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domingo, 30 de janeiro de 2011

Adversidade. A Têmpera das Marcas Fortes





Por Maurício A Costa*


“Construir uma marca forte implica encarar o desconhecido, enfrentar novos desafios: Sair do lugar comum com determinação e ousadia, que exige criatividade e coragem para correr riscos, entusiasmo e autoconfiança para transferir credibilidade”. (Maurício A Costa, em ‘O Mentor Virtual’ – Pág. 170 – Editora Komedi - Campinas-SP – 2008). 
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Aprendi muito do que sei como estrategista voando. Isso mesmo, voando! Quando me interessei pela aviação esportiva jamais imaginei que iria aprender conceitos tão importantes aplicáveis à minha vida profissional como Executivo, Empresário, Coach ou Assessorando Empresas. Creio que, até mesmo minha vocação como escritor começou a surgir a partir dessa paixão por voar, pois não há nada tão belo e tão forte quanto perceber o mundo a partir de uma nova perspectiva. Ver de cima, ou melhor, ver de fora. Observar a montanha sem estar nela; enxergar não apenas suas encostas, mas também toda extensão a seu redor por quilômetros de distância. A visão não é só poética, é enriquecedora e prática. Não diz respeito unicamente a princípios aerodinâmicos ou meteorológicos, mas principalmente a questões como planejamento, bom senso e acima de tudo, disciplina.

Algumas regras básicas da aviação deveriam se tornar verdadeiros mantras de uma organização, independente do seu tamanho, porque dirigir uma empresa em nada difere de pilotar um avião. Ambos irão navegar por ambientes onde, ousadia e prudência precisam caminhar juntas, pois o imponderável é uma constante. Uma dessas regras, talvez a mais básica de todas, diz simplesmente que não se pode, ou melhor, não se deve decolar sem um plano de vôo. Norma que para muitos pode parecer óbvia, mas que não é seguida ou respeitada por muitos empreendedores, que decolam com seus empreendimentos sem a mínima noção de um plano estratégico, a indicar ao menos onde se pretende chegar, quando e como. Alguns chegam a dizer que isso é um luxo para poucos, e outros, chegam a dizer que se trata de ‘frescura’. Para esses, o pensamento estratégico não passa de uma perda de tempo.

Ao atuar como ‘estrategista’ para várias empresas, envolvo-me com frequência em momentos de turbulência dos mais diversos. Há ocasiões em que tudo parece fluir em céu de brigadeiro, como dizemos na aviação quando se voa em céu azul, sem nuvens pesadas, com visibilidade total e sem ventos fortes; todavia, voar implica estar em constante deslocamento, e por consequência, as condições meteorológicas podem mudar de uma hora para outra, alterando completamente a segurança do voo. Essa percepção comum a um piloto é muitas vezes ignorada por um empreendedor. Por isso, a visão desse estrategista é quase sempre vista com certa reticência e até animosidade por quem o contrata, afinal, como pensar em adversidades quando ao redor tudo está bem, fluindo a mil maravilhas? Por que estragar o prazer de o momento de plenitude de um empreendimento com preocupantes previsões adiante, se tudo está ‘aparentemente’ sob controle?... É assim, que tem início em determinadas situações, momentos de angústia e desafio para aquele que com uma visão de fora e de longo alcance, percebe significativas mudanças no horizonte e necessita sugerir mudanças de rota ou de atitude da aeronave, no caso a empresa, com relação à velocidade, altitude ou plano de voo.

Provavelmente, a maior de todas as competências de um empreendedor, tal qual um piloto, seja a sua capacidade de atuar na adversidade. Afinal, ser empreendedor é uma atividade de risco, especialmente em países onde inexiste uma política de amparo e proteção que promova maior segurança àquele que se aventura a voar em ambientes hostis, marcados por uma ocupação irracional, irresponsável e até mesmo desleal dos espaços. Entretanto, competência para a adversidade não significa habilidade de improvisação. Muito pelo contrário, implica maior ênfase no planejamento e suas necessárias adequações durante o percurso ou operacionalização. Nesses momentos, pode ser decisivo complementar a visão com informações que chegam de fora. Recomendações estratégicas podem significar a sobrevivência de um projeto, e conduzi-lo com serenidade à sua meta. Não existe possibilidades de mágicas durante um voo. Não se apela a ‘pais-de-santo’, ou salvadores da pátria em momentos de turbulência, mas se aplica com absoluta confiança princípios, que associados ao conhecimento, ao bom senso e à disciplina, contornam situações adversas. Nada, além disso.

Convém lembrar algo que aprendemos na infância, mas que esquecemos com facilidade: crescemos na adversidade. Sempre saímos fortalecidos desses momentos turbulentos, porque é neles que nos permitimos testar nossa capacidade de superação, mais que isso, colocamos em prática novos conhecimentos ou novas teorias, além de abrirmos nossas mentes para alternativas de fora, que seriam certamente bloqueadas quando tudo parece estar bem. É na adversidade que entendemos o significado da palavra ‘diferente’. Aquilo que foge da rotina, do convencional, do que é conhecido. É também diante da adversidade que compreendemos a extensão da palavra ‘limites’, e nos colocamos frente a frente com o 'desconhecido'. E aí somos testados. Mais ainda, somos preparados para desafios maiores. No fogo intenso, o calor que dá a têmpera ao aço que ganha novas características, resistência e aplicações. Parece lugar comum, mas trata-se de uma verdade universal, da qual não há como fugir. O constante reciclar de todas as coisas impõe tal princípio. A catástrofe surge do inesperado para que em situações extremas tudo se reajuste, e para que, de alguma forma, seus participantes percebam o imperativo da mudança, pois sem isso, acomodam-se às condições conhecidas, ignorando a lei que rege todos os elementos de um todo que se modifica sem cessar.

Se você está vivenciando um momento de turbulência, em sua vida pessoal ou seu empreendimento, está na verdade diante de enormes oportunidades de crescimento, portanto, não se aflija, tampouco desespere, busque ajuda externa, para refletir sobre as alternativas. Quem está dentro de um tornado dificilmente saberá sequer em que direção ele está indo. Quem está de fora pode não apenas identificar a direção, mas também, sua força e intensidade. Se, no entanto, você está ‘voando em céu de brigadeiro’ seu desafio será maior ainda, pois implicará em tomar ações preventivas diante de uma plateia que nada irá entender; o que implicará posturas de coragem e ousadia, associadas a uma visão de futuro. Modificar paradigmas quando tudo está bem pode parecer uma loucura, ou no mínimo idiotice para muitos, e enfrentar uma manada nem sempre é algo fácil. Afinal, como ensina ‘O Mentor Virtual’, “O extraordinário consiste em construir algo que atravesse o tempo e o espaço convencional”.

Como já escutamos tantas vezes, a realização pessoal ou sucesso empresarial depende da nossa capacidade de transformar desafios em oportunidades. Ou como nos ensinaram os grandes alquimistas do universo, da nossa competência em transmutar material pesado em algo leve, como chumbo em prata. A adversidade não é mais que um momento de transição; uma chance de reciclagem para extraordinárias transformações. Tudo depende unicamente da forma como encaramos o novo, e reagimos diante dessas oportunidades. 
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*Maurício A Costa é um obcecado por resultados, gerado pelo pensamento estratégico, focado em gente, inovação, e criação de valor agregado. Executivo com experiência internacional em empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica); está disponível para participar da construção de marcas fortes, em organizações sérias, interessadas na identificação de novas oportunidades, na superação de desafios, e na melhoraria de resultados e rentabilidade. No plano pessoal, é o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país, e poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Conselheiro' para Empresas, Empreendedores ou Executivos.

Contatos: mauriciocosta@uol.com.br 
Visite nosso site: www.mauricioacosta.com.br

8 comentários:

  1. Se um poeta consegue expressar a sua infelicidade com toda a felicidade, como é que poderá ser infeliz?
    Mário Quintana

    Entre outros gosto muito deste texto , também era um escritor que usava a alma alheia com sabedoria.
    CASSANDRA PROENÇA
    Parabéns... adoro passear aqui. Abraço.

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  2. "Quem está dentro de um tornado dificilmente saberá sequer em que direção ele está indo. Quem está de fora pode não apenas identificar a direção, mas também, sua força e intensidade. Se, no entanto, você está ‘voando em céu de brigadeiro’ seu desafio será maior ainda, pois implicará em tomar ações preventivas diante de uma plateia que nada irá entender;o queimpli cará posturas de coragem e ousadia,associadas a uma visão de futuro".Estamos compreender,aprender. Abraço amigo Mauricio.

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  3. Comentário Postado Por
    Mauro Soares - Art Designer

    "Fantástico, embora na minha vida sempre voei e enxerguei bem de cima as coisas. Pena que a grande maioria das pessoas tem os pés no chão, grudados. E eles quase em todas as vezes não acreditam nas coisas que vemos e nos chamam de loucos, de malucos..." - Mauro Soares

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  4. 'Voar, voar/ Subir, subir/ Ir por onde for/ Descer até o céu cair/ Ou mudar de cor/ Anjos de gás/ Asas de ilusão/ E um sonho audaz/ Feito um balão...// No ar, no ar/ Eu sou assim/ Brilho do farol/ Além do mais/ Amargo fim/ Simplesmente sol...// Rock do bom/ Ou quem sabe jazz/ Som sobre som/ Bem mais, bem mais...// O que sai de mim/ Vem do prazer/ De querer sentir/ O que eu não posso ter/ O que faz de mim/ Ser o que sou/ É gostar de ir/ Por onde, ninguém for...// Do alto coração/ Mais alto coração...' (Sonho de Ícaro - comp. Pisca/Claudio Rabello)

    Enfrentando os desafios com coragem e determinação, o sucesso das nossas pretenções só dependerá do quão mais alto alçarmos vôo para além dos nossos horizontes; vislumbrando assim novas perspectivas... 'é gostar de ir por onde, ninguém for... do alto coração, mais alto coração...!!!'

    Abçs. carinhosos, Mauricio.

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  5. Nilze Monteirofevereiro 03, 2011

    Oi Mauricio, tudo de bom para voce. Gostei tanto que já compartilhei este seu artigo no meu FB, beijo grande, Nilze Monteiro

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  6. Ler teu blog é como receber um copo de água fresquinha num dia de calor...

    Obrigada por você fazer a diferença!

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  7. Olá Maurício!
    Adorei o texto!
    Voce escreve, sugere as pessoas nos momentos de turbulências procurar ajuda externa. É muito comum não buscarem ajuda porque quase sempre o 'ego' não permite. As pessoas que procuram ajuda tem a sorte de receber pq permitem.
    Abs!

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  8. Prazer! Mal abri a leitura, e a testificaçao se deu, pq escrevi 1 livro c/ 1200 folhas que, por formatação em A4, p/ 1 convencional, dobrará; e convenhamos, ler 2400 pág... nem bíblia ou corão, sem que o Espírito Santo se manifeste em Graça, para tal Favor! E lhe escrevo, pq tive um verdadeiro encontro com o Espírito Santo, aonde as águas celestiais me inundaram, pois eu as ouvi por todas as partes, e a minha vida foi transformada e, guiado a esta descrição, fora do lugar comum da religiosidade que impera por todas as partes!

    E me alegro, profundamente, de coração verdadeiro, porque li tudo que o sr. escreveu, e não esperava encontrar alguém, com a sintonia espiritual tão aguçada; e o quanto ela é necessária neste mundo, não é? Mas, as naturezas das imagens estão se revelando por todas as partes, desde o Céu dos Céus ... quiçá, não é por este motivo, o aguçado gosto do voo ... gosto de quem manifesta a sua verdadeira natureza, e morada ? Quem sabe ? Grande Abraço, e prazer verdadeiro por tê-lo entre as minhas amizades ( assim já o considero !!! ).

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