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quarta-feira, 17 de junho de 2015

Desafios Invisíveis




Por Maurício A Costa*


“A insegurança subjacente a uma negação intensa é também uma causa de falta de confiança em nós mesmos, pois inconscientemente, um insight insuficiente resulta em que partes da personalidade permanecem desconhecidas” (Klein, Melanie -  Inveja e Gratidão (1946-1963) – Pág. 308 – Editora Imago – Rio de Janeiro – 1991).
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Um dos maiores desafios de qualquer ser humano nos tempos atuais tem sido a dificuldade em lidar com a incerteza. Mesmo sabendo que, como regra geral, vivemos à mercê do imponderável, nossa angústia existencial deriva em grande parte do devir contínuo em que flutuamos; um fluxo permanente, movimento ininterrupto, resultante de uma lei geral do universo, que dissolve, cria e transforma todas as realidades existentes; num vir a ser de infindáveis possibilidades.

Em nosso cotidiano lidamos apreensivos com o desconhecido de maneira quase automática, sem perceber muitas vezes, que estamos desenhando o nosso futuro; futuro que chega sorrateiro e implacável e nos faz conhecer situações inusitadas, e por que não dizer assustadoras, a nos colocar repentinamente frente a frente com cenários excêntricos, ambientes caóticos, e circunstâncias imprevisíveis.

Sabemos também que, pelo fato de sermos conduzidos sob influência permanente do nosso inconsciente, formado por milhões de informações acumuladas de maneira desconexa e aleatória, agimos invariavelmente movidos por impulsos que nos parecem estranhos; como se uma parte desconhecida de nossa identidade aflorasse imperiosa do nada, a produzir comportamentos inesperados, e desencadear um indesejável sentimento de insegurança. Em vista disso, nossos gestos e palavras nem sempre refletem racionalidade. Dizemos sim quando queríamos na verdade dizer não, ou negamos com veemência algo que no íntimo concordamos; reflexo de toda essa falta de confiança, em nós mesmos e no mundo à nossa volta.

Como ensina meu inseparável Mentor Virtual, ‘Viajamos em busca de certezas sem perceber que é no vazio absoluto que voamos’, e o nosso maior desafio é enfrentar desafios invisíveis; lidar com aparências como se realidade fossem; decidir com base em conjecturas, expectativas e possibilidades, sem a plena convicção do que fazemos: Uma insanidade de consequências insondáveis.

Negamos a tudo e a todos de forma quase sistemática, como se não desejássemos compactuar com nada, por desconhecermos a nuances escondidas das palavras, ou desconfiarmos das intenções disfarçadas por trás de cada gesto, e essa negação continuada nos coloca diante de um paradoxo, que é seguir adiante nesse voo cego, ou arriscarmos confiantes unicamente na intuição, que segundo a lenda popular, é a voz da sabedoria.

Segundo Heráclito, filósofo pré-socrático (535-475 a.C), "O mundo é um fluxo perpétuo onde nada permanece idêntico a si mesmo, mas tudo se transforma no seu contrário. A luta é a harmonia dos contrários, responsável pela ordem racional do universo. A nossa experiência sensorial percebe o mundo como se tudo fosse estável e permanente, mas o pensamento sabe que nada permanece"; e a verdade com qual temos que lidar é exatamente essa impermanência, essa instabilidade randômica que nos deixa ao mesmo tempo desesperados, mas também fascinados, por conta da curiosidade que nos move; um irrequieto desejo de conhecer o que nos apavora, a que damos o nome de sublime, ou o insólito que chamamos de sagrado.

Essa reflexão nos leva a uma singular noção da magnitude do universo de possibilidades que carregamos dentro de nós mesmos. Um alento que nos estimula a pensar sobre a leveza quase inconsistente de todas as coisas; a desproporcionalidade entre o aparente e seu conteúdo, como se a ambiguidade fosse a única verdade contida na realidade que enxergamos, devido à multiplicidade de significados; uma polissemia que desafia constantemente nossas mentes, por nos remeter à dúvida, à incerteza, à hesitação e à ambivalência.


Por essa razão, é imperativo abandonar inúteis paradigmas; romper regras fixas, ou tabus obsoletos, pois não há tempo a perder. Urge despertar agora. Não amanhã, nem mais tarde, que podem nem vir a existir, mas agora, pois a vida é um pulsar contínuo, efêmero e irreversível. Quem sabe no caminho descobriremos o que dá sentido, e se preciso for, ainda que aleatoriamente, criaremos um significado, que torne o existir algo extraordinário e único, e o inesperado nos surpreenda. 

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*Maurício A Costa - Escritor, Palestrante e Mentor (análise+coaching. É o Idealizador do Projeto Mentor Virtual Empreendimento com fins educativos, focado no despertar da consciência humana, na valorização da vida, e no apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop estão disponíveis para Empresas, Escolas, Universidades e Associações, com reflexões que poderão mudar sua visão de mundo, e alavancar o potencial de sua Equipe.