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domingo, 28 de novembro de 2010

Arrogância: Disfarce do Despreparo ou da Manipulação




 Por Mauricio A Costa*


"Modificar paradigmas implica muita ousadia, pois exige mudanças de posições que na maioria das vezes se tornaram excessivamente arraigadas; uma decisão que para muitos pode caracterizar aparente fraqueza ou falta de personalidade, quando na verdade trata-se de um ato de coragem e grandeza, porque reflete bom senso para rever conceitos, humildade para alterar posturas e forte determinação para expor-se". (O Mentor Virtual - Pág. 96 - Editora Komedi - Campinas-SP - 2008).
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Mauricio A Costa
em Carcassonne-France
Minha curiosidade pela diversidade do pensamento humano me levou certa vez a conhecer Carcassonne, uma cidade da região de Languedoc-Roussilon, no sul da França. Um local extraordinário por seu conteúdo histórico, definido pela UNESCO como Patrimônio Mundial, e considerado um dos mais bem conservados sítios medievais da Europa. E é essa inesquecível experiência que me inspira neste momento a escrever este artigo, sobre a arrogância humana ao longo dos séculos. Um lamentável comportamento egoísta, cujo objetivo central  tem sido invariavelmente o poder e a dominação. 

Essa região tornou-se conhecida no mundo, pelo fato de haver sido palco de uma das maiores demonstrações da intolerância humana. Ali viveu há cerca de mil anos, um povo chamado ‘Cátaro’; covardemente exterminado por ordens da ‘Santa Inquisição’, o tribunal radical da igreja católica na idade média, formado sob orientação papal com o propósito de destruir qualquer foco daquilo que fosse considerado heresia pela igreja. Ou seja, eliminar qualquer grupo, crença, ou associação que desafiasse seus incontestáveis dogmas e doutrinas. Um tema sobre o qual recomendo ao leitor ampliar sua pesquisa, visando uma leitura mais ampla do assunto a fim de compreender melhor sua dimensão e não ficar restrito aos meus breves comentários. 

Não é de se estranhar, portanto, que até hoje vejamos reflexos dessa atitude autoritária na maioria das religiões, com ênfase especial naquelas fundamentalistas. As redes de televisão estão sendo literalmente invadidas por pseudos pastores ou auto proclamados sacerdotes, totalmente desprovidos de conhecimento, movidos unicamente por suas interpretações, que aos berros ameaçam com o fogo do inferno seu angustiados e aflitos telespectadores, vítimas de suas próprias mazelas, e mais especialmente aqueles que não contribuírem com recursos financeiros para financiar um sistema sabidamente corrompido que alimenta as mais espúrias intenções de enriquecimento, e culminam algumas vezes com transferências milionárias para o exterior, ou para aquisição de patrimônio pessoal incompatível com suas declaradas rendas, quando na verdade, deveriam utilizar tais recursos para construir  albergues para idosos, creches ou orfanatos para crianças, e locais de treinamento profissional para adolescentes.

Ao invés disso, o que vemos são templos suntuosos espalhados por toda parte, alguns até com pontos de pousos para aviões ou helicópteros, construídos sob a leviana alegação de agradar a um Deus que não pede sacrifícios e sim compaixão (Mt 9:13), pois como cita a própria escritura sagrada, “Porque eu quero o amor mais que os sacrifícios, e o conhecimento de Deus mais que os holocaustos(Os 6:6). Há muitos sacerdotes “transformando a casa de orações, em covil de ladrões(Mt 21:13), quando deveriam estar a ensinar seres humanos a superar desafios e crises existenciais de toda ordem. Ignoram os ensinamentos de um mestre que dizem seguir, e que alertava: "Sois semelhantes aos sepulcros  caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estão cheios de podridão... Pareceis justos aos olhos dos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniquidade" Desfilam assim, uma falsidade sem tamanho, a desafiar o mínimo de bom senso, comparável apenas à descarada malignidade da maioria dos políticos e governantes de uma sociedade que clama por misericórdia, e está exausta de sacrifícios. 

arrogância de sentir-se dono da verdade, no entanto, não é um privilégio exclusivo dos pseudos-pastores ou políticos maquiavélicos que dominam a paisagem. Ela é fruto também da intransigente ignorância que permeia todo ser humano que se fecha em si mesmo, por considerar sua crença como absoluta; e ao achar que sabe tudo, tenta impor suas idéias de maneira autoritária, substituindo o ensinamento pela crítica, e a paciência pelo deboche, por meio de expressões sarcásticas, quando não provocadoras.

Em minha página no Facebook, onde publico gratuitamente, todos os dias, fragmentos dos livros que escrevo, recebo de vez em quando, mensagens irônicas, e algumas até agressivas, quando o texto que publico não combina com suas crenças, ou filosofias radicais. Contestações quase sempre amparadas na citação de frases de pensadores famosos, proferidas originalmente em um contexto maior, porém não entendidas, pois não nasceram da leitura na íntegra da obra do seu autor, mas apenas da busca em sites ou livros especializados em pensamentos ou frases famosas de grandes figuras da humanidade. Há também aqueles que refutam qualquer nova ideia  por conta do doutrinamento, lavagem cerebral, ou interpretação ‘enlatada’ que recebem. Ao invés de analisar o tema exposto, o rebatem de imediato com a crítica prepotente, na tentativa de ridicularizar ou desprezar uma reflexão sugerida, demonstrando um claro comportamento arrogante e por vezes manipulador. 
Em seu excelente livro, ‘A Ilusão da Alma – Biografia de Uma Ideia Fixa’, Eduardo Giannetti conclui sua obra com um inteligente questionamento, que ele mesmo responde: “É possível que não tenhamos alcançado ainda a menor compreensão do que nos faz ser quem somos e agir como agimos? É possível que estejamos radicalmente equivocados sobre nós mesmos, perdidos na mais espessa floresta de mitos e enganos, e que nossos descendentes das gerações futuras venham um dia a nos encarar com a mesma mistura de complacência e perplexidade com que encaramos os nossos ancestrais animistas, com seus rituais, sacrifícios e despachos? Sim, é possível” (Giannetti, Eduardo – ‘A Ilusão da Alma, biografia de uma ideia fixa’ – Cia. das Letras – São Paulo - 2010). - Uma incômoda pergunta para testar o nível de intransigência com relação a velhos paradigmas, ou idéias fixas, que carregamos em nosso âmago, muitas vezes de maneira inconsciente.

Do ponto de vista pessoal, sabemos que, posturas intransigentes, prepotentes ou arrogantes costumam isolar seus personagens por conta do egoísmo, e afastar com frequência os demais do seu convívio. Afinal, não nos sentimos à vontade diante de situações que inibam a liberdade de ser e de pensar. O mais preocupante é que tais posturas tendem a transformar pessoas maravilhosas em seres humanos amargos, e com o tempo podem se tornar fatores determinantes para a causa de inúmeras doenças, algumas delas de caráter malignos, por vezes irreversíveis.

Quase sempre, a arrogância é um disfarce para encobrir incompetência ou despreparo, mas, acima de tudo é uma atitude utilizada para fins de manipulação pelo medo, pois é uma maneira de impor pela força aquilo que não se consegue transmitir pela sabedoria ou conhecimento. Em muitas ocasiões é também substituída por uma aparente e cínica humildade; mas como a hipocrisia é a forma ridícula de esconder uma farsa, com o tempo ela revela sua face latente

Por ser um fator que atrapalha significativamente a construção de uma marca, pois uma marca forte não é resultado de imposição; pelo contrário, só se torna especial quando é capaz de gerar atração e desejo de maneira natural, seria recomendável que em vez disso, quando diante de novas idéias, procurássemos assumir uma postura reflexiva para avaliar cenários e interpretar contextos a fim de  tirar conclusões com sabedoria; afinal:  “Rever posições é algo que exige mente aberta ou um ‘espírito livre’, pois impõe ir além das confortáveis fronteiras do que já é conhecido... Há momentos que será necessário enfrentar trilhas solitárias e construir o próprio caminho” (O Mentor Virtual – Seja o Autor de Sua Própria História – Pág. 95 – Editora. Komedi – Campinas-SP – 2008).

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Os grandes mestres do universo nos deram exemplos claros da postura de humildade. A expressão 'só sei que nada sei', atribuída a Sócrates, um dos maiores filósofos da humanidade, nos ensina a pequenez de nosso conhecimento diante da sabedoria universal. Jesus Cristo, o mestre que tantos apregoam, mas, poucos entendem, defendia que 'é preciso tornar-se pequeno para ser grande', pois só alcançamos a plenitude quando nos tornamos como crianças. 

‎Por tudo isso, sugiro que descubra o poder da força superior que existe em você, e ignore aqueles que tentam manipulá-lo com pregações arrogantes, ou rituais inócuos. "Há uma estupenda energia latente dentro de você. Ponha isso em ação. Pare de buscar sua força na ilusão de imagens construídas por mentes primitivas. O único ritual decisivo para concretizar seus objetivos, superar desafios e alcançar a realização pessoal está naquilo que convencionamos chamar de fé. Defina o que quer com firmeza e aja com determinação. Nisso consiste o segredo de qualquer milagre". ('O Mentor Virtual II - O Elo Invisível' – Em Gestação).

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 *Maurício A Costa foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida.

É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.

Contatos: mauriciocosta@uol.com.br








sábado, 20 de novembro de 2010

Sair da Multidão. O Desafio da Construção de Uma Marca Forte

Por Maurício A Costa*

"O extraordinário consiste em construir algo que atravesse o tempo e o espaço convencionais" (Mauricio A Costa, em ‘O Mentor Virtual’ - Pág. 22 – Ed. Komedi - Campinas-SP - 2008).

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Poderia ter sido mais um dia como outro qualquer, numa cidade qualquer, onde um executivo de uma grande empresa tem pela frente mais uma reunião de negócios, envolvendo um contrato de vários milhares de dólares relacionado a licenciamento de marcas. Todavia, o executivo não era apenas mais um homem de negócios e a cidade não era um lugar qualquer, era simplesmente Veneza. Um lugar místico; belo e envolvente aos olhos e à alma, desdobrando-se em intrigantes paisagens, capazes de deixar perplexo ao mais indiferente ser humano do planeta.

Como minha reunião seria apenas às dezesseis horas, eu teria boa parte do dia para vagar, e conhecer um pouco mais daquela cidade romântica e sedutora como poucas. Apesar de já haver estado ali duas ou três vezes antes eu não me cansava de admirar aquele conjunto arquitetônico criado pela mão humana entre dezenas de lagunas formadas pelo mar Adriático na costa da Itália. Classificada como um patrimônio da humanidade pela UNESCO, Veneza vai, no entanto, sendo lamentavelmente abandonada pelo mundo e em especial pelo governo italiano que a deixa agonizar lentamente por falta de investimentos em sua recuperação.

Perambulando sem pressa por ruas estreitas, cortadas por labirínticos canais, eu me sentia perdido em meio a uma multidão formada por gente do mundo inteiro, e caminhava absorto em meus pensamentos como se fosse um fantasma a vagar entre velhos casarões marcados por uma história de mais de dez séculos, sentindo-me um estranho, tal qual um E.T. fora do seu planeta. Por conta dessa incômoda reflexão, me veio à mente a inesquecível música do filme ‘Anônimo Veneziano’, que comecei a cantarolar baixinho só para mim, enquanto caminhava.





Como do nada, uma repentina sensação de melancolia tomou conta do meu pensar. Era uma tristeza causada não pelo fato de me sentir um estranho entre milhares de pessoas desconhecidas, mas por perceber que muitos daqueles que encontrava pelo caminho eram muito mais anônimos que eu mesmo. Uma percepção drasticamente ampliada ao encontrar pelas ruas algumas figuras humanas magnificamente fantasiadas, como se vivessem séculos atrás, portando belíssimas máscaras a esconder rostos que já eram anônimos mesmo sem elas. 

Parei momentaneamente, e recostado na coluna de um daqueles velhos palacetes, comecei a observar toda aquela gente, correndo atrás de algo que com certeza não saberiam explicar. Como formigas, moviam-se freneticamente de um lado para outro, com expressões faciais das mais diversas. Uns a mostrar imensa inquietude, outros, pressa, e outros, aflição. Quase todos, invariavelmente demonstrando algum tipo de ansiedade e preocupação com relação às próprias vidas. Não pareciam estar vivendo, mas, apenas cumprindo uma rotina de atividades repetitivas e sem nexo. Não havia consciência de que o tempo estava fluindo inexorável diante deles, tampouco, uma noção clara de seus próprios valores. Eram todos, vistos de fora, parte de uma enorme massa amorfa de seres humanos a compor uma caleidoscópica multidão que mudava de cores e de formato a cada minuto.   

A canção do ‘Anônimo Veneziano’ pulsava agora cada vez mais forte dentro de mim, ao observar a angústia de muitas daquelas figuras humanas, muito mais perdidas que eu em meio a toda aquela gente. Mesmo cercados de tantos outros seres humanos, sentiam-se sozinhos. Abandonados dentro de si mesmos, ignoravam ou temiam a força do outro que as  poderia  complementar. A música ia crescendo em minha mente de forma insistente com uma mensagem singela, mas intrigante a dizer-me:


"Cuore, cosa fai. Che tutto solo te ne stai. Il sole è alto e splende già, sulla cittàAl buio tu non guarirai, non stare lì, dai retta a me. Di là dai vetri forse c'è una per te, per te. Almeno guarda giù e tra la gente che vedrai c'è sempre una, una Che, è come te”. – “Coração, o que estás a fazer aí sozinho. O sol está alto e já resplende sobre a cidade. No escuro tu não irás melhorar; não fica aí, escuta-me. Além das janelas talvez haja alguém para ti, para ti. Pelo menos olha lá fora no meio de toda essa gente verás que há sempre uma, uma que é como tu”. (‘Anônimo Veneziano’ – Autores: S.Cipriani e Fred Bongusto – 1970).  

A visão desse indesejável isolamento generalizado me fazia  pensar também no desafio que representa sair da multidão para se projetar como uma marca forte. E por isso, me perguntava, atônito: Como destacar-se em meio a tantos, se muitas vezes não conseguimos sequer estabelecer um elo que nos conecte de maneira mínima a alguém que poderia nos complementar de alguma forma? Quantas vezes nos pegamos trancados dentro de nós mesmos, perdidos em meio à escuridão, sem nos permitirmos abrir uma pequena janela que seja para o mundo à nossa volta?


Meus óculos escuros nesse momento escondiam os olhos lacrimosos refletindo uma repentina emoção incontida. Aquela sensação de solidão coletiva havia me contagiado de forma penetrante e desorientadora, fazendo me sentir impotente diante de milhões de perguntas que afloravam de maneira abrupta. Vivenciando, porém, uma imensa onda de compaixão, insistia em perguntar-me: Como destacar-se em meio à multidão? Como construir uma marca diferenciada, se somos todos tão iguais em tantas coisas? 

A resposta me veio horas depois, de maneira fulminante, quando sentado na Piazza San Marco a tomar um gellato, escrevia alguns textos para reflexão posterior: Ora, se nossas almas são únicas, não precisamos fazer nada além do que sermos nós mesmos para sermos diferentes! Aqui estava a resposta que eu precisava para romper com aquele momento de angústia. Ser eu mesmo, e apostar toda minha energia para construir uma marca forte a partir daquilo que eu tivesse de melhor. Acreditar em mim mesmo como algo exclusivo, sem nada igual no mundo. Essa era a fórmula simples na qual eu deveria me concentrar. 

Hoje, algum tempo depois desse inesquecível insight em Veneza, sempre que sou questionado com as mesmas perguntas que me formulei de maneira tão contundente, eu  respondo simplesmenteSeja você mesmo! Descubra sua vocação, aquilo que sua alma traz de mais profundo e jogue-se nisso com total intensidade. Afinal, "Se você não acreditar em si mesmo, como esperar que outros o façam?" (O Mentor Virtual - Pág. 163 - Ed. Komedi - Campinas-SP - 2008). 

Para deixar de ser mais um 'anônimo veneziano' e sair da multidão, basta que acredite em você mesmo como uma marca forte.
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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Diretor da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.

É o idealizador do 'Projeto Mentor Virtual', empreendimento comprometido com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país. 

sábado, 13 de novembro de 2010

O Ser Humano. O Lado Visível de Deus





Por Maurício A Costa*

Padre Busch - Campinas/2010
Quero iniciar este artigo com uma singela homenagem a uma das mais belas pessoas que conheci ao longo da minha vida. Um homem que  sendo um sacerdote, ultrapassou as barreiras do convencionalismo, do dogma e de velhos paradigmas. Um ser humano além do seu tempo, o inesquecível Padre Busch, vítima de um trágico acidente que ceifou sua vida alguns dias atrás.


Vigário geral da Arquidiocese de Campinas, monsenhor José Antonio Moraes Busch, uma pessoa muito amada, respeitada e admirada por todos, foi durante quase trinta anos o pároco da Igreja de Nossa Senhora das Dores no Cambuí. Uma ausência, que sem dúvida, será enormemente sentida por todos aqueles que o conheceram.

Não sou católico, tampouco professo qualquer religião, mas sempre admirei o Padre Busch por sua imensa sabedoria. Por haver frequentado várias vezes sua paróquia, acompanhando minha família, muito mais interessado em escutar seus belos sermões do que em participar dos rituais inerentes ao culto religioso em si, aprendi muito com essa figura extraordinária, que não limitava suas palavras ao restrito âmbito da religião. Seu pensamento era ecumênico e sua visão era mais antropológica que religiosa. Um filósofo cujo pensar sempre esteve voltado para a aquilo que considerava a beleza do ser humano. Daí minha afinidade, e admiração.

Lago da Hípica de Campinas
Alguns anos atrás, durante um período de convalescença em que ele se recuperava de uma cirurgia do coração, tive a rara oportunidade de acompanhá-lo em várias das caminhadas que fazia quase todas as manhãs em volta do lago do Clube da Hípica de Campinas, e escutá-lo nessas horas era escutar o próprio Deus em cada amanhecer. Sua voz, sempre serena, trazia invariavelmente o estilo da ponderação e do discernimento próprio de um sábio. Tinha postura altiva e palavras incisivas, embora jamais o tenha visto radicalizar. Sua marca registrada era a capacidade de compreender as múltiplas faces do ser humano e lidar com isso com surpreendente naturalidade. - Numa dessas nossas conversas, comentei sobre minha percepção do mundo, deixando claro que ela não se restringia a uma linha ‘engessada’ de pensar, mas que abrangia de certa forma, a essência de todas as filosofias e religiões que de alguma maneira me haviam afetado. Ele me escutou com respeitoso silêncio durante minutos a fio sem me interromper, demonstrando profundo interesse em conhecer minha visão. Quando concluí a exposição, ele me disse com uma voz firme e carinhosa: “Você é um ser humano iluminado, a quem Deus privilegiou com uma enorme capacidade de análise e de síntese. Sua percepção do mundo reúne idéias muito abrangentes, e nenhuma delas vai contra a essência do que eu penso sobre as múltiplas facetas do ser humano”; e pausadamente continuou: “É muito bonito ver a forma grandiosa como você se refere a Deus sem reduzi-lo a uma figura humana, e senti-lo como uma energia poderosa. Todavia, o homem é uma parte visível de Deus, e através dele se revela; por isso a mensagem que diz que ele é a sua imagem e semelhança”. 

Padre Busch com Mauricio
A Costa Em Campinas-SP
Esse diálogo ficou guardado no meu coração para sempre e me faz refletir sobre a dimensão de palavras tão significativas para a compreensão de algo complexo como a expressão Deus. Da lembrança dessa incrível conversa com o Padre Busch, me vem a confirmação para um magnífico insight que eu vivi muito tempo atrás em Santiago de Compostela, de que Deus não é para ser compreendido, mas para ser sentido. Por ser energia, sabedoria e amor, se manifesta através do ser humano, embora isso não nos permita reduzi-lo a uma simples figura humana.

Sou frequentemente procurado por pessoas das mais variadas classes e religiões, que me abordam com imensas inquietudes quanto à sua auto-estima ou quanto a autoconfiança. Maravilhosos seres humanos com enormes potenciais, mas que se sentem impotentes diante dos constantes desafios, e se acovardam sob a ameaça de fantasmas criados pela mente como o medo ou a insegurança. Nesses momentos, gosto de citar palavras de outro grande sábio, chamado Paulo de Tarso, escritor escolhido pela igreja para compor o grupo de livros conhecidos como Novo Testamento, que em suas reflexões ensinava: “Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” (I Coríntios 3:16) Uma pergunta direta, a provocar profunda reflexão. Ora, se temos essa força poderosa sob a forma de energia, sabedoria ou amor, porque nos sentirmos enfraquecidos ou temerários diante de turbulências ou desafios?  Esquecem do que já foi dito: “Vós sois deuses”. Ignoram esse poder extraordinário que carregam dentro de si mesmo, para colocar todas as suas expectativas em coisas ou pessoas fora delas.

Repetindo o inesquecível Padre Busch, de quem guardo imenso carinho, “o ser humano é uma parte visível de Deus”. Por isso, não se subestime. O poder verdadeiro está dentro de você. Não importa como você o chama, tampouco como o percebe, essa magnitude está presente em cada célula ou molécula de todo ser vivo, ou sob a forma de energia latente em qualquer elemento da natureza. Não se preocupe em vê-lo, ou defini-lo. Apenas use-o com firmeza e determinação. É isso que fará brilhar sua marca. É essa força que produz todos os milagres. 

O princípio de uma marca forte começa pela autoconfiança de quem se propõe a construí-la. De nada adianta investir em um marketing que privilegie unicamente a imagem, refletindo apenas meros acessórios; carente de conteúdo. Fachadas são importantes para compor cenários cinematográficos, mas não são suficientes para a construção de uma marca. Muito menos uma marca pessoal. Carros, roupas, sapatos, relógios, abrem portas, mas não são capazes de por si as manterem abertas. A força de uma marca está na credibilidade que ela seja capaz de transferir, para gerar confiança no público a quem se destina, para ser desejada e lembrada para sempre.
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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Diretor da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Executivo, Estrategista, ou  Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.

É o idealizador do 'Projeto Mentor Virtual', empreendimento comprometido com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país. 



sábado, 6 de novembro de 2010

Preste Atenção aos Sinais do Universo à Sua Volta



Por Mauricio A Costa*

Mauricio A Costa, autor de
'O Mentor Virtual'




"Somos aquilo em que acreditamos, com audácia para sonhar, livres para tecer nosso destino e, ao viajar além de todas as expectativas, nos surpreender a cada instante". (Mauricio A Costa, em ‘O Mentor Virtual’ - Pág. 158 - Ed. Komedi - Campinas-SP -2008).


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Construir uma marca forte é resultado de muita determinação, senso de oportunidade e ousadia. Ela não nasce por acaso, tampouco crescerá se não houver um árduo e obstinado trabalho para torná-la lembrada e desejada pelo público a quem deseja tocar. Não importa se essa marca é corporativa, (empresarial), comercial, ou simplesmente uma marca pessoal. A estrutura terá quase sempre a mesma base, uma vez que os fundamentos são muito parecidos.

Na qualidade de Consultor, tenho conhecido muitos empresários que julgam, de maneira um pouco equivocada, estar o trabalho de construção de uma marca ligado unicamente à propaganda. A comunicação é apenas um dos componentes da hercúlea tarefa de transformar um simples nome em algo carregado de energia, atração, e acima de tudo, valores. Delegar, portanto, essa missão a terceiros como uma agência de propaganda, nos parece algo muito desaconselhável; quem sabe, um desperdício de recursos e de oportunidades. A propaganda é sem dúvida, uma poderosa ferramenta de construção de visibilidade para uma marca, mas dificilmente, uma agência, por maior que ela seja, será capaz de criar por si o encanto produzido pelo DNA de uma marca, isto é, a essência do que ela representa, e uma marca sem um conceito claro é algo sem alma, sem vida. Apenas um nome.

Dentro de uma organização qualquer, sem importar o tamanho, é a cultura e a tecnologia desse empreendimento que alicerçam o branding, a força da 'marca-mãe', ou mesmo das marcas comerciais, e que gradualmente vai definindo valores intangíveis como segurança, status ou credibilidade, na mente do público alvo. A propaganda sozinha jamais fará isso, embora saibamos que sem ela, essas informações deixarão de permear o mercado de forma intensiva a alavancar seu crescimento.

A meu ver, porém, não se trata exclusivamente de escolher, um nome e adicionar-lhe valor, ou valores como conforto, beleza, ou status. Uma marca exige um prévio estudo de mercado, para detectar desejos e necessidades dos consumidores, e um claro posicionamento que defina o público ao qual se destina. Só assim, seu planejamento poderá direcionar escassos recursos financeiros para atuar focado naquilo que lhe interessa. Conceito, posicionamento e foco são, portanto, elementos essenciais ao sucesso que surgem da capacidade interna da Empresa de identificar oportunidades de mercado que propiciem novas opções.

Pensar no marketing como algo unicamente ligado à propaganda é uma visão parcial. É como olhar através da janela de um carro em movimento e ver apenas quadros isolados ao invés de perceber o conjunto interligado de sucessivas informações que se seguem, num espetáculo de múltiplas alternativas a nos presentear com um universo de fantásticas oportunidades.

Escultura de Platão
Do ponto de vista da marca pessoal, esses conceitos tornam-se ainda mais decisivos. Oportunidades transitam diariamente em nossa frente sem que as percebamos. Fechamo-nos dentro de nós mesmos, como no Mito da Caverna, narrado por Platão em sua obra ‘A República’ (Livro VII), onde alguns seres humanos que nasceram e cresceram numa típica caverna, permanecendo de costas para uma pequena fresta de luz, enxergam apenas suas sombras refletidas numa parede, que julgam como sua única realidade; qualquer um que venha ‘de fora’ com informações diferentes daquelas a que  estão acostumados, é visto como louco ou 'conversador'. Essa alegoria nos faz refletir, de como muitos seguem uma vida inteira  acorrentados a falsas crenças, imobilizados por rígidos paradigmas ou ideais enganosas, limitando enormemente suas possibilidades. Outros restringem de forma lamentável o crescimento de suas marcas pessoais, por conta do imobilismo doentio, provocado pelo comodismo ou preguiça. 


Recentemente, após publicar uma matéria em meu blog relacionada à construção da marca pessoal, enviei convites a várias pessoas, por meio de aplicativos que prospectam leitores potenciais em mídias sociais como o Facebook. Passado alguns dias, uma dessas pessoas me retornou a mensagem agradecendo por minha atenção, mas informando que por estar desempregada e numa correria louca, não teria tempo para ler o artigo. Naquela mesma semana, por significativa coincidência, recebi também uma agradável resposta de uma jovem senhora me agradecendo efusivamente por haver lhe convidado a ler aquela mesma matéria em meu blog. O motivo do agradecimento? Ela havia lido não apenas aquele texto recomendado, mas também alguns outros, postados anteriormente, que segundo ela, ajudaram enormemente na sua autoconfiança, ao se posicionar de maneira segura diante de algumas decisões que precisavam ser tomadas, e que vinham sendo adiadas por razões de insegurança. Sua mensagem terminava com carinhosas palavras agradecendo pelo enorme impacto favorável que as decisões tomadas estavam causando agora em sua vida.

Duas visões distintas do mesmo cenário. Dois viajantes do trem da vida observando a mesma paisagem de suas janelas, mas com percepções totalmente diferentes. Um deles, encerrado na caverna do seu mundinho particular, permanece alheio às oportunidades que o universo lhe envia, pergunta a si mesmo: porque vou fazer isso?, enquanto o outro, por acreditar que esse mesmo universo conspira a seu favor pergunta de maneira ousada: porque não?  - Uma sutil diferença de atitude que pode definir o destino de uma vida. Um deles, verá o campo, as nuvens, e a liberdade. O outros verá apenas uma cerca de arame farpado a limitar-lhe a vida. 

Como ensina ‘O Mentor Virtual’: "Há palavras que passam diante dos nossos olhos ou através de nossos ouvidos às quais não damos a mínima atenção; existem mensagens, todavia, que chegam para ficar, aninham-se lá dentro de nós, causando mudanças extraordinárias para sempre. Tudo depende da maneira como reagimos a elas." (O Mentor Virtual - Pág. 7 - Ed. Komedi - Campinas-SP 2008). Não há mágicas, privilégios ou qualquer discriminação no mundo que nos rodeia, somos aquilo em que acreditamos como diz o texto inicial. Muito do que somos ou possamos vir a ser depende fortemente de nossas atitudes. Preste atenção à sua volta, o universo está o tempo inteiro conspirando a seu favor. 
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"Há sempre um mentor virtual por perto, mais próximo do que você imagina, revelando-se por meio das mais inusitadas situações. Para perceber esse mestre, basta estar atento aos sinais que surgem inesperadamente a cada momento da viagem." (O Mentor Virtual – Pág. 8 – Ed. Komedi – Campinas-SP -2008)
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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Executivo, Estrategista, ou Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte. 

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.