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sábado, 5 de junho de 2010

Sinergia: Agregar Forças Para Construir Marcas Fortes






Por Maurício A Costa*


Amit Goswani
“Um nível crítico de confusão satura o mundo contemporâneo. Nossa fé nos componentes espirituais da vida – na realidade vital da consciência, dos valores, e de Deus - está sendo corroída sob o ataque implacável do materialismo científico. Por um lado, recebemos de braços abertos os benefícios gerados por uma ciência que assume a visão mundial materialista. Por outro, essa visão, predominante, não consegue corresponder às nossas intuições sobre o significado da vida.... As tribulações em que vivemos alimentaram a exigência de um novo paradigma – uma visão unificadora do mundo que integre mente e espírito na ciência” (Amit Goswani, Richard Reed e Maggie Goswani em ‘O Universo Autoconsciente’ – Pág. 19 – Ed. Record/Rosa dos Tempos – RJ – 2000).
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A lembrança desse interessante texto do indiano Amit Goswani, um dos principais físicos da atualidade, mundialmente conhecido pela participação com suas idéias no filme 'Quem Somos Nós?", surgiu como fruto de uma intensa reflexão que tenho feito nos últimos dias sobre a diversidade humana. Ou melhor, sobre a magnífica beleza da diversidade humana. Uma verdade incontestável que, no entanto, passa despercebida por muitos de nós na maior parte do tempo. Somos, sem dúvida alguma, parecidos em muitas coisas. Temos uma infinidade de semelhanças que nos fazem pensar sermos iguais; todavia, nossas enormes diferenças são maiores do que possamos imaginar. Trazemos conosco uma estupenda mistura genética, que nos faz incrivelmente diferentes. Para ser mais preciso: únicos. E é exatamente pelo fato de sermos únicos que trazemos um arsenal de informações complementares ao outro, aquele que é uma extensão de nós mesmos quando vistos no contexto de um todo.

Albert Einstein
A ausência de consciência desse princípio da complementaridade é capaz de produzir lamentáveis momentos de angústia existencial do ponto de vista individual e uma tremenda perda de energia potencial no aspecto coletivo entre seres humanos. Quando nos distanciamos da ideia de que somos extensões do outro e nos permitimos pensar e agir de maneira isolada, tendemos a acreditar que somos os únicos donos da verdade, e passamos a considerar todas as demais visões como equivocadas ou até mesmo ‘bobas’ ou insignificantes. Albert Einstein, um dos maiores cientistas do século XX, disse certa vez que, ‘toda observação depende do ponto de vista do observador’; uma singela afirmação que nos remete à necessidade de consideramos outros pontos de vista antes de procedermos qualquer conclusão sobre determinado assunto.

É lamentável observarmos a frequência com que nos deparamos diariamente diante de fúteis discussões provocadas pela arrogante postura de quem pressupõe a verdade de maneira antecipada, ignorando visões complementares. Assistimos impotentes a esses infrutíferos conflitos no ambiente familiar, entre amigos, e principalmente no meio profissional e empresarial. Quantas decisões não poderiam ser sensivelmente melhoradas se fosse levada em conta a opinião do outro?.... Quantos avanços poderiam ser conquistados se uma ideia complementar adjacente fosse ao menos escutada?...

A presunção, ou conclusão antecipada, é uma forma mesquinha e vaidosa de ignorar o outro, atribuindo-lhe eventual inferioridade; que pode gerar consequências desastrosas especialmente no universo dos negócios. Subestimar, ou pior, deixar de dar ouvidos àqueles que nos cercam e nos querem bem pode se tornar uma inestimável e quem sabe, irrecuperável perda de oportunidade. Aprendi com um mestre da administração moderna que ‘a sorte é o ponto de encontro da preparação com a oportunidade’ (Allan Cohen, ‘The Portable MBA in Management – Ed. John Wiley & Sons - 2002); e por preparação, entendo cercar-se de todas as informações possíveis, isento de dogma, ou paradigmas de qualquer espécie. ‘Observar tudo e reter o que é bom’ dizia o apóstolo Paulo. E isso implica estar acima das vaidades pessoais.

A humildade não deveria ser vista apenas como um fundamento religioso, e sim como um princípio fundamental da sabedoria universal. Aliás, se há uma coisa que a maioria das religiões não demonstra é humildade, pois grande parte dos conflitos mundiais tem ocorrido devido à intransigência ideológica; que vai desde a forma agressiva e arrogante com que falam pseudo-sacerdotes em seus púlpitos, até a instigação das guerras santas e atos de genocídio unilaterais, com o extermínio de comunidades ou grupos, gerados por motivos religiosos. 
(Para exemplificar, recomendo a leitura de matéria publicada recentemente pela Editora Abril em sua revista Super Interessante, a respeito dos Cátaros, povos que habitaram o sul da França, e seu extermínio pela temida Inquisição da igreja católica medieval) Ver: http://super.abril.com.br/religiao/cataros-hereges-gracas-deus-447853.shtml

Como inquestionável princípio universal, a humildade pressupõe uma visão do todo. Implica saber-se parte de um conjunto e levar sempre em conta essa premissa. Exige despir-se das ideologias ou regras manipulativas, e rever paradigmas produzidos por grupos de interesse de toda ordem. “Quebrar paradigmas ou idéias pré-concebidas, permite vislumbrar o mundo além do horizonte das nossas limitadas convenções. Inserir uma visão mais ampla, que contemple múltiplas percepções para um mesmo fato, enriquece nossas decisões, e amplia infinitamente as possibilidades” (O Mentor Virtual – Pág. 97 – Ed. Komedi – Campinas-SP – 2008).

Quer na vida familiar, ou no ambiente das grandes corporações, o conceito de complementaridade nunca foi tão importante. As marcas fortes estão levando essa idéia muito a sério; e a força dessas grandes marcas vem essencialmente da perfeita compreensão e adequada aplicação desse princípio. Por essa razão, ganham projeção em nível mundial, por analisar e incorporar de maneira inteligente as diferenças; sejam elas étnicas, culturais, ou até mesmo ideológicas. Por conta disso, inúmeras empresas multinacionais vão aos poucos se tornando uma esmagadora força, capaz de sobrepor-se até mesmo a religiões e às nações e seus governos; conduzidos na maioria das vezes por idiossincrasias que bitolam seus indivíduos, ao querer que reajam de maneira pessoal de acordo com padrões ultrapassados.

A ideia de uma visão unificadora, conforme enunciada por Goswani em sua obra 'O Universo Autoconsciente' no início deste artigo não está vinculada apenas à superação da simples divisão entre valores espirituais e ciência, mas envolve, especialmente, todas as iniciativas que busquem potencializar, isto é, ampliar e dar força a qualquer empreendimento passível de ser gerado pelo ser humano, em todos os seus campos de atuação.

É decisivo que famílias e pequenas organizações entendam a importância desse princípio universal da complementaridade, para que aprendam a utilizar uma das mais potentes palavras do universo: Sinergia, que representa o efeito do esforço obtido através da ação conjunta, capaz de gerar um resultado maior que a soma de suas individualidades, em prol de um objetivo comum; e construam em torno de si a energia poderosa por meio das pessoas com quem convive para produzir resultados surpreendentes.

O princípio da sinergia é de colossal significado para a construção da marca pessoal, e da marca de qualquer empreendimento; e para isso, é decisivo investir em relacionamentos saudáveis, sustentados por uma visão autêntica que transfira credibilidade, pois só assim serão construídas as pontes necessárias que unem forças isoladas, mas que trazem consigo os mesmos objetivos ou ideais. 





*Mauricio A Costa, É estrategista para projetos de ‘alavancagem’ de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, para atuar como Executivo, Assessor, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas sérias, comprometidas com a verdade.
É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, para grupos, associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.





Um comentário:

  1. Este é um dos temas mais intrigantes que já li em seu Blog.
    Porque apesar de ser fácil de falar, temos muitas dificuldades de admitir o outro com suas diferenças e acrescentá-lo em nossas vidas.
    Abrir para novas percepções de vida sempre é incomodo e complexo.Nos faz refletir, rever conceitos e modificar paradigmas muitas vezes pré estabelecidos
    Somar é a palavra que surge para mim lendo este texto incrível mas difícil de praticar....

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