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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Vaidade. O Princípio da Corrosão de Marcas Fortes





Por Maurício A Costa*

"A maior de todas as batalhas para concretizar seus sonhos será contra os inimigos que você carrega dentro de si mesmo. Identifique-os e saberá como lidar com eles. Ignore-os e será um escravo para sempre". ('O Mentor Virtual - Pág. 134 - Editora Komedi - Campinas-SP - 2008).



Há uma frase atribuída ao grande ícone norte americano, Abraham Lincoln, de que, se 'desejarmos conhecer verdadeiramente um homem, basta dar-lhe poder'. Um texto simples, mas de enorme significado, para entendermos um dos mais poderosos 'inimigos íntimos' do ser humano, a vaidade.

Embora saibamos que uma das mais importantes características da alma  humana seja o seu 'espírito indômito' que o torna um constante desafiador, levando-o a viver frequentemente diante da adversidade, essa postura o faz desenvolver comportamentos quase sempre pautados por excesso de confiança, egocentrismo e intransigência. E é aí que reside a ferrugem, ou numa linguagem atual, o 'radical livre' que corrompe todas as suas 'boas intenções' originais, transformando de forma corrosiva magníficas idéias, ou ideais coletivos, na esquizofrenia do poder que transmuta fantásticos líderes em meros fantoches de uma fantasia inócua, onde o elemento marcante é uma enganosa fachada, construída às custas da manipulação de fiéis seguidores, que sob fé cega, entregam-se à exaustiva tarefa de edificar castelos de areia, movidos pela confiança no líder.

O mundo está repleto de exemplos desse tipo de liderança: De Adolf Hitler (Alemanha) a Benito Mussolini (Itália), de Muammar Kadafi (Líbia) a Idi Amim (Uganda), de Fidel Castro (Cuba) a Hugo Chávez (Venezuela), de King Jong (Coréia do Norte) a Baby-Doc (Haiti), de Mao Tsé-Tung (China) a Francisco Franco (Espanha), de Josef Stalin (Rússia) a Augusto Pinochet (Chile), e no destaque atual, Hosni Mubarak (Egito); o exemplo da decadência de uma liderança, na qual me inspiro para escrever este artigo, sem ater-me a qualquer tendência política.

Todos esses personagens da história, de alguma maneira, impulsionados inicialmente pela melhores intenções, são, quase sempre apoiados por interesseiros vassalos do poder ou pela massa de ingênuos 'miserábles' que flutuam indefesos à reboque das correntes majoritárias dos idealismos utópicos, ou da criminosa pressão financeira de grupos étnicos ou familiares.

Essa figura, entretanto, não está restrita a líderes que controlam nações. Ela pode ser vista também à frente de empreendimentos, organizações ou famílias. Alguns, portam-se como inofensivos cordeiros; que com voz mansa e gestos suaves apresentam-se como defensores ou guardiães do ideal comunitário, das tradições, ou de valores e crenças. Agem como se investidos por áurea sagrada, de tudo entendessem, a tudo compreendessem, sem necessidade de qualquer oráculo que ponha em dúvida, suas decisões. Na verdade, sua vaidade faz com que se sintam 'ungidos' e, como tal, infalíveis em suas visões, julgamentos ou escolhas, cujo preço costuma ser caro não apenas para si próprio, mas principalmente para aqueles que nele depositaram sua fé ou confiança.

É por conta disso, que países se desmantelam, corporações desmoronam e famílias se esfacelam. Vítimas dessa excessiva vaidade, sucumbem sob o peso de lamentáveis decisões equivocadas, fruto de egoísta intransigência cujas consequências só poderão ser avaliadas com o passar do tempo, o juiz imparcial de todos os equívocos. Alguns, com sorte se reerguerão como fênix que ressurge das próprias cinzas, outros poderão não ter novas chances e passar a fazer parte da história de marcantes e lamentáveis fracassos.

Em meu livro O MENTOR VIRTUAL, trato a vaidade humana como um dos maiores adversários à conquista da realização e do êxito, e a chamo de 'inimigo íntimo', pelo fato de dormirmos com ele. No dia-a-dia, tento trabalhar esse demônio pessoal desde a hora em que acordo, por ter a exata noção do quanto somos tentados a cada minuto por esse invasivo 'vírus', de maneira contínua e quase imperceptível, minando todos os valores que tentamos desenvolver, com base na sabedoria superior que nos ensina sermos parte de um todo; e que o poder aparente não passa de uma quimera, criada pela nossa mente com vistas ao prazer desmedido ou à acumulação de bens para além de todos os limites do bom senso.

Quando ainda jovem, eu vislumbrava o poder e a ganância como componentes naturais da cultura machista e dominadora, que me pareciam àquela época, fazer parte do DNA histórico do homem de sucesso. Por conta disso, mentir, falsear, enganar, ou corromper, fizeram parte do meu 'modus vivendi' como algo natural e até admirado por muitos, que ignoram a corrosividade da falsa prosperidade, quando construída sobre os pilares da futilidade e da mentira.  O tempo, no entanto, mostrou-me que sucesso não tem nada a ver realização pessoal. Afinal, "sucesso e fracasso são impostores nos quais acreditamos ingenuamente quando levamos a materialidade demasiadamente a sério" (O Mentor Virtual, Pág. 169 - Ed. Komedi - Campinas-SP - 2008). Aprendi com minha inestimável plêiade de 'mentores' que "a realização pessoal tem natureza perene, pois está vinculada a metas cujos valores transcendem o aspecto meramente material, por atender aos anseios de uma alma que é única, viajando no tempo em busca de evolução e liberdade" (Idem, Pág. 101). Sucesso, costuma gerar ilusão. Realização pessoal, entretanto, é a base da Prosperidade; a riqueza fundamentada em valores autênticos e universais. 

Nos dias atuais, depois de vários anos de significativo aprendizado, ao atuar como Conselheiro de Empresas de vários portes, minha primeira recomendação ao Empreendedor a quem venha a assessorar diretamente é para que ele trabalhe seriamente em sua mente e coração esse perigoso 'inimigo íntimo' chamado vaidade. Sem perder seu espírito indômito e imprescindível idealismo, aprenda a escutar à sua volta; a rever conceitos e paradigmas, pois em um mundo marcado pela velocidade das mudanças é decisivo estar atento aos sinais que vão surgindo pelo caminho a indicar alternativas seguras que permitam decisões embasadas numa visão ampla, que contemple múltiplas percepções. Não há antídoto melhor para esse adversário interior que a humildade, com base na sabedoria. Aquela humildade que não é apenas aparente, mas reflete bom senso, e a perfeita noção de que se é parte de algo muito maior. O verdadeiro líder enxerga isso com naturalidade.

Como dizia Albert Einstein, 'todo ponto de vista depende de onde está situado o observador'; o que nos sugere buscar a cada momento novos enfoques fora de nosso alcance de visão convencional, se desejarmos uma percepção mais ampla que nos permita decisões consistentes. Além do mais, vale lembrar, Heráclito de Éfeso, quando afirmava que 'é impossível entrarmos no mesmo rio duas vezes, pois as águas já não são as mesmas, e nós já seremos outro'; uma interessante metáfora para caracterizar o momento atual, marcado pelo dinamismo acentuado das mudanças, e a importância do rever conceitos e posturas a todo instante, uma vez que, por vivermos em um ambiente em constante mutação é imprescindível adaptar-se ao meio se desejamos sobreviver. Para tanto, é imperativo 'escutar' com humildade, 'ponderar' com serenidade (mistura do racional com o emocional na dosagem certa), e 'decidir' com sabedoria. Quando agimos com base nesses valores temos grandes chances de construir relações saudáveis e liderança duradoura.

Em pleno século XXI, onde a informação navega a velocidades quânticas, não há espaço para quem quer que seja, considerar-se dono absoluto da verdade. Isso é no mínimo um 'non sense'; um disparate sem consistência que pode colocar em risco qualquer empreendimento, nação, família e até mesmo uma simples amizade. O conhecimento e a informação se alastram na velocidade virtual e de maneira irreversível, fazendo com que um número cada vez mais maior de elementos envolvidos em qualquer grupo, projeto, ou comunidade, saibam exatamente o que acontece a seu redor, estimulando-os abandonar à própria sorte, outrora respeitados líderes, como o Mubarak que hoje nos inspira; cujos cacoetes manipulativos vão se tornando visíveis e indesejáveis. A liderança do presente terá que aprender a lidar com valores. É isso que definirá as marcas fortes do futuro.
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*Mauricio A Costa, É estrategista para projetos de ‘alavancagem’ de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, para atuar como Executivo, Assessor, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, para grupos, associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.



14 comentários:

  1. Um post atualíssimo , tratando de um assunto fundamental. O Mentor tem toda a razão ao declarar que os piores inimigos se encontram dentro de nós mesmos. A vaidade atrapalha, mascara, desfoca, condena, subjuga, aprisiona . Fico a me puxar freios diariamente , pois ela é uma vilã esperta e sorrateira. Parabéns pela postagem.

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  2. Belíssimo!
    Este sentimento 'corrosivo', a vaidade, leva o ser humano à comportamentos de baixa vibração, uma ilusão de poder no seu consciente e inconsciente, levando suas atitudes sempre ao bel prazer. Esquecendo que o Universo está vivo!! Tudo vê, houve e sente e nos retorna numa proporção muito maior da que praticamos.

    Parabéns!

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  3. Caro Maurício,
    Excelente publicação "a vaidade" é importante nesse mundo de evolução, observar em nós, como estamos agindo, ou seja, a auto-observação, cuja melhoria, vai refletir em várias fatores como: saúde, prosperidade, paz e harmonia. Considero importante também, pensar sempre no bem estar coletivo e agir com essa consciência, ou seja, o que podemos fazer para trazer o bem coletivo, o retorno sem dúvida acontecerá de forma positiva, porque estaremos, agindo dentro dos príncípios básicos das leis naturais. Um grande abraço, agradecendo sempre !!!

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  4. Interessante seu blog !!!
    Estou a ler os seus escritos... e para quem fala de Vaidade é ainda mais interessante.
    Vou deixar a minha marca simplesmente... e voltarei... pode que desejar consultar alguns dos meus blogs : pesquisa: "O Passado ficou Esquecido" e encontra algumas pequenas coisas... POrtugal.
    cumprimentos
    isabel Moreira

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  5. Você sempre com textos ricos e interessantes, mostrando os males que deprimem o ser humano, e vaidade é o pior deles.

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  6. Seu texto é fantástico!!! Os verdadeiros líderes deve saber que para comandar um grupo de sucesso, seja ele qual for ou em que nível estiver, além da capacidade, é necessário que saiba transcender a si própio, pautar sua vida na ética... verdadeiros valores fortalecem o grupo e refletem no sucesso...

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  7. Maurício, tenho acompanhado suas postagens. Algumas são fantásticas, outras excepcionais. Você faz muito bem a todos. Siga em frente. Hélio Haddad

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  8. Vaidade! O pior de nossos inimigos íntimos. Pois nos leva cegueira. Esta ali, entre todos os nossos inimigos, para tentar, camuflar nossas inseguranças. Porém, diante de uma platéia que nos avalia constantemente, torna-se mais evidente esta vaidade, arrogância e soberba, a falta de competência e domínio, para enfrentar desafios.

    Há que se enfrentar os inimigos íntimos com humildade; com você Mauricio, aprendi a enfrentá-los: Hoje eu digo a mim mesma: - Estou com medo. Mas eu não sou meu medo. Eu tenho problemas. Mas eu não sou o meu problema. Eu estou com raiva. Mas eu não sou a minha raiva... E assim por diante.

    A vaidade se manifesta em muitas ilusões que fazemos da vida; alimentamos em nós a ilusão de que temos tudo sob nosso domínio, de que somos melhores, de que consiguiremos tudo o que queremos... Porém, só quem abandona sua vaidade com suas muitas ilusões é inteiramente livre!

    Abçs. carinhosos, Mauricio!

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  9. Oiee Mauricio.
    Maravilhoso como sempre, A nossa vaidade não nós deixa ver o que está na nossa frente, com Enstein fala tudo é relativo, e antes de Galileu também. O ser humana quer medir a inteligência humana para isto não há uma ciência exata, nossa vaidades não nós deixa aprender a olhar o mundo de maneira mais simples, a complexidade está em nossa vaidade.
    Veja a informatica uma série de 0 e 1 ou tabela verdade tudo com uma lógica pratica, para tudo a matemática com seus 10 numeros pode explicar rsrsr bjs adorei parabéns

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  10. A vaidade, grande inimiga do egoísmo, pode dar origem a todos os efeitos do amor pelo próximo. (Paul Valéry)

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  11. Na minha opinião, o homem tem por natureza a vaidade, pois ela é resposta do ego à conquista de seus desafios. Para alimentar a vaidade, estamos sempre buscando superar nossas dificuldades e limitações. Assim como o orgulho e ganância, a vaidade é positiva se bem dosada, aliás, como tudo na vida. Mesmo a humildade em excesso é oxidante.
    Também acrescento que não só os líderes devem estar atentos a esta inimiga íntima (quando excessiva), mas CADA UM DE NÓS, buscando fortalecer nossa marca pessoal.

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  12. Caro Mauricio:
    Agradeço por seu comentário.
    Concordo parcialmente com ele, mas, alerto que a vaidade na maioria das vezes é reflexo de um narcisismo exacerbado. Nesse caso, poderá ser muito prejudicial ao líder, pois bloqueia a visão a novas idéias.
    Um abraço cordial,
    Mauricio A Costa,
    editor do blog.

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  13. É tudo verdade. Os "emsimesmados", remplis de soi-mêmes, constroem seus alicerces na ilusão da auto-suficiência. Sejam líderes ou não, perdem valiosas oportunidades de interagir e de expandir seus horizontes, e de aprender com o próximo, que pode ser o presidente da empresa ou o ascensorista. Afinal, sabedoria prescinde de formação acadêmica e de posição social. Olhar no olho e dispor-se a ouvir (ouvir de verdade) é uma fonte eficaz e barata de crescimento pessoal e profissional. Mas requer uma conexão real com o outro. E essa conexão, não raramente, fica interrompida pela vaidade.
    Ótimo texto, professor.

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  14. Olá Mauricio!
    Acabei de ler seu texto sobre a vaidade, que me fez refletir bastante.
    Estou de acordo com a corrosividade que ela tem no mundo e nas lideranças.
    O exemplo deste sábado vem da Tailândia, com os "Camisas Vermelhas".
    Um grande abraço,

    Fabrizio De Paulis
    19.02.2011.

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