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sábado, 23 de outubro de 2010

Ignorância. O Elemento Essencial da Manipulação






Por Maurício A Costa*



“A ignorância da significação das palavras, isto é, a incompreensão, predispõe os homens a confiar e aceitar a verdade que desconhecem e até mesmo os erros, e o que é pior, na insensatez daqueles nos quais confiam: nem o erro e nem a insensatez podem ser descobertos se não houver a perfeita compreensão das palavras. Dessa mesma ignorância procede o fato de os homens darem nomes diversos a uma mesma coisa, de acordo com suas próprias paixões”. (Thomas Hobbes 1588-1679, em Leviatã - Pág. 81 – Editora Ícone– São Paulo-SP – 2000).

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É chegada a hora de uma grande revolução. Uma revolução que comece dentro de cada um de nós. Uma revolução que implique em mudança de hábitos arraigados, e exorcize de uma vez comportamentos ditados por dogmas, doutrinas, paradigmas e manipulações de toda ordem que nos tornam reféns de uma passividade milenar, que remonta à fase irracional de nossos primórdios. Só a partir de uma tomada de consciência de nós mesmos, estaremos aptos a agir como cidadãos, para nos posicionarmos acima das estapafúrdias manobras que ocultam interesses pessoais ou de pequenos grupos e atuarmos com coragem para realizar revoluções necessárias no ambiente que nos rodeia, seja no pequeno universo da família, da empresa, da comunidade, ou no macro ambiente corporativo das nações.

Não há mais espaço para revoluções estúpidas com armas, sob apelo da violência. Todo soldado ou terrorista não passa de uma marionete nas mãos de espertalhões que o dirigem de acordo com suas conveniências. A maior de todas as revoluções exige conhecimento e informação. Só a preparação pode arrancar o ser humano da sua condição de animal manipulado. A sabedoria é a única luz possível, para tirá-lo da escuridão da ignorância que o mantém aprisionado ao seu limitado poder de escolha.


Qualquer grupo, seja ele uma simples família, uma empresa, uma sociedade ou uma nação é constituído basicamente por dois elementos essenciais: liderança, que pode ser formada por uma ou várias pessoas, e liderados. A liderança nasce de um visionário, com coragem e determinação para implementar suas idéias, quase sempre oriundas de poderosos insights. O liderado é aquele que se deixa envolver por essa visão. Com o passar do tempo, a visão vai se tornando uma crença e gradualmente contaminando de forma quase virótica toda uma massa cinzenta de seres humanos, muitos sem opinião própria, em sua maioria, acomodados sob o estigma de uma preguiça letárgica a revelar incompreensível inércia física ou mental. Entretanto, como nos ensina Gary Hamel em seu livro Leading the Revolution (‘Liderando a Revolução’ - Pág. 22 - Editora Campus – Rio de Janeiro – 2000): “Os visionários não continuam visionários para sempre. Poucos são capazes de imprimir sua marca numa segunda visão. Pior ainda, seus apóstolos se tornam dependentes da presciência do profeta, renunciando à própria responsabilidade pela visualização de novas oportunidades”. O que significa dizer que, nem sempre uma liderança pode ser perpetuada por seus discípulos, mesmo os mais próximos, uma vez que uma visão ou insight é resultado de um conjunto de fatores pessoais que vão desde o acumulado de informações que o líder carrega, passando por seus atributos psicológicos e comportamentais, até seu histórico, e que fazem dele alguém especial, dotado de carisma capaz de produzir admiração e consequentemente seguidores. Assim, sem conhecimento e preparação é impossível que se distinga a ação de alguns homens, da ação da multidão, conduzida como gado, por não ser possível identificar as causas que originaram essa ou aquela crença, a gerar um mito.


Por conta disso, como nos ensina o grande pensador inglês citado no início desta matéria, “o desconhecimento das causas remotas fazem com que se atribuam todos os acontecimentos a causas imediatas e instrumentais, porque são as únicas perceptíveis... e predispõe o homem à credulidade, fazendo-o mesmo crer em coisas impossíveis. Não tendo nada que as contradigam, consideram-nas como verdadeiras, pois são incapazes de detectar impossibilidades. A credulidade, uma vez que os homens gostam de escutar em grupos, conduz à mentira; a ignorância, sem malícia, leva o homem a acreditar em mentiras e repeti-las; algumas vezes inventando-as, até. (Thomas Hobbes, em Leviatã - Pág. 82 – Editora Ícone– São Paulo-SP – 2000). Nessa reflexão está explicito de maneira contundente toda pejoratividade da ignorância no contexto do bem estar social de uma comunidade, empresa ou nação.


Um dos meus livros favoritos, sem o qual me sinto um completo ignorante, é o dicionário. Por mais simples que ele possa ser sempre me traz uma luz para ampliar a compreensão de um texto, ou expressão. Todavia, muitos ignoram ou subestimam a sua ajuda, efetuando enormes leituras ou escutando grandiosos discursos sem entender o mínimo necessário para formar juízo sobre o que leem ou escutam; como consequência, irão enxergar de maneira parcial tal quais míopes, sem ajuda de seus óculos, e tirar apressadas conclusões com base em informações de terceiros, muitas vezes já deturpadas, ou se acomodarem à sua ignorância, seguindo ‘cegamente’ a manada. Citando mais uma vez Hobbes, o mentor que me inspira na composição deste texto: “Os que não se preocupam ou preocupam-se pouco com as causas naturais das coisas, temendo, em vista de sua ignorância, aquilo que pode causar-lhes mal ou bem, propendem a supor e imaginar diversas espécies de Poder Invisível, e, submissos às suas próprias ficções, invocam esses poderes em momentos de desgraça e os agradecem ao alcançar sucesso; transformam em Deuses as criações de sua própria imaginação. Como resultado, diante da infinidade de fantasias, os homens criaram inumeráveis Deuses. O temor às coisas invisíveis é a semente natural do que se conhece por Religião”. (Thomas Hobbes, em Leviatã - Pág. 83 – Editora Ícone– São Paulo-SP – 2000).


Essa reflexão me leva de volta ao início desta matéria. Vivenciamos um momento especial para produzir uma grande revolução. Uma revolução contra a ignorância. A revolução contra o ‘status quo’, o corporativismo que defende a manutenção daquilo que está aí, pregado como verdade absoluta, como o melhor sistema, a melhor ideologia ou a mais perfeita de todas as formas de fazer as coisas. Parodiando o intelectual e revolucionário inglês, Thomas Paine (1737-1809): “Que me chamem de rebelde e me rechacem, não tenho medo; mas sofreria a miséria dos infernos se prostituísse minha alma”. É decisivo, sairmos da condição de meros súditos, para alçarmos a condição de cidadãos. Essa mudança, como disse, exige uma mudança de postura que necessita começar dentro de nós, e propagar-se como fogo para extinguir toda decadência moral que nos assola, e diante da qual permanecemos apáticos, estagnados pelo medo da represália ou de consequências com as quais nos assustam nossas mentes; hábeis em criar fantasmas ameaçadores, como se o inferno já não fosse o ambiente inseguro que nos cerca.

Uma grande marca, seja ela pessoal, empresarial, corporativa ou nacional, não pode perpetuar-se sem inovação, e inovação não se faz sem uma constante oxigenação do organismo ou sistema que opera no corpo ou empreendimento que lhe hospeda. Inovação é renovação. É mudança. É a substituição de padrões viciados por algo novo. É a revolução pelo conhecimento, o fogo da sabedoria que recicla a própria vida.

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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Executivo, Estrategista ou Membro do Conselho de Empresas sérias e comprometidas com a verdade.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.

8 comentários:

  1. Olá,

    Concordo com as idéias do texto. Acredito verdadeiramente que é necessário ao ser humano conhecer-se intimamente, tanto suas forças quanto suas oportunidades de melhorias, pois só assim é que acontece a evolução e o compartilhamento de idéias, de vida, de conceitos, etc.

    Abraço

    Flávia

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  2. Maurício, seu bem escrito texto toca em pautas muito importantes e atuais. Dá para tecer diversos tratados com assunto tão rico. No quesito RELIGIOSIDADE ou ausência dela , acho super pertinente o enfoque que dás à ignorância. Creio eu que mais do que TEMOR , devo respeito à existência das diferentes religiões. À procura de mim mesma, sempre atrás de uma insaciável curiosidade que tenho sobre mim e sobre todas as coisas que me cercam, vou me deliciando e pegando emprestado -para meu crescimento próprio- aquilo que cada uma delas me oferece de melhor . Descartadas as diferentes nuances de cada uma delas,os variados enfoques e interpretações sobre o mesmo assunto, chega-se , no final, à conclusão de que todas levam ao mesmo DEUS ( ou aquilo que "nomeamos" Deus ).O "invisível ", seguidamente, é muito PERCEPTÍVEL dentro de mim ! Acho, no entanto, pouco provável que um dia venhamos a saber a dimensão correta da COISA ESPIRITUAL . No entanto, a NÃO COMPREENSÃO não significa a NÃO EXISTÊNCIA. Abaixo, porém, a opressora culpa católica. Abaixo ,sobremaneira, a hipocrisia, a imoralidade de tentarmos parecer o que não somos de fato; abaixo esta falsa moralidade e,obviamente, o preconceito. RENOVAÇÃO é sim a palavra de ordem. Quero ser uma Phênix eterna,e morrer diariamente nas minhas idéias velhas e rançosas...e sobretudo, renascer a cada dia , melhor, mais despojada da velha casca, mais descontaminada, mais atenta e disponível ao outro...e isto, não só aqui, neste papel virtual, mas de verdade, com todo o coração ...sempre caminhando nesta "retidão de intenção" de ser melhor em função de mim mesma e dos outros. abs

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  3. é como uma festinha com teatrinho de marionetes.
    Milhões delas, principalmente em ano eleitoral.
    Coragem para as mudanças, e sempre procurar o conhecimento intelectual e espiritual é a solução.
    Muito bom!!!!
    Vc sempre demais.
    bjos

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  4. Olá Maurício, sou sua amiga no face book. Parabéns pelo artigo e pelo blog. Precisamos muito de incentivo à leitura e inovação em nosso país. Parabéns!

    beth caetano

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  5. Oi Maurício,

    Com certeza a maior de todas as forças revolucionárias é a consciência. Quando nos apoderamos do nosso auto conhecimento, quando interpretamos a vida com todas as possibilidades, sem nos aprisionarmos a uma única verdade, mas no entendimento da multiplicidade que existe em tudo que somos e podemos ser.
    Adorei a postagem!

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  6. Mauricio adorei o artigo. E você tem toda razão. Um povo sem construção cultural, social e subjetiva, não declina e nem evolui, eles simplesmente estagnam-se. Vive a mercê de ideologias e de discursos que manipulam e destroem a alma. O grande problema, é que muitos levam tempo demais para acorda e ver isso, mais tempo do que levariam para apoiar aqueles que de fato destruirão o pouco de construção que cada um deles tem. O Brasil é um país de um povo cego subjetivamente, socialmente, culturalmente, politicamente e racionalmente falando. Corriamos o risco de ter uma país do nada.

    E digo mais.

    Estão querendo nos enrolar, e o pior,é que muitos irão acompanha a leva de palavras e discursos falsos. Não se pode dizer nem que é uma ideologia isso. Idealismo real, jamais. Não se constrói um verdadeiro idealismo mentindo, ou fugindo da verdadeira prática do humanismo. A quem querem enganar, se não aqueles que estão longe das próprias construções? Aqueles, que vislumbram-se com a falsa ideia de "democracia"? Aqueles que embora cultos, estão mais preocupados apenas com os benefícios que terão. Não importa mais a ética. Na verdade, essa palavra virou moda até no discurso de tolos. Pouco importa socialmente hoje em dia se alguém está mascarado ou não. Vale mesmo, apenas a necessidade própria, a falsa preocupação com o outro. Um país não vive só de uma única coisa. As pessoas necessitam de várias coisas que se integram, para no fim formá-las e unificá-las... O real, problema é que ainda estamos bem longe de perceber isso

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  7. Seu texto fez-me lembrar esta frase de Dalai Lama que pra mim é perfeita dentro do contexto ignorânciaXreligião(religare)

    "O inimigo comum de todas as disciplinas religiosas é o egoísmo da mente. É isso o que causa a ignorância, a cólera e o descontrole, que são a origem de todos os problemas do mundo."

    Abraços!

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  8. Pela coerencia e pela lógica, conhecemos um pouco dos conteúdos publicados, mas é preciso amadurecer as idéias e o raciocínio para não serem manipulados, por isso temos o nosso filtro.

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