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sábado, 25 de dezembro de 2010

Marca é Uma Impressão Que Fica Para Sempre




Por Maurício A Costa*

"Para enxergar os segredos de cada pequeno elemento da vida a pulsar à sua volta, o ser humano redescobre a criança em seu interior, ou algumas vezes viaja pelos labirintos da loucura. Por fluir como energia, a alma em sua busca pelo sublime não se submete aos parâmetros limitantes da mente". ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Campinas-SP). 


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‘Para o escritor, a história nunca termina. Como névoa, alguns personagens se esvaem, enquanto outros suavemente vão surgindo. A vida é um reciclar eterno, revelando toda beleza e magia da fantasia que formos capazes de criar, para deixar marcas indeléveis que permanecerão para sempre’... Quando citei essa frase na página do Facebook alguns dias atrás, minha alma viajava por um tempo impreciso, divagando entre momentos inesquecíveis da adolescência. Das escuras cavernas do inconsciente afloravam imagens, palavras e sons de uma incrível poesia real, transformando vida em fantasia.

Quando ainda muito jovem e pouco entendendo sobre o amor, vivenciei momentos de uma terna paixão que ficaram marcados para sempre na história da minha vida. Não foi um encontro casual, tampouco algo planejado. Apenas uma confluência de afinidades pela leitura, pela música e pela beleza da vida. Ela uma mulher madura, muito elegante e extremamente culta, (o que provavelmente despertou meu interesse), era de uma beleza singular, voz macia e olhar carinhoso. Sempre que a avistava, sentia a sensação de estar na presença de uma fada saída dos meus próprios sonhos. Não havia atração sexual a princípio, o amor era como uma doce música celta a penetrar mansinho, de forma platônica; sem arroubos ou ímpetos instintivos. O interesse em conhecer um ao outro fazia nascer lentamente uma admiração recíproca por conta do belo que enxergávamos em volta e através de nós. Isso era tudo e parecia bastar.

Qualquer psicólogo de plantão com visão Freudiana diria de imediato, se tratar de projeção materna, por conta do acolhimento que se produz em momentos como esses. Todavia, minha percepção desse fato, nos dias atuais, está mais para uma análise na linha do Carl Jung por considerar que nossas ações e comportamentos são ditados pela variação de carga genética que carregamos ao longo de milhões de anos. Como somos a síntese da fusão de muitas almas através de gerações, transportando uma miscelânea de sensações, sentimentos e percepções gravadas no mais profundo do nosso subconsciente, reagimos diante de determinadas situações de acordo com nossas peculiaridades. Nascemos como uma marca única, resultante dessa fusão, e, portanto, nossas reações não podem ser catalogadas como fruto de comportamentos padronizados. Nossas atitudes são personalíssimas, incomparáveis e determinantes para formar nossa personalidade ao longo da existência. 

Alguns anos após esse enlevo passageiro de que trago suave lembrança, respeitando as diferenças de situação, senti-me nas cenas de um dos mais belos filmes de que guardo lembrança, ‘Verão de 42’, estrelado por uma das mais lindas mulheres do cinema, a atriz Jennifer O’Neill. Numa história sem fim, em que a vida imita a arte e arte copia a vida, eu me via retratado em alguns momentos daquele filme de maneira terna, como se fragmentos de mim viessem à tona de forma singela e fossem projetados para o mundo, revelando pedaços de uma história que ainda teria muito por contar.


Hoje, passado tanto tempo, não me sinto perplexo, como muitos que conheço, ao ver mulheres maduras apaixonadas por jovens com idade muito inferior. Vejo apenas gaivotas solitárias, em busca da liberdade. Almas que, mesmo ilusoriamente acompanhadas por pessoas que já não as amam, ou por quem não nutrem mais qualquer sentimento, viajam perdidas em meio a sufocante solidão, que produz desgaste e morte prematura do pulsar da vida. 

Em muitos dos meus contatos diários no Facebook percebo essa angústia presente nas entrelinhas de muitos diálogos. Uma carência implícita em cada pequena frase, em cada mínima expressão, em todos os desabafos e íntimas revelações. Sem se dar conta, muitas vezes o escritor, o consultor ou o coach se torna um ‘personal advisor’, uma espécie de mentor virtual de plantão, tentando decifrar o que se passa por trás de uma tela de computador, a centenas de quilômetros, ou quem sabe milhares, com uma alma aflita em busca de socorro para essa angústia. Como decodificar informações de alguém que nem sempre pode ou deve se abrir com alguém que mal conhece? Como ajudar sem deixar-se envolver emocionalmente? Como transmitir palavras acertadas em momentos turbulentos sem gerar mal entendidos? Questões aparentemente banais, mas que fazem enorme diferença quando se trata de seres humanos das mais diversas origens, nacionalidades ou situações, em busca de respostas para coisas que sequer sabem perguntar. Afinal, "O que somos? O que queremos? Onde queremos chegar?... Perguntas simples cujas respostas podem definir rumos. Enquanto a alma clama por vôos livres, a mente cobra trilhas seguras. Para superar crises existenciais basta entender que somos frutos de nossas próprias escolhas". ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Campinas-SP).

Tudo o que posso aconselhar em momentos de questionamentos existenciais como esses, é que soltem as amarras e se deixem levar pelo fluir da própria vida, pois essa não permite replays. Costumo dizer, que enganam a si próprios aqueles que ingenuamente acreditam em segunda chance após a morte. A vida acontece no agora, no pulsar de cada célula, em cada arrepio da pele, ou em cada batida do coração. Por isso, é fundamental percebê-la acontecendo dentro ou em volta de cada um nós, e para tanto, é decisivo romper paradigmas sob a forma de tabus, e encará-la sem falsos pudores, consciente de que o tempo flui de maneira inexorável. 

Por ser pura energia, o amor é um mistério. Não é possível controlá-lo, planejá-lo, escondê-lo, e muito menos represá-lo. Não precisamos procurá-lo, pois ele acontece de maneira natural. É um erro querer ignorá-lo; Maior ainda sufocá-lo quando brota espontâneo das profundezas de nossos mais incógnitos instintos. Por isso, recomendo: Não se leve demasiadamente a sério. Descubra-se e se renove a cada momento. Vale a pena aventurar-se fora do casulo para sentir-se parte de algo maior. Não desperdice seu único e precioso tempo imaginando o que outros irão pensar ao seu respeito. ‘O extraordinário só pode ser percebido quando se voa além do convencional’, (O Mentor Virtual - pág. 22).  

Certa vez, o mentor virtual me ensinou que, "Desperdiçamos o melhor de nossa vida refletindo sobre culpas de um passado que se evapora ou esmagados pela ansiedade de um futuro que ainda não chegou. Nossos sonhos e desejos gritam por espaço em um estreito momento chamado presente". ( 'O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Campinas-SP).

Aquele verão de um passado que já se tornou longínquo, ensinou-me que não podemos viver o antes nem o depois; toda nossa energia reside no agora. Aquilo que o nosso coração definir como verdade isso deve alimentar o nosso sonho. Como diz o texto inicial, ‘a alma não se submete aos parâmetros limitantes da mente’. Nossa marca pessoal é resultante de impressões milenares que nos afetaram, e será essa marca que deixaremos gravadas para sempre naqueles que com amor conseguirmos tocar.
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*Mauricio A Costa, é Pensador/Estrategista. Expertise em projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.
É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.
Contatos: mauriciocosta@uol.com.br




terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Entrevista do Autor de 'O Mentor Virtual' a Maura Roth - Programa SalaDaNeT

A seguir, edição da entrevista concedida a Maura Roth em seu programa SALADANET em Dezembro/2010:


Mauricio Costa 28' from saladanet on Vimeo.



Suas idéias e comentários serão sempre bem vindos. 

*Mauricio A Costa, é Consultor de Empresas para assuntos de Valor Agregado, Gestão e Licenciamento de Marcas. Atua também como ‘Coach’ e Palestrante em temas ligados a valores humanos e a construção da marca pessoal. É o autor do livro O MENTOR VIRTUAL.

Em gestação: 'O MENTOR VIRTUAL II - O Elo Invisível', primeiro livro a ser escrito em tempo real; criando personagens fictícios inspirados nos maravilhosos e insuperáveis relacionamentos criados no Facebook, com lançamento previsto para 2011.



domingo, 19 de dezembro de 2010

Liberdade. Escolhas. Caminhos.




 Por Maurício A Costa*

"Nossas almas viajam ignorando conceitos de espaço e tempo. Elas representam a essência daquilo que somos, sintetizando experiências acumuladas através de gerações, a ganhar personalidade em cada etapa do existir. Nada de mágico ou sobrenatural, apenas um desdobrar-se contínuo da própria vida em seu processo de renovação"  - (Mauricio A Costa, em 'O Mentor Virtual II' – O Elo Invisível). 

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Como na maioria dos finais de semana ao longo dos últimos anos levantei-me cedo. Caminho lentamente pela casa, refletindo sobre o tema que escreverei. Assaltado por milhões de assuntos a provocar um turbilhão de idéias, começo a colocar-me no lugar daqueles que poderiam ser meus eventuais leitores, e pergunto-me: ‘o que será que eles gostariam de ler?’. Uma pergunta sem eco, que se perde em meio à solidão em que se mete o escritor. Não há respostas. Nem mesmo uma pequena luz a mostrar a direção. O vôo é livre, e a sensação de liberdade apavora. 

A inspiração pode nascer a qualquer momento, por conta de um evento banal ou surgir diante do inusitado. Não há previsões, tampouco planejamento. Afinal, não se trata de fabricar algo padronizado, em série. Pelo contrário, há que se produzir a chama do enlevo, por meio do jogo de palavras que provoca a atração da alma e cria afinidades. Essa momentânea abstração produz um fluxo aleatório de imagens e sons e cria as mais estapafúrdias divagações. Nada pode deter o vôo que se inicia em direção ao desconhecido. Uma imensidão sem limites se desdobra no horizonte como se a eternidade fizesse parte do próprio existir e escrever fosse apenas o jorrar de uma fonte inesgotável de sensações e percepções captadas numa viagem sem noção de tempo ou espaço.

Tal qual ousada gaivota que se desprende da segurança do ninho entre rochedos, a alma decola em busca de uma liberdade cuja essência ignora. Projeta-se no vácuo de todas as possibilidades sem dar-se conta dos perigos que eventualmente possa encontrar pela frente. Ela pressente que para descobrir a própria vida é necessário penetrar nos imperscrutáveis labirintos do sublime e fundir-se sem reservas ao que lhe é sagrado. Nisso consiste sua única meta.

Liberdade implica escolhas. Ainda que inconsciente. A cada segundo, um definir de direções que podem alterar o vôo para sempre. Como nômades, vagando por espaços vazios, iremos com certeza nos perder entre milhões de alternativas e o peso momentâneo de cada opção. Em alguns momentos seremos reféns de nossas próprias escolhas; em outros, seremos açoitados por imprevisíveis tempestades, alheios aos perigos que podem advir. Sentimos, porém, que a força a nos impulsionar é maior que todas as ameaças pressentidas pelo instinto. Há apenas o imperativo de seguir em frente, ainda que diante de desafios aterrorizantes, que nos colocam à prova a cada etapa do caminho. 

“A cada minuto escrevemos a nossa história. Um filme sem antes ou depois. Um eterno agora a se desdobrar em cenários e circunstâncias inusitadas. Na mente fugidia apenas uma simples lembrança; na alma de quem as vivenciou com plena intensidade, marcas que ficarão para sempre”... (O Mentor Virtual II – O Elo Invisível – Campinas-SP ), e é assim que o compositor vai transformando inspiração em sons, o pintor em cores, e o escritor em palavras. A beleza que fascina a essência do que somos estará presente em cada momento da jornada se a deixamos viajar sem as amarras produzidas pela mente. Tal qual borboleta quando se desprende do casulo, a alma não carrega outro objetivo senão o de explorar a sua própria liberdade. Não há consciência da finitude do tempo, tampouco qualquer idéia da imensidão a seu dispor. Ela apenas voa, deixando-se levar pelo agradável perfume que lhe atrai e pela suavidade da brisa que a conduz.



A água é o bem mais precioso e fundamental à vida, todavia, não terá a menor utilidade para aquele em quem a sede não foi despertada. Assim, palavras que fluem de uma fonte a formar rios que passam diante de nós quando não estamos prontos para elas ou não as percebemos como algo essencial naquele momento. Há palavras que passam diante de nossos olhos ou através dos nossos ouvidos às quais não damos a mínima atenção; existem mensagens, todavia, que chegam para ficar; aninham-se lá dentro de cada um de nós, causando mudanças extraordinárias para sempre. Tudo depende da maneira como reagimos a elas" (Mauricio A Costa, em ‘O Mentor Virtual’ – Pág. 7 – Ed. Komedi – Campinas-SP - 2008).

Enquanto não despertarmos da nossa letargia secular não seremos capazes de iniciar a estupenda reciclagem evolutiva que proporciona as mudanças que propiciam alcançar outros níveis de percepção. A inquietude ou angústia provocada pela solidão gerada por momentos turbulentos costuma ser o estopim das grandes transformações, mas é necessário que a mente esteja desbloqueada para dar-se conta do rio que flui bem diante dos olhos. Uma pequena alteração de postura pode ser suficiente para deixar a luz que amplia a visão penetrar as cavernas da ignorância, e nos fazer perceber a infinidade de caminhos a serem percorridos, por conta do poder de escolhas resultante do fruir a liberdade.

O extraordinário consiste em poder renascer a cada dia, o novo só pode ser percebido quando se voa além do convencional, abandonando regras que nos engessem ou nos prendam a um passado que não nos pode oferecer vida, pois a vida só se realiza no presente, desenhando milhões de oportunidades a cada momento. Por outro lado, é ingenuidade acreditar em vida física após a morte, uma vez que é decisivo o reciclar constante da matéria para renovação de seus elementos. Só a alma se perpetua através dos tempos, pela propagação daquilo que somos através da genética ou de nossas palavras e pensamentos exteriorizados por meio de palavras, cores e sons.

 

"Não te maravilhes de que eu te tenha dito: Necessário vos é nascer de novo! O vento sopra para onde quer, ouves-lhe o ruído, mas não sabes donde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do espírito”. (Jesus Cristo, citado por Mauricio A Costa, em O Mentor Virtual - Pág. 222 – Editora Komedi – Campinas-SP – 2008).


Destacar-se em meio à multidão é um desafio imenso e impõe significativas mudanças de atitudes em relação ao que a maioria toma como padrão. Exige muitas vezes, ir além dos próprios limites, para criar diferenciais que tornem nossa marca percebida pelos demais. Para tanto, tudo o que precisamos é deixar aflorar nossa mais perfeita identidade, lembrando que construir uma marca forte implica rever o que está obsoleto, e redesenhar a vida a partir do novo contido no espírito do todo que nos cerca, e que nos faz conhecer o verdadeiro sentido da palavra liberdade, a fim de que possamos proceder escolhas que definam o melhor caminho.

 

Como rio que segue seu fluxo indiferente às pedras e obstáculos que encontra pelo caminho, em direção ao oceano, a vida irrompe a cada minuto a ocupar espaço. O fluir perene é o único significado em si mesmo, sem limitações ou adversidades restritivas. Tudo é apenas uma sucessão de eventos que surgem como fatores de estímulo para torná-lo mais forte e caudaloso, onde o desejo de integrar-se ao todo supera todos os desafios, e esse se torna seu exclusivo propósito e único destino.



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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Executivo, Estrategista ou Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.



sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O Amor é a Minha Religião.






Por Maurício A Costa*



“Deus é a síntese da sabedoria. Sua essência ou espírito independe de conhecimento ou compreensão de quem quer que seja. Para vivenciá-lo, basta senti-lo através da energia que flui em você neste momento. Siga as setas do seu coração para encontrá-lo. Onde estiver seu coração aí estará ele também". ('O Mentor Virtual' - Pág. 257 - Ed. Komedi - Campinas-SP - 2008).
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Cortina D'Ampezzo - Itália
Minha aventura como aprendiz de escritor começou há exatos dez anos, quando numa das muitas viagens que fiz à Europa, decidi aproveitar um final de semana alongado entre duas reuniões de trabalho. Eu havia chegado a Paris, procedente do Cadore, minúscula cidade na região das Dolomitas, onde está encravada Cortina D’Ampezzo, um paraíso indescritível dos Alpes Italianos, quando senti um forte desejo de conhecer Santiago de Compostela, por conta de tudo que rodeia a região norte da Espanha com suas histórias e lendas, especialmente sobre as Cruzadas. Foi nessa inesperada viagem que tudo começou.

Catedral de Santiago de Compostela
Ainda adolescente sentia-me perdido em meio às religiões de origem onde fui criado. Primeiro a católica e depois a protestante. Na verdade, não me via confortável com a idéia de ter que aceitar todos os dogmas e doutrinas sem que pudesse fazer qualquer tipo questionamento. Até que um dia, com apenas quinze anos, fui convidado gentilmente a abandonar minha pequena comunidade cristã, pelo fato de ler, naquela tenra idade, filósofos como Platão, Descartes, Bacon, Diderot, Feuerbach, Nietzsche, Jean-Paul Sartre, Kierkegaard, Spinoza, e tantos outros. Minha curiosidade era fruto de uma sede insaciável de conhecimento e me faziam viajar por todos os livros possíveis, não importava a origem, o credo, ou idéia por trás do texto, por mais absurda que pudesse parecer. Por conta dessa precoce peregrinação, fui conhecendo algumas das mais diversas religiões, seitas e sociedades filosóficas do mundo, sem qualquer outra intenção que não fosse tentar entender aquilo que me ensinaram desde pequeno a chamar de Deus.

Com os fanáticos desenvolvi um medo avassalador. Aprendi a olhar Deus de baixo para cima, vendo-o como algo poderoso, e ameaçador; e a me sentir um reles pecador, algo imprestável e condenado ao fogo do inferno. Uma vida que crescia sob ameaça de punições e castigos durante a vida, e mais ainda,  após a morte, como se morrer já não fosse um enorme castigo.

Com a maioria dos filósofos comecei a olhar Deus de cima para baixo. Deus era agora apenas um caso a ser estudado friamente. Uma coisa. Um sopro, uma substância, um motor original a mover todas as coisas, estudado numa visão metafísica, a partir de pensadores como Demócrito, com sua idéia ‘fisicalista’, de que tudo é pura matéria em seus múltiplos desdobramentos. Agora eu definia Deus como eu achasse melhor. Eu poderia até mesmo ignorá-lo. Afinal, porque me incomodar com algo que não entendia e sobre o qual se produziu tantas guerras entre seres humanos.

Foto/Capa: Rio Lor-Espanha
Numa história singela, narrada no livro que escrevi nos primeiros anos deste século, e que será lançado no futuro sob o título de ‘O Mentor Virtual III – O Insight’, eu exponho a trajetória de uma alma em sua busca desesperada por significado, vivida durante alguns dias, no trecho entre Cortina D’Ampezzo na Itália e Santiago de Compostela na Espanha. Uma narrativa surpreendente que desemboca em um momento extraordinário de encontro pessoal, para descobrir a mais óbvia de todas as respostas, e que levei quase uma vida inteira para descobrir: Deus não é para ser entendido. Deus é para ser sentido. Deus não está lá no além, está aqui. Não é para ser complicado, explicado, ou interpretado; por que ‘Deus é Amor’ (I João: 4:16); e está dentro de cada um de nós, sob a forma da mais inefável de todas as Energias (I Coríntios: 3:16). Portanto, não carece explicações, e muito menos interpretações quase sempre manipulativas, e a maior de todas as aberrações é querermos reduzi-Lo a uma frágil e limitada figura humana. 

Posso dizer que renasci naquele dia. No alvorecer de um novo século que estava apenas começando. Com brilho nos olhos e uma magnífica força no coração, eu despertava; disposto a alardear para o mundo a minha pequena e ao mesmo tempo grandiosa descoberta. Eu, que havia sido durante toda a minha vida um obstinado e contumaz leitor me apresentava agora ao universo como neófito escritor; disposto a encarar o desafio de me expor, e mostrar a cara numa ousada aventura que estaria apenas começando. E naquele momento, um frio e arrogante executivo iniciava sua gigantesca metamorfose, com o desafio de dar vida a um imaginário personagem chamado 'mentor virtual'.


Foi assim que, diante de um pequeno e encantador rio chamado Lor, às margens de uma quase desconhecida rodovia entre Ponferrada e Sarria, eu comecei a ver Deus frente à frente, e descobri minha religião. Em um inusitado altar entre arbustos e um fluxo de águas borbulhantes, nascia a Religião do Amor. Sem templos, sem santos, sem velas, sem rituais e sem paradigmas. Apenas a força da vida se manifestando de forma clara e veemente diante dos olhos, em qualquer direção.

A partir de então, passei a perceber Deus como a estupenda força presente em cada molécula do meu corpo (onipotência). No pulsar de cada mínima célula de todo ser vivo, ou na energia latente no mais ínfimo átomo de qualquer elemento (onipresença). Posso vê-lo nas telas de uma simples pintura, ou escutá-lo no som das mais belas músicas, e mais ainda, sei que ele me escuta por meio de ondas do magnetismo que une todos os seres do universo (onisciência). Quando penso, falo ou escrevo tenho a certeza de que estou sendo escutado por essa magnificência, representado singularmente por cada pequena criatura que o contém ou está contido nele. Quando canto, ainda que num suave murmúrio, ou me solto nos movimentos de uma dança, posso sentir a sua vibração permear minha mente, meu corpo e meu coração.

Não mais consigo enxergá-Lo nos inócuos rituais repetitivos onde está ausente o coração do beato. Para mim tornou-se impossível percebê-Lo nos gritos e ameaças dos falsos pastores. Também não O vejo na hipocrisia das interpretações manipulativas, desprovidas da essência contida no ensino máximo de um grande mestre que ousou em sua época insurgir contra a dissimulação de fingidos sacerdotes. Alguém cuja síntese de sua mensagem resumia-se em recomendar o amor a Deus, um Deus que é Vida, não deus morto, ou dos mortos; e por último, mas não menos importante, amar o ‘outro’ como amamos, com toda vaidade que nos é peculiar, a nós mesmos.

Não consigo ver Deus em qualquer ser humano, independente da religião que professar se em seu coração residir o ódio, o rancor, a arrogância, ou o egoísmo, Tampouco naqueles que se anulam por comodismo ou preguiça até mesmo de pensar. Não O vejo muito menos nos que se acovardam por medo ou insegurança, pois ignoram o Poder que carregam dentro de si mesmos.

Não percebo Deus nos que escondem seus talentos debaixo da terra (Ver a parábola em Mateus 25:14-30) e desperdiçam todo seu tempo imaginando desculpas para dar a todos à sua volta, a fim de  justificar sua falta de iniciativa ou determinação. Também não O vejo naqueles que,  como o escorpião da fábula contada por Rubem Alves em 'O Escorpião e a Rã' (Editora Loyola, 1989) , escondem sua índole peçonhenta sob o disfarce de inofensivos seres, prontos para mostrar sua ferocidade e veneno na primeira oportunidade que tiverem.

A construção de uma marca pessoal forte passa necessariamente pela formação de um conceito baseado em valores. E de todos os valores que conhecemos, não há nada mais forte que o amor. O amor está contido na simplicidade e no trabalho. Na dedicação e na coragem. Na verdade transparente e no propósito firme. O amor é o pulsar que gera e é gerado pela vida. O amor é energia propulsora do que convencionamos chamar de Deus. Por tudo isso, defini que O amor é a minha religião. 


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*Maurício A Costa é um 'Design Thinker'. Pensador e Estrategista. Foi Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar (vinculado a resultados) de empreendimentos que estejam em busca da excelência de gestão, e interessadas em aprimorar seu pensamento estratégico para alavancagem de resultados (receitas e rentabilidade).
É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento em fase de gestação, focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida.
É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.





http://marcasfortes.blogspot.com/2010/12/o-amor-e-minha-religiao.htmlO Amor é a Minha Religião

sábado, 4 de dezembro de 2010

Valor Agregado: Questão de Sobrevivência Para Uma Marca.




“O tempo não é mais que uma ilusão mental para quem busca compreender o verdadeiro sentido daquilo que para a alma é eterno. A vida é um pulsar contínuo, sem antes nem depois. O presente é o cenário de todas as transformações possíveis, a impor um agir agora inevitável”. (‘O Mentor Virtual II’ – O Elo Invisível – Em Gestação - Campinas-SP).
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Com certa frequência, por onde passo algumas pessoas me perguntam: Já que você é um consultor para assuntos de valor agregado, o que significa exatamente essa expressão? Um questionamento aparentemente simples para um tema de tão grande importância, pois é a visão correta desse conceito que vem tornando poderosas muitas empresas em todo o mundo, tanto em seus respectivos países de origem como em nível internacional. Algumas delas estão tomando a liderança de empresas gigantes, como General Motors. Motorola e  IBM.

Vou começar a explicar com um exemplo prático, que pode ser acompanhado facilmente. A propaganda dos automóveis da marca Peugeot que vejo em minha TV destaca aos berros informações sobre condições especiais de preço, prazo e descontos anunciados no mais alto volume, quase gritados, por um locutor orientado pelo diretor cuja meta é fazer vender os produtos do seu cliente. Enquanto isso, apenas alguns minutos depois observo um comercial da empresa Hyundai anunciando um de seus carros destacando qualidades, características, funções e diferenciais do produto. Um show de imagens trabalhadas com um enorme senso de estética e beleza, transferindo ao telespectador uma sensação de conforto, potencia e sofisticação, em um vídeo de apenas trinta segundos, sem gritos e sem apelações, mas com uma voz grave e segura, onde o propósito é conquistar a confiança do cliente.

Nesse exemplo acima, não precisa ser formado em universidades como Harvard ou Wharton para entender que uma está lutando desesperadamente numa guerra de preços para vender seus produtos, enquanto a outra está num processo de conquista e porque não dizer sedução de seus clientes. Enquanto a Peugeot perde mercado visivelmente em escala internacional, a Hyundai é a marca que mais cresce no mundo. Uma está vendendo preço, a outra está vendendo valores. Uma irá ter que baixar seus custos até não aguentar mais, enquanto a outra irá procurar agregar ou adicionar cada vez mais aos seus automóveis aquilo que seus potenciais consumidores dão valor. E o que será que nós consumidores damos valor? – Ora, não precisa ser um professor de marketing para responder: Nós valorizamos coisas como conforto, segurança, qualidade e beleza. Nós vivemos em busca da perfeição. Sonhamos todos os dias com ‘o melhor’, e mesmo que isso custe caro, queremos tê-lo. Nossa meta transforma-se em desejo, e o desejo torna-se uma aspiração.

Eu tenho certeza de que poderia parar a explicação por aqui porque sei que você já entendeu perfeitamente o que é valor agregado. Entretanto, vale a pena analisarmos o assunto um pouco mais. Por quê? - Simplesmente porque muitos empresários não acreditam nisso e continuam numa luta desesperada, quase sempre reduzindo preços, para aumentar volumes de vendas de produtos quando na verdade os consumidores procuram cada vez mais por serviços. Isso mesmo! Serviços que incorporam coisas que eles, consumidores dão ‘valor’ e pelas quais estarão dispostos a pagar um pouco mais. Às vezes até 'muito' mais.

Neste ponto da exposição você me perguntará: Então a empresa não deve buscar reduzir seus custos para se tornar mais competitiva? – e eu respondo, sim. Só que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Mas como uma coisa não tem nada a ver com a outra? ...Provavelmente, é o que você deverá estar pensando neste momento. Vou responder com um exemplo: Há cerca de vinte anos atrás, um telefone celular, cuja função básica era simplesmente permitir você falar com outra pessoa onde quer que ela ou você estivessem, custava aproximadamente mil e duzentos dólares, o equivalente a dois mil reais. Hoje, um celular, com essa mesma função básica custa aproximadamente duzentos reais, ou seja, dez vezes menos. No entanto, as marcas que adicionaram serviços que os consumidores dão valor, isto é, agregaram valor aos seus produtos, aumentam seus preços e vendem muito mais. Exemplos? Black Berry e I-Phone. Na verdade, não apenas vendem mais, eles são são objetos de desejos de todos os usuários de aparelhos celulares no mundo inteiro. Não é sem razão que a Apple, empresa criadora do I-Phone, é uma das melhores empresas do mundo para se investir e com maior índice de lucratividade do planeta. E seguirá sendo uma vitoriosa, enquanto levar a sério o conceito de valor agregado. Enquanto isso, muitos fabricantes que focam apenas as funções básicas de seus produtos irão amargar duros prejuízos ou até mesmo ter de fechar suas portas, por acreditar que valor agregado é conversa mole de marqueteiro que vive com a cabeça nas nuvens.

É decisivo estar atento ao que deseja o consumidor, antes mesmo que ele verbalize isso. Se uma marca quer ser líder, ela precisa antecipar-se a esses desejos e necessidades. Quando uma empresa tem sua visão voltada para o mercado, seus clientes ou potenciais clientes, ela detecta com sabedoria suas tendências com facilidade. Como na visão de marketing é o diferente que cria desejo, nada como a fantástica diferença criada pelo novo. Por essa razão, as empresas vencedoras lançam produtos numa velocidade extraordinária, na busca por agradar, encantar e porque não dizer fascinar e seduzir seus clientes.

Acontece que isso não é para qualquer empresa. Só empresários arrojados, ou executivos, com percepção além do tempo, assessorados por consultores focados na visão estratégica voltada para o conceito de valor agregado estarão prontos para esse grande desafio. Porque é necessário trilhar caminhos a partir de uma visão de fora, sem o ranço da miopia, ou limitado por paradigmas de toda espécie que se criam dentro de uma empresa viciada por uma cultura apegada a mentalidade industrial, essencialmente voltada para questões de economia de custos ou processos fabris.

Não há mérito em fazer o que todos fazem. Repetir o passado pode significar perder preciosos espaços, e até mesmo caminhar para a morte lenta e inexorável. Para incorporar em seu DNA uma visão de valor agregado uma empresa necessita desenvolver um olhar muito além do tempo, ignorando tudo que é conhecido e convencional, e isso dificilmente será compreendido e muito menos implementado se a organização insistir numa visão imediatista ou conservadora. Por essa razão, muitos grandes empreendimentos poderão desaparecer nos próximos anos, ou serão engolidos literalmente por empresas que são apaixonadas por seus clientes e consumidores e tentam a todo custo descobrir como agradá-los, e até paparicá-los.

Há apenas vinte anos, não havia muitos dos produtos, marcas ou empresas que vemos hoje na lista das coisas imprescindíveis que como consumidores ou usuários dispomos. Nosso lar, nossos automóveis, e nossas vidas enfim estão incorporando a cada dia, mais a mais itens considerados essenciais, e que passamos a dar valor de tal maneira, que não fazemos questão de pagar um pouco mais por isso. A TV incorpora desde o controle remoto e a tela plana, até imagem digital; e a coisa não pára aí, pois demanda também de um canal por satélite com mobilidade para assistir-se o que se quer, na hora que se julgar conveniente; o automóvel sem ar condicionado, direção hidráulica ou câmbio automático vai se tornando algo obsoleto. O computador que não traga embutido um sistema wi-fi, câmera digital e memória/velocidade de processamento na casa dos gigabytes não se pode chamar de computador. Serviços, serviços, e mais serviços, incorporados ao produto básico. Isso é VALOR AGREGADO. Essa é lei atual do mercado. Quem tiver ouvidos para ouvir ouça. Quem não souber escutar o cliente prepare-se para tempos difíceis. 
A boa notícia, porém, é que há bons consultores, preparados para ajudar  empresas como a sua, que desejam superar o desafio da modernidade, e ir além do seu tempo para conquistar respeito, garantir rentabilidade, e consolidar sua posição em meio àquelas que já enxergaram isso há mais tempo. Por tudo isso, se você é um empresário ou executivo preocupado com o sucesso do seu empreendimento, minha recomendação neste momento é: Desgrude-se do passado e desperte para o futuro! Ponha a vaidade pessoal do lado e escute um pouco o universo à sua volta, formado por pessoas a quem possivelmente você não esteja dando muito valor. O tempo não perdoa decisões erradas, muito menos omissões conscientes. 


Vamos lá! Mexa-se! Pode ser que ainda dê tempo. Boa Sorte.
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*Mauricio A Costa, É estrategista para projetos de ‘alavancagem’ de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, para atuar como Executivo, Assessor, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas.
É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, para grupos, associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.