Translate The Blog - Click Here / Traduza o Blog - Clique Aqui

sábado, 28 de agosto de 2010

A Marca Pessoal Como Base da Marca Corporativa






Por Mauricio A Costa*

“É necessário firmarmos nossas convicções antes de nos lançarmos em ações livres e conseqüentes. Isso vai nos fortalecer intimamente, condição necessária para a construção das trincheiras internas que nos defenderão das pressões do meio social. Aí sim, poderemos percorrer as estradas que escolhemos. Se não conseguirmos construir posições internas sólidas, de nada adianta acusarmos a estrutura social de escravizante e opressora, uma vez que estaremos apenas nos escusando de assumir nossa incompetência”. (Flávio Gikovate em ‘A Liberdade Possível’ – 3ª Ed Revista - Pág. 242 – MG Editores – São Paulo-SP – 2006).
 _____________________________________


Recentemente, numa reunião com certo empresário, fui questionado com a seguinte pergunta: “Porque, sendo você um homem com tamanha experiência como executivo, empresário e consultor de empresas dedica a maior parte do seu tempo a falar de construção da marca pessoal? - Por que não fala ou escreve mais sobre os verdadeiros problemas que afligem uma empresa como o descalabro tributário que destrói a maioria dos sonhos de qualquer empreendedor, ou sobre assuntos de estratégias de marketing que você domina tão bem?” Confesso que de início fiquei um pouco chocado com a pergunta e até repeti a pergunta para mim mesmo por uma fração de segundo. Afinal, pensando por instantes como meu interlocutor, na qualidade de consultor ou assessor de empresas eu deveria me preocupar mais com os problemas e desafios da empresa e menos com as pessoas, que eventualmente podem até ser transitórias no empreendimento. A dúvida, no entanto, não durou mais que o tempo de uma respiração profunda, e a resposta saiu automática da minha boca, como se já estivesse pronta a milhões de anos: “Nem mesmo Deus, achou que valeria a pena ter uma idéia tão brilhante como a de criar o mundo se não tivesse com quem partilhar seu empreendimento, e por conta disso construiu sua própria equipe, ao delegar poderes iguais aos seus, transformando seres irracionais em deuses”. Portanto... continuei: “A importância das pessoas na formação de uma grande marca começa no próprio ‘Gêneses’. Deus, a maior de todas as marcas, não faria qualquer sentido se não existissem as pessoas; Ele se realiza e se torna visível através do ser humano, fora disso seria apenas uma idéia”.

Meu interlocutor permaneceu calado por alguns instantes, olhando para mim como se eu fosse um ET e em seguida me falou: “Acho que você foi muito longe com essa... Sua resposta me assusta, ao pensar na dimensão da importância das pessoas para minha empresa...” ao que eu completei com um sorriso brincalhão, quase ingênuo: “Bingo!”. Em questão de minutos, estava concluído um trabalho de consultoria que poderia levar meses de discussão e análise. Durante os momentos seguintes, após esse inusitado diálogo, comecei a falar sobre um termo criado pelos americanos para definir tudo isso, chamado ‘stakeholders(Recomendo a leitura da explicação sobre esse termo no endereço:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_do_stakeholder), que em português poderia ser definido como ‘todas as partes envolvidas em uma atividade ou processo qualquer na construção de um empreendimento’. Os tais ‘stakeholders’ de uma organização são, portanto, seus investidores, seus consultores, seus acionistas, seus clientes, seus fornecedores, bancos, governos, profissionais liberais, instituições, associações, e principalmente sua EQUIPE. Enfim, todos aqueles que, de alguma maneira contribuem para agregar valor à sua marca.

Ao analisarmos o assunto com um pouco mais de profundidade, veremos que a realização de um simples projeto depende na verdade de um imensurável número de pessoas, envolvidas direta ou indiretamente na sua execução. Gente, gente, gente... Muita gente. Dezenas, centenas, milhares de pessoas interligadas para que esse projeto tenha sucesso. Cada uma delas com o poder de alterar significativamente a evolução e até mesmo o resultado final de uma idéia entusiasticamente encetada por um empreendedor. Uma informação incompleta, uma orientação mal definida, ou uma interpretação equivocada, pode ser o suficiente para gerar um efeito dominó de proporções inimagináveis. Querer estruturar um empreendimento sem se preocupar com os valores  e crenças que fazem parte da índole das pessoas nele envolvidas pode ser fatal à construção de um sonho. 


Lamentavelmente, tenho observado que a grande maioria dos empreendedores não leva em conta essa interconexão do seu negócio, e subestimam as relações humanas dentro e fora de suas empresas. Ignoram o que dizem as pessoas a cerca de sua empresa, seus líderes e suas ações. Mais ainda, desdenham quando se fala da importância de marca individual na formação da marca corporativa. Como uma galáxia, uma planta, ou uma simples formiga, todo e qualquer conjunto é formado pelas partes que o compõem; da força resultante da interação e sintonia dessas partes depende o equilíbrio, o funcionamento e a sua própria sobrevivência.

Estou certo de que é decisivo para o empreendedor, levar em consideração o fato de que uma grande marca é formada pelo encadeamento de várias pequenas marcas individuais, e é neste ponto que focalizo toda minha atenção como consultor: a importância de se investir na construção da marca pessoal. Não estou falando aqui em treinamentos técnicos; minha preocupação diz respeito ao ser humano por trás do profissional, pois se esse não estiver bem consigo mesmo, seu lado profissional será subutilizado, quiçá, deteriorado. Não destaco apenas as equipes internas, ou colaboradores diretos, é preciso conhecer todos os evolvidos no processo. 

Comandante Rolim Amaro
Certa vez, tempos atrás, num encontro casual no Aeroclube de São Paulo, onde éramos sócios, tive uma conversa informal com um inesquecível amigo, o Comandante Rolim Amaro, fundador da TAM. Lá pelas tantas, depois de muito falarmos sobre aviões, que era nosso assunto favorito, fiz uma curiosa pergunta de caráter mais formal: “Rolim, ao que você credita o sucesso da sua Empresa?” – Ao que ele me respondeu sem pestanejar: “Sabe, Comandante MAC... (esse era meu nome de pista na aviação, resultado das iniciais do meu nome), ...respondeu ele em um tom quase formal... Um dia, folheando uma revista, li uma frase dita por Walt Disney ao lhe dirigirem essa mesma pergunta, onde ele respondeu: ‘Para ter sucesso no meu negócio, eu contrato um sorriso, e treino a técnica’... Eu aprendi então, que para meu empreendimento dar certo, precisaria ter comigo pessoas que estivessem sempre de bem com a vida”, concluiu ele, com um sorriso de felicidade, que para mim era o próprio sorriso do sua equipe. Saí daquele encontro com a sensação de haver feito uma pós-graduação em administração de empresas em poucos minutos.

Algum tempo depois, em um vôo internacional da antiga VARIG entre São Paulo e Frankfurt, ao perceber um visível mau humor da Equipe de Bordo, eu me lembrei desse diálogo com o Comandante Rolim no Campo de Marte, e perguntei a uma das comissárias ‘onde estava o sorriso dela’... Ao que recebi imediatamente como resposta: “Não somos pagos para sorrir”. Confesso que, de imediato, me senti mal e fortemente decepcionado; e com uma ponta de amargura pensei... ‘se todos pensarem assim nesta empresa ela não vai durar muito’... (Embora nessa época a VARIG estivesse muito bem e fosse a maior empresa aérea brasileira).

Comparando hoje esses dois diálogos, recordo com saudade do amigo Rolim, e com pesar o destino que teve a VARIG por ignorar a importância do inter-relacionamento íntimo da empresa com sua Equipe e vice-versa. A doença que envenenou a Empresa chegou a contaminar sua sucessora, a GOL, um empreendimento originalmente bem sucedido, mas que perdeu seu viço ao absorver algo deteriorado.  Ao mesmo tempo, o crescente sucesso  da TAM, pelo menos até a morte do Comandante Rolim, mostrou o quanto ele estava certo. Ele sabia que uma grande marca só se constrói com marcas individuais fortes. Por isso, investia em valores, e desde o momento da contratação de suas Equipes fazia questão que cada um vivenciasse a Empresa como sendo sua, transferindo aos clientes a sensação de estar de bem com a vida, por fazer aquilo que gostavam, e o fazer com entusiasmo. Marcas Pessoais Fortes. Essa era a visão que ele trazia como seu grande segredo. Espero que seus familiares e os executivos continuadores de sua obra tenham mantido inabalável esse credo do Rolim. 

As empresas de sucesso, serão aquelas que conhecerem de perto seus 'stakeholders' e, mais que isso, que entendam que eles são mais que um simples aglomerado de 'pessoas'. São na verdade conexões humanas, carregadas de energia de todo tipo e intensidade. Gente alegre e gente frustrada. Alguns bem intencionados, outros nem tanto. Muitos torcendo para que tudo dê certo, outros destilando energia negativa ou manipulados por terceiros para produzir corrosão. Só um trabalho sério de 'branding' (construção da marca corporativa) poderá ser decisivo para um interagir de todos, e criar a unidade que de alguma forma irá afetar positivamente o futuro do empreendimento.

Investir na Marca Pessoal, no entanto, não é preocupação exclusiva da empresa; deve antes, ser uma tarefa e um desafio individual de cada um. Desde a hora em que acordamos, estamos construindo nossa marca, uma vez que estamos sendo observados por aqueles à nossa volta. Pais, filhos, cônjuges, amigos, inimigos, clientes, fornecedores... até mesmo o cachorro; todos nos observam; e partir dessa observação, criam uma percepção, um conceito que para eles define nossa marca. Seremos vistos então como leais, confiáveis, determinados, ousados, serenos... Etc. ou como preguiçosos, falsos, acomodados, arrogantes, egoístas, despreparados, desequilibrados, ou outro qualquer conceito que possamos criar com nossas atitudes. Por essa razão, quando insisto em dedicar um foco maior do meu trabalho como consultor ou coach, na atenção às pessoas, viso antes de tudo, despertar a consciência para os verdadeiros valores que fazem uma marca brilhar. Valores que, de alguma forma ajudam a produzir credibilidade, conceito maior de uma marca forte; por saber que a somatória dessas marcas individuais é o que irá definir a força da marca 'guarda-chuva' que os acolhe.

Mesmo que você tenha perdido algum tempo de sua vida com decisões equivocadas, em consequência de ambição, más companhias, preguiça ou indolência, ainda é tempo para mudanças. Não se entregue ao comodismo de achar que tudo está perdido e que não vale a pena fazer correções. Ainda é tempo. O importante é tomar consciência desses equívocos, sabendo que todos à sua volta, sem exceção, cometeram deslizes e erros, quem sabe, maiores que os seus. Eles estão apenas encobertos sob fachadas de hipocrisia ou protegidos pelo poder, dinheiro, ou ambos. Portanto, desperte o maravilhoso ser humano que vive em você e aposte tudo naquilo que é seu potencial. Invista em seus dons e talentos, porque você é único, e não será qualquer rótulo criado por outros, ou por fantasmas de sua mente que irá destituí-lo do poder imensurável que carrega na alma. Sua marca pessoal nasce no âmago do seu ser, e apenas a você caberá imprimi-la por onde passar, deixando seu legado.

Encontre a Empresa certa que acredite em seu talento e revele no sorriso a energia inefável do universo fluindo através de você. Se essa empresa ainda não surgiu em seu horizonte, crie seu próprio empreendimento. Não importa o tamanho dele. Ainda que ele seja formado ‘apenas’ por você, basta que esteja carregado de entusiasmo para que se torne respeitado e desejado. A partir daí,  trabalhe na construção da sua visibilidade para gerar sinergia. É por aí que o universo irá conspirar a seu favor. 
_______________________________________________


*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.




sábado, 21 de agosto de 2010

Escolhas: Delicados Momentos Que Definem o Futuro de Uma Marca




Por Mauricio A Costa*


“Aquilo que o homem atual típico deseja conseguir com o dinheiro é mais dinheiro, com o objetivo de ostentar e sobrepujar àqueles que eram até então seus iguais... Mais que isso: fez-se do dinheiro a medida aceita da inteligência. Aquele que ganha muito é esperto; aquele que não, não é. Ninguém gosta de ser visto como tolo”. (Bertrand Russel, (1872-1970); em ‘A Conquista de Felicidade’ – Editora Ediouro - 2004).



___________________________ 



É preciso duvidar de tudo’. Esse é o título de um pequeno e inacabado livro de Soren Kierkegaard (1813-1855). Uma frase que pode resumir todo pensamento filosófico através dos tempos; porque a dúvida sintetiza toda inquietude da alma humana em busca de respostas para coisas que às vezes sequer sabe perguntar. Vivemos sob um inevitável dualismo, que nos coloca de maneira cruel, permanentemente diante de encruzilhadas. Divididos entre o certo e o errado, o bom o e o mal, o ético e o prazeroso, o agora e o depois, o individual e o coletivo, a emoção e a razão, e assim por diante.

René Descartes
Ainda dentro dessa complexidade, temos que nos dividir também ao ter que optar pela forma de pensar. De um lado o sintetizar de maneira racional, utilizando o pensamento cartesiano; termo derivado do filósofo René Descartes, que vê apenas no aspecto concreto ou material, a verdade comprovada, como objetivo para qualquer processo decisório. A dureza do 'isso ou aquilo' que foi base de desenvolvimento de todo sistema por trás de qualquer computador, e predomina no meio científico, e de outro lado, o pensamento holístico; a visão ampliada que permite retirar 'coisas e pessoas' de seu isolamento para inseri-las no contexto de algo maior; um todo do qual cada uma dessas coisas ou pessoas é apenas um fragmento, ou parte. 

Bertrand Russel
Para complicar um pouco mais, refletindo com Bertrand Russel no texto que abre esta matéria, o dinheiro e o poder tornaram-se a medida da inteligência, numa sociedade marcada por um consumismo desvairado, criando ainda mais angústias, uma vez que as demandas por bens, segurança, conforto ou status estão se tornando gigantescas, exigindo soluções engenhosas para atendê-las; maquinações mentais, tramoias de todo tipo, e manipulações de toda ordem, que vão da política ao clero, do empresário ao empregado, do rico ao pobre; sejam eles homens ou mulheres. Todos, invariavelmente, envolvidos em frequentes crises existenciais por conta da incoerência íntima, imposta por escolhas que impõem muitas vezes, uma perigosa divisão entre valores da alma, desejos do corpo, e paradigmas da mente. 

Honoré de Balzac
Por ser a alma indivisível, vai se distanciando da mente e do corpo que a recepciona, dando lugar a caminhos paralelos, para seres humanos que sem unidade, passam a viver imprevisíveis conflitos íntimos. Como já citamos em outra ocasião, o dilema está no fato de que uma escolha implica em abandonar todas as demais opções; e é isso que provoca a angústia; que cria tais conflitos não apenas interiormente, mas também nas relações pessoais e coletivas. Como nos diz Honoré de Balzac, em sua obra ‘A Prima Bete’: “As disputas humanas, em geral, decorrem do fato de existirem, ao mesmo tempo, sábios e ignorantes, constituídos de maneira a verem apenas um lado dos fatos ou das idéias; cada um julgando ser a face que vê a única verdadeira, a única boa”. Escolhas têm seu ‘momentum’. Não se deve rotulá-las como certo ou errado, pois muitas delas são tomadas sob o calor de um envolvimento emocional, influência do meio, pressão de terceiros, ou por último, mas não menos importante, por um comando mental derivado da herança genética. Uma decisão que pareceu a mais apropriada algum tempo atrás, percebida agora sob o prisma de uma visão ampliada, quer por sabedoria ou por maturidade, pode nos remeter a frustrações e arrependimentos; fazendo-nos lamentá-la sem a mínima oportunidade de se corrigir, pelo fato de já haver provocado imensuráveis devastações dentro de nós mesmos, ou naqueles a quem amamos. 

Estou certo de que nenhum de nós está livre desse processo. Vivemos todos, algum tipo de aprimoramento individual, de crescimento pessoal e evolução espiritual e é isso que conta; pois, se precisamos estar bem, é antes de tudo conosco mesmo. Como qualquer outro ser humano, trago comigo frustrações, como consequências de decisões que hoje posso considerar equivocadas, e em meu processo evolutivo vou gradualmente exercitando dolorosas, mas eficientes catarses para produzir o milagre da cura para a maior de todas as enfermidades que é aquela que sufoca a alma, e que, se não tratada com ousadia e coragem, pode desencadear todo tipo de doença física ou mental e até levar à morte. O arrependimento não deve, todavia, levar ao sentimento de culpa, pois em nada ajuda; pelo contrário, produz apenas energia negativa e destruidora. Deve antes, produzir a tomada de consciência; não para hipócritas lamentações, mas para definir novas posturas diante da vida, cuja maior característica é ser efêmera. Afinal é o amor por si mesmo, desprovido de egoísmo e realizado na própria vida que produz tudo aquilo que chamamos de milagre. E isso implica numa constante reciclagem, que mantém seu pulsar.  Como nos diz Nietzsche em ‘Assim Falava Zaratustra’: “A existência principia em cada instante; em torno de cada ‘aqui’ gira a esfera do ‘acolá’. O Centro está em toda parte. O caminho da eternidade torna sobre si mesmo”. 

Se você for um empresário, um sacerdote, ou um político, as responsabilidades com suas escolhas só crescerão, uma vez que as decisões tomadas, não irão afetar apenas aqueles que estão muito próximos de você, mas um número enorme de seres humanos que confiam em seu discernimento, sua ética, sua capacidade de amar, e acima de tudo, sua palavra. Como já foi dito, palavras são como flechas lançadas, são irreversíveis e como tal podem produzir consequências, quiçá, devastadoras. Embora saibamos que certas escolhas são imperativas ou inadiáveis, todas carregam seu preço. Por isso, exigem reflexão. Demanda a eterna angústia do pensar que tornou o homem um animal acima de todos os demais.

Nietzsche nos incita a refletir sobre a complexidade de nossas escolhas, ao afirmar no já citado livro: “Porque é necessário que eu seja luta, e devir, e finalidade e contradição. Ah! Quem advinha a minha vontade, advinha também quão tortuosos são os caminhos que é preciso seguir”... Não nos é permitido recuar. Há unicamente esse devir inexorável. Só nos resta um ir para frente sem retornos, e sem choramingos. Por isso, ainda que pareça paradoxal: Não temos escolha, temos que fazer escolhas! Esse é o preço pago por havermos nos tornado deuses, como preconizado no Gêneses: “E o Senhor Deus disse: ‘Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal”.... A consciência implica decisões; decisões são frutos de escolhas; escolhas que estão relacionadas ao discernir entre o bem e o mal, o certo e o errado, o agora ou nunca, o eu ou o resto do mundo, e assim por diante. Como diz o poeta-filósofo em sua propalada loucura: ‘é preciso seguir’. Para superar esse desafio, nos parece sensato constantemente harmonizar os pontos de energia que nos unem ao todo ao qual pertencemos. Ou seja, sintonizar nosso ‘Eu’ com o universo à nossa volta, buscando compreender o que trazemos de valores e aspirações na alma, com aquilo que entendemos como nosso limiar de fronteiras com o que nos é exterior, e que pertencem ao coletivo. 

Quando entendemos nosso papel nesse contexto, nossas decisões se tornam mais fáceis, mais simples e mais leves. A voz que vem de dentro é o eco do próprio universo, porque somos feitos de pura energia, ainda que disfarçados temporariamente sob uma imagem física resultante da aglutinação de milhões de moléculas que transportam essa energia. 

Nossa marca pessoal, empresarial, política ou corporativa é resultado da somatória de nossas escolhas, razão pela qual é tão importante refletirmos sobre cada decisão. Mas, com certeza, ela só se tornará harmoniosa se levar em conta essa sintonia com o todo que lhe cerca. Não importa o que fizemos ou deixamos de fazer no passado. É no agora que tomamos as rédeas do nosso destino e mudamos o curso da nossa história. A consciência de ser parte de algo maior, do qual somos apenas extensões, pode fazer uma enorme diferença na percepção daqueles em quem queremos deixar impregnada nossa marca para sempre. 

_____________________________________


*Mauricio A Costa, É estrategista para projetos de ‘alavancagem’ de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, para atuar como Executivo, Assessor, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, para grupos, associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.






sábado, 14 de agosto de 2010

Mente Aberta: A Reciclagem Imprescindível Que Mantém Uma Marca Viva



Por Mauricio A Costa*

“Bendito seja esse espírito de todos os espíritos livres, a tempestade risonha que sopra o pó nos olhos de todos os pessimistas de todos os ulcerados. Homens superiores, o pior que tendes é não haverdes aprendido a dançar como é preciso dançar: a dançar por cima de vós mesmos! Que importa se tiverdes malogrado! Quantas possibilidades permanecem ainda: Aprendei, pois a rir acima de vós mesmos. Elevai, elevai cada vez mais os vossos corações, bons bailarinos! E não esqueçais também o bom riso.” (Nietzsche, Friedrich, 1844-1900 – ‘Assim Falava Zaratustra’ – Pág. 368 – Editora Vozes – Petrópolis-RJ – 2007).
____________________________

Em minhas atividades como executivo, consultor ou coach, tenho me deparado com frequência com situações inusitadas, diante de pessoas estranhamente bloqueadas ao novo, especialmente naquilo que diz respeito a elas mesmas. Muitas, totalmente envolvidas e até estimuladas por toda inovação do ponto de vista tecnológico. Vivem como se fossem ilhas, isoladas de tudo e de todos enclausuradas dentro de si mesmo, com pensamentos que refletem idéias afastadas do mundo real em que vivem.

Enquanto escrevo, faço-me acompanhar pela música maravilhosa de um conjunto formado há cerca de dez anos na Alemanha por Frank Peterson e Amélia Brightman, chamado “Gregorian”, uma autêntica sincronicidade a gerar um significativo insight no exato momento em que começava a desenvolver as primeiras linhas deste artigo.  E alguém me perguntará, ainda que de forma virtual, o que tem afinal um conjunto musical a ver com a frase de Nietzsche que encabeça o tema da reflexão? E eu direi: Tudo!  - Quando aprendemos a atuar com a mente aberta ao novo, a ‘sincronicidade’, que foi assunto da mais recente matéria que publiquei, aflora de maneira natural e constante, porque geramos uma predisposição sem reservas, ao não convencional.

O Gregorian, cuja música acompanha esta postagem, hoje um grupo de fama internacional, poderia ser absolutamente desconhecido, não fosse a ousadia de criar algo diferente. Atuando como se fosse um coral de música gregoriana, com roupas estilizadas e arranjos que se caracterizam pelo som harmônico, e um toque quase sacral, deram uma roupagem extraordinária a músicas pop-rock já conhecidas, transformando um som aparentemente velho, em algo admirável. Um exemplo de criatividade espetacular a nos mostrar como é possível ‘ter sensações inéditas’ do mesmo tema, quando a ele associamos cores novas, a partir de um olhar diferenciado.

Em muitos empreendimentos, que visito, quando convidado ou simplesmente avaliado para atuar como consultor, observo uma enorme tendência de apego ao ‘status quo’, isto é, a manutenção do que já é conhecido, um conservadorismo exacerbado por conta da insegurança, decorrente do medo do que é novo. Empresários e executivos extremamente ligados a velhas fórmulas do passado que deram certo, mas que vão visivelmente se desgastando com o tempo, carentes de ‘uma nova roupagem’ ao estilo “Gregorian’. Nada que modifique necessariamente a beleza daquilo que existe, mas que possa transformá-lo em algo atual, excitante e intensamente desejável.

O ser humano é extremamente fascinado pelo novo. Sua essência, ou aquilo que chamamos de alma, é ávida pelo desconhecido; viaja milhões de anos através de inúmeras gerações e se adapta em cada etapa ao inusitado, aprendendo constantemente com isso, para gerar segurança e bem estar; estados de espírito resumidos na palavra felicidade. Por essa razão, não é de se estranhar que sejamos tão volúveis, inconstantes e ansiosos. Sempre à procura de algo que ainda não conhecemos. Uma busca frenética que sequer sabemos explicar, por coisas, pessoas ou lugares, além das fronteiras do conhecido. Com certeza, nisso reside a beleza da vida nômade de nossos ancestrais, e ao mesmo tempo, a essência de toda evolução humana.

Portanto, se na qualidade de consumidores ou usuários de produtos e serviços, trazemos dentro de nós esse indisfarçável interesse pela novidade, não podemos ignorar tal comportamento humano no pensamento estratégico de nossos empreendimentos; seja ele um simples conjunto musical, ou uma organização multinacional; uma escola, uma micro empresa, um hospital, ou uma ONG. É imprescindível uma visão renovadora permanente, um rejuvenescer constante que instigue a curiosidade e estimule o interesse. Fora disso, todas as coisas tendem ao repouso; a inércia que leva ao obsoletismo e à decadência. 

Não é demais lembrar, entretanto, que essa adequação impõe quebrar paradigmas. Romper com posturas conservadoras e encarar o novo. “O extraordinário só pode ser percebido quando se voa além do convencional”  (‘O Mentor Virtual’ – Pág. 22 – Ed. Komedi – Campinas-SP – 2008).. Modificar ou superar padrões é algo que implica ousadia, exige bom senso, coragem e muita personalidade para vencer resistências incrustadas, posturas conservadoras e feudos que garantem estabilidade à incompetência, à desonestidade e ao despreparo.  Para o renascer é imprescindível a morte. A eterna reconstrução do universo é um processo de reciclagem contínua, cruel e inexorável. Por isso, é urgente que se saia da mesmice, da zona de conforto e do imobilismo que asfixia e mata, oxigenando com inovação verdadeira nossas mentes, antes de procurarmos lá fora o que há de mais moderno em tecnologia.

Para se manter uma marca viva, forte e atraente é imprescindível uma postura arrojada diante da necessidade de mudanças. E para tanto, é decisivo uma mente aberta, e um espírito livre como nos ensina Nietzsche. Olhar a tudo com um novo olhar, para superar o marasmo, como nos mostra o ‘Gregorian’. Um eterno rejuvenescer é a palavra de ordem. Afinal, a essência do sucesso de uma marca é a sua diferenciação que produz atratividade e desejo.

Uma tomada de consciência desse permanente desafio é o ponto de partida para as grandes transformações que podem ser implementadas já, a partir de cada um de nós, mesmo que isso custe aparentes desilusões e eventuais fracassos, pois o novo é resultado do envolvimento de mentes e corações apaixonados pelo que fazem; que se realizam no processo. Para esses, o importante é o tentar; o resultado é apenas mais um detalhe.
_________________________


*Mauricio A Costa, é Estrategista para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.
É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.





segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Sincronicidade – A Percepção de Conexões Significativas




 "Para detectar a sabedoria do universo, basta estar atento aos sinais à sua volta... Em alguns momentos você poderá encontrar respostas para suas inquietudes nos lugares mais improváveis". (O Mentor Virtual - Pág. 76 - Editora Komedi - Campinas-SP - 2008).
_____________________________________________

O ser humano desconhece seu potencial e a caminhada está apenas começando. Essa é uma verdade universal comprovada a cada dia em todas as áreas de atividades. Os avanços tecnológicos ocorrem a uma velocidade acima da própria capacidade de assimilação de uma vasta maioria, e não existem mais limites para o desenvolvimento e aplicação do conhecimento. Vivenciamos uma era  muito acima de todas as expectativas imagináveis há cem anos, e muito do que se conheceu há poucos meses já pode ser considerado obsoleto.


Muito da habilidade humana era totalmente desconhecida até pouco tempo. Da mesma maneira, não temos noção do nível de aptidões que ainda alcançaremos em um futuro próximo; e uma das áreas que com certeza temos grandes espaços por avançar é o da capacidade de percepção extrasensorial, que nos permita identificar informações não detectadas pelos sentidos convencionais, olfato, visão, audição, paladar e tato. Como sabemos várias espécies animais desenvolveram ao longo de sua evolução algumas habilidades perceptivas muito acima da capacidade humana no tocante a orientação e comunicação, por conta da necessidade de adequação a ambientes hostis ou em processo de mudança. Não havendo nada de sobrenatural ou mágico neste sentido, apenas uma extraordinária adaptabilidade da vida em seu processo evolutivo ou mera continuidade. Na qualidade de animais superiores temos muito por aprender, pois ignoramos os desafios da humanidade nos próximos séculos.

Como nos ensina a ciência, dispomos na região central do cérebro, de uma área chamada  hipotálamo, onde se encontra um conjunto de pequenas, mas poderosas glândulas, tais como a hipófise e pineal, que funcionam como centrais de comunicação com o mundo à nossa volta, e que processam toda informação armazenada no corpo, coordenada a partir da massa encefálica, por meio de descargas eletroquímicas através de neurônios, que desencadeiam a produção de hormônios e promovem todas as reações possíveis do organismo às informações recebidas do mundo exterior. Uma complexa cadeia de estímulos, a gerar respostas em tempo real ao ambiente onde atua o indivíduo, que irão definir atitudes e comportamentos, e influir diretamente na projeção do seu futuro.

Dentro dessa lógica, podemos comparar nosso corpo a um sistema de processamento de informações tal qual uma antena, que interligada a um processador ou um decodificador transforma sons e imagens em energia de efeito vibratório da mais alta frequência que resulta na formatação de um padrão de linguagem compreensível à maioria. A capacidade de recepção e transmissão dessa 'antena', todavia, pode variar de ser humano para ser humano, de acordo com suas habilidades intrínsecas, decorrente de características latentes ou desenvolvidas ao longo de sua existência. Para compreender isso, basta se observar a capacidade que tem algumas pessoas em lidar com operações matemáticas complexas, pintar e compor em sua fase infantil, ou lidar com informações totalmente acima da compreensão de uma maioria absoluta. Indivíduos considerados paranormais, xamãs, videntes, ou milagreiros, excluindo naturalmente deste conceito, aqueles que são na verdade autênticos charlatões, oportunistas e manipuladores da boa fé humana.

No início do século passado, o suíço Carl Gustav Jung, (1875-1961) menosprezado por uma preconceituosa e arrogante parcela da classe médica, mas, considerado por muitos como o pai da moderna psicologia analítica, empregou pela primeira vez a expressão sincronicidade, para designar acontecimentos que se relacionam por ‘coincidências significativas’, ou em outras palavras, por uma relação de significado, observadas no dia-a-dia, e que alguns podem perceber de maneira mais acentuada que outros sob a forma de poderosos ‘insights. Novamente aqui, nada de sobrenatural ou miraculoso, senão capacidade latente ou desenvolvida por uma minoria embora possa ser tomada por muitos como iluminação divina, ou místicas visões. Um potencial, que prefiro ver como fruto do desenvolvimento humano ao longo de gerações, que ainda é recusado pela ciência por razões de carência de comprovação, mas que vem sendo explorado de forma quase empírica por religiões e seitas do mundo inteiro, desde seus primórdios.

Se juntarmos agora, a síntese das reflexões apresentadas nos comentários anteriores, isto é, potencial humano + habilidades desenvolvidas + linguagem compreensível, poderemos estimular uma singela análise sobre o tema proposto, a sincronicidade; que para alguns ainda é uma palavra carente de entendimento, e confundida com o termo 'sincronismo', que diz respeito à simultaneidade de dois ou mais fenômenos ou fatos ocorridos ao mesmo tempo. Para tanto, o que precisamos fazer é livrar nossas mentes de qualquer paradigma a fim de permitir uma visão quântica, ou seja, uma análise que permita substituir os padrões 'cartesianos' do ‘isso ou aquilo’ excludente, por um ‘isso e aquilo’ que inclui todas as possibilidades, considerando que algo possa ocorrer simultaneamente, em locais e tempos diferentes ou com nova roupagem. Uma mesma palavra ou frase, por exemplo, utilizada com entonação diferente ou em momentos distintos pode provocar efeitos diametralmente opostos ou desencadear situações imprevisíveis

sincronicidade, portanto, analisada por esse ângulo, pode ser vista como a capacidade de observarmos frequente e atentamente todos ‘os sinais à nossa volta’ para percebermos fatos ou acontecimentos que mesmo não estando relacionados entre si provocam aquela ‘idéia relâmpago’, que chamamos de ‘insight’, ao associarmos situações, pessoas, ou fatos, por conta de determinado significado que as conecta. Ou seja, não é a aparente coincidência em si que cria a sincronicidade, mas o seu conteúdo. Mais uma vez, nada de sobrenatural ou magia; apenas a percepção da alma, ou nosso 'Eu' mais profundo, essência do que somos, que ao viajar através de nossos ancestrais, vai identificando similaridades por meio de conexões de significativas

Para criarmos ou desenvolvermos essa percepção, no entanto, é decisivo abandonarmos o controle excessivo da mente repleta de comandos e regras de toda ordem, a invalidar tudo o que lhe parece estranho, e deixarmos que o nosso 'Eu' identifique aquilo com o que sente afinidade, para construir sua identidade, tal qual uma mandala com suas características peculiares.

Quando começamos a captar e entender o verdadeiro sentido da palavra sincronicidade, aprendemos a vivenciar a plenitude de 'ser', resumida na palavra alma, e viajar sem os bloqueios e parâmetros convencionais de tempo e espaço, em sintonia com a totalidade da qual somos parte. Isso nos permite 'sentir', ao invés de nos afligirmos o tempo inteiro em tentar compreender, racionalizar e conceituar, sob a ação de uma mente ruidosa. Não precisamos de muita imaginação para entendermos que a felicidade está diretamente relacionada com a realização pessoal, percebida quando detectamos algo que dá significado para nossas vidas. Quando deixamos que nossa alma, o nosso 'Eu' verdadeiro, que desconhece lógica, razão ou regras, aflore de maneira natural, abrimos espaço para que se estabeleçam decisivas conexões, ainda que sem qualquer sentido aparente, pois carregam forte significado para o 'ser', que irão implementar importantes mudanças dentro de nós mesmos, por consolidar algo em formação, e desencadear relevantes transformações no ambiente que nos rodeia.

Sem dúvida, muitas das experiências que vivenciamos, ou fatos observados, são resultados diretos da relação ‘causa-efeito’, ou 'ação-reação'; outras, entendemos como mera coincidência; entretanto, se analisarmos o que acontece à nossa volta com uma visão ampliada, ou holística, iremos perceber uma profusão de decisões e situações inusitadas, até mesmo aleatórias, decididas com aparente desconexão em relação às nossas expectativas originais. Porque as escolhas que incorporam significado, são 'caminhos virtuais', identificados pela alma, atenta à sincronicidades e não aqueles desenhados previamente pela mente.

A construção de uma marca forte, seja ela pessoal ou corporativa, passa necessariamente pela compreensão e aplicação do princípio da sincronicidade, elo que conecta fragmentos do processo evolutivo de um 'ser', a dar-lhe significado, e resulta na construção gradual daquilo que representa sua essência, e define para sempre o conceito e a força dessa marca.
__________________________________

*Mauricio A Costa, é Estrategista para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Executivo, Estrategista, ou Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Lobas Selvagens: Quando o Instinto é a Força da Marca









Por Maurício A Costa*


"Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros. Estão taciturnos, mas nutrem grandes esperanças. Entre eles, considero a enorme realidade. O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. Não serei o cantor de uma mulher, de uma história, não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela, não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins. O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente". ('Mãos Dadas' - Poema de Carlos Drummond de Andrade).
______________________


Iniciar este artigo com um poema do brasileiríssimo Carlos Drummond de Andrade tem um singelo propósito: Homenagear uma mulher explicitamente apaixonada pelo ilustre poeta. Seu nome, Anna Maria Badaró. Uma pedra preciosa das minas gerais, que como eu, escolheu as campinas de uma terra que acolheu de árabes a judeus; ricos, carcamanos, ou plebeus. Vivemos ambos numa mesclada metrópole, constituída em sua maioria por imigrantes, ou descendentes, oriundos das mais diversas plagas, onde as adversidades eram maiores que as oportunidades. Maravilhosos seres humanos criando sinergia a partir das mais distintas culturas e idiossincrasias comportamentais, para construir um dos maiores pólos de desenvolvimento do país. 


Uma cidade, região, ou país é antes de tudo a síntese da cultura formada por sua gente, e a miscigenação é fator decisivo para definir o conjunto de padrões de comportamento, crenças e costumes que irão identificar o grupo social. Por essa razão, sinto-me à vontade para dizer que Anna Maria Badaró é parte integrante da paisagem de Campinas, com suas palavras e tintas, a desenhar poemas e telas que traduzem a viagem milenar da sua alma para chegar até nós, seus contemporâneos, que nem sempre sabemos valorizar a prata da casa; pois como já foi dito, o profeta é desacreditado entre aqueles que estão próximos. Uma lacuna que ainda podemos corrigir. 

Quando conheci, a Anna Maria alguns anos atrás, me encantei com algumas de suas telas, que hoje decoram o ambiente onde resido ou trabalho. Pinturas que são autênticas fotografias captadas por uma alma nômade, em sua visão abstrata e eterna, e revelam toda sensibilidade de uma mulher que carrega dentro de si todo o instinto de uma loba selvagem. Segundo Clarissa Pinkola Estees, autora de 'Mulheres Que Correm Com os Lobos', "o arquétipo da mulher selvagem, bem como tudo o que está por trás dele, é o benfeitor de todas as pintoras, escritoras, escultoras, dançarinas, pensadoras, rezadeiras, de todas as que procuram e as que encontram, pois elas todas se dedicam a inventar, e essa é a principal ocupação da mulher selvagem. Como toda arte, ela é visceral, não cerebral. Ela sabe rastrear e correr, convocar e repelir. Ela sabe sentir, disfarçar e amar profundamente. Ela é intuitiva, típica e normativa. Ela é totalmente essencial à saúde mental e espiritual da mulher".

Hoje, alguns anos depois de nosso primeiro encontro, ainda guardo comigo um significativo cartão que marcou o início de nossa amizade, de onde recolho alguns fragmentos para expô-los neste momento, com o intuito de revelar um pouco dessa loba acuada em sua toca: "Considero-me uma pessoa privilegiada pela forma como o destino nos colocou frente a frente. Não foi por acaso. Havia uma promessa de enriquecer a nossa forma de pensar, a cumplicidade de renascer, um novo estímulo que a energia vital usa, para solucionar, naturalmente, pelas vibrações positivas, as pessoas que estão predestinadas a se encontrar. Gente que compreende que, aquilo que 'pode ver', não é tudo. Pessoas com potencial para buscar o que está 'por vir a ser' e descobrir as belezas do mundo, voltando os olhos para dentro de si mesmas. Existe, sim, um 'lugar' onde outras pessoas refletem os nossos pensamentos. Essa força energética coloca no mesmo caminho as pessoas que buscam o êxtase de existir e de viver, sem se afastar da sua essência. Drummond diz num de seus poemas: "O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas'.. prazer em conhecê-lo". Um pequeno texto, mas que dá-nos a exata dimensão da percepção dessa guerreira.


Para me inspirar neste artigo, fui buscar um pouco de subsídio no universo feminino, e o comportamento dessa ‘mulher selvagem’, a partir da obra de Clarissa Pinkola Estees. Em um dos trechos dessa autora, uma afirmação contundente: “Os lobos saudáveis e as mulheres saudáveis têm certas características psíquicas em comum: percepção aguçada, espírito brincalhão e uma elevada capacidade para a devoção. Os lobos e as mulheres são gregários por natureza, curiosos, dotados de grande resistência e força. São profundamente intuitivos e têm grande preocupação para com seus filhotes, seu parceiro e sua matilha. Tem experiência em se adaptar a circunstâncias em constante mutação. Têm uma determinação feroz e extrema coragem”.

O cenário onde se trava essa guerra nem sempre sutil é uma densa floresta infestada de insaciáveis predadores, onde a matilha nem sempre está por perto; e torna-se imperativo o poderoso faro da intuição para guiar-lhe por desconhecidas trilhas. Olhos atentos, pêlos sempre arrepiados, ouvidos ligados em tudo o que acontece ao seu redor, pois ela sabe que o mínimo descuido pode ser fatal. Seus mais primitivos instintos tornam-se sua mais poderosa arma.

Quero utilizar o exemplo de ousadia da Anna Maria Badaró, para transpô-lo a tantas outras mulheres, que identicamente, lutam ferozmente por demarcar seus próprios territórios e dizer a que vieram. Mulheres sensíveis, femininas, e ardentes, mas intimamente lobas e selvagens, num renhido combate diário pela sobrevivência pessoal e da prole. Engana-se quem subestimá-las. 

É nesse ambiente que a mulher contemporânea desenvolve seu momento de desafiadora adaptação, vivenciando experiências das mais estressantes em seu processo de aprendizado, na luta pela sobrevivência, num perambular cada vez mais solitário, em busca da própria identidade, que lhe garanta consolidar a força da sua marca pessoal.


A seguir um vídeo que fala por si, dessa artista singular que um dia o Brasil irá reverenciar:




______________________________________________________

*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.