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domingo, 20 de junho de 2010

O Difícil e Delicado Equilíbrio de Ser


Por Maurício A Costa*



“O homem inconscientemente compõe sua vida segundo as leis da beleza, mesmo nos instantes do mais profundo desespero”. (Milan Kundera, em ‘A Insustentável Leveza do Ser’ – Segunda Parte).
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Minha recente passagem por Praga levou-me de forma espontânea a pensar no livro de Kundera, e como uma singela homenagem citá-lo na abertura desta matéria. 


Mauricio A Costa em Praga
Jun-2010
A ‘Insustentável Leveza do Ser’ é quase um virar a alma pelo avesso, para um escritor engajado nos problemas políticos e sociais do seu tempo em sua terra natal a Tchecoslováquia, hoje República Tcheca. Um desafio, antes de tudo, por construir um enredo carregado de sensualidade, com o propósito de analisar a fragilidade da natureza humana, dividida entre o peso dos comportamentos padronizados e a leveza de uma ausência de regras. Numa trama envolvendo temas como o amor e o destino, o autor leva seus leitores a refletir sobre a ambivalência do conceito de maior valor para o ser humano, a sua liberdade.

Friedrich Nietzsche
Em recente artigo que publiquei no blog Marcas Fortes, abordei sobre a busca do equilíbrio entre o instinto e a realização da alma trazendo à reflexão idéias de um polêmico e brilhante, Nietzsche, que incita o ser humano a uma vida de plena liberdade, longe da mesmice de uma sociedade marcada por medos e repressões, em consequência de tabus ou paradigmas que conduzem à angústia de uma vida insípida vivida sem o prazer produzido pela estimulante sensação da aventura. Comentei também sobre o desafio daqueles que decidem sublimar toda energia gerada por estímulos exteriores, ao direcioná-la de forma intelectual ou espiritual para a busca daquilo que o ser humano chama de paz, ainda que isso implique em 'quarenta dias no deserto da alma' como na metáfora de Cristo em seu delicado momento de resistir a tentações, em razão de uma meta pessoal.

Milan Kundera

Ao me deter sobre a frase de abertura desta matéria usada pelo famoso autor tcheco, percebo a dimensão desse desafio vivido por cada um de nós diante de momentos em que a alma se vê angustiada por sentir-se dividida entre a serenidade dos caminhos conhecidos e a forte emoção que lhe causa o novo, já que o 'diferente' é o que lhe estimula e atrai, uma vez que produz evolução e crescimento, essência do seu mais nobre propósito. O amor, sua arma mais poderosa é sua própria armadilha, e "O amor é alheio a tempo ou espaço. Por desconhecer o que é real, retrocede em repentinos mergulhos no passado ou precipita-se por tortuosos caminhos do futuro imprevisível. Invade o presente com ímpeto, sem noção de consequências, e esvai-se a deixar apenas um enorme vazio, até que irrompa o inesperado frenesi da próxima turbulência". – (Reflexões para ‘O Mentor Virtual II’ – O Elo Invisível - Praga, Junho de 2010).


O que seria então esse questionável conceito de liberdade para o 'ser' humano, senão a mera ilusão passageira de sentir-se no controle das próprias decisões? Como superar com equilíbrio, inesperadas tempestades provocadas pelos impulsos de vôos acrobáticos, se em plena calmaria já se sente inseguro? De que forma, consciente ou inconscientemente superar momentos de enormes turbulências sem abrir mão dessa beleza que fala Kundera, especialmente aquela produzida pela paz que envolve todas as expectativas? Como ser o guerreiro que enfrenta todas as batalhas na luta pelo que acredita se está dividido entre o que é seguro e a aventura daquilo que o fascina?

Ao pretender trazer todo esse inquietante questionamento para a construção da marca pessoal, sinto-me um autêntico personagem de Richard Bach em Ilusões - As aventuras de um messias indeciso, ‘em busca de respostas para coisas que sequer sei perguntar’. E por conta disso, me dou conta apenas da importância decisiva de nossas escolhas, e da consciência ao fazê-las. Eleger prioridades não é algo tão simples como possa parecer. Opções arrojadas costumam trazer resultados inesperados, e isso implica no pleno domínio dessa consciência e seus eventuais desdobramentos, embora sabendo: “Após cada curva, a expectativa do desconhecido. O surpreendente que fascina e dá beleza ao caminho” (O Mentor Virtual – Pág. 177 – Ed. Komedi – Campinas-SP – 2008).

Não cabe colocar em discussão o que é certo ou errado, apenas analisar o peso das opções, e neste sentido, não me parece demais destacar que boa parte das nossas escolhas costumam ser feitas sem conhecimento prévio de todas as informações que balizem uma boa decisão. Com frequência elas são tomadas por impulso, baseadas em meras aparências, que conduzem a decisões precipitadas. Como consequência, o pesado fardo resultante pode não compensar a leveza do ser, sob o pretexto de exercitar a liberdade.

“Está em suas mãos a decisão para definir o que é melhor para sua vida. Apenas a você cabe operar suas escolhas. Não deixe que ninguém interfira nisso” é a mensagem de ‘O Mentor Virtual’. Todavia, nunca é demais lembrar que algumas dessas escolhas implicam decisões recíprocas e nesse momento o melhor é não criar expectativas que possam produzir desilusão que torna o existir demasiadamente pesado, a ponto de se transformar amor em ódio, alegria em sofrimento, beleza em frustração. A vida é um fluxo constante de decisões e nisso se resume, essa 'insustentável leveza de ser', uma ópera cujas páginas escrevemos a cada dia; muitas vezes sob emoções contidas, palavras suprimidas, e finais que vão se modificando a cada minuto; porque sabemos que nessa peça, somos ao mesmo tempo atores e platéia, mas somos especialmente, os autores dessa história.


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*Mauricio A Costa, É estrategista para projetos de ‘alavancagem’ de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, para atuar como Executivo, Assessor, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, para grupos, associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.



2 comentários:

  1. Maurício, seu blog favorece a recíproca das sinuosas curvas da vida,assim como envolve a cultura que permeia.abraço.

    Simone.

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  2. Excelente reflexão sobre os desdobramentos e consequências das nossas escolhas.
    Gostei especialmente desse trecho: "Eleger prioridades não é algo tão simples como possa parecer. Opções arrojadas costumam trazer resultados inesperados, e isso implica no pleno domínio dessa consciência e seus eventuais desdobramentos".
    É o eterno duelo entre a razão e a emoção.
    Grande abraço, Mauricio.

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