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domingo, 19 de dezembro de 2010

Liberdade. Escolhas. Caminhos.




 Por Maurício A Costa*

"Nossas almas viajam ignorando conceitos de espaço e tempo. Elas representam a essência daquilo que somos, sintetizando experiências acumuladas através de gerações, a ganhar personalidade em cada etapa do existir. Nada de mágico ou sobrenatural, apenas um desdobrar-se contínuo da própria vida em seu processo de renovação"  - (Mauricio A Costa, em 'O Mentor Virtual II' – O Elo Invisível). 

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Como na maioria dos finais de semana ao longo dos últimos anos levantei-me cedo. Caminho lentamente pela casa, refletindo sobre o tema que escreverei. Assaltado por milhões de assuntos a provocar um turbilhão de idéias, começo a colocar-me no lugar daqueles que poderiam ser meus eventuais leitores, e pergunto-me: ‘o que será que eles gostariam de ler?’. Uma pergunta sem eco, que se perde em meio à solidão em que se mete o escritor. Não há respostas. Nem mesmo uma pequena luz a mostrar a direção. O vôo é livre, e a sensação de liberdade apavora. 

A inspiração pode nascer a qualquer momento, por conta de um evento banal ou surgir diante do inusitado. Não há previsões, tampouco planejamento. Afinal, não se trata de fabricar algo padronizado, em série. Pelo contrário, há que se produzir a chama do enlevo, por meio do jogo de palavras que provoca a atração da alma e cria afinidades. Essa momentânea abstração produz um fluxo aleatório de imagens e sons e cria as mais estapafúrdias divagações. Nada pode deter o vôo que se inicia em direção ao desconhecido. Uma imensidão sem limites se desdobra no horizonte como se a eternidade fizesse parte do próprio existir e escrever fosse apenas o jorrar de uma fonte inesgotável de sensações e percepções captadas numa viagem sem noção de tempo ou espaço.

Tal qual ousada gaivota que se desprende da segurança do ninho entre rochedos, a alma decola em busca de uma liberdade cuja essência ignora. Projeta-se no vácuo de todas as possibilidades sem dar-se conta dos perigos que eventualmente possa encontrar pela frente. Ela pressente que para descobrir a própria vida é necessário penetrar nos imperscrutáveis labirintos do sublime e fundir-se sem reservas ao que lhe é sagrado. Nisso consiste sua única meta.

Liberdade implica escolhas. Ainda que inconsciente. A cada segundo, um definir de direções que podem alterar o vôo para sempre. Como nômades, vagando por espaços vazios, iremos com certeza nos perder entre milhões de alternativas e o peso momentâneo de cada opção. Em alguns momentos seremos reféns de nossas próprias escolhas; em outros, seremos açoitados por imprevisíveis tempestades, alheios aos perigos que podem advir. Sentimos, porém, que a força a nos impulsionar é maior que todas as ameaças pressentidas pelo instinto. Há apenas o imperativo de seguir em frente, ainda que diante de desafios aterrorizantes, que nos colocam à prova a cada etapa do caminho. 

“A cada minuto escrevemos a nossa história. Um filme sem antes ou depois. Um eterno agora a se desdobrar em cenários e circunstâncias inusitadas. Na mente fugidia apenas uma simples lembrança; na alma de quem as vivenciou com plena intensidade, marcas que ficarão para sempre”... (O Mentor Virtual II – O Elo Invisível – Campinas-SP ), e é assim que o compositor vai transformando inspiração em sons, o pintor em cores, e o escritor em palavras. A beleza que fascina a essência do que somos estará presente em cada momento da jornada se a deixamos viajar sem as amarras produzidas pela mente. Tal qual borboleta quando se desprende do casulo, a alma não carrega outro objetivo senão o de explorar a sua própria liberdade. Não há consciência da finitude do tempo, tampouco qualquer idéia da imensidão a seu dispor. Ela apenas voa, deixando-se levar pelo agradável perfume que lhe atrai e pela suavidade da brisa que a conduz.



A água é o bem mais precioso e fundamental à vida, todavia, não terá a menor utilidade para aquele em quem a sede não foi despertada. Assim, palavras que fluem de uma fonte a formar rios que passam diante de nós quando não estamos prontos para elas ou não as percebemos como algo essencial naquele momento. Há palavras que passam diante de nossos olhos ou através dos nossos ouvidos às quais não damos a mínima atenção; existem mensagens, todavia, que chegam para ficar; aninham-se lá dentro de cada um de nós, causando mudanças extraordinárias para sempre. Tudo depende da maneira como reagimos a elas" (Mauricio A Costa, em ‘O Mentor Virtual’ – Pág. 7 – Ed. Komedi – Campinas-SP - 2008).

Enquanto não despertarmos da nossa letargia secular não seremos capazes de iniciar a estupenda reciclagem evolutiva que proporciona as mudanças que propiciam alcançar outros níveis de percepção. A inquietude ou angústia provocada pela solidão gerada por momentos turbulentos costuma ser o estopim das grandes transformações, mas é necessário que a mente esteja desbloqueada para dar-se conta do rio que flui bem diante dos olhos. Uma pequena alteração de postura pode ser suficiente para deixar a luz que amplia a visão penetrar as cavernas da ignorância, e nos fazer perceber a infinidade de caminhos a serem percorridos, por conta do poder de escolhas resultante do fruir a liberdade.

O extraordinário consiste em poder renascer a cada dia, o novo só pode ser percebido quando se voa além do convencional, abandonando regras que nos engessem ou nos prendam a um passado que não nos pode oferecer vida, pois a vida só se realiza no presente, desenhando milhões de oportunidades a cada momento. Por outro lado, é ingenuidade acreditar em vida física após a morte, uma vez que é decisivo o reciclar constante da matéria para renovação de seus elementos. Só a alma se perpetua através dos tempos, pela propagação daquilo que somos através da genética ou de nossas palavras e pensamentos exteriorizados por meio de palavras, cores e sons.

 

"Não te maravilhes de que eu te tenha dito: Necessário vos é nascer de novo! O vento sopra para onde quer, ouves-lhe o ruído, mas não sabes donde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do espírito”. (Jesus Cristo, citado por Mauricio A Costa, em O Mentor Virtual - Pág. 222 – Editora Komedi – Campinas-SP – 2008).


Destacar-se em meio à multidão é um desafio imenso e impõe significativas mudanças de atitudes em relação ao que a maioria toma como padrão. Exige muitas vezes, ir além dos próprios limites, para criar diferenciais que tornem nossa marca percebida pelos demais. Para tanto, tudo o que precisamos é deixar aflorar nossa mais perfeita identidade, lembrando que construir uma marca forte implica rever o que está obsoleto, e redesenhar a vida a partir do novo contido no espírito do todo que nos cerca, e que nos faz conhecer o verdadeiro sentido da palavra liberdade, a fim de que possamos proceder escolhas que definam o melhor caminho.

 

Como rio que segue seu fluxo indiferente às pedras e obstáculos que encontra pelo caminho, em direção ao oceano, a vida irrompe a cada minuto a ocupar espaço. O fluir perene é o único significado em si mesmo, sem limitações ou adversidades restritivas. Tudo é apenas uma sucessão de eventos que surgem como fatores de estímulo para torná-lo mais forte e caudaloso, onde o desejo de integrar-se ao todo supera todos os desafios, e esse se torna seu exclusivo propósito e único destino.



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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Executivo, Estrategista ou Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.



15 comentários:

  1. Hélio Haddaddezembro 19, 2010

    Vir aqui é viajar por um mundo ao mesmo tempo real e irreal. É um empurrão à busca e à meditação...........Parabéns.

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  2. maria célia lorenzettidezembro 19, 2010

    Amei amigo,precisava ler tudo isso para completar meu domingo amoroso.Chá de animo para a semana que irá se iniciar,gostei muito bjs

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  3. O comentário acima do Sr. Leopold Stern Blog:
    http://averdadenabibliacrista.blogspot.com/
    mostra o seu nível de educação. Foi publicado porque este espaço não restringe comentários, ainda que raivosos e deselegantes.
    Mauricio A Costa
    Autor.

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  4. Além de nós mesmos existe um outro eu capaz de voar além dos seus próprios limites, de libertar-se da prisão a si mesmo imposta.
    É incrível como me tocas profundamente com um toque de mestre.
    Parabéns por mais esse magnífico texto.

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  5. Ola Mauricio,sabe,lendo este artigo,me identifico muito com ele.Sou do signo de touro,24 de abril.portanto sou igual a uma gaivota.estou sempre levantando voo,quando nao me sinto feliz no lugar onde estou.mesmo que depois me arrependa um pouco,mas who cares?i go ahead e seja o que o destino quer!e muito bom ter asas e melhor ainda ter coragem pra usa-las.adorei seu artigo.

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  6. hi mauricio,quero compartilhar com vc um pensamento,nao se sinta ofendido por favor,este comentario que vou escrever e com todo respeito;voce e um homem muito bonito e charmoso.

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  7. Obrigada Mauricio por me indicar esse maravilhoso texto. Me fez um bem enorme. Obrigada ! Um abraço!

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  8. Deslumbrante, assim é o início de tudo, a alma passeia nos campos da sua sensibilidade.
    Tenha uma semana maravilhosa!

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  9. wandinha kazakdezembro 19, 2010

    Maurício, adorei ler o seu texto...obrigada por ter me enviado!

    sou como Fenix.....Renasço das cinzas e das dores...
    Feliz Natal e um Ano Novo cheio de realizações pra vc e os seus!
    Bjus

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  10. ...adorei as palavras... a analogia a gaivota caiu muitíssimo bem! obrigada por compartilhar seus pensamentos conosco! tenha uma excelente semana!
    diana.

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  11. Maurício, me ocorreu comentar com o Pessoa: '... viver não é preciso."
    Obrigado por compartilhar este belo texto. Abração, João Batista

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  12. Olá Mauricio! Estou passando por aqui com vontade de ficar...
    Esse texto está maravilhoso! Me identifiquei muito com suas palavras. Sinto-me como uma ousada gaivota que recém deixou o ninho para se aventurar em seu primeiro vôo. A despeito dos perigos do desconhecido, nada é mais envolvente que sentir o vento batendo em meu rosto...

    Grande abraço e uma iluminada semana para você!
    Luciana Dimarzio

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  13. Maurício, além de tudo você é um poeta.

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  14. Maria Aparecida Rodrigues Puertadezembro 23, 2010

    Agradecida pela oportunidade de acessar o seu Blog. A sensação de liberdade apavora sempre pela questão da escolha. Há todo instante temos que optar por algo. Inclusive a opção de acessar o Blog. Maravilhoso, Maurício. Muito obrigada novamente.

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