Translate The Blog - Click Here / Traduza o Blog - Clique Aqui

sábado, 14 de agosto de 2010

Mente Aberta: A Reciclagem Imprescindível Que Mantém Uma Marca Viva



Por Mauricio A Costa*

“Bendito seja esse espírito de todos os espíritos livres, a tempestade risonha que sopra o pó nos olhos de todos os pessimistas de todos os ulcerados. Homens superiores, o pior que tendes é não haverdes aprendido a dançar como é preciso dançar: a dançar por cima de vós mesmos! Que importa se tiverdes malogrado! Quantas possibilidades permanecem ainda: Aprendei, pois a rir acima de vós mesmos. Elevai, elevai cada vez mais os vossos corações, bons bailarinos! E não esqueçais também o bom riso.” (Nietzsche, Friedrich, 1844-1900 – ‘Assim Falava Zaratustra’ – Pág. 368 – Editora Vozes – Petrópolis-RJ – 2007).
____________________________

Em minhas atividades como executivo, consultor ou coach, tenho me deparado com frequência com situações inusitadas, diante de pessoas estranhamente bloqueadas ao novo, especialmente naquilo que diz respeito a elas mesmas. Muitas, totalmente envolvidas e até estimuladas por toda inovação do ponto de vista tecnológico. Vivem como se fossem ilhas, isoladas de tudo e de todos enclausuradas dentro de si mesmo, com pensamentos que refletem idéias afastadas do mundo real em que vivem.

Enquanto escrevo, faço-me acompanhar pela música maravilhosa de um conjunto formado há cerca de dez anos na Alemanha por Frank Peterson e Amélia Brightman, chamado “Gregorian”, uma autêntica sincronicidade a gerar um significativo insight no exato momento em que começava a desenvolver as primeiras linhas deste artigo.  E alguém me perguntará, ainda que de forma virtual, o que tem afinal um conjunto musical a ver com a frase de Nietzsche que encabeça o tema da reflexão? E eu direi: Tudo!  - Quando aprendemos a atuar com a mente aberta ao novo, a ‘sincronicidade’, que foi assunto da mais recente matéria que publiquei, aflora de maneira natural e constante, porque geramos uma predisposição sem reservas, ao não convencional.

O Gregorian, cuja música acompanha esta postagem, hoje um grupo de fama internacional, poderia ser absolutamente desconhecido, não fosse a ousadia de criar algo diferente. Atuando como se fosse um coral de música gregoriana, com roupas estilizadas e arranjos que se caracterizam pelo som harmônico, e um toque quase sacral, deram uma roupagem extraordinária a músicas pop-rock já conhecidas, transformando um som aparentemente velho, em algo admirável. Um exemplo de criatividade espetacular a nos mostrar como é possível ‘ter sensações inéditas’ do mesmo tema, quando a ele associamos cores novas, a partir de um olhar diferenciado.

Em muitos empreendimentos, que visito, quando convidado ou simplesmente avaliado para atuar como consultor, observo uma enorme tendência de apego ao ‘status quo’, isto é, a manutenção do que já é conhecido, um conservadorismo exacerbado por conta da insegurança, decorrente do medo do que é novo. Empresários e executivos extremamente ligados a velhas fórmulas do passado que deram certo, mas que vão visivelmente se desgastando com o tempo, carentes de ‘uma nova roupagem’ ao estilo “Gregorian’. Nada que modifique necessariamente a beleza daquilo que existe, mas que possa transformá-lo em algo atual, excitante e intensamente desejável.

O ser humano é extremamente fascinado pelo novo. Sua essência, ou aquilo que chamamos de alma, é ávida pelo desconhecido; viaja milhões de anos através de inúmeras gerações e se adapta em cada etapa ao inusitado, aprendendo constantemente com isso, para gerar segurança e bem estar; estados de espírito resumidos na palavra felicidade. Por essa razão, não é de se estranhar que sejamos tão volúveis, inconstantes e ansiosos. Sempre à procura de algo que ainda não conhecemos. Uma busca frenética que sequer sabemos explicar, por coisas, pessoas ou lugares, além das fronteiras do conhecido. Com certeza, nisso reside a beleza da vida nômade de nossos ancestrais, e ao mesmo tempo, a essência de toda evolução humana.

Portanto, se na qualidade de consumidores ou usuários de produtos e serviços, trazemos dentro de nós esse indisfarçável interesse pela novidade, não podemos ignorar tal comportamento humano no pensamento estratégico de nossos empreendimentos; seja ele um simples conjunto musical, ou uma organização multinacional; uma escola, uma micro empresa, um hospital, ou uma ONG. É imprescindível uma visão renovadora permanente, um rejuvenescer constante que instigue a curiosidade e estimule o interesse. Fora disso, todas as coisas tendem ao repouso; a inércia que leva ao obsoletismo e à decadência. 

Não é demais lembrar, entretanto, que essa adequação impõe quebrar paradigmas. Romper com posturas conservadoras e encarar o novo. “O extraordinário só pode ser percebido quando se voa além do convencional”  (‘O Mentor Virtual’ – Pág. 22 – Ed. Komedi – Campinas-SP – 2008).. Modificar ou superar padrões é algo que implica ousadia, exige bom senso, coragem e muita personalidade para vencer resistências incrustadas, posturas conservadoras e feudos que garantem estabilidade à incompetência, à desonestidade e ao despreparo.  Para o renascer é imprescindível a morte. A eterna reconstrução do universo é um processo de reciclagem contínua, cruel e inexorável. Por isso, é urgente que se saia da mesmice, da zona de conforto e do imobilismo que asfixia e mata, oxigenando com inovação verdadeira nossas mentes, antes de procurarmos lá fora o que há de mais moderno em tecnologia.

Para se manter uma marca viva, forte e atraente é imprescindível uma postura arrojada diante da necessidade de mudanças. E para tanto, é decisivo uma mente aberta, e um espírito livre como nos ensina Nietzsche. Olhar a tudo com um novo olhar, para superar o marasmo, como nos mostra o ‘Gregorian’. Um eterno rejuvenescer é a palavra de ordem. Afinal, a essência do sucesso de uma marca é a sua diferenciação que produz atratividade e desejo.

Uma tomada de consciência desse permanente desafio é o ponto de partida para as grandes transformações que podem ser implementadas já, a partir de cada um de nós, mesmo que isso custe aparentes desilusões e eventuais fracassos, pois o novo é resultado do envolvimento de mentes e corações apaixonados pelo que fazem; que se realizam no processo. Para esses, o importante é o tentar; o resultado é apenas mais um detalhe.
_________________________


*Mauricio A Costa, é Estrategista para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.
É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.





Um comentário:

  1. Olá Maurício, temos recursos organicos e psicologicos, para ligar com a nossa realidade na superação e na persistência, graças as nossas intuiçoes a nossa alma nos conduz a muitos horizontes, que se tornam realidade a medida que descobrimos em nós mesmo essas reais condições, vencendo a todas as resistencias encontradas, porque somos os dirigentes dessa nave e sabemos que podemos chegar...

    ResponderExcluir

Não esqueça de deixar aqui as marcas de sua passagem...
Seus comentários serão sempre bem vindos.