Translate The Blog - Click Here / Traduza o Blog - Clique Aqui

sábado, 21 de agosto de 2010

Escolhas: Delicados Momentos Que Definem o Futuro de Uma Marca




Por Mauricio A Costa*


“Aquilo que o homem atual típico deseja conseguir com o dinheiro é mais dinheiro, com o objetivo de ostentar e sobrepujar àqueles que eram até então seus iguais... Mais que isso: fez-se do dinheiro a medida aceita da inteligência. Aquele que ganha muito é esperto; aquele que não, não é. Ninguém gosta de ser visto como tolo”. (Bertrand Russel, (1872-1970); em ‘A Conquista de Felicidade’ – Editora Ediouro - 2004).



___________________________ 



É preciso duvidar de tudo’. Esse é o título de um pequeno e inacabado livro de Soren Kierkegaard (1813-1855). Uma frase que pode resumir todo pensamento filosófico através dos tempos; porque a dúvida sintetiza toda inquietude da alma humana em busca de respostas para coisas que às vezes sequer sabe perguntar. Vivemos sob um inevitável dualismo, que nos coloca de maneira cruel, permanentemente diante de encruzilhadas. Divididos entre o certo e o errado, o bom o e o mal, o ético e o prazeroso, o agora e o depois, o individual e o coletivo, a emoção e a razão, e assim por diante.

René Descartes
Ainda dentro dessa complexidade, temos que nos dividir também ao ter que optar pela forma de pensar. De um lado o sintetizar de maneira racional, utilizando o pensamento cartesiano; termo derivado do filósofo René Descartes, que vê apenas no aspecto concreto ou material, a verdade comprovada, como objetivo para qualquer processo decisório. A dureza do 'isso ou aquilo' que foi base de desenvolvimento de todo sistema por trás de qualquer computador, e predomina no meio científico, e de outro lado, o pensamento holístico; a visão ampliada que permite retirar 'coisas e pessoas' de seu isolamento para inseri-las no contexto de algo maior; um todo do qual cada uma dessas coisas ou pessoas é apenas um fragmento, ou parte. 

Bertrand Russel
Para complicar um pouco mais, refletindo com Bertrand Russel no texto que abre esta matéria, o dinheiro e o poder tornaram-se a medida da inteligência, numa sociedade marcada por um consumismo desvairado, criando ainda mais angústias, uma vez que as demandas por bens, segurança, conforto ou status estão se tornando gigantescas, exigindo soluções engenhosas para atendê-las; maquinações mentais, tramoias de todo tipo, e manipulações de toda ordem, que vão da política ao clero, do empresário ao empregado, do rico ao pobre; sejam eles homens ou mulheres. Todos, invariavelmente, envolvidos em frequentes crises existenciais por conta da incoerência íntima, imposta por escolhas que impõem muitas vezes, uma perigosa divisão entre valores da alma, desejos do corpo, e paradigmas da mente. 

Honoré de Balzac
Por ser a alma indivisível, vai se distanciando da mente e do corpo que a recepciona, dando lugar a caminhos paralelos, para seres humanos que sem unidade, passam a viver imprevisíveis conflitos íntimos. Como já citamos em outra ocasião, o dilema está no fato de que uma escolha implica em abandonar todas as demais opções; e é isso que provoca a angústia; que cria tais conflitos não apenas interiormente, mas também nas relações pessoais e coletivas. Como nos diz Honoré de Balzac, em sua obra ‘A Prima Bete’: “As disputas humanas, em geral, decorrem do fato de existirem, ao mesmo tempo, sábios e ignorantes, constituídos de maneira a verem apenas um lado dos fatos ou das idéias; cada um julgando ser a face que vê a única verdadeira, a única boa”. Escolhas têm seu ‘momentum’. Não se deve rotulá-las como certo ou errado, pois muitas delas são tomadas sob o calor de um envolvimento emocional, influência do meio, pressão de terceiros, ou por último, mas não menos importante, por um comando mental derivado da herança genética. Uma decisão que pareceu a mais apropriada algum tempo atrás, percebida agora sob o prisma de uma visão ampliada, quer por sabedoria ou por maturidade, pode nos remeter a frustrações e arrependimentos; fazendo-nos lamentá-la sem a mínima oportunidade de se corrigir, pelo fato de já haver provocado imensuráveis devastações dentro de nós mesmos, ou naqueles a quem amamos. 

Estou certo de que nenhum de nós está livre desse processo. Vivemos todos, algum tipo de aprimoramento individual, de crescimento pessoal e evolução espiritual e é isso que conta; pois, se precisamos estar bem, é antes de tudo conosco mesmo. Como qualquer outro ser humano, trago comigo frustrações, como consequências de decisões que hoje posso considerar equivocadas, e em meu processo evolutivo vou gradualmente exercitando dolorosas, mas eficientes catarses para produzir o milagre da cura para a maior de todas as enfermidades que é aquela que sufoca a alma, e que, se não tratada com ousadia e coragem, pode desencadear todo tipo de doença física ou mental e até levar à morte. O arrependimento não deve, todavia, levar ao sentimento de culpa, pois em nada ajuda; pelo contrário, produz apenas energia negativa e destruidora. Deve antes, produzir a tomada de consciência; não para hipócritas lamentações, mas para definir novas posturas diante da vida, cuja maior característica é ser efêmera. Afinal é o amor por si mesmo, desprovido de egoísmo e realizado na própria vida que produz tudo aquilo que chamamos de milagre. E isso implica numa constante reciclagem, que mantém seu pulsar.  Como nos diz Nietzsche em ‘Assim Falava Zaratustra’: “A existência principia em cada instante; em torno de cada ‘aqui’ gira a esfera do ‘acolá’. O Centro está em toda parte. O caminho da eternidade torna sobre si mesmo”. 

Se você for um empresário, um sacerdote, ou um político, as responsabilidades com suas escolhas só crescerão, uma vez que as decisões tomadas, não irão afetar apenas aqueles que estão muito próximos de você, mas um número enorme de seres humanos que confiam em seu discernimento, sua ética, sua capacidade de amar, e acima de tudo, sua palavra. Como já foi dito, palavras são como flechas lançadas, são irreversíveis e como tal podem produzir consequências, quiçá, devastadoras. Embora saibamos que certas escolhas são imperativas ou inadiáveis, todas carregam seu preço. Por isso, exigem reflexão. Demanda a eterna angústia do pensar que tornou o homem um animal acima de todos os demais.

Nietzsche nos incita a refletir sobre a complexidade de nossas escolhas, ao afirmar no já citado livro: “Porque é necessário que eu seja luta, e devir, e finalidade e contradição. Ah! Quem advinha a minha vontade, advinha também quão tortuosos são os caminhos que é preciso seguir”... Não nos é permitido recuar. Há unicamente esse devir inexorável. Só nos resta um ir para frente sem retornos, e sem choramingos. Por isso, ainda que pareça paradoxal: Não temos escolha, temos que fazer escolhas! Esse é o preço pago por havermos nos tornado deuses, como preconizado no Gêneses: “E o Senhor Deus disse: ‘Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal”.... A consciência implica decisões; decisões são frutos de escolhas; escolhas que estão relacionadas ao discernir entre o bem e o mal, o certo e o errado, o agora ou nunca, o eu ou o resto do mundo, e assim por diante. Como diz o poeta-filósofo em sua propalada loucura: ‘é preciso seguir’. Para superar esse desafio, nos parece sensato constantemente harmonizar os pontos de energia que nos unem ao todo ao qual pertencemos. Ou seja, sintonizar nosso ‘Eu’ com o universo à nossa volta, buscando compreender o que trazemos de valores e aspirações na alma, com aquilo que entendemos como nosso limiar de fronteiras com o que nos é exterior, e que pertencem ao coletivo. 

Quando entendemos nosso papel nesse contexto, nossas decisões se tornam mais fáceis, mais simples e mais leves. A voz que vem de dentro é o eco do próprio universo, porque somos feitos de pura energia, ainda que disfarçados temporariamente sob uma imagem física resultante da aglutinação de milhões de moléculas que transportam essa energia. 

Nossa marca pessoal, empresarial, política ou corporativa é resultado da somatória de nossas escolhas, razão pela qual é tão importante refletirmos sobre cada decisão. Mas, com certeza, ela só se tornará harmoniosa se levar em conta essa sintonia com o todo que lhe cerca. Não importa o que fizemos ou deixamos de fazer no passado. É no agora que tomamos as rédeas do nosso destino e mudamos o curso da nossa história. A consciência de ser parte de algo maior, do qual somos apenas extensões, pode fazer uma enorme diferença na percepção daqueles em quem queremos deixar impregnada nossa marca para sempre. 

_____________________________________


*Mauricio A Costa, É estrategista para projetos de ‘alavancagem’ de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, para atuar como Executivo, Assessor, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, para grupos, associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.






Um comentário:

  1. Caro Maurício
    A existência de nenhum homem está previamente traçada. Cada ser humano é criatura, mas também criador. Criatura enquanto ser contingente, criado e sustentado pelo ser; criador enquanto ser que se faz, que escolhe o seu próprio destino, de tal forma que tudo depende do modo como assume as forças de sua própria existência, onde a missão deve ser fundada no essencial, no fundamental...
    Pedro Rombola

    ResponderExcluir

Não esqueça de deixar aqui as marcas de sua passagem...
Seus comentários serão sempre bem vindos.