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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Lobas Selvagens: Quando o Instinto é a Força da Marca









Por Maurício A Costa*


"Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros. Estão taciturnos, mas nutrem grandes esperanças. Entre eles, considero a enorme realidade. O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. Não serei o cantor de uma mulher, de uma história, não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela, não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins. O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente". ('Mãos Dadas' - Poema de Carlos Drummond de Andrade).
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Iniciar este artigo com um poema do brasileiríssimo Carlos Drummond de Andrade tem um singelo propósito: Homenagear uma mulher explicitamente apaixonada pelo ilustre poeta. Seu nome, Anna Maria Badaró. Uma pedra preciosa das minas gerais, que como eu, escolheu as campinas de uma terra que acolheu de árabes a judeus; ricos, carcamanos, ou plebeus. Vivemos ambos numa mesclada metrópole, constituída em sua maioria por imigrantes, ou descendentes, oriundos das mais diversas plagas, onde as adversidades eram maiores que as oportunidades. Maravilhosos seres humanos criando sinergia a partir das mais distintas culturas e idiossincrasias comportamentais, para construir um dos maiores pólos de desenvolvimento do país. 


Uma cidade, região, ou país é antes de tudo a síntese da cultura formada por sua gente, e a miscigenação é fator decisivo para definir o conjunto de padrões de comportamento, crenças e costumes que irão identificar o grupo social. Por essa razão, sinto-me à vontade para dizer que Anna Maria Badaró é parte integrante da paisagem de Campinas, com suas palavras e tintas, a desenhar poemas e telas que traduzem a viagem milenar da sua alma para chegar até nós, seus contemporâneos, que nem sempre sabemos valorizar a prata da casa; pois como já foi dito, o profeta é desacreditado entre aqueles que estão próximos. Uma lacuna que ainda podemos corrigir. 

Quando conheci, a Anna Maria alguns anos atrás, me encantei com algumas de suas telas, que hoje decoram o ambiente onde resido ou trabalho. Pinturas que são autênticas fotografias captadas por uma alma nômade, em sua visão abstrata e eterna, e revelam toda sensibilidade de uma mulher que carrega dentro de si todo o instinto de uma loba selvagem. Segundo Clarissa Pinkola Estees, autora de 'Mulheres Que Correm Com os Lobos', "o arquétipo da mulher selvagem, bem como tudo o que está por trás dele, é o benfeitor de todas as pintoras, escritoras, escultoras, dançarinas, pensadoras, rezadeiras, de todas as que procuram e as que encontram, pois elas todas se dedicam a inventar, e essa é a principal ocupação da mulher selvagem. Como toda arte, ela é visceral, não cerebral. Ela sabe rastrear e correr, convocar e repelir. Ela sabe sentir, disfarçar e amar profundamente. Ela é intuitiva, típica e normativa. Ela é totalmente essencial à saúde mental e espiritual da mulher".

Hoje, alguns anos depois de nosso primeiro encontro, ainda guardo comigo um significativo cartão que marcou o início de nossa amizade, de onde recolho alguns fragmentos para expô-los neste momento, com o intuito de revelar um pouco dessa loba acuada em sua toca: "Considero-me uma pessoa privilegiada pela forma como o destino nos colocou frente a frente. Não foi por acaso. Havia uma promessa de enriquecer a nossa forma de pensar, a cumplicidade de renascer, um novo estímulo que a energia vital usa, para solucionar, naturalmente, pelas vibrações positivas, as pessoas que estão predestinadas a se encontrar. Gente que compreende que, aquilo que 'pode ver', não é tudo. Pessoas com potencial para buscar o que está 'por vir a ser' e descobrir as belezas do mundo, voltando os olhos para dentro de si mesmas. Existe, sim, um 'lugar' onde outras pessoas refletem os nossos pensamentos. Essa força energética coloca no mesmo caminho as pessoas que buscam o êxtase de existir e de viver, sem se afastar da sua essência. Drummond diz num de seus poemas: "O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas'.. prazer em conhecê-lo". Um pequeno texto, mas que dá-nos a exata dimensão da percepção dessa guerreira.


Para me inspirar neste artigo, fui buscar um pouco de subsídio no universo feminino, e o comportamento dessa ‘mulher selvagem’, a partir da obra de Clarissa Pinkola Estees. Em um dos trechos dessa autora, uma afirmação contundente: “Os lobos saudáveis e as mulheres saudáveis têm certas características psíquicas em comum: percepção aguçada, espírito brincalhão e uma elevada capacidade para a devoção. Os lobos e as mulheres são gregários por natureza, curiosos, dotados de grande resistência e força. São profundamente intuitivos e têm grande preocupação para com seus filhotes, seu parceiro e sua matilha. Tem experiência em se adaptar a circunstâncias em constante mutação. Têm uma determinação feroz e extrema coragem”.

O cenário onde se trava essa guerra nem sempre sutil é uma densa floresta infestada de insaciáveis predadores, onde a matilha nem sempre está por perto; e torna-se imperativo o poderoso faro da intuição para guiar-lhe por desconhecidas trilhas. Olhos atentos, pêlos sempre arrepiados, ouvidos ligados em tudo o que acontece ao seu redor, pois ela sabe que o mínimo descuido pode ser fatal. Seus mais primitivos instintos tornam-se sua mais poderosa arma.

Quero utilizar o exemplo de ousadia da Anna Maria Badaró, para transpô-lo a tantas outras mulheres, que identicamente, lutam ferozmente por demarcar seus próprios territórios e dizer a que vieram. Mulheres sensíveis, femininas, e ardentes, mas intimamente lobas e selvagens, num renhido combate diário pela sobrevivência pessoal e da prole. Engana-se quem subestimá-las. 

É nesse ambiente que a mulher contemporânea desenvolve seu momento de desafiadora adaptação, vivenciando experiências das mais estressantes em seu processo de aprendizado, na luta pela sobrevivência, num perambular cada vez mais solitário, em busca da própria identidade, que lhe garanta consolidar a força da sua marca pessoal.


A seguir um vídeo que fala por si, dessa artista singular que um dia o Brasil irá reverenciar:




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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.


6 comentários:

  1. "Como sempre os artigos de Maurício são plenos, enriquecedores e inspiradores. Eu, mulher, fico feliz em saber que ainda contamos com pessoas, do dito "sexo forte", que admitem com admiração algumas das qualidades das mulheres, sem medo, sem preconceito e com paixão. Sabemos que nem todas podem ou conseguem fixar a marca aqui mencionada em sua luta diária, devido a fatores diversos como falta de libertação. Porém, em meu humilde entendimento, todas nós carregamos a "loba selvagem" em nossas essências, as quais nos fazem lutar pelos espaços anteriormente determinados por uma sociedade machista. É esse mesmo instinto que traz a força do trabalho, a grandeza do sexto sentido, a doçura da maternidade, a loucura do amor incondicional, a flexibilidade de ser tantas ao mesmo tempo, e ainda, a bela sexualidade aflorada recheada de paixão.... Somente uma mistura de duas raças e marcas, tão fortes, como a de ser humana e loba concomitantemente, poderia trazer um resultado tão completo, onde pela manhã podemos ver as mulheres acordarem como flores e diurtamente serem transformadas em aço. Que todas as lobas sejam, cada vez mais, mulheres!!! bjs... (Ka Santos)

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  2. Mauricio : Nunca imaginei que um dia viria a me orgulhar de ser uma loba. Selvagem, sim. A arte transforma os seus mensageiros em feras , animais com a coragem de construir e destruir imagens que brotam da sua inspiração...Mas hoje, ao ler o seu texto, sentí-me LOBA...e assumi o destino de liberdade e ousadia que impulsiona esta fera para enfrentar a vida. Adorei. Obrigada. Bjs. Anna Maria Badaró.

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  3. Que post, Maurício... começa por Drummond, segue falando de Anna Maria Badaró, que, imagino, realmente será reverenciada, pelo pouco que vejo só aqui, cita Clarissa Pinkola Estés, que, você bem sabe, é fonte de inspiração pra mim... e termina com esse vídeo, em que nos perdemos, sem saber o que admirar mais: se as imagens, se a poesia, se a maravilhosa música...
    Me emocionou, Maurício... :) Obrigada!
    Beeeijos!!! :)

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  4. Difícil comentar após tudo que já foi dito acima.
    Só sei que sou uma loba.Adoro minha liberdade, corro riscos todos os dias e estou constantemente atrás de meus sonhos com muita garra.
    Me identifico muito com o livro e com o arquétipo.
    Espero que você seja realmente um admirador desta enorme quantidade de lobas que te acompanha e que te escreve dia a dia e que seja livre para aceitar as diferenças de opiniões inerentes aos assuntos polêmicos que discute.
    Linda postagem!
    Bj

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  5. De Loba ou de Louca, acho que todas nós, vamos sendo descobertas e se redescobrindo!
    Excelente!
    beijo e bom domingo

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  6. Parece que me repito, mas não há dúvida que, a razão não se separa da emoção. Elas buscam sentido em separado...IMPOSSÍVEL! A razão de ser...de estar...de o ter conhecido numa rede social.A emoção das PALAVRAS...das MÚSICAS...da PROXIMIDADE e do RESPEITO com que as Mulheres são tratadas! Uma BELEZA, mesmo! Não há dúvida que me sinto privilegiada por pertencer ao grupo de pessoas que podem ler, comentar, partilhar, enfim, usufruir da sua EXISTÊNCIA! OBRIGADA, Maurício, por me fazer ACREDITAR em cada dia, que neste caminho que trilho, nesta descoberta da pintura anónima, não estou sozinha! Não sei para onde caminho; mas sei que em cada dia procuro me aperfeiçoar e ser FELIZ com o que faço. Um ABRAÇO pela força e segurança da sua presença!Parabéns pelo trabalho de Anna Maria Badaró. Uma ARTISTA...

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