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sábado, 31 de julho de 2010

Indecisões: Insegurança, Prudência, ou Comodismo?







Por Mauricio A Costa*






"Creio que a única maneira de ser franco e ficar exposto à crítica é afirmar de maneira clara e dogmática onde você está. É preciso correr o risco de tomar uma posição”. (Zizek, Slavoj, em ‘Arriscar o Impossível’ – Pág. 60 – Martins Editora – São Paulo-SP – 2006).


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Conheço muita gente que se tortura de forma estressante diante de momentos de decisão; mesmo quando a inquietação é por algo trivial. Decidir, todavia, não é coisa tão simples como aparenta ser à primeira vista, pois envolve, na maioria das vezes, um incômodo confronto íntimo, uma vez que cada decisão tomada implica em abrir mão de todas as demais opções.

Pode parecer tolo refletir horas a fio no momento de se definir uma escolha singela, mas na verdade, um questionamento, por mais simples que pareça, contém enormes considerações relacionadas ao ambiente e às circunstâncias. Pode envolver significativos vínculos emocionais ligados à genética, como também, embutir traumas, perdas e frustrações do passado; além de produzir ansiosas expectativas com relação a projeções futuras.

Em determinadas situações, tendemos a tomar apressadas decisões diante de inusitadas oportunidades, ainda que sob dúvidas, ou pressões, apenas para não parecermos simplórios, incapazes ou inseguros diante de terceiros. Na dúvida, nos sentimos tentados a acreditar que nossas melhores decisões poderão surgir desses momentos, o que pode ser uma verdade parcial e perigosa. A prudência nos ensina que diante do novo, que tanto fascina a alma, a mente poderá ser excelente companheira, provendo importante visão analítica para contrapor-se a uma postura excessivamente emocional ou aventureira.

Uma reflexão sobre nosso comportamento dualista, entretanto, nos remete imediatamente a questionar se uma atitude de prudência não seria, por acaso, uma enganosa fachada para encobrir posturas de comodismo, preguiça mental, ou medo do fracasso.

Alguns empreendedores resistem ao novo de maneira intransigente e até irracional, por conta do medo do desconhecido. Recusam sistematicamente a análise de opções alternativas pela insegurança que geram, e em vista disso, restringem suas decisões àquilo que lhes é familiar.

A busca da sintonia entre o novo que atrai, e aquilo que já é conhecido, deve nortear a visão de quem decide. O que é novidade estimula e provoca desejo, mas convém lembrar que o tradicional transfere confiança e tranquilidade. O desafio, portanto, é encontrar caminhos que levem em consideração as possíveis reações do público alvo no qual se pretende construir percepção de nossa marca.

O aparente paradoxo, ou contradição, desta análise, cujo título já se inicia com uma pergunta, ratifica minhas colocações anteriores em artigos e palestras onde tenho afirmado que o pensamento estratégico é, antes de tudo, um processo de questionamento permanente; uma infindável análise de possibilidades para encontrar os melhores caminhos que levem ao sucesso aquilo que se empreende. A pobreza de opções conduz inevitavelmente a escolhas medíocres e quase sempre defasadas em relação às próprias oportunidades. Já a análise de alternativas enriquece a decisão.

Do ponto de vista da marca pessoal, os conceitos básicos são praticamente os mesmos; embora valha a pena acrescentar que em algumas situações, as posturas de indecisão refletem também um sentimento de auto proteção, medo de eventuais perdas, ou uma inaceitável exposição ao ridículo; situação que não teme aquele que está obstinado pelo sucesso, ou pela realização pessoal.


“Somos dúvidas, incertezas, indecisões, imprecisões e obscuridades. Somos multiplicidade de sentidos, equívocos e hesitação. Vivemos a diversidade de infinitos significados. Somos, enfim, o paradoxo da ambigüidade... vivemos um permanente processo de evolução, onde a verdade se revela gradualmente através da mudança”. ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Em Gestação).

Finalizo, deixando a pergunta do título de abertura da matéria para que cada leitor proceda sua própria reflexão, levando em conta seu histórico pessoal, suas ambições, e  expectativas de realização em relação à sua marca pessoal ou empresarial. Não há fórmulas prontas em assuntos como este. Cada ser humano conhece a dimensão da própria alma. As respostas afloram quando mergulhamos para dentro de nós mesmos. Alguns, com certeza, concordarão com a frase de Slavoj Zizek, de que 'É preciso correr o risco de tomar uma posição”. 

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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.

4 comentários:

  1. Ter o equilibrio é a forma mais dificil de se viver...
    Se posicionar e se colocar de forma mais clara tabem o é, pois ficamos exposto...
    mas qdo começamos a ter mais sabedoria percebemos que ser uma pessoa mais voltada para oq sentimos e como vivemos oq sentimos é o melhor caminho.
    Aliar a mente com o coração...
    Com isso conseguimos viver o caminho do meio.

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  2. SEU TEXTO NOS LEVA,SEM DÚVIDA,A GRANDES REFLEXÕES E À LEMBRANÇA DE REFLEXÕES FEITAS NO PASSADO MEDIANTE A NECESSIDADE DE TOMADAS DE DECISÕES INADIÁVEIS!!EU ADOREI LÊ-LO E ACHEI O VÍDEO FANTÁSTICO,PRINCIPALMENTE AO ASSISTÍ-LO PELA SEGUNDA VEZ E AO ADIANTÁ-LO!!FANTÁSTICO! PARABÉNS!VOCÊ ME SURPREENDEU MAIS UMA VEZ!ADOREI E CONCORDO COM O QUE VOCÊ APRESENTOU NO TEXTO!!UM ABRAÇO!!

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  3. lendo seu artigo, eu me vi diante de uma situação de mudança e isso gera para mim desconforto total,sim pela mistura de insegurança e prudência, tenho que decidir até março mas já estou sofrendo por antecipação..e isso tem gerado stresss alto grau, estou trabalhando com a ideia do tempo, onde tudo possa se resolver mas confesso a vc é muito dificil...bjbjbj.

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  4. Somos gerados Seres dual. Somos interrogação até definição do corpo físico tomar forma. Emocionalmente passamos a vida buscando identidade, com medos do igual e do diferente. Somos como uma moeda com cara e coroa. E quando somos cara queremos ser coroa e quando coroa, buscamos ser cara. Sempre os dois lados, as diferenças dos iguais. Amamos ou odiamos, gostamos ou detestamos, ou é preto ou é branco. Os medos não são do desconhecido mas de perceber que na mudança nada é diferente. Tudo é igual.Igual ao que era ontem e que será no amanha. Os medos são do TALVEZ...... O TALVEZ não me remete a lugar algum e isso me dá medo...

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