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sábado, 31 de julho de 2010

Indecisões: Insegurança, Prudência, ou Comodismo?







Por Mauricio A Costa*






"Creio que a única maneira de ser franco e ficar exposto à crítica é afirmar de maneira clara e dogmática onde você está. É preciso correr o risco de tomar uma posição”. (Zizek, Slavoj, em ‘Arriscar o Impossível’ – Pág. 60 – Martins Editora – São Paulo-SP – 2006).


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Conheço muita gente que se tortura de forma estressante diante de momentos de decisão; mesmo quando a inquietação é por algo trivial. Decidir, todavia, não é coisa tão simples como aparenta ser à primeira vista, pois envolve, na maioria das vezes, um incômodo confronto íntimo, uma vez que cada decisão tomada implica em abrir mão de todas as demais opções.

Pode parecer tolo refletir horas a fio no momento de se definir uma escolha singela, mas na verdade, um questionamento, por mais simples que pareça, contém enormes considerações relacionadas ao ambiente e às circunstâncias. Pode envolver significativos vínculos emocionais ligados à genética, como também, embutir traumas, perdas e frustrações do passado; além de produzir ansiosas expectativas com relação a projeções futuras.

Em determinadas situações, tendemos a tomar apressadas decisões diante de inusitadas oportunidades, ainda que sob dúvidas, ou pressões, apenas para não parecermos simplórios, incapazes ou inseguros diante de terceiros. Na dúvida, nos sentimos tentados a acreditar que nossas melhores decisões poderão surgir desses momentos, o que pode ser uma verdade parcial e perigosa. A prudência nos ensina que diante do novo, que tanto fascina a alma, a mente poderá ser excelente companheira, provendo importante visão analítica para contrapor-se a uma postura excessivamente emocional ou aventureira.

Uma reflexão sobre nosso comportamento dualista, entretanto, nos remete imediatamente a questionar se uma atitude de prudência não seria, por acaso, uma enganosa fachada para encobrir posturas de comodismo, preguiça mental, ou medo do fracasso.

Alguns empreendedores resistem ao novo de maneira intransigente e até irracional, por conta do medo do desconhecido. Recusam sistematicamente a análise de opções alternativas pela insegurança que geram, e em vista disso, restringem suas decisões àquilo que lhes é familiar.

A busca da sintonia entre o novo que atrai, e aquilo que já é conhecido, deve nortear a visão de quem decide. O que é novidade estimula e provoca desejo, mas convém lembrar que o tradicional transfere confiança e tranquilidade. O desafio, portanto, é encontrar caminhos que levem em consideração as possíveis reações do público alvo no qual se pretende construir percepção de nossa marca.

O aparente paradoxo, ou contradição, desta análise, cujo título já se inicia com uma pergunta, ratifica minhas colocações anteriores em artigos e palestras onde tenho afirmado que o pensamento estratégico é, antes de tudo, um processo de questionamento permanente; uma infindável análise de possibilidades para encontrar os melhores caminhos que levem ao sucesso aquilo que se empreende. A pobreza de opções conduz inevitavelmente a escolhas medíocres e quase sempre defasadas em relação às próprias oportunidades. Já a análise de alternativas enriquece a decisão.

Do ponto de vista da marca pessoal, os conceitos básicos são praticamente os mesmos; embora valha a pena acrescentar que em algumas situações, as posturas de indecisão refletem também um sentimento de auto proteção, medo de eventuais perdas, ou uma inaceitável exposição ao ridículo; situação que não teme aquele que está obstinado pelo sucesso, ou pela realização pessoal.


“Somos dúvidas, incertezas, indecisões, imprecisões e obscuridades. Somos multiplicidade de sentidos, equívocos e hesitação. Vivemos a diversidade de infinitos significados. Somos, enfim, o paradoxo da ambigüidade... vivemos um permanente processo de evolução, onde a verdade se revela gradualmente através da mudança”. ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Em Gestação).

Finalizo, deixando a pergunta do título de abertura da matéria para que cada leitor proceda sua própria reflexão, levando em conta seu histórico pessoal, suas ambições, e  expectativas de realização em relação à sua marca pessoal ou empresarial. Não há fórmulas prontas em assuntos como este. Cada ser humano conhece a dimensão da própria alma. As respostas afloram quando mergulhamos para dentro de nós mesmos. Alguns, com certeza, concordarão com a frase de Slavoj Zizek, de que 'É preciso correr o risco de tomar uma posição”. 

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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.

sábado, 24 de julho de 2010

Idealismo, O Sonho Por Trás da Marca.








Por Mauricio A Costa*


“Pois como quereis que não me sinta confuso ante o que irá dizer esse velho legislador chamado Vulgo, quando vir que, ao cabo de tantos anos de repouso no silêncio do olvido, saio agora, trazendo às costas o peso de todo os meus anos, com uma história seca qual um esparto, vazia de invenção, minguada de estilo, pobre de conceitos e falha de toda erudição e doutrina, sem cotas nas margens nem notas no fim, diferente do que vejo noutros livros que, embora fabulosos e profanos, andam tão repletos de sentenças de Aristóteles, Platão e toda a caterva de filósofos, que causam admiração aos leitores, emprestando aos seus autores a aparência de homens lidos, eruditos e eloquentes?” (Miguel de Cervantes (1547-1616) no Prólogo de sua obra ‘O Engenhoso Fidalgo D. Quixote de La Mancha’ –Pág. 28-Editora Itatiaia–Belo Horizonte-MG– 2005)
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...Quando eu tinha apenas quinze anos, até parece que foi ontem, uma jovem senhora, atendente de uma grande biblioteca pública que eu costumava frequentar, já que não dispunha de recursos para comprar livros, ao ver-me absorto na leitura de D. Quixote, comentou amavelmente comigo: ‘você se parece com ele!’ – Naquele momento, por conta da minha juvenil limitação cultural, entendi a frase como algo referente à minha compleição física, por eu ser visivelmente esguio. Só anos mais tarde, ao reler essa obra, relembrei esse inesquecível comentário, e dei-me conta de quanto idealismo parecia fazer parte da minha personalidade. Mergulhado por instantes em um profundo silêncio, confesso que meus olhos marejaram, refletindo o infinito carinho por aquela mulher que sequer sabia o nome, ou mesmo lembrava seu rosto. Um exemplo de como uma fração de segundo pode nos acompanhar pela resto da vida; um simples gesto, olhar, ou palavra pode nos afetar abissalmente, sem que tenhamos noção da grandiosidade do momento. 

Foi assim, ainda na adolescência, que começou minha paixão por D. Quixote, a bíblia de quem deseja mergulhar fundo na alma humana, para sentir o martirizante efeito do dualismo que a permeia, numa luta sem trégua entre a leveza do sonho que carrega, e a assustadora realidade que avança sobre ela como um exército de ferozes guerreiros invisíveis. 

Hoje, tornei-me um apaixonado pela humanidade, na busca por entender a essência daquilo que ela é, e percebo com certa dose de tristeza, a razão maior por trás da inquietude de cada ser, na incômoda angústia de viver dividido entre o que a alma traz de mais sagrado e a força da matéria que a aprisiona. Uma batalha desesperada contra o tempo e contra tudo, por saber que cada minuto pode ser decisivo para concretizar seu ideal, e que ferrenhos inimigos estarão por toda parte, a tentar usurpar-lhe o significado do próprio existir, ou aquilo que possa ser seu grande legado.

Todo empreendimento, projeto ou empreitada pessoal traz embutido o sonho de um empreendedor, e é esse sonho, ou ideal que dá origem à sua marca. Quando o sonho é destruído por qualquer razão e o ideal parece fenecer, a alma desse guerreiro vagará sem destino, perdida na escuridão das frustrações como se para ele a vida não fizesse mais sentido; a prostração e o desânimo passam a tomar conta da mente, que se torna confusa, fragmentada e impotente. É nesse momento que a energia sagrada do todo que o envolve, poderá suavemente reacender-lhe a alma, porque o ideal na verdade, jamais se extingue, por ela ser eterna e não ter noção de espaço ou tempo. 

Sinto profunda decepção, ao ver ridicularizado pela insensibilidade ou arrogância de alguns, o trabalho de incansáveis escritores de auto-ajuda, ou de médicos e terapeutas que atuam com a medicina que vai além do convencional, ou ainda de honestos e dedicados espiritualistas e religiosos que se entregam à missão de confortar e apoiar, num visível esforço para despertar essa chama latente, quase apagada, em maravilhosos seres humanos, que caminham como zumbis, alheios ao extraordinário poder interior que carregam; necessitando apenas de um leve sopro de vida naquela pequena flama, sufocada na maioria das vezes por ingenuidade, despreparo, ou por motivos alheios à sua vontade, mas por muitos ignorada. 

O empreendedor que supera desafios e atinge com bravura o ápice do sucesso, não verá apenas no dinheiro ou no poder o único sabor de sua conquista. Para ele, a realização pessoal, é a verdadeira conquista. O ideal da própria alma transformado em algo concreto. É esse ideal que gera um conceito poderoso, e transforma um simples nome em uma marca que transcende todo tipo de obstáculos para se tornar uma referência. 

A beleza da história contada por Cervantes, todavia, não nos mostra apenas o lado idealista do ser humano, em seu personagem D. Quixote, mas faz-nos acordar também para a realidade que nos cerca. O personagem Sancho Pança é a nossa mente, sempre racional e obstinada por coisas concretas, que nos aprisiona a correntes formadas por dogmas, preconceitos, tabus e paradigmas de toda ordem. Esse Sancho Pança será um incansável, mas efêmero, serviçal da nossa ‘quixotesca’ alma, que movida pela energia do eterno não se prende a nada, pois navega em seu infinito agora. A consciência da complementaridade desses dois personagens dentro de cada um de nós, com certeza, poderá permitir uma caminhada mais serena, e minimizar conflitos íntimos que produzem inoportunos questionamentos existenciais, que desembocam quase sempre em momentos de profunda angústia ou até depressão. 

A plenitude do viver está na convivência pacífica conosco mesmos. O segredo está em compreender a estupenda energia resultante do encontro dos opostos; nisso consiste a sabedoria que produz a vida, e a harmonia por onde flui a essência daquilo que chamamos paz.

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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.


É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.


sábado, 17 de julho de 2010

Unidade. A Força e a Beleza de Uma Marca Forte




Por Mauricio A Costa*


“Todo reino dividido contra si mesmo será destruído. Toda cidade, toda casa dividida contra si mesma não pode subsistir” (Citação de Jesus Cristo, no Livro de Mateus, Cap. 12 ver. 25).

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Apesar de respeitar todas as ideologias filosóficas ou religiosas, procuro não ater-me a nenhuma delas. Carrego comigo a síntese do pensar de duas grandes figuras totalmente opostas da história: Nietzsche, sugerindo ‘uma mente aberta e um espírito livre’, e Paulo de Tarso, (O Apóstolo), recomendando um ‘examinar tudo, e reter o que é bom’. Por isso, ao começar este artigo com uma citação bíblica, peço desvinculá-la de qualquer caráter religioso, pois a busca da verdade deve ser pessoal, ampla e permanente; livre de interpretações dogmáticas ou doutrinárias. O único propósito da citação é o contexto de sabedoria que ela encerra, porque a mensagem estimula uma profunda reflexão sobre a importância da unidade; palavra que mesmo não aparecendo explícita no texto representa a sua essência.

Ao longo de minha vida profissional, em atividades como Executivo, Coach ou Consultor, tenho presenciado com certa tristeza, sintomas de deterioração de projetos maravilhosos por conta da falta de unidade. Empreendimentos bem estruturados, de pequeno ou médio porte; alguns até mesmo de grande envergadura, comprometidos por inimigos íntimos do ser humano como a arrogância, a vaidade, ou a ganância. Organizações dirigidas ou gerenciadas por líderes cuja postura egoísta poderá conduzi-las a uma lamentável decadência, em virtude de decisões unilaterais por sentirem-se ‘donos exclusivos da verdade’.

Sabemos que o poder é solitário e implica na maioria das vezes em tomadas de decisões dramáticas, impessoais e até mesmo antipáticas, quando se leva em conta a importância do coletivo e não apenas demandas individuais. Todavia, é fundamental que aquele que está no topo de uma organização, empreendimento, ou divisão, saia do seu isolamento e procure escutar o universo à sua volta. Essa escuta, com certeza, irá trazer-lhe importantes subsídios para análise e enriquecer seu processo decisório. A sabedoria que permeia a tudo e a todos, se manifesta de maneira surpreendente e das formas mais inusitadas possíveis, surgindo de onde menos se espera. É essa imponderabilidade que a torna onipresente e onipotente. Um poder extraordinário, capaz de alterar significativamente uma limitada e acanhada visão unilateral para criar a percepção do todo em que se está inserido.

Uma desmedida ambição, ou lamentável postura de apego, caracterizada pelo exagerado sentimento de posse com relação a coisas, bens, ou pessoas é outro fator que costuma bloquear o lado magnânimo daquele que se propõe a liderar, e deturpa seu propósito original mais sagrado de construir algo que ultrapasse o tempo e o espaço convencionais, por meio da sinergia criada com outros maravilhosos seres que incorporam o sonho pessoal do visionário e o ajudam a transformá-lo em algo grandioso. Ignorar a sinergia dos elementos é subestimar o estupendo poder da energia que interliga as parte de um todo. A destruição do ‘reino’ (empreendimento, organização ou colméia) é evidente, quando a energia produzida em seu interior deixa de ser utilizada para vencer os desafios externos e passa a ser consumida internamente para compensar o enfraquecimento de seus componentes.

O conceito de família não difere em nada desta análise. A dimensão da sua força estará vinculada à sinergia criada por seus componentes. Tal qual, órgãos, membros, ou simples moléculas de um corpo, tudo está interligado, e somente uma atuação interdependente e sincronizada de cada elemento poderá proporcionar seu funcionamento como um todo.

Um fantástico exemplo dessa interdependência pode ser observada no incrível e singular sincronismo dos integrantes do Cirque du Soleil, e a beleza resultante dessa ação conjunta, que envolve, muito planejamento, envolvimento e comprometimento individual para obter-se um espetacular resultado final.


Uma marca forte é resultado da somatória da individualidade de seus componentes. É a complementaridade de seus elementos que irá produzir algo grandioso; extremamente belo e diferenciado. Para tanto, é imprescindível que cada componente desse todo, se dê conta da responsabilidade de sua contribuição de forma decisiva para o melhor desempenho possível do conjunto, e atue de maneira consciente, de acordo com os parâmetros que definem essa interdependência, sem tomar iniciativas isoladas que comprometam o equilíbrio e o sincronismo que garantem a magia do resultado final.

A singularidade de uma marca, seja ela pessoal ou corporativa, é resultado do equilíbrio entre os princípios que definem aquilo que lhe é intrínseco, a sua essência, e a relação que ela tem com o mundo exterior; porque o abstrato só será percebido no mundo real se com ele entrar em sintonia. Assim, todo meu potencial só será valorizado quando puder ser identificado pelo mundo à minha volta e percebido como algo que o complemente. Nisso consiste a dimensão do extraordinário conceito de unidade, preconizado pelo grande mestre citado no início deste artigo. Neste sentido, complementaridade é a palavra mágica a nos fazer enxergar o outro como o 'elo invisível' que nos permite criar a indescritível sinergia que move esse insondável universo do qual somos parte.

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*Maurício A Costa é um obcecado por resultados, gerado pelo pensamento estratégico, focado em gente, inovação, e criação de valor agregado. Executivo com experiência internacional em empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica); está disponível para participar da construção de marcas fortes, em organizações sérias, interessadas na identificação de novas oportunidades, na superação de desafios, e na melhoraria de resultados e rentabilidade. No plano pessoal, é o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país, e poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Conselheiro' para Empresas, 

sábado, 10 de julho de 2010

O Desafio da Comunicação Na Construção de Marcas Fortes




Por Maurício A Costa*



“Nós, os intelectuais, em vez de nos defendermos varonilmente... e reduzir a obediência ao espírito, ao ‘logos’ e à palavra, sonhamos todos com uma linguagem sem palavras, que possa exprimir o inexprimível, que possa representar o irrepreensível” (Hermann Hesse, em ‘O Lobo da Estepe’ - Pág. 156 – Ed. Best Seller – Rio de Janeiro – 2009).
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O maior desafio de quem busca expressar a essência do que é ou do que sente é traduzir em palavras, sons ou cores, aquilo que sua alma percebe. Transformar o abstrato em linguagem figurativa implica exprimi-la de uma forma que possa ser compreensível e adaptada ao mundo das imagens pré-construídas, que chamamos realidade.
A frase de Hesse na abertura deste texto revela essa angústia que sente o poeta, o escritor, o pintor, o designer, ou o compositor da mesma maneira que a sente o empreendedor. Porque converter sensações, sentimentos ou idéias numa representação de forma reconhecível na natureza é o que podemos chamar de arte, ao longo das mais diferentes épocas e culturas.

No exato momento que escrevo este artigo, uma pequena mensagem surge no canto da tela do meu computador, enviada por uma pessoa amiga virtual do Facebook a dizer: ‘sempre que eu leio alguma coisa sua me parece que ela vem com uma nuance melancólica... ’ – Ao ler essa mensagem, dou-me conta de que essa melancolia é a forma como a alma torna visível sua essência, ao revelar o que convencionamos chamar de amor; expresso sob a forma de uma indisfarçável tristeza, por saber efêmero cada momento, pois o seu pulsar é um agora eterno, sem antes ou depois, a produzir 'insights' que vão sendo projetado pela mente, tal qual revelação mística que cria a partir do nada, poderosas transformações.

O empreendedor, ou empresário que decide transformar o sonho pessoal em realidade vive essa angústia com a mesma intensidade, tal qual compositor que produz uma magnífica sinfonia. É preciso colocar para fora o que vem de dentro com força avassaladora, e irresistível. Surge um ‘parir’ imperativo a impor uma entrega total caracterizado por um processo criativo que faz desaparecer os limites de tempo e espaço. Um criar solitário e compulsivo que não conhece restrições, tampouco se submete a convenções, e flui com intensidade que lhe é própria. Em alguns momentos isso irá parecer arrogante e egoísta e poderá provocar fortes rejeições. Mas isso não o afastará de sua meta. O desafio maior, não está na concepção ou no processo de gestação do sonho e sim na forma de comunicá-lo, de traduzi-lo a fim de toná-lo compreensível e atrativo àqueles que estão em volta. Afinal, é preciso romper abismos entre a abstrata percepção sensorial, ou extra-sensorial, e a realidade física. Para dificultar ainda mais, é preciso lembrar que nós seres humanos não caminhamos na mesma velocidade ou direção. Viajamos em diferentes ritmos e carregamos individualmente distintos níveis de compreensão e percepção. Isso pode tornar a mensagem que se deseja comunicar totalmente deslocada do seu tempo; inoportuna, inadequada, incompreensível, ou até mesmo indesejada.


Algumas óperas, livros, e telas só se tornaram ‘divinas’ muitos anos depois de lançadas. D. Quixote a obra prima de Cervantes, o grande escritor espanhol, levou mais de cem anos para se tornar consagrada. As telas de Van Gogh, considerado hoje uma das maiores expressões da arte, só vieram a ganhar notoriedade após sua morte. Jesus Cristo foi assassinado pela igreja da sua época por trazer uma mensagem totalmente diferente do convencional, incompreensível ou indesejável para os padrões aceitáveis pelo ‘establishment’ de então.

Difundir uma ideia e a partir dela construir um projeto não é tarefa das mais simples. Impõe superar objeções de toda ordem; romper paradigmas, destruir barreiras, construir sinergia e estabelecer parcerias com total comprometimento. Uma ideia ou um conceito por mais extraordinário que possa parecer corre o risco de evaporar-se para sempre se não contar com a sinergia de pessoas que necessariamente precisam estar envolvidos com o operacional, para viabilizá-las. É extremamente difícil para quem cria, e vive em um mundo de abstração embrenhar-se naquilo que ele chama de insuportável rotina da realidade. Nesse momento, é vital reconhecer a importância de parcerias que permitam construir a visibilidade da marca, a fim de torná-la conhecida e desejável.

Construir uma marca, seja ela pessoal ou empresarial, exige uma compreensão extraordinária naquilo que diz respeito ao seu 'momentum', pois implica definir uma linguagem original para não perder sua autenticidade, que seja ao mesmo tempo coerente, acessível e atraente; mas acima de tudo, tenha visibilidade para gerar uma percepção que se propague no inconsciente coletivo de maneira envolvente e consistente. Essa propagação, embora possa implicar em um esforço acima do normal, a exigir um intrincado processo de comunicação, algumas vezes intensivo e caro, costuma compensar o esforço; ainda que uma distância abissal possa separar o momento espetacular do criador e o sucesso de sua criação, em que o ‘inexprimível’ se revela em toda sua plenitude. Só o tempo irá revelar a magnitude dessa marca. 
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Maurício A Costa é um obcecado por resultados, gerado pelo pensamento estratégico, focado em gente, inovação, e criação de valor agregado. Executivo com experiência internacional em empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica); está disponível para participar da construção de marcas fortes, em organizações sérias, interessadas na identificação de novas oportunidades, na superação de desafios, e na melhoraria de resultados e rentabilidade. No plano pessoal, é o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país, e poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Conselheiro' para Empresas, Empreendedores ou Executivos.

Contatos: mauriciocosta@uol.com.br 

sábado, 3 de julho de 2010

Controle Emocional: Fator Decisivo Para Uma Marca Forte







Por Maurício A Costa*


Os caracteres individuais que trazemos geneticamente, complementados pelas experiências pessoais, nos leva a construir um verdadeiro arsenal de regras de comportamentos, que definem nossa personalidade, visíveis pelas atitudes e posturas que esboçamos diante de cada nova situação com a qual nos defrontamos. (O Mentor Virtual – Pág. 90 – Ed. Komedi – Campinas-SP -2008).

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Desde tempos imemoriais, o ser humano busca descobrir caminhos que o possam levar à condição de equilíbrio, ou mais especificamente, o senso de autodomínio que o ajude a desenvolver em si mesmo o verdadeiro poder para superar tempestades emocionais que costumam alterar-lhe o humor e controle emocional. Ao longo de milhares de anos, o homem tem sido escravo de suas mais desvairadas emoções, que lhe modificam a sorte e o destino de forma repentina. Esse agir movido pelo descontrole emocional é ao mesmo tempo a mais bela e pura expressão da vida que se manifesta dentro dele, mas poderá ser também o que irá promover significativas e até irreversíveis mudanças na história que pretende escrever. A emoção abafada ou controlada pode tornar-se um fardo muito pesado para ser carregado, sob a forma de uma paralisante depressão, ou numa ansiedade avassaladora, e transformar-se em arrependimento, o autoflagelo da culpa que atormenta para o resto da existência. Um insistente zumbido na mente a questionar para sempre o porquê de não haver feito isso ou aquilo. No entanto, em momentos cruciais, o controle emocional pode significar o sucesso de um empreendimento de longo prazo que foi sendo desenhado ao longo do caminho.

Esse descontrole momentâneo pode manifestar-se em nossas vidas sob as mais diversas maneiras, e vão da raiva impetuosa, à paixão incontida; visíveis na agitação dos comportamentos impulsivos e tempestuosos. Como nos ensina Erich Fromm, são nossas atitudes que definem nosso nível de maturidade, pois, esse estágio implica numa renúncia aos sonhos narcisistas de vaidade e até mesmo prepotência, uma vez que, aquele que desenvolve a verdadeira força interior saberá quase sempre atuar com cuidado, responsabilidade e respeito, uma atitude que reflete um elevado autoconhecimento. O estado de consciência, porém, é o grande inimigo da intempestiva alma, ávida pela emoção do novo que cria o pulsar da própria vida.

Quase sempre, esses estados emocionais são resultados de uma reação espontânea daquilo que representa a essência do ser humano, sintetizada na palavra alma. O propósito é romper com a solidão que apavora, e a faz sentir-se alienada, por agir como autômato em meio a um rebanho de aparentemente iguais, que lhe transmite falsa segurança, e gera insuportável comodismo atrofiando todos os mecanismos de sobrevivência no conceito de plenitude e eternidade que lhe é peculiar. O conceito de realidade, contudo, pode ser algo esmagador e fruto de construções mentais“O real é a ilusão à qual se apega nossa mente fria e racional, que aprisiona a vida a ponto de nos fazer ignorar caminhos alternativos com que acena o universo por meio da casualidade, da fantasia e do sonho; percebidos apenas por nossa mais profunda intuição, a infinita forma de saber da alma”. ('O Mentor Virtual II - O Elo Invisível - Livro em Gestação-  Campinas-SP).
Em meio a essa aparente contradição geramos nossos comportamentos. Parte deles movidos pela razão, através de atitudes planejadas e organizadas; outro tanto, porém, é acionado pela emoção, sob a forma de sentimentos, sensações e instintos de um fantástico espírito de liberdade inerentes à própria vida. Quando orientados por comportamentos racionais, o resultado é previsível. A vida, no entanto, parece depender de uma grande dose de imponderabilidade para realizar-se. Há um infinito de opções para cada mínima possibilidade de que o extraordinário aconteça. 

Seja em um simples jogo de futebol, uma reunião de negócios, ou no inesperado envolvimento entre duas pessoas, a emoção presente tenderá a sair do controle, e um questionamento inevitável surgirá: Qual o propósito do controle emocional? Quando é essencial estar no controle? Por que em alguns momentos ele é tão importante? – A resposta nos parece simples: Se estamos agindo de forma pessoal, unicamente em prol da própria felicidade não há outra alternativa senão abandonar toda ideia de controle e deixar que o universo à nossa volta se encarregue de alinhar forças convergentes que nem sempre percebemos para criar surpreendentes oportunidades; todavia, se estamos envolvidos ou comprometidos com um propósito coletivo que envolve outros seres humanos que juntos conosco se propuseram a uma meta comum, temos que necessariamente agir com maior racionalidade, pois não estamos a defender apenas o nosso estar bem individual e sim um objetivo com outros que em nós depositaram confiança e em função disso, geraram expectativas. Não podemos por isso, agir de forma compulsiva, aquela ação irresistível que nos leva a determinados comportamentos, ignorando compromissos coletivos.

A construção de uma marca exige uma análise ampliada desses desdobramentos comportamentais pelo fato de estarmos lidando com o inconsciente coletivo, ao mesmo tempo em que tratamos com emoções pessoais. O universo está interligado, e cada simples elemento carrega em si decisivos componentes que podem alterar de maneira significativa qualquer eventual tentativa de previsibilidade. A palavra mágica nessa análise vai além do equilíbrio, pois exige bom sensocoragem e determinação, porque a questão não permite situações intermediárias, mas decisões pontuais, específicas e ágeis.


Há que lembrar que esse controle emocional não é algo tão simples quanto possa parecer. Como diz Shakespeare, através de seu personagem Hamlet, em diálogo com seu amigo Horatio: “Tens sido um homem que as desgraças e recompensas da sorte aceitas com igual gratidão... Dá-me o homem que não é escravo da paixão, que eu o trarei no fundo do meu coração, sim, no coração do meu coração, como faço contigo...”– Não devemos nos deixar levar pela obsessão de um questionamento permanente, especialmente, como dissemos, quando se tratar da própria felicidade. Neste sentido, convém lembrar: “O excesso de questionamento costuma aumentar dúvidas quando deveria aclarar. Muita informação leva a mente a racionalizar, bloqueando todas as possibilidades do acaso. Há momentos em que é preciso sair do controle e deixar o universo conspirar. É bem provável que por aí a vida aconteça”. (‘O Mentor Virtual II’ – O Elo Invisível)

Quero concluir esta matéria com um belíssimo texto de uma quase desconhecida escritora americana, que diz: “Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração ela se torna uma grande e valiosa aliada”. (Kim McMillen, em ‘Quando Me Amei de Verdade’ – Editora Sextante).


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*Maurício A CostaCampinas, São Paulo, Brazil:

Um obcecado por resultados, focado em pessoas, no pensamento estratégico e no valor agregado. Ex-Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Disponível para participar de Empresas sérias, que estejam interessadas em melhorar resultados e aumentar rentabilidade. Em termos pessoais, o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento em fase de gestação, focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Como autor e palestrante, disponível para, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Coaching' de Empresários ou Executivos que buscam harmonia entre o ser humano que são, e o guerreiro que necessitam incorporar diariamente.