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sábado, 24 de julho de 2010

Idealismo, O Sonho Por Trás da Marca.








Por Mauricio A Costa*


“Pois como quereis que não me sinta confuso ante o que irá dizer esse velho legislador chamado Vulgo, quando vir que, ao cabo de tantos anos de repouso no silêncio do olvido, saio agora, trazendo às costas o peso de todo os meus anos, com uma história seca qual um esparto, vazia de invenção, minguada de estilo, pobre de conceitos e falha de toda erudição e doutrina, sem cotas nas margens nem notas no fim, diferente do que vejo noutros livros que, embora fabulosos e profanos, andam tão repletos de sentenças de Aristóteles, Platão e toda a caterva de filósofos, que causam admiração aos leitores, emprestando aos seus autores a aparência de homens lidos, eruditos e eloquentes?” (Miguel de Cervantes (1547-1616) no Prólogo de sua obra ‘O Engenhoso Fidalgo D. Quixote de La Mancha’ –Pág. 28-Editora Itatiaia–Belo Horizonte-MG– 2005)
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...Quando eu tinha apenas quinze anos, até parece que foi ontem, uma jovem senhora, atendente de uma grande biblioteca pública que eu costumava frequentar, já que não dispunha de recursos para comprar livros, ao ver-me absorto na leitura de D. Quixote, comentou amavelmente comigo: ‘você se parece com ele!’ – Naquele momento, por conta da minha juvenil limitação cultural, entendi a frase como algo referente à minha compleição física, por eu ser visivelmente esguio. Só anos mais tarde, ao reler essa obra, relembrei esse inesquecível comentário, e dei-me conta de quanto idealismo parecia fazer parte da minha personalidade. Mergulhado por instantes em um profundo silêncio, confesso que meus olhos marejaram, refletindo o infinito carinho por aquela mulher que sequer sabia o nome, ou mesmo lembrava seu rosto. Um exemplo de como uma fração de segundo pode nos acompanhar pela resto da vida; um simples gesto, olhar, ou palavra pode nos afetar abissalmente, sem que tenhamos noção da grandiosidade do momento. 

Foi assim, ainda na adolescência, que começou minha paixão por D. Quixote, a bíblia de quem deseja mergulhar fundo na alma humana, para sentir o martirizante efeito do dualismo que a permeia, numa luta sem trégua entre a leveza do sonho que carrega, e a assustadora realidade que avança sobre ela como um exército de ferozes guerreiros invisíveis. 

Hoje, tornei-me um apaixonado pela humanidade, na busca por entender a essência daquilo que ela é, e percebo com certa dose de tristeza, a razão maior por trás da inquietude de cada ser, na incômoda angústia de viver dividido entre o que a alma traz de mais sagrado e a força da matéria que a aprisiona. Uma batalha desesperada contra o tempo e contra tudo, por saber que cada minuto pode ser decisivo para concretizar seu ideal, e que ferrenhos inimigos estarão por toda parte, a tentar usurpar-lhe o significado do próprio existir, ou aquilo que possa ser seu grande legado.

Todo empreendimento, projeto ou empreitada pessoal traz embutido o sonho de um empreendedor, e é esse sonho, ou ideal que dá origem à sua marca. Quando o sonho é destruído por qualquer razão e o ideal parece fenecer, a alma desse guerreiro vagará sem destino, perdida na escuridão das frustrações como se para ele a vida não fizesse mais sentido; a prostração e o desânimo passam a tomar conta da mente, que se torna confusa, fragmentada e impotente. É nesse momento que a energia sagrada do todo que o envolve, poderá suavemente reacender-lhe a alma, porque o ideal na verdade, jamais se extingue, por ela ser eterna e não ter noção de espaço ou tempo. 

Sinto profunda decepção, ao ver ridicularizado pela insensibilidade ou arrogância de alguns, o trabalho de incansáveis escritores de auto-ajuda, ou de médicos e terapeutas que atuam com a medicina que vai além do convencional, ou ainda de honestos e dedicados espiritualistas e religiosos que se entregam à missão de confortar e apoiar, num visível esforço para despertar essa chama latente, quase apagada, em maravilhosos seres humanos, que caminham como zumbis, alheios ao extraordinário poder interior que carregam; necessitando apenas de um leve sopro de vida naquela pequena flama, sufocada na maioria das vezes por ingenuidade, despreparo, ou por motivos alheios à sua vontade, mas por muitos ignorada. 

O empreendedor que supera desafios e atinge com bravura o ápice do sucesso, não verá apenas no dinheiro ou no poder o único sabor de sua conquista. Para ele, a realização pessoal, é a verdadeira conquista. O ideal da própria alma transformado em algo concreto. É esse ideal que gera um conceito poderoso, e transforma um simples nome em uma marca que transcende todo tipo de obstáculos para se tornar uma referência. 

A beleza da história contada por Cervantes, todavia, não nos mostra apenas o lado idealista do ser humano, em seu personagem D. Quixote, mas faz-nos acordar também para a realidade que nos cerca. O personagem Sancho Pança é a nossa mente, sempre racional e obstinada por coisas concretas, que nos aprisiona a correntes formadas por dogmas, preconceitos, tabus e paradigmas de toda ordem. Esse Sancho Pança será um incansável, mas efêmero, serviçal da nossa ‘quixotesca’ alma, que movida pela energia do eterno não se prende a nada, pois navega em seu infinito agora. A consciência da complementaridade desses dois personagens dentro de cada um de nós, com certeza, poderá permitir uma caminhada mais serena, e minimizar conflitos íntimos que produzem inoportunos questionamentos existenciais, que desembocam quase sempre em momentos de profunda angústia ou até depressão. 

A plenitude do viver está na convivência pacífica conosco mesmos. O segredo está em compreender a estupenda energia resultante do encontro dos opostos; nisso consiste a sabedoria que produz a vida, e a harmonia por onde flui a essência daquilo que chamamos paz.

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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.


É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.


12 comentários:

  1. Mauricio: que bálsamo esta leitura,para o dia de hoje. O idealismo faz lindas acrobacias no espaço ilimitado, enquanto que a razão passeia nos limites do chão. Dentro de uma forma.
    Tem momentos que a realidade é dura demais para continuar e só mesmo vivendo de nossos planos, projetos e sonhos podemos nos sentir ainda respirando.
    Mesmo com tantas quedas pelo caminho e tantas decepções ainda vale a pena nos lapidar e continuar.
    É sempre bom poder escorregar tendo voce por perto.

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  2. Olá Mauricio! Mais uma vez você nos dá uma aula de sabedoria e humildade. Entendo perfeitamente o que você sente...talvez às vezes impotente em querer ajudar e não ser compreendido por alguns...Mas saiba que o que importa mesmo é que você ajuda e muito a todos nós e que só pode ajudar de verdade, quem já viveu algo semelhante e mais...que ter tem o "dom" de dar o que recebeu ou aprendeu... e esse dom divino você tem...pois fala com conhecimento de causa. Acredito eu que apenas isso importa, o resto é resto pois muitos sairão vitoriosos nas suas buscas, sonhos e com as suas Marcas Fortalecidas com a sua ajuda e você fortalecido em ter feito parte de suas histórias. Parabéns!!!!!

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  3. Mauricio...
    Nem preciso dizer que adorei "O Sonho por Trás da Marca"..mas oq mais me fascinou foi saber que vc vai criar personagens fictícios através das histórias da vida de seus amigos do FB. Achei simplesmente genial..será muito interessante!! Muito boa sorte e parabéns querido!!

    Luciene Mendes..

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  4. sandra brunow freitasjulho 24, 2010

    Mauricio.
    Penso que hoje não estava num bom dia para ler seu texto.
    Pois não em paz comigo mesmo e com as pessoas com que convivo diariamente.
    Mas sei que terei e saberei superar desafios.Se eles surgiram, e porque tenho condições e buscarei força para enfrentá-los.
    Hoje sinto que preciso de colo.
    Mas amanhã ... é outro dia.
    Obrigada por você existir...
    Bom final de semana.

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  5. edilene Boldrinijulho 25, 2010

    Sim, concordo plenamente! estamos numa dimensão onde a dualidade é a normalidade. Justamente porque o SER deve aprender através da dualidade, por estar experimentando os opostos,conseguir reconhecer a beleza da Unicidade. Creio que nossa principal missãoseja redescobrirmos que somos "criadores", intensionais ou não. tudo que nossa mente se foca, consciente ou incoscientemente tende a se realizar, mas nos fizeram esquecer isso. Estar na matéria sem pertencer a ela porém sem menosprezá-la.A matéria nada mais é que energia condensada. Tudo é energia. Don Quixote, como você disse, mostra a dificuldade da mente humana em desprender-se da aparente dualidade. Quando aprendermos a nos focar somente no que nos traz bem estar, começaremos a perceber nossa realidade diária se transformando para melhor...e assim jamais vamos permitir que nossos sonhos morram porque o Universo não tem outra chance a não ser conspirar a nosso favor...
    Lindo texto!
    Bjossss

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  6. Naira Costajulho 25, 2010

    Olá Maurício,
    Adorei,obrigada por compartilhar essa maravilha...
    Um abraço e um bom domingo!!!

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  7. Olá Maurício!
    É impressionante como hoje somos treinados a produzir por mera repetição sem dar um diferencial às nossas vidas! Andamos "sem tempo" p/ a valorização do eu e p/ a criação da marca pessoal. Estamos aprisionados a um mundo onde ter é melhor do q/ ser! Esquecemos q/ ser é algo mais q/ existir...e de que vale existir e não ser?! Parabéns pelas brilhantes colocações um grande abraço, Anna Carolina Vaz.

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  8. Amanda Pontesjulho 25, 2010

    "A plenitude do viver está na convivência pacífica conosco mesmos. O segredo está em compreender a estupenda energia resultante do encontro dos opostos; nisso consiste a sabedoria que produz a vida. A harmonia por onde flui a essência daquilo que chamamos paz." - Costa A. M.

    Excelente artigo !!!
    Parabéns.

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  9. Admiro sua atividade em benefício de milhares de seres desconhecidos que você resgata para seu círculo de amigos. Aqui, persistentemene e desinteressadamente, você ilumina o caminho de muitos, com as suas postagens. Esta é a grande razão da existência.

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  10. Diana Hagejulho 30, 2010

    Sou uma apaixonada pela vida,sinto-me privilegiada por ter chegado a minha idade sem perder o idealismo e continuar a ter capacidade de amar o ser humano, os animais e a natureza.
    Para mim as pessoas sempre teem um lado bom,a verdade é que. com um mundo que se apresenta violento,materialista,consumista eu consigo ver tantas outras coisas lindas.
    A minha marca pessoal talvez seja essa, ver com olhos de paixão e compaixão a vida.
    Amei o artigo.

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  11. Tem mais de um ano e nunca deixará de estar actual. Nesta CAMINHADA, onde os sonhos não se podem perder de vista, nunca tinha sonhado! Aliás, sonhei ser bailarina e rodopiar em pontas... No tempo em que os pais não tinham o suficiente para o básico na vida da família, nem sequer existia o sonho das aulas de dança...Aos 50 fui "dançar" como terapia...aulas dança de salão...Foi afinal o realizar o sonho que nem tinha sonhado! E foi bom...assim como que uma vitória sobre a inércia!É que, uma senhora, aos 50 anos, não vai dançar sem o seu marido...Mas se era uma coisa minha, então por que razão os "outros" tinham de ser importantes? E fui...e foi bom e pude ajudar o meu marido que, entretanto, passou um problema grava de saúde...E fiquei forte com o que a dança, a música, o movimento foram produzindo em mim... Quando me aposentei, chegou a PINTURA! E acerca dela nunca tinha "pensado" nada...nada mesmo! Mas deixei que ELA me levasse, me envolvesse nas CORES e trabalho...trabalho...trabalho todos os dias, com ganas de caminhar, nem sei bem onde, mas num CAMINHO maravilhoso de entrega e aplicação... Escola de artes, não tive! História de arte pouco conheço! Estilos e correntes menos ainda! mas SEI que quando as CORES se misturam, bailam e fluem por entre pinceladas, então SEI que deve ser um sonho sonhado que concretizo. E essa "certeza" é tanto maior, quanto as Pessoas dizem ver e sentir, aquilo que me vai na alma e não ousei contar a ninguém! Então, é porque aquelas PINCELADAS, falam e SONHAM... ABRAÇO imenso, Maurício e Obrigada, por um dia ter OLHADO minhas pinceladas e me ter feito escrever sobre ELAS...

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