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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O Ser e o Ter...

Por Maurício A Costa*



Quem alcançou em alguma medida a liberdade da razão, não pode se sentir mais que um andarilho sobre a Terra – e não um viajante que se dirige a uma meta final: pois esta não existe. Mas ele observará e terá olhos abertos para tudo quanto realmente sucede no mundo; por isso não pode atrelar o coração com muita firmeza a nada em particular; nele deve existir algo errante, que tenha alegria na mudança e na passagem  (Nietzsche, Friedrich Wilhelm – Humano, Demasiado Humano - Um livro para espíritos livres – Pág. 306 – Editora Schwarcz – São Paulo – 2000).


O artigo que estou postando hoje é o trecho de um dos capítulos de 'O Mentor Virtual III - O Insight. Um livro que escrevi nos primeiros anos deste século, mas que ainda não foi editado. Sua publicação deverá ocorrer apenas em 2012, fechando a trilogia da série, após a publicação de 'O Mentor Virtual II - O Elo Invisível, que está em vias de elaboração e deverá ser publicado em 2011.
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"Depois de uma noite tranqüila, um sono relaxante, e uma revigorante ducha matinal, lá estava novamente o apressado executivo, tomando seu café da manhã, para iniciar mais uma jornada de atividades. A mente agora estava focada nas reuniões de negócios, que faria na região central de Paris.

O tempo passou rápido, naquela agitada metrópole, que fervilhava com gente do mundo inteiro. Apesar da correria, consegui concretizar os contratos de licenciamento de marca objeto de minha passagem por ali naquela semana, de maneira satisfatória para todos. Uma coisa, porém me chamou a atenção durante aquele dia: minha postura havia mudado. Sentia-me mais sereno e mais seguro; e deixava transparecer isso claramente. Isso parecia sinalizar um processo de mudanças que já estava em evolução.

Ao final da tarde, retornei ao hotel; fiz o check-out, encerrando minha estadia, e rumei para a Gare Montparnasse; uma estação ferroviária de construção moderna; de onde tomaria um trem no início da noite com destino a Rennes; cidade ao Noroeste da França; para participar de uma reunião nas primeiras horas do dia seguinte.

Como cheguei um pouco cedo, circulei pela movimentada estação, para depois servir-me de um pequeno lanche, num desses fast food tradicionais, enquanto aguardava o horário do meu trem. Tentava adivinhar os enormes moinhos de vento no olhar de cada disfarçado D.Quixote que por ali passava em busca do seu ideal. Queria captar suas origens e descobrir em cada expressão, a sua história. A cena lembrava filmes de ficção onde passageiros das mais diversas galáxias circulam por estações interplanetárias num frisson de costumes, gestos e línguas alienígenas. Todos, no entanto, pareciam interligados por algo comum. Havia uma estranha semelhança por trás de toda aquela profusão de diferenças. Era como perceber um gigante quebra-cabeça caoticamente espalhado num enorme salão, em que cada pedacinho procura encontrar seu complemento em busca da unidade da qual é parte intrinsecamente.

Estava perplexo comigo mesmo pela abstração em que me encontrava embora o ambiente agitado em volta não me perturbasse. Ignorando o burburinho de pessoas chegando e saindo conversando nas mais diferentes línguas, tentava apenas captar e entender suas mentes ou corações e não aquilo que aparentavam ou eventualmente falavam.

Um burburinho maior, todavia, se passava dentro de mim; um torvelinho de idéias das mais diferentes origens; fruto da leitura de tantos livros; uma avalanche de informações, de formas esparsas, que num primeiro relance poderiam parecer confusas, ou até mesmo incongruentes, quando na verdade eram faces de uma mesma questão vislumbradas por olhares distintos; percepções das mais variadas, que de certa forma confluíam para um ponto comum; e era essa confluência que agora parecia me fascinar; como a me desafiar a buscar conexões que unissem visões tão díspares.
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Divagava de forma despreocupada, numa distante estação da Europa, tão longe de casa, e apesar disso, nada parecia me incomodar. Desligado do mundo, eu aproveitava preciosos momentos naquele fast food  para anotar idéias e pensamentos que se dissipavam com a mesma velocidade com que chegavam. Era como se intuitivamente começasse a construir as linhas mestres do esqueleto de uma idéia que aos poucos ia tomando forma. Uma pequena fonte brotando de maneira imperceptível em meio a uma densa floresta.

Enquanto aguardava o trem que sairia logo mais para Rennes, me dei conta de um animado grupo de jovens entrando na lanchonete, chamando atenção de forma barulhenta.

Aquele grupo, vestindo jeans e camisas multicoloridas, desfilava de forma natural com suas tatuagens e piercings ignorando todo e qualquer paradigma do mundo adulto ao seu redor, numa festiva e impressionante algazarra. O universo daqueles jovens, com certeza não comportava tantas regras absurdas criadas pela humanidade ao longo de sua existência, em detrimento de sua liberdade; uma frustração coletiva os induzia  de maneira inconsciente a uma aparente rebeldia.

No meio daquela turminha, chamou-me  a atenção a presença de um jovem paraplégico, tremendamente limitado em seus movimentos, o qual, sequer podia mover a cabeça. Sobre uma cadeira de rodas de locomoção elétrica, necessitava girar sua cadeira em trezentos e sessenta graus, para acompanhar os movimentos de sua turma; e embora, parecesse à primeira vista alienado em meio àquele ambiente, estava perfeitamente integrado ao espírito do grupo; divertia-se intimamente apesar de suas tremendas limitações. Havia algo de muito especial naquele ser humano que o diferenciava de todos os demais. Algo que suplantava as limitações de uma matéria visivelmente desorganizada, onde, entretanto, fluía uma estupenda  energia indiferente a isso.

O grupo pediu seus hambúrgueres, refrigerantes e batatas fritas sob o atento olhar  daquele adolescente fisicamente desfigurado e pacientemente inerte; quando então, um daqueles jovens começou a colocar de forma cuidadosa, algumas batatinhas na sua boca, de forma visivelmente carinhosa. Ao gesto solidário do amigo, imediatamente, aquela semi-imobilizada criatura, aparentemente sem qualquer capacidade motora esboçou num esforço sobre-humano um expressivo sorriso de agradecimento ao amigo; contagiando ainda mais a todos, numa enorme demonstração de alegria por estarem  vivendo aquele momento.

Buscaram uma mesa ao canto da lanchonete e ali se divertiram com vozes esfuziantes e gargalhadas estridentes, como se partilhassem um banquete.

Aquele sorriso de agradecimento causou-me enorme perplexidade, e constrangimento; fazendo-me questionar por comparação, situações vividas em nosso dia-a-dia, em que, dispondo na maioria das vezes de quase tudo quanto necessitamos, incluindo um corpo perfeito, e uma saúde maravilhosa, somos incapazes de esboçar um sorriso; ou uma palavra de gratidão. Ao invés disso, nos flagramos com freqüência numa atitude de insatisfação permanente, por conta de uma busca frenética de coisas que muitas vezes sequer sabemos sua real utilidade, e essa insatisfação quase sempre nos conduz a uma visível ansiedade e frustração; cujas conseqüências resultam quase sempre em posturas de mau humor, tristeza ou angústia; que invariavelmente, deixam insuportáveis seqüelas, ou levam à depressão; e por sua vez será o embrião de graves enfermidades; algumas delas responsáveis pela  morte precoce da alma, sede do espírito; que sem energia irá desencadear a autodestruição  do corpo físico.

Fomos levados a uma volúpia consumista sem precedentes, por conta de um processo de industrialização desenfreado a gerar uma quantidade imensurável de bens e serviços, que tem transformado mais do que nunca, seres humanos em escravos de um desejo impetuoso e sem limites. Tornamos-nos obcecados pelo novo e pelo supérfluo, no apelo do conforto e do luxo. No afã de uma competição alucinada, por status somos absorvidos por uma compulsiva geração de pseudo-necessidades; cujo efeito final é o desgastante estresse gerado pela frustração, de uma imaginária felicidade que não será alcançada jamais fora de nós mesmos.

O resultado dessa frustração generalizada é uma insatisfação aderente da qual não se consegue livrar facilmente; fazendo com que muitos, se portem irracionalmente, diante dos demais, como infelizes ou mal agradecidos; depressivos ou invejosos; mal humorados e até agressivos. Confundem realização pessoal com falsas aparências, e por conta disso, tornam-se vítimas de uma deprimente sensação de impotência, em vista dos desejos não atendidos. Esse sentimento de inferioridade diante dos demais irá distanciá-los do convívio saudável; e sufocados por indisfarçável angústia, tenderão a se isolar, adentrando a um inferno de insuportável solidão, que os afasta de maneira sorrateira e destruidora do autêntico sentido da vida.

Para muitos de nós, em algum momento da nossa caminhada, o ser deu lugar ao ter; porque colocamos nossa felicidade em algo fora de nós; muitas vezes tão distante, até inalcançável. Construímos relacionamentos frágeis, devido à dissimulada e egoísta competição material. Agredimos-nos, verbal ou fisicamente, ao menor sintoma de exasperação do próximo, por conta de escondidas revoltas íntimas ou frustrações latentes. Como conseqüência, iremos somatizar emoções negativas geradas por um corpo ou mente insaciável em busca de prazer e satisfação; quando, na verdade, temos tudo para ser a mais realizada e feliz de todas as criaturas. Apenas não nos damos conta disso.

Assim, no alvoroço rotineiro de um dia comum, em meio a uma noite qualquer, de uma estação de trens em Paris, eu jamais imaginaria poder aprender tão bela e significativa lição com pessoas singelas como as daquele grupo de jovens; e em especial com aquele anônimo anjo disfarçado sobre uma cadeira de rodas que sequer sabia que estava sendo observado. Comovido, fechei os olhos e de forma agradecida, elevei o pensamento numa oração silenciosa por cada um deles.

Ao dar-me conta das horas, corri com minha bagagem pela estação; porque, imerso em profundas divagações, não me apercebera que o trem para Rennes já em sua plataforma, quase de partida, aguardava por um peregrino, que disfarçado de executivo, seguia meio perdido em busca de respostas por caminhos que jamais imaginara andar".
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Quero concluir este artigo com uma simples mensagem: Usufrua cada minuto da viagem como um milagre que não pode ser repetido. 'Curta' a paisagem, pois poderá ocorrer de jamais voltar a vê-la. Desfrute cada momento com plena intensidade, e a certeza de que isso irá resultar numa estupenda energia para seu seu corpo, sua mente e sua alma. Essa é a receita mágica para uma poderosa marca pessoal, construída com base em valores que a tornam diferenciada e lembrada para sempre.
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 *Mauricio A Costa, é Consultor de Empresas para assuntos de Valor Agregado, Gestão e Licenciamento de Marcas. Atua também como ‘Coach’ e Palestrante em temas ligados a valores humanos e a construção da marca pessoal. É o autor do livro O MENTOR VIRTUAL.

Em gestação: 'O MENTOR VIRTUAL II - O Elo Invisível', primeiro livro a ser escrito em tempo real; criando personagens fictícios inspirados nos maravilhosos e insuperáveis relacionamentos criados no Facebook.






14 comentários:

  1. Penso que não podemos ter uma inversão de valores. Todos nós temos problemas e nossas dificuldades, precisamos saber o grau de valor de cada coisa, apesar de variar para todos nós, mas sempre existem parâmetros para que nós possamos nos situar e avaliar de forma criteriosa. Com seriedade, sem superficialidade, nós conseguimos reconhecer e valorar o que se deve.
    Ignez Longo

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  2. Excelente texto, linda passagem perceptiva!

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  3. muito bonito ! uma bela lição d e vida, assim digo sempre as minhas sobrinhas que elas não devem se exasperar com os acontecimentos cotidianos, pois problemas teremos sempre e se gritarmos nos distanciamos das pessoas, mas se falarmos calmamente nossos corações entrarão em sintonia, um forte abraço Fatima

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  4. O que dizer, diante de tanta verdade já dita???
    Precisamos preencher as nossas vidas com coisas úteis, e se nos preocuparmos com o próximo, e o bem comum!!!
    Com a alma vazia, nada fará sentido!!!
    Eu acredito nisso, e faço o meu melhor para ser um ser humano melhor e mais feliz a cada dia!!!

    Obrigada pela belíssima mensagem!!!

    Abraços.

    Sucesso!!!

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  5. Ana Maria Moraesoutubro 10, 2010

    Pela primeira vez por aqui aproveito para agradecer a oportunidade de lhe conhecer e poder apreciar esse texto que é de extrema importancia na nossa vida.Na minnha opinião,permita-me expressar,a busca por bens materiais não deve simplesmente ser taxada de indesejável.Ela é fruto,da própria evolução da humanidade,da sociedade como um todo,da evolução da tecnologia,e uma busca por soluções melhores para todos.Esses bens,podem sim,conviver harmonicamente com um ser digno,bom.O ser e ter juntos em equilíbrio é sim um desafio para cada um de nós nessa caminhada de aprendizado e realizações que é a vida.
    Abraços!!!

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  6. O que dizer??
    Seu texto não foi apenas uma reflexão e sim um estado do SER...
    Alcançar esta plenitude na alma não é nada fácil, mas torna-se tão simples qdo sente amor pela vida!
    Infelizmente essa correria por coisas materiais, superficiais, estão fazendo as pessoas doentes...
    No meu caso, prefiro ser uma louca! Usar de forma tão positiva e saber que as 'pedras' no nosso caminho não servem de obstáculos e sim DREGAUS e subir!!!!!!!!!
    Parabéns!!!

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  7. Maria Célia Lorenzettioutubro 10, 2010

    Puxa Mauricio,isso tudo veio como um presente de Deus hoje na minha vida.Questionei isso o dia todo.Eu sempre observo as pessoas como voce,e muitas vezes tiro lições valiosas para minha vida e cronicas que escrevo.Hoje falei para uma amiga que tudo nesta vida está se tornando muito banal,parecem que as coisas são faceis,mas não são e as consequencias são desastrosas,como dito acima.Obrigada por tudo que escreveu!

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  8. Maurício,

    Seu texto nos faz perceber que muitas vezes precisamos dos parâmetros opostos para que possamos nos conscientizar ou nos sentirmos plenos em relação ao próprio valor único que a vida possui.
    Tolos são aqueles que não enxergam nada, que lastimam coisas tão pequenas e se perdem em prazeres grandiosos.
    O bom viajante passa pela vida e a observa e a contempla com sabedoria...você é um deles.
    Abraço forte

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  9. Há alguns anos, eu pesava mais ou menos 90Kg (1.55m de altura), as pessoas me apontavam nas ruas, no trabalho, algumas até me evitavam, faziam de conta que não me viam; sem se preocupar em quanta dor isto me causava. Esta é a atitude de pessoas que valorizam mais as aparências. Se preocupam mais com o 'ter' do que com o 'ser'... ser uma pessoa livre de paradigmas, clichês e grifes que roubam a identidade de quem as usa.
    por: Amarilis

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  10. Há alguns anos eu pesava mais ou menos 90kg (1,54M de altura). As pessoas me apontavam nas ruas, no trabalho, algumas até me eviatavam, faziam de conta que não me viam, sem se preocupar em quanta dor isto me causava. Estas são atitudes de pessoas que valorizão mais as aparências. Se preocupam mais com o 'ter' do que com o 'ser'... ser uma pessoa livre de paradígmas, de clichês que escravizam e roubam a nossa identidade.

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  11. Continuação...
    Gostaria de enfocar um atributo que eu admiro no ser humano, que é a humildade e simplicidade, penso que é uma característica que vale a pena ser desenvolvida, pois ela se aplica em todos os aspectos da vida.
    Tem uma citação que eu gosto muito de William George Jordan : “ A natureza, e todas as suas revelações, procuram ensinar o homem a grandeza da simplicidade”.
    Penso que a saúde é simplesmente viver uma vida física em harmonia com algumas leis simples e claramente definidas. Alimentação simples, exercícios simples precauções simples, farão maravilhas em nossas vidas. Acredito que para conseguirmos a simplicidade eficiente, temos que estar dispostos a rejeitar ou renunciar a hábitos e modos de vida que estão nos mantendo afastados de coisas mais elevadas.
    Esses dias estava lendo outro pensamento muito interessante que se encaixa ao contexto e diz assim: “Reformule sua dieta, e você a simplificará; faça seu discurso verdadeiro e elevado, e você o simplificará; reformule sua moral e você começa a eliminar o que é imoral. O segredo de toda a verdadeira grandeza é a simplicidade”.
    Seria sábio se começarmos todos nós a cultivar a simplicidade em todas as coisas, para que nossa vida seja mais eficiente.
    Mauricio me desculpe mais uma vez, não consegui simplificar meu comentário, diante de tanta grandeza, poderia ficar horas refletindo e escrevendo meus sentimentos mais profundos.
    Obrigada por podermos compartilhar de princípios que nos ajudam a nos tornar pessoas melhores, eu sei que para isso basta um QUERER... Abraço Cordial

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  12. Mauricio A Costa, nosso querido Mentor Virtual, todos nós somos pessoas diferentes, como as estrelas no céu, diferentes em talentos, habilidades, em opiniões e gostos, em coragem e temperamento. Essa variedade nas pessoas aumenta o interesse e o desafio da vida.
    É a razão pela qual temos que procurar reconhecer o valor de cada indivíduo. John Stuart Mill escreveu: “O valor de um Estado, a longo prazo, é o valor dos indivíduos que o compõem .”
    Penso que sem os outros, nós não teríamos um conceito de nós mesmos. Sem um sentido do EU, ninguém poderia ser... Bom, generoso, amável, e paciente... Sabemos que a vida é uma batalha constante entre os aspectos bons e maus do EU...
    Um dos traços mais negativos do homem, e um dos aspectos maus do EU, é a COBIÇA.
    Ela é tão forte na vida de tantas pessoas que é quase um modo de vida no mundo de hoje... Não há dúvida que a cobiça seja o principal fator, em nossa taxa de crimes alarmantemente alta, (que é responsável pela corrupção que corre livre) em nossas escolas, nossos negócios e no nosso Governo.
    Há pessoas que vestem grifes famosas, seus corpos reluzem cores e formas graciosas, mas suas emoções disfarçam a tristeza através de sorrisos programados. São seres humanos fascinantes, que perderam o fascínio da vida.
    Certa vez li a citação de Reitor Tuberville: “Nós defendemos bastante a lei e a ordem, mas com demasiada frequência obedecemos apenas àquelas leis que queremos, ou as que temos medo de não conseguir desobedecer com sucesso”...
    Ficamos aterrorizados e indignados com o assaltante, o ladrão e o batedor de carteiras. Mas um ladrão é mais criminoso que uma pessoa que propositalmente vende mercadoria ruim através de uma publicidade enganadora? Um assaltante é um criminoso moral maior do que o fabricante que polui o ar e a água, violando nossas leis? Um ladrão é mais criminoso do que um médico, advogado, mecânico, ou bombeiro hidráulico que cobra demasiado por seu serviço? O batedor de carteiras é mais criminoso do que o professor ou o administrador de escola que dá menos do que tudo de si a sua tarefa? O delinqüente é mais criminoso do que o estudante que deseja um diploma mais não uma educação?
    Creio piamente que a cobiça é a causa oculta desses atos, e pode bem ser a força mais destruidora no mundo de hoje.
    Silenciosa e imperceptivelmente, sua influencia amoral nos ataca e enfraquece o próprio alicerce do nosso caráter. Penso que, lutar contra ela é um esforço de tempo integral e uma batalha pessoal que só pode ser levada a efeito dentro de cada um.
    Mauricio não contive minhas lágrimas ao me emocionar com a sua experiência...
    A realidade do mundo, onde poucos como você tem a sensibilidade de fazer uma auto reflexão e ter um sentimento de empatia pelo próximo no qual se justifica nosso real valor.

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  13. Que texto é esse???É simplesmente incrível a facilidade com que você coloca as palavras de sentimentos tão profundos e embutidos dentro de cada ser humano.Mauricio esse texto seu é simplesmente magnífico.Quando percebi as lágrimas escorriam pela minha face.Pura emoção!Consegui mais uma vez sentir a identificação de tudo que penso através do seu texto.De uma maneira tão clara e ao mesmo tempo tão profundo.Obrigada.

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  14. Tudo é dom mesmo, com uma leitura clara da alma humana, mais facilidade de verbalizar sentimentos,e pronto!! ai esta a receita perfeita, para arrumar fieis leitores ...Desculpe-me Maurício, sei que pesquisa, estuda e se dedica muito !! Mas sua maneira de escrever é tão pessoal, que nos faz crer que pertencemos a este mundo, e que temos companheiros em ideais. Estou feliz em compartilhar sentimentos,que outrora achava inexistente na alma do ser humano. Abraço.
    Cassandra Proença.

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