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domingo, 30 de maio de 2010

O Paradoxo das Marcas: Atendimento de Desejos ou Manipulação de Mentes?


Por Mauricio A Costa*

“Não se vende mais um produto, mas uma visão, um ‘conceito’, um estilo de vida associado à marca: daí em diante, a construção da identidade de marca encontra-se no centro do trabalho da comunicação das empresas” (Lipovetsky, Gilles – ‘A Felicidade Paradoxal’ - Pág. 47 – Cia. das Letras – São Paulo – 2007).
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Gilles Lipovetsky, autor da frase de abertura deste artigo, filósofo e pesquisador da Universidade de Grenoble na França, é um grande questionador da aparente contradição, ou até mesmo falta de lógica sobre aquilo que o ser humano moderno define como felicidade. Em sua obra, ‘A Felicidade Paradoxal’, ele incita uma ponderação sobre o ambiente de exacerbado consumismo em que passamos a viver a partir do século XX, e por conta disso, trata a sociedade contemporânea como a ‘civilização do desejo’ devido ao hiperconsumo, a mercantilização dos modos de vida e o exagerado gosto pela novidade. Segundo ele, ‘nem mesmo a religião constitui um contra poder no avanço do consumo’ e que diferentemente da sua posição no passado, ‘a Igreja não alega mais as noções de pecado mortal, não exalta mais nem o sacrifício nem a renúncia’ em relação aos exageros do consumo.

O consumidor que antes procurava apenas por produtos para a satisfação de necessidades básicas como alimentação, vestuário ou habitação, passou a direcionar sua busca para o atendimento de prazeres sensoriais, bem-estar de todo tipo, e satisfação privada, provocada por um desejo desenfreado de ‘consumir’ não apenas produtos, mas, também uma avalanche de serviços e tecnologia oferecidos por uma economia globalizada.

Essa mudança de hábito está levando o ser humano a um enorme questionamento sobre o que efetivamente traz felicidade para ele; uma vez que para atender o nível crescente de aspirações por produtos e serviços de toda ordem, se vê obrigado a um desmedido volume de trabalho e estressante desgaste que lhe mina a saúde e põe em dúvida a própria qualidade de vida. É neste ponto que está centrada a reflexão sobre essa aparente contradição ou ‘paradoxo da felicidade’.

Tenho absoluta consciência da agradável percepção que desfrutam nossos órgãos sensoriais diante do prazer, ou do ócio; do possuir e da sensação de liberdade. Portanto, não se trata neste momento de ignorarmos nossos instintos primários, que fazem parte do equilíbrio do nosso ser. O objetivo é tão somente questionar se precisamos realmente de tudo o quanto nos está sendo oferecido? ...As novas tecnologias vêm para minimizar o esforço, gerar conforto e qualidade de vida ou para aumentar a angústia causada pela necessidade constante de atualização? ...Necessitamos efetivamente de toda essa gama de opções em todos os segmentos de produtos e serviços ou estamos apenas ‘engolindo’ como um imenso ‘buraco negro’ tudo o que aparece pela frente? ...Qual o preço dessa incompreensível competição deflagrada entre seres humanos por questões de status, conforto, prazeres sensoriais ou puro luxo? ...Qual o conceito de felicidade para o homem moderno? São todas questões incômodas e até mesmo desafiadoras. "A consciência ao operar suas escolhas gera um poder extraordinário que transcende qualquer aspecto meramente material. É ela que o leva a construir pensamentos, arquitetar idéias, planejar alternativas e definir caminhos. Isso faz de você senhor ou senhora do próprio destino" (O Mentor Virtual - Pág. 69 - Ed. Komedi - Campinas-SP - 2008).

Blaise-Pascal
A dúvida sempre foi o principal argumento do filósofo. É essencial aprofundar as questões de interpretação geradas pelo significado das palavras. Em seu contínuo processo de busca por aquilo que é perfeito, a alma, essência do que somos, por meio da mente, vive um infindável questionamento para produzir suas escolhas; e como sabemos, as questões paradoxais ou contraditórias costumam produzir angustias, especialmente quando elas desafiam a crença comum, partilhada pela maioria. Grandes pensadores como Pascal (1623-1662) e Kierkegaard (1813-1855) dedicaram extensa parcela de seu tempo à reflexão sobre as contradições vividas pelo homem no sentido existencial, em busca do aprofundamento da verdade, pois é ela que o liberta da prisão produzida pelos paradigmas formados por dogmas, doutrinas ou crenças generalizadas que engessam a mente. O polêmico Nietzsche (1844-1900) em sua linguagem dura e incisiva buscou desmascarar preconceitos e ilusões do gênero humano, com um olhar ousado e sem temor, sobre aquilo que se esconde por trás de valores universalmente aceitos. O filósofo grego Sócrates (470-339 A.C) considerava o desconhecimento da verdade como a principal causa de toda malignidade, em contraposição à essência de tudo que era agradável, no sentido coletivo ou individual ao ser humano. Seu pensamento deu início à construção de um conceito sobre o ‘estar bem’ preconizado posteriormente de maneira emblemática, ou simbólica, pelo grande mestre do novo testamento, ao enunciar um de seus maiores princípios de sabedoria: ‘conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará’.

Muitos dos fenômenos que apreciamos não passam de mera ilusão dos sentidos. Alguns chegam a ser contraditórios. O questionamento é o ‘caminho’ seguro para chegar à luz; a 'verdade' que a alma humana tanto busca para lhe produzir o ‘estar bem’ no melhor conceito daquilo que chamamos de 'vida'. Não há espaço para mentiras na alma. Por ser viajada, ela conhece muito e por isso sabe distinguir claramente aquilo que lhe faz bem. A alma é ingênua, a mente astuta; e nisso se complementam. Uma está ininterruptamente a criar alternativas, a outra, a proceder escolhas conscientes que vão formatando sua identidade ao longo do caminho.

Para finalizar, ainda dentro desse contexto, creio que vale provocar também um sério questionamento sobre a atual ‘guerra das marcas’ em que nos envolvemos. Uma sangrenta e gigantesca batalha pelo controle da mente humana produzida pela massificação da propaganda financiada pela força manipuladora do dinheiro. Um processo crescente de criação artificial de felicidade. Estariam nossas marcas gerando efetivamente satisfação no sentido de bem estar ao público alvo a que se destinam, ou produzindo apenas uma maquiavélica ilusão de ótica, criada por ‘fogos de artifícios’ de uma propaganda engenhosamente enganosa, como as que vemos desfilar diariamente nos principais meios de comunicação? ...Como consumidores, estamos atentos ao conteúdo de fantasia dissimuladamente transferido aos produtos e serviços que adquirimos diariamente? ...Precisamos realmente nos ‘matar’ para desfilar com canetas de mil dólares, ternos de três mil, ou automóveis de trezentos? ...Seria válida toda a angústia vivida por aquele que se estressa em discussões ao estilo jurássico por ideologias inócuas a fim de conquistar uma mansão à beira de um lago em qualquer lugar do mundo? 

...A enganação disseminada, produzida por alguns líderes, empreendedores, políticos, religiosos ou profissionais estaria eventualmente lhes trazendo paz interior e saúde? Estariam eles conscientes de suas escolhas? ...Estão nossas marcas, sejam elas comercial, política, religiosa ou pessoal, gerando satisfação sob a forma de bem estar e confiança, no atendimento de desejos reais de nossos clientes, consumidores, eleitores, fiéis, e amigos, ou têm como objetivo dissimulado apenas a manipulação de suas mentes visando a concentração infinita de riqueza e poder?

...Como consumidores, eleitores, fiéis, ou simples seres humanos, estão nossos desejos dentro de parâmetros de realização almejados por nossa alma ou eles extrapolam os limites do prazer e da satisfação para descambar no ridículo ou no desperdício? ...Estamos conscientes de que não nos deixamos conduzir como manadas submissas sob o envolvente efeito de uma sutil comunicação subliminar? ...Que preço que estaremos dispostos a pagar pela insuportável discrepância social que assistimos passivos a nos gerar angústia? Qual o limite das nossas extravagâncias? ...O que é felicidade para nós humanos afinal?

"Não seria a inexplicável inércia de nossa parte, que nos torna coniventes com absurdas convenções estabelecidas como verdades absolutas em nossas mentes que nos aprisionam para sempre, nos transformando em reféns de nossas próprias armadilhas?" (O Mentor Virtual - Pág. 136 - Ed.Komedi-Campinas-SP-2008).
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*Maurício A Costa é um obcecado por resultados, gerado pelo pensamento estratégico, focado em gente, inovação, e criação de valor agregado. Executivo com experiência internacional em empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica); está disponível para participar da construção de marcas fortes, em organizações sérias, interessadas na identificação de novas oportunidades, na superação de desafios, e na melhoraria de resultados e rentabilidade. No plano pessoal, é o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país, e poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Conselheiro' para Empresas, Empreendedores ou Executivos.
Contatos: mauriciocosta@uol.com.br 

sábado, 22 de maio de 2010

Sabedoria. A Essência Verdadeira de Uma Marca Forte



Por Maurício A Costa*

"Feliz é o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire entendimento; pois melhor é o lucro que ela dá do que o lucro da prata, e a sua renda do que o ouro". (Prov. 3:13-14)


"Por sabedoria entendo a arte de tornar a vida o mais agradável e feliz possível." (Arthur Schopenhauer, filósofo alemão. 1788-1860)


Quero iniciar este artigo chamando a atenção para uma questão de semântica, o ramo da linguiística que se dedica ao estudo do sentido das palavras; algo extremamente valorizado por todos os grandes sábios da humanidade, mas lamentavelmente subestimado pela maioria dos seres humanos, que por necessidade ou ignorância se deixam manipular por interpretações equivocadas que atendem a conveniência de alguns. Grandes Mestres como Jesus Cristo, Confúcio ou Buda carregavam tamanha preocupação com o poder das palavras que procuravam ensinar preferencialmente por meio de alegorias, metáforas ou parábolas, visando ‘materializar’ expressões aparentemente abstratas como valores, vontade, poder, ou beleza (só para citar algumas). Uma vontade de ferro, por exemplo, não representa um produto do reino mineral, mas, uma idéia expressa sob a forma de metáfora, para algo forte. Outro exemplo significativo é o uso da expressão ‘reino dos céus’ por Jesus Cristo.

Uma idéia que não se referia a um local específico em outro planeta ou galáxia, mas indicava que o ‘reino de Deus’ estava associado à felicidade, à saúde, ao estar bem, à paz, e harmonia entre os homens, uma vez que ele comparava o ‘reino dos céus’ a coisas pequeninas como ‘um grão de mostarda’ ou a uma ‘porção de fermento’. Algo que por menor que possa parecer, é capaz de produzir visíveis transformações.

Um dos casos mais expressivos de deturpação de linguagem é a palavra sabedoria’; confundida por alguns como inteligência ou corrompida por muitos como esperteza’.


A inteligência pode ser definida como a capacidade intelectual para encarar o novo e resolver situações problemáticas ou desafiadoras com base na percepção ou conhecimento, como por exemplo, transformar um simples carrapicho numa ideia inspiradora para o revolucionário conceito do 'velcro'. Já a esperteza tem a ver com o uso da inteligência de forma astuta, com o propósito de ludibriar, ou enganar o outro, especialmente por meio da sutileza das ações, como a manha ou o disfarce. A mistura da inteligência com a esperteza é considerada de maneira duvidosa por alguns como sagacidade ou perspicácia; um refinamento humano para uma característica animal de sobrevivência chamada camuflagem. Não queremos ser levianamente puritanos para afirmar que a esperteza seja uma capacidade maliciosa, mas apenas considerá-la como uma habilidade egoísta para tirar proveito de alguma situação em detrimento do outro.


A sabedoria, tradução da palavra grega ‘sofia’ cujo vocábulo significa ‘aquilo que detém o homem sábio’ é uma expressão de muito maior amplitude, pois insere em seu contexto uma visão holística, termo que vem do grego ‘holos’ que significa ‘todo’, ou seja, uma compreensão que contemple uma análise ampliada da essência das coisas e que representa a síntese de valores significativos para a existência humana. Para aqueles que gostam de ler, eu recomendo o livro 'O Mundo de Sofia', do autor  norueguês Jostein Gaarder, onde ele faz uma abordagem da 'sabedoria' sob o ângulo da filosofia, numa linguagem simples, mas a provocar intensa reflexão sobre o tema.

Como ensina meu mestre e personagem virtual: “A sabedoria não é algo que serve para um e não sirva para outro. Tampouco é uma colcha de retalhos que cresce à medida que qualquer um de nós vá inventando ou acrescentando algo novo. Ela é Universal. Poderosa e Única. Pode ser acessada por qualquer um, em qualquer lugar do planeta, a qualquer momento. Simultaneamente! Ela não depende de você; é você quem depende dela. Não é você que a completa, porque ela já é completa em si mesma. Você apenas a detecta e aos poucos vai descobrindo como ela se encaixa na sua vida e no seu limitado conhecimento. E, a partir dessa fusão, sua vida e todos os seus parâmetros mudam completamente de maneira surpreendente”. (O Mentor Virtual – Pág. 133 – Ed. Komedi – Campinas-SP – 2008). Uma interessante metáfora a definir Deus de uma maneira paradoxalmente grandiosa e simples.


A sabedoria diz respeito exclusivamente à revelação da essência da verdade presente em cada mínima fração do universo. De um simples grão de areia ao metabolismo de um elefante, de uma semente de mostarda à maior de todas as estrelas tudo contém energia pulsante. Vida se manifestando pela combinação extraordinária de elementos individuais que fazem parte de um todo extraordinário que se expande sem fronteiras tal qual a massa afetada por um uma gota de fermento. Se considerarmos a sabedoria como ‘a verdade e a vida’, não poderemos jamais considerar a inteligência ou muito menos a esperteza como seus sinônimos. A inteligência é neutra por ser considerada apenas um ‘caminho’ para que a sabedoria se manifeste para gerar vida, mas a esperteza faz parte de um processo de crescimento anômalo de um organismo doentio, uma vez que apenas sobrevive e cresce à custa da seiva ou energia de outros organismos.

Os políticos de uma forma geral, assim como algumas religiões, e muitas empresas fizeram da esperteza seu lamentável processo de crescimento. Afastaram-se da sabedoria que promove a vida, o estar bem consigo mesmo, a paz, e a harmonia com seus semelhantes, para embrenhar-se numa luta desesperada pelo poder material que não produz nada além do prazer solitário. Esquecidos de que “a realização pessoal é algo abstrato, que transcende meras reações instintivas ou animais” (O Mentor Virtual – Pág.33-Ed. Komedi - Campinas-SP - 2008).


Não pretendemos discutir neste momento o que é certo ou errado, uma vez que essa é uma visão pessoal; da coerência que cada um carrega dentro de si mesmo como valores. A questão a ser analisada é a forma espúria ou no mínimo egoísta como o crescimento desmedido de um organismo, ser humano, ou empreendimento se desenvolve em detrimento de outro ou de outros, rompendo a ordem natural das coisas ditadas pela sabedoria, que visa estabelecer sincronismo para a perfeita sintonia do 'todo' em busca de seu equilíbrio; palavra mágica que a define.


Marcas construídas sob a proteção da enganação ou esperteza não sobrevivem. Duram enquanto durar a propagação da mentira, mas não subsistem ao tempo. Seja ela uma marca empresarial, corporativa ou pessoal, será fadada ao fracasso. Marcas Fortes são aquelas sustentadas por uma visão de sabedoria, embasadas em valores que garantem equilíbrio, e acima de tudo credibilidade; sem imediatismo ou atalhos, pois “O extraordinário consiste em construir algo que atravesse o tempo e o espaço convencionais” (O Mentor Virtual – Pág. 33-Ed. Komedi - Campinas-SP - 2008).


A sabedoria é onipresente, onisciente, e onipotente. É a pura essência contida em todas as coisas ao seu redor e acessível a todos, independente do nível cultural, credo, ou poder econômico. Ela é o poder verdadeiro por trás de uma marca construída em bases sólidas.
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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Executivo, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.

É o idealizador do 'Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.