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sábado, 26 de junho de 2010

Divididos Entre a Razão e Coração



Por Mauricio A Costa*


“Sossega coração! Não desesperes! Talvez um dia, para além dos dias, encontres o que queres porque o queres. Então, livre de falsas nostalgias, atingirás a perfeição de seres” (Fernando Pessoa)
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Construir uma marca forte envolve decisões racionais, diriam alguns marqueteiros profissionais de plantão, sempre prontos a elaborar uma teoria prática que defina em poucas palavras temas complexos, extremamente vinculados ao multifacetado comportamento humano, como a criação de um símbolo que conquiste o coração e a mente de determinado público para sempre.

Uma marca, seja ela comercial ou corporativa, e com maior ênfase ainda uma marca pessoal, exige uma reflexão muito mais profunda; impõe um olhar sensível sobre todas as emoções que envolvem o processo de decisão de um ser humano diante das múltiplas escolhas que necessita operar a cada minuto de sua existência. Não somos máquinas a funcionar de forma automática e pré planejada quando nossas emoções estão em jogo. Nada é previsível nesse contexto. Inúmeras alternativas podem gerar uma simples decisão. O intrincado e muitas vezes desconhecido emaranhado de possibilidades que envolvem uma escolha pode modificar caminhos e destinos em fração de segundos. Somos, na verdade, extremamente vulneráveis por conta da imprevisibilidade das nossas próprias atitudes, quase sempre recheadas de conteúdo emocional.

Não podemos esquecer que nossas decisões são influenciadas não apenas por informações pelo ambiente à nossa volta, mas especialmente por aquelas que carregamos ao longo de milhões de anos mesmo sem que as percebamos claramente. Como ensina Carl Jung, “parte do inconsciente consiste de uma profusão de pensamentos, imagens e impressões provisoriamente ocultos e que, apesar de terem sido perdidos, continuam a influenciar nossas mentes conscientes(Jung, Carl Gustav – O Homem e seus Símbolos – Pág. 32 – Ed. Nova Fronteira – R.Janeiro – 2002). Nossa emocionalidade, é sem dúvida, fruto de possíveis conflitos desse inconsciente, acossado por um sem fim de novas informações, paradigmas, exigências e padrões de comportamento a criar reações das mais adversas diante de momentos decisivos de escolhas.

O que chamamos de razão não passa de um modelo construído por regras que decorrem de um pensar coletivo, resultado do instinto de agrupamento que desenvolveu o homem, em sua luta pela sobrevivência, visando superar adversidades ao longo da história de sua existência. Esse modelo criou padrões éticos e morais, que foram sendo encampados pelas mais diversas religiões e aos poucos tornaram-se normas e leis, a definir conceitos de certo e errado para as mais diferentes sociedades. Com o tempo, esses conceitos passaram a engessar ou limitar o ser humano diante de suas reais possibilidades. Um escravo de suas próprias regras, ignorante dos anseios da própria alma.

A alma, também chamada na antiguidade de coração, é a essência daquilo que somos. A memória invisível de todas as nossas experiências vividas no âmbito da ancestralidade, ou seja, um conjunto de informações acumuladas que chegaram até nós através de nossos antepassados. Por conta disso, é natural que nossa alma ou coração carregue seus próprios modelos e tenha seu próprio jeito de ser. Um desenho peculiar a formar nossa personalidade, e dar o toque de beleza que resulta em nossa identidade, que é única.

E o que seria então viver a própria vida se nos obrigamos a esquecer o que somos na maior parte do tempo em função das expectativas de outros? Como adequar nosso modelo tão pessoal a um sistema complexo, formado por milhões de outras criaturas? Como realizar o sonho individual no ambiente massificado? 
...A resposta parece estar na necessidade de um freqüente mergulho para dentro de nós mesmos e buscar compreender a essência de nossas mais profundas aspirações, o ‘conhece-te a ti mesmo’ de Sócrates, para só a partir daí proceder a escolhas coerentes, definindo como prioridade aquilo que tem significado verdadeiro para nossa vida. Essa recomendação, no entanto, não é algo tão simples de colocar em prática, em vista do medo daquilo que possamos vir a descobrir, ou mais grave ainda, ao descobrirmos, nos darmos conta de que não teremos coragem para realizar aquilo que pede nosso coração. Uma terrível batalha tem início diante desse conflito interior. Razão e coração nos dividem ao meio gerando uma lamentável inércia que pode durar toda nossa existência; para a qual só nos damos conta muito tarde.

As palavras de Fernando Pessoa no início deste texto me causaram indisfarçável angustia existencial ao mesmo tempo em que provocaram toda esta reflexão. A felicidade humana parece depender de um terrível paradoxo; o de estarmos condenados a viver divididos entre a possibilidade de realizar os mais belos vôos de nossas almas e o cativeiro das imposições que definimos como padrões; uma decisão que pode implicar em estarmos abrindo mão daquilo que temos de mais precioso, a liberdade de ser.
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*Mauricio A Costa, É estrategista para projetos de ‘alavancagem’ de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, para atuar como Executivo, Assessor, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, para grupos, associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.

Contatos: mauriciocosta@uol.com.br


domingo, 20 de junho de 2010

O Difícil e Delicado Equilíbrio de Ser


Por Maurício A Costa*



“O homem inconscientemente compõe sua vida segundo as leis da beleza, mesmo nos instantes do mais profundo desespero”. (Milan Kundera, em ‘A Insustentável Leveza do Ser’ – Segunda Parte).
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Minha recente passagem por Praga levou-me de forma espontânea a pensar no livro de Kundera, e como uma singela homenagem citá-lo na abertura desta matéria. 


Mauricio A Costa em Praga
Jun-2010
A ‘Insustentável Leveza do Ser’ é quase um virar a alma pelo avesso, para um escritor engajado nos problemas políticos e sociais do seu tempo em sua terra natal a Tchecoslováquia, hoje República Tcheca. Um desafio, antes de tudo, por construir um enredo carregado de sensualidade, com o propósito de analisar a fragilidade da natureza humana, dividida entre o peso dos comportamentos padronizados e a leveza de uma ausência de regras. Numa trama envolvendo temas como o amor e o destino, o autor leva seus leitores a refletir sobre a ambivalência do conceito de maior valor para o ser humano, a sua liberdade.

Friedrich Nietzsche
Em recente artigo que publiquei no blog Marcas Fortes, abordei sobre a busca do equilíbrio entre o instinto e a realização da alma trazendo à reflexão idéias de um polêmico e brilhante, Nietzsche, que incita o ser humano a uma vida de plena liberdade, longe da mesmice de uma sociedade marcada por medos e repressões, em consequência de tabus ou paradigmas que conduzem à angústia de uma vida insípida vivida sem o prazer produzido pela estimulante sensação da aventura. Comentei também sobre o desafio daqueles que decidem sublimar toda energia gerada por estímulos exteriores, ao direcioná-la de forma intelectual ou espiritual para a busca daquilo que o ser humano chama de paz, ainda que isso implique em 'quarenta dias no deserto da alma' como na metáfora de Cristo em seu delicado momento de resistir a tentações, em razão de uma meta pessoal.

Milan Kundera

Ao me deter sobre a frase de abertura desta matéria usada pelo famoso autor tcheco, percebo a dimensão desse desafio vivido por cada um de nós diante de momentos em que a alma se vê angustiada por sentir-se dividida entre a serenidade dos caminhos conhecidos e a forte emoção que lhe causa o novo, já que o 'diferente' é o que lhe estimula e atrai, uma vez que produz evolução e crescimento, essência do seu mais nobre propósito. O amor, sua arma mais poderosa é sua própria armadilha, e "O amor é alheio a tempo ou espaço. Por desconhecer o que é real, retrocede em repentinos mergulhos no passado ou precipita-se por tortuosos caminhos do futuro imprevisível. Invade o presente com ímpeto, sem noção de consequências, e esvai-se a deixar apenas um enorme vazio, até que irrompa o inesperado frenesi da próxima turbulência". – (Reflexões para ‘O Mentor Virtual II’ – O Elo Invisível - Praga, Junho de 2010).


O que seria então esse questionável conceito de liberdade para o 'ser' humano, senão a mera ilusão passageira de sentir-se no controle das próprias decisões? Como superar com equilíbrio, inesperadas tempestades provocadas pelos impulsos de vôos acrobáticos, se em plena calmaria já se sente inseguro? De que forma, consciente ou inconscientemente superar momentos de enormes turbulências sem abrir mão dessa beleza que fala Kundera, especialmente aquela produzida pela paz que envolve todas as expectativas? Como ser o guerreiro que enfrenta todas as batalhas na luta pelo que acredita se está dividido entre o que é seguro e a aventura daquilo que o fascina?

Ao pretender trazer todo esse inquietante questionamento para a construção da marca pessoal, sinto-me um autêntico personagem de Richard Bach em Ilusões - As aventuras de um messias indeciso, ‘em busca de respostas para coisas que sequer sei perguntar’. E por conta disso, me dou conta apenas da importância decisiva de nossas escolhas, e da consciência ao fazê-las. Eleger prioridades não é algo tão simples como possa parecer. Opções arrojadas costumam trazer resultados inesperados, e isso implica no pleno domínio dessa consciência e seus eventuais desdobramentos, embora sabendo: “Após cada curva, a expectativa do desconhecido. O surpreendente que fascina e dá beleza ao caminho” (O Mentor Virtual – Pág. 177 – Ed. Komedi – Campinas-SP – 2008).

Não cabe colocar em discussão o que é certo ou errado, apenas analisar o peso das opções, e neste sentido, não me parece demais destacar que boa parte das nossas escolhas costumam ser feitas sem conhecimento prévio de todas as informações que balizem uma boa decisão. Com frequência elas são tomadas por impulso, baseadas em meras aparências, que conduzem a decisões precipitadas. Como consequência, o pesado fardo resultante pode não compensar a leveza do ser, sob o pretexto de exercitar a liberdade.

“Está em suas mãos a decisão para definir o que é melhor para sua vida. Apenas a você cabe operar suas escolhas. Não deixe que ninguém interfira nisso” é a mensagem de ‘O Mentor Virtual’. Todavia, nunca é demais lembrar que algumas dessas escolhas implicam decisões recíprocas e nesse momento o melhor é não criar expectativas que possam produzir desilusão que torna o existir demasiadamente pesado, a ponto de se transformar amor em ódio, alegria em sofrimento, beleza em frustração. A vida é um fluxo constante de decisões e nisso se resume, essa 'insustentável leveza de ser', uma ópera cujas páginas escrevemos a cada dia; muitas vezes sob emoções contidas, palavras suprimidas, e finais que vão se modificando a cada minuto; porque sabemos que nessa peça, somos ao mesmo tempo atores e platéia, mas somos especialmente, os autores dessa história.


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*Mauricio A Costa, É estrategista para projetos de ‘alavancagem’ de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, para atuar como Executivo, Assessor, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, para grupos, associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.



sábado, 12 de junho de 2010

O Extraordinário Poder da Palavra



Por Maurício A Costa*



“As palavras são dadivosas, pois concedem a tarefa de traduzir palavras para pensamentos e não apenas pensamentos em palavras” (Schuback, Márcia, no Prefácio de ‘Ser e Tempo’ de Martin Heidegger – Pág. 17 – Editora Vozes – 2008)

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O que distingue o ser humano de todos os demais seres vivos em nosso planeta é, sem dúvida, a sua capacidade de articulação; palavra que por si pode traduzir várias outras, como organizar, proferir, unir, conectar, pronunciar, ligar, negociar, e tantas mais, dependendo do contexto em que esteja inserida. Isso significa dizer que não basta o simples proferir aquilo que chamamos de ‘palavra’ para dar significado ao que queremos exprimir. É decisivo levar em conta a inter-relação das circunstâncias, considerando sua relação causa-efeito, e o momento em que ela foi verbalizada.

Uma palavra exprime uma idéia, um pensamento, ou o simples resumo de uma mera divagação. Pode representar o esboço de uma reação emocional provocada por algo exterior, e ser interpretada de várias formas, dependendo da energia que carrega em vista da intenção com que foi pronunciada ou escrita. A palavra pode expressar um desejo, mas esconder uma falsa promessa; tanto revela uma convicção como o disfarce de uma fantasia. 

A palavra surgiu como resultado da articulação do pensamento e da manifestação da vontade, no momento inaugural da espetacular tomada de consciência pelo ser humano. A alegoria da criação do homem diz que ‘ao provar do fruto da árvore do bem e do mal ele tornou-se um deus(Gênese 3:22); todavia, tem sido pela deturpação da palavra que esse mesmo homem vem promovendo sua degradação. Sua engenhosa mente ampliou de maneira surpreendente uma das mais importantes habilidades do animal de suas origens, a camuflagem; a capacidade de um organismo qualquer de confundir, enganar ou disfarçar, por meio da dissimulação, para esconder suas verdadeiras intenções e sentimentos, gerando uma ação corrosiva em seus relacionamentos e posteriormente, como consequência, um enorme desgaste emocional.

Por meio das palavras, o ser humano pode exprimir toda simpatia por alguém, transferindo-lhe intensa energia propulsora. Pode ainda compor textos, canções, ou poemas capazes de produzir surpreendente encantamento e enlevo ou simplesmente agregar informação e cultura. Todavia, devido ao multifacetado sentido das palavras, as relações humanas em alguns momentos tomam caminhos imprevisíveis, produzindo lamentáveis frustrações, insanas desavenças, inusitadas hostilidades e deplorável destruição; de amizades, de relacionamentos, de culturas, de civilizações, de idéias, e até da própria vida. O poder da palavra que nos colocou na condição de 'deuses', e como foi dito, 'acima de todos os seres vivos da terra', nos leva de volta à condição animal; quem sabe, inferiores, pois a grande maioria dos animais usa a ‘camuflagem’ apenas como instinto de preservação, e o faz para defender-se de espécies predadoras, jamais para ferir sua própria espécie.

A construção de uma marca, seja ela pessoal, empresarial ou comercial não pode perder de vista a força das palavras. Não deve subestimar a capacidade de análise dos demais, tampouco ignorar seus efeitos no ambiente onde estarão sendo disseminadas. “Palavras são como sementes jogadas ao vento. Nunca se sabe os efeitos que elas produzirão” (O Mentor Virtual – Pág. 7 – Ed. Komedi – Campinas-SP-2008). Por isso, é decisivo a consciência desses efeitos. Para tanto, basta um simples colocar-se no lugar do outro. Ver o semelhante como uma extensão de si mesmo. Quando fazemos isso, podemos escrever, pintar, esculpir, compor, ou simplesmente falar, conscientes de que cada expressão verbalizada por nossos sentidos soará como uma autêntica sinfonia aos ouvidos ou olhos dos demais.

Como sabemos, a consistência de uma marca forte é a sua credibilidade; e na verdade, esse é o maior de todos os atributos que se pode agregar a ela; entretanto, credibilidade só se conquista pelo uso da palavra com sabedoria. Isto é, uma palavra que seja Consistente... Respeitosa... Transparente... Verdadeira! Sem isso, ela será apenas uma fachada; uma máscara a disfarçar hipocrisia, falsidade ou incompetência, e como tal, vulnerável.

Com relação à sua marca pessoal, “Aprenda com disciplina a substituir a crítica gratuita pelo elogio sincero e esteja sempre disponível” (O Mentor Virtual – Pág. 246 – Ed. Komedi – Campinas-SP -2008). Experimente trocar o 'eu não preciso de você prá nada' por algo como 'você é muito importante para mim', e perceba a sensível diferença que provocará. A palavra tal qual um ímã, carrega a força que pode tanto atrair como repelir, dependendo da maneira como for utilizada, porque as relações interpessoais são extremamente sensíveis e delicadas. “Suas atitudes refletem você; por isso, esteja atento às suas palavras e atos a cada minuto, porque serão elas que, ao serem percebidas pelo mundo à sua volta, irão definir a força da sua marca pessoal” (O Mentor Virtual – Pág. 164 – Ed. Komedi – Campinas-SP – 2008). Sem que percebamos, estamos sendo observados o tempo todo, desde a hora em que acordamos, por meio das nossas formas de expressão; que incluem as palavras não ditas, reveladas pelas atitudes e posturas; e é essa sutil avaliação que constrói gradualmente a percepção das nossas marcas na lembrança e nos corações do universo de pessoas que nos cerca.

É recomendável ter em mente, que nossos pensamentos, palavras e atitudes viajam em ondas de energia capazes de gerar enormes transformações. Isso demanda reflexão e exige responsabilidade. Uma só palavra pode definir o conceito de uma marca; mas para gerar esse conceito, milhares de palavras estarão sendo analisadas por aqueles em quem pretendemos deixar gravada nossa marca para sempre.



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*Maurício A Costa é um obcecado por resultados, gerado pelo pensamento estratégico, focado em gente, inovação, e criação de valor agregado. Executivo com experiência internacional em empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica); está disponível para participar da construção de marcas fortes, em organizações sérias, interessadas na identificação de novas oportunidades, na superação de desafios, e na melhoraria de resultados e rentabilidade. No plano pessoal, é o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país, e poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Conselheiro' para Empresas, Empreendedores ou Executivos.
Contatos: mauriciocosta@uol.com.br

sábado, 5 de junho de 2010

Sinergia: Agregar Forças Para Construir Marcas Fortes






Por Maurício A Costa*


Amit Goswani
“Um nível crítico de confusão satura o mundo contemporâneo. Nossa fé nos componentes espirituais da vida – na realidade vital da consciência, dos valores, e de Deus - está sendo corroída sob o ataque implacável do materialismo científico. Por um lado, recebemos de braços abertos os benefícios gerados por uma ciência que assume a visão mundial materialista. Por outro, essa visão, predominante, não consegue corresponder às nossas intuições sobre o significado da vida.... As tribulações em que vivemos alimentaram a exigência de um novo paradigma – uma visão unificadora do mundo que integre mente e espírito na ciência” (Amit Goswani, Richard Reed e Maggie Goswani em ‘O Universo Autoconsciente’ – Pág. 19 – Ed. Record/Rosa dos Tempos – RJ – 2000).
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A lembrança desse interessante texto do indiano Amit Goswani, um dos principais físicos da atualidade, mundialmente conhecido pela participação com suas idéias no filme 'Quem Somos Nós?", surgiu como fruto de uma intensa reflexão que tenho feito nos últimos dias sobre a diversidade humana. Ou melhor, sobre a magnífica beleza da diversidade humana. Uma verdade incontestável que, no entanto, passa despercebida por muitos de nós na maior parte do tempo. Somos, sem dúvida alguma, parecidos em muitas coisas. Temos uma infinidade de semelhanças que nos fazem pensar sermos iguais; todavia, nossas enormes diferenças são maiores do que possamos imaginar. Trazemos conosco uma estupenda mistura genética, que nos faz incrivelmente diferentes. Para ser mais preciso: únicos. E é exatamente pelo fato de sermos únicos que trazemos um arsenal de informações complementares ao outro, aquele que é uma extensão de nós mesmos quando vistos no contexto de um todo.

Albert Einstein
A ausência de consciência desse princípio da complementaridade é capaz de produzir lamentáveis momentos de angústia existencial do ponto de vista individual e uma tremenda perda de energia potencial no aspecto coletivo entre seres humanos. Quando nos distanciamos da ideia de que somos extensões do outro e nos permitimos pensar e agir de maneira isolada, tendemos a acreditar que somos os únicos donos da verdade, e passamos a considerar todas as demais visões como equivocadas ou até mesmo ‘bobas’ ou insignificantes. Albert Einstein, um dos maiores cientistas do século XX, disse certa vez que, ‘toda observação depende do ponto de vista do observador’; uma singela afirmação que nos remete à necessidade de consideramos outros pontos de vista antes de procedermos qualquer conclusão sobre determinado assunto.

É lamentável observarmos a frequência com que nos deparamos diariamente diante de fúteis discussões provocadas pela arrogante postura de quem pressupõe a verdade de maneira antecipada, ignorando visões complementares. Assistimos impotentes a esses infrutíferos conflitos no ambiente familiar, entre amigos, e principalmente no meio profissional e empresarial. Quantas decisões não poderiam ser sensivelmente melhoradas se fosse levada em conta a opinião do outro?.... Quantos avanços poderiam ser conquistados se uma ideia complementar adjacente fosse ao menos escutada?...

A presunção, ou conclusão antecipada, é uma forma mesquinha e vaidosa de ignorar o outro, atribuindo-lhe eventual inferioridade; que pode gerar consequências desastrosas especialmente no universo dos negócios. Subestimar, ou pior, deixar de dar ouvidos àqueles que nos cercam e nos querem bem pode se tornar uma inestimável e quem sabe, irrecuperável perda de oportunidade. Aprendi com um mestre da administração moderna que ‘a sorte é o ponto de encontro da preparação com a oportunidade’ (Allan Cohen, ‘The Portable MBA in Management – Ed. John Wiley & Sons - 2002); e por preparação, entendo cercar-se de todas as informações possíveis, isento de dogma, ou paradigmas de qualquer espécie. ‘Observar tudo e reter o que é bom’ dizia o apóstolo Paulo. E isso implica estar acima das vaidades pessoais.

A humildade não deveria ser vista apenas como um fundamento religioso, e sim como um princípio fundamental da sabedoria universal. Aliás, se há uma coisa que a maioria das religiões não demonstra é humildade, pois grande parte dos conflitos mundiais tem ocorrido devido à intransigência ideológica; que vai desde a forma agressiva e arrogante com que falam pseudo-sacerdotes em seus púlpitos, até a instigação das guerras santas e atos de genocídio unilaterais, com o extermínio de comunidades ou grupos, gerados por motivos religiosos. 
(Para exemplificar, recomendo a leitura de matéria publicada recentemente pela Editora Abril em sua revista Super Interessante, a respeito dos Cátaros, povos que habitaram o sul da França, e seu extermínio pela temida Inquisição da igreja católica medieval) Ver: http://super.abril.com.br/religiao/cataros-hereges-gracas-deus-447853.shtml

Como inquestionável princípio universal, a humildade pressupõe uma visão do todo. Implica saber-se parte de um conjunto e levar sempre em conta essa premissa. Exige despir-se das ideologias ou regras manipulativas, e rever paradigmas produzidos por grupos de interesse de toda ordem. “Quebrar paradigmas ou idéias pré-concebidas, permite vislumbrar o mundo além do horizonte das nossas limitadas convenções. Inserir uma visão mais ampla, que contemple múltiplas percepções para um mesmo fato, enriquece nossas decisões, e amplia infinitamente as possibilidades” (O Mentor Virtual – Pág. 97 – Ed. Komedi – Campinas-SP – 2008).

Quer na vida familiar, ou no ambiente das grandes corporações, o conceito de complementaridade nunca foi tão importante. As marcas fortes estão levando essa idéia muito a sério; e a força dessas grandes marcas vem essencialmente da perfeita compreensão e adequada aplicação desse princípio. Por essa razão, ganham projeção em nível mundial, por analisar e incorporar de maneira inteligente as diferenças; sejam elas étnicas, culturais, ou até mesmo ideológicas. Por conta disso, inúmeras empresas multinacionais vão aos poucos se tornando uma esmagadora força, capaz de sobrepor-se até mesmo a religiões e às nações e seus governos; conduzidos na maioria das vezes por idiossincrasias que bitolam seus indivíduos, ao querer que reajam de maneira pessoal de acordo com padrões ultrapassados.

A ideia de uma visão unificadora, conforme enunciada por Goswani em sua obra 'O Universo Autoconsciente' no início deste artigo não está vinculada apenas à superação da simples divisão entre valores espirituais e ciência, mas envolve, especialmente, todas as iniciativas que busquem potencializar, isto é, ampliar e dar força a qualquer empreendimento passível de ser gerado pelo ser humano, em todos os seus campos de atuação.

É decisivo que famílias e pequenas organizações entendam a importância desse princípio universal da complementaridade, para que aprendam a utilizar uma das mais potentes palavras do universo: Sinergia, que representa o efeito do esforço obtido através da ação conjunta, capaz de gerar um resultado maior que a soma de suas individualidades, em prol de um objetivo comum; e construam em torno de si a energia poderosa por meio das pessoas com quem convive para produzir resultados surpreendentes.

O princípio da sinergia é de colossal significado para a construção da marca pessoal, e da marca de qualquer empreendimento; e para isso, é decisivo investir em relacionamentos saudáveis, sustentados por uma visão autêntica que transfira credibilidade, pois só assim serão construídas as pontes necessárias que unem forças isoladas, mas que trazem consigo os mesmos objetivos ou ideais. 





*Mauricio A Costa, É estrategista para projetos de ‘alavancagem’ de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, para atuar como Executivo, Assessor, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas sérias, comprometidas com a verdade.
É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, para grupos, associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.