender o verdadeiro sentido daquilo que para a alma é eterno. A vida é um pulsar contínuo sem antes nem depois. O presente é o cenário de todas as transformações possíveis, a impor um agir agora inevitável”. ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Em Gestação).

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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Executivo, Estrategista, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.
É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.

12 comentários:

  1. quando contemplamos o oceano é que percebemos quão pequenos somos....

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  2. Quero parabenizar e dizer seguinte: Continue sempre assim, siga sempre assim, lute sempre assim, na estrada longa da vida você é de seguir e nunca mais parar. Parabéns pelo excelente currículo, soube interligar uma área com a outra é isso que faz a diferença ter várias profissões, e não ficar limitado só numa área obedecendo tradicionalismo.

    Abraços

    Rita Dias

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  3. Então: Ambiguidade com Autenticidade.
    Parabéns pela matéria Maurício.
    Venho aprendendo muito para obter uma marca forte.

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  4. Caro Maurício, parabéns pela matéria. Cada vez que visito a sua página e leio os seus textos, me sinto privilegiada por tamanha riqueza de conteúdo, de expressão e de alma. Sucesso, hoje e sempre. Deus o abençoe!!! Abraços, Nina

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  5. Parabéns Maurício pela publicação dessa matéria, que mostra claramente a evolução e necessidade de estudar e aperfeiçoar constantemente, os objetivos devem ser definidos para termos o foco da nossa atuação porem precisamos manter sempre abertos para realizar as nossas ações nas melhores fortações. Agradeço o seu convite, desejanto plenas realizações.
    Pedro Rombola

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  6. Nao ha melhor lugar para mergulhar dentro de si mesmo do que o oceano.A agua tem o poder de acalmar e consequentemente inspirar.Como nos e o universo somos um so,dai esta constante e eterna duvida,quem sou eu?de onde vim?para onde vou?Sempre em constante evolucao,dai nada ser definitivo e vivermos sempre em busca de respostas. .Nos=universo,estaremos sempre envoltos neste misterio,que esta alem da nossa simples percepcao.O significado de tudo esta dentro de nos.No mais profundo do nosso ser.

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  7. Parabéns pela postagem. Foi um grande prazer ter recebido seu convite.

    Muitas vezes precisamos ser igual o rio, pois precisamos nos arriscarmos e entrar no oceano. Oceano este, que é nosso interior. Constatemente sentimos medo de fazermos, devido o temor do desconhecido, que é o nosso íntimo.
    Porque apenas então o rio saberá que não se trata de
    desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano.
    Por um lado é desaparecimento e por outro lado é
    renascimento.
    Assim somos nós.
    Só podemos ir em frente e arriscar.

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  8. O oceano com toda sua beleza e mistérios serviu de inspiração para uma materia excelente que nos dá prazer de ler.Como todas as outras... Parabens!

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  9. mirian scárduaabril 04, 2011

    Você consegue expressar meus pensamentos...Incrível!!

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  10. Mauricio,
    "Nossa alma é capaz de alçar vôos, por dimensões, que nossa mente jamais irá compreeder..."

    Só iremos compreeder o significado da nossa existência neste universo, quando percebermos, a grandeza da nossa existência conjugada com tudo à nossa volta. Pararmos com questionamentos tolos, que não levam a nada. Só nos faz perder tempo de desfrutarmos de exixtir simplesmente. É o que nos cabe. Este é o grande 'significado' da VIDA!
    Abçs. carinhosos.

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  11. Olá Mauricio

    Sempre visito seu blog, está cada vez melhor.. Parabéns.. Agradeço o convite.. Sucesso...
    Marilene

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  12. Mauricio querido,
    Parabéns pelo belo trabalho !!!
    Retornar à verdade e ao caminho é retornar à vida. Assim falamos em renascer. Deixar morrer idéias abstratas e fantasiosas sobre estar separado do tudo e dos outros e perceber a sabedoria suprema presente em todos os seres, vivenciá-la, tornar-se uno com todos.
    Basta perceber que nada é fixo, nada permanente – isto é o vazio. A mente vazia é aberta e flexível. Chora e ri. Pensa e não pensa. Não precisa ser esvaziada – já é vazia. Sendo vazia é clara e iluminada, em constante atividade e transformação.
    Devemos apenas escolher como alimentá-la. Nós mesmos é que somos o programa e o programador, o computador e seus acessórios.
    Assim conseguiremos deixar fluir... Deixar fluir não é inércia, não é inatividade, muito pelo contrário, é aceitação, é compreensão, algumas vezes vencemos, outras aceitamos a força e natureza do rio da vida.
    Beijos de LUZ....
    Tatiana Seavybricker

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